Morada
És moldura que habita a parede do meu quarto e reside na mesma morada de mim. Somos nós no mesmo espaço, habitando a mesma casa,
porém, não dormimos na mesma cama, não comemos no mesmo prato nem bebemos na mesma taça. Não brindamos com o mesmo vinho, não cantamos a canção de nós nem vivemos os mesmos sonhos !
Ah, se o tempo em ti fizesse morada
Eu mandaria tirar todo e qualquer relógio das paredes do mundo
Só para viver cada um dos segundos
No espaço tempo do seu universo
Ordem.
A casa pode ser gigante
ou uma pequena morada
pode ser de um ambulante
ou da pessoa renomada
tudo isso é irrelevante
não é a classe que garante
uma pessoa organizada.
A sabedoria encontra morada no coração daquele que possui riqueza de espírito e não no de quem guarda espírito de riqueza.
A tristeza só consegue fazer morada onde não se dá lugar para a Alegria. O alimento da alegria é ver a beleza nos pequenos detalhes da vida. Afinal quem decide se quer ser feliz ou não somos nós mesmos! -DG
A morada do poeta
O pensamento é a morada do poeta...
É lá que ele se instala,que ele delira e que se contorce
E que em plena insanidade descrevi o seu próprio eu,transmitindo ou traduzindo aquilo que se propaga no seu mundo calado sem muitas portas mais com muitas chaves
É com a alma sofrida que descrevi toda beleza
É com palavras doces que se afagam suas lágrimas
É com cores imaginárias que desfaz o cinza do mundo real tão cheio de ressentimento...
Abra a janela e sinta o vento soprando levemente... Deixe o amor entrar e fazer morada...
Regue os sentimentos bons e deixa florir teu jardim interior.
Foste o sonho mais lindo
e perfeito
que um dia pousou aqui
em pensamento
e hoje faz morada em minh'ama .
"Vem e faz de mim morada, faz de mim porto seguro pros teus devaneios. Guarda tuas mágoas no meu ouvido e aquece teu coração no meu abraço. Cuidarei do teu sono essa noite, cuidarei dos teus sonhos. Farei com que não queiras mais partir. Então apenas faça de mim seu amor."
CLAUSTRO
No silêncio do claustro solitário
Do vazio acerado desta morada
Numa vastidão da noite calada
Sombria aflição urde o cenário
Nele vagueio, e levo vergastada
Da tristura, desfiada num rosário
De lágrimas, sem um destinatário
Em cinzas de uma época passada
Na cíclica ladainha do fado vário
Aí, rezada em oração desfilada
Os ás da solidão do proprietário
E pelo claustro, a lacuna é criada
Em saudades, ausente no sacrário
Silenciado em uma muda fachada
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
