Monólogo
Monólogo do vazio.
Tudo desmorona, quando o ego vem à tona,
Minha Alma em estilhaços,
Lábios se fecham,
Se calam,
No escuro da dor do vazio,
Sozinho,
Sou escrava de mim,
Dos meus pensamentos,
Lamentos,
Tormentos,
Não me aguento mais,
Não sei como correr atrás,
Só queria fugir,
Desse mundo insípido,
Insosso,
Covarde,
Vadio,
Miserável,
Intragável
Que me esmaga todo dia,
Sem alegria,
Minha única companhia,
Canta e papel...
Como sempre,
Um nada.
Monólogo da solidão.
Eu sou assim,
Um quebra-cabeça,
Incompreensível,
Intrínseco e extrínseco,
Criptografia,
Hieróglifos,
Não sei de mim,
Sempre fui assim,
Aí de mim que o destino é o Só,
Sou meus versos,
Sou meus paradigmas,
Sou enigma,
Aí de mim que o destino é o só.
O monólogo não precede o silêncio
Não em uma mente barulhenta
São os gritos que ninguém ouve que ensurdecem
Não há trégua quando se luta contra si mesmo
Quando vieres a aplaudir
talvez o palco esteja vazio
e o monólogo recolhido,
agora exausto e silencioso,
na solitária coxia da vida.
O monólogo alto,
O alto do monólogo,
Quando a consciência exterioriza em palavras o que você sente no peito,
Sem respeito,
As ideias me rasgam,
O sentimento me corta,
Me embaraça,
O relógio avança,
Enquanto a vida me dói.
O monólogo do tempo perdido.
Se existe algo que me arrependo é de não ter estudado naquele tempo...
Enquanto jovem me achava curtindo a vida,
Enquanto curtida estava sendo por ela,
Me sinto cansada e esmagada,
Pela luxúria e falta de empatia,
Da maioria que te passa por cima,
A dor dos que tem menos de todo dia me dói hoje,
Sem desistência sigo,
Correndo atrás do tempo perdido,
Esbaforida,
Mas, nunca vencida,
Embora insista a ideia da desistência a cada esquina,
A cada tombo,
A cada gongo que se experimenta dia à dia,
Me sinto presa,
Escravizada pelo sistema,
Embora tenha prazer em servir,
O prazer de quem me pisa,
Parece ser sempre maior,
Eu quero vencer,
Mas, não quero me tornar desamor,
Não quero ter o peito petrificado em ouro,
Quero permanecer sendo sangue, quente, amor,
Que o prazer de ajudar não me deixe,
Prefiro a morte,
Ao viver como esses defuntos em vida,
Que fedem e ferem,
Que se acham maiores,
Embora em fim,
Na partida se tornaram desnudos e suas partes em decomposição,
Como todo cidadão,
Turbidez,
Desabafo,
Fácil,
Poucos vão ler,
Talvez ninguém,
Porque no mundo de hoje,
Ninguém se importa.
Monólogo do eu.
Porquê?
Nunca, do nunca há satisfação?
Meu eu é implícito no ser...
Tropeço em qualquer distração,
Ímpeto do meu ser,
Só sei que nada sei...
Fazer é meu eu em metáforas,
Incomplexão do incomplexo,
Intrínseco,
Foda.
Né? Mato ou desmato?
No mato!
Incomplexão do ser.
Eu mesmo no mesmo...
Desconexo,
Do ímpeto do ser.
Monologo
.
Se me fosse meu o teu amor
Não me haveria assim
Tamanha dor,
.
De não ter a quem eu amo
E me lhe entregar
A esse amor.
.
O meu prologo de dor,
Que de mim se apoderou,
Não minorou o meu amor.
.
Só aumentou a minha voz
No ecoo forte do silêncio
Em que lhe entrego o monólogo deste amor.
.
Edney Valentim Araújo
1994...
O poeta é um diálogo,
monólogo,
solilóquio,
consciência em modo
quântico,
holístico,
pássaro em pleno vôo
Monólogo é um diálogo
tão prazeroso, muito edificante, que me ensina a ser uma perspicaz ouvinte, mui paciente, boa companhia de mim mesma.
Me vejo em espirito a imagem e semelhança de Deus. Em silencio monologo intensas conversas sobre a vida e sobre a morte, como também sobre tudo que ilusoriamente, damos maior valor, por um tempo relativo que não existe. Afinal, somos eternidade.
Monólogo
Anda, fala
Não ouço nada
Não escreve
Apenas se cala
O quê?
Não ouço você
Não vejo você
Miopia... Pia vazia
Não quero beber
Essa água amarela
Minha blusa de flanela
Eu perdi você
Fiquei com o silêncio
Insônia e monumento
Inerte, sem movimento
Assim lhe descrevo
Nada de desejo.
Monólogo da madrugada de auto conhecimento
Eu,sou eu
Mas quem sou eu ?
Eu não sei responder quem é eu
Ela é eu ?
Não,acho que ela é ela
Mas ela se parece tanto com eu
Mas até agora não respondi a pergunta,quem é eu?
Eu não consigo explicar quem é eu
Eu é eu,ou finjo ser eu ?
Eu nem sei quem é eu
Bom ,eu só sei que, eu é eu.
É impressionante como a pessoa consegue ser tão criativa. É capaz de inventar um monólogo inteiro sobre o que eu disse, sem ter ouvido uma única palavra.
Onde reina a opressão, a conversa se torna um monólogo imposto pela força, e não um diálogo genuíno.
Dia 8
Cápsula criogênica,
Bola de pelo na garganta,
Um monólogo,
Não opcional,
Eu só queria ser amiga do tempo,
Falar pra ele passar correndo,
À nado,
Ou, fazendo um triatlon,
Te espero como uma criança que anseia muito por um passeio prometido,
Te espero de braços abertos e olhos descobertos para que possa eu te cuidar...
Não quero o efêmero,
Então, quero dar continuidade na nossa jornada,
Te guardo cada beijo,
Toque e carinho,
São todos seus,
Assim como eu.
O Monólogo do Abstêmio
São oito horas da manhã de um domingo,
Os raios de sol invadem a cozinha pela janela,
Uma paz enorme me toma,
Como que quando fechou os olhos pareço flutuar,
É como se eu estivesse nos braços do Universo,
Como um abraço,
Me sinto tão completa agora,
Tão feliz,
Uma força motriz,
De dentro para fora,
Enfim, consigo me enxergar,
Respirar,
Sem a face escondida pela máscara do vício em álcool,
Sem a depressão que só passava no fundo de um copo e num comprimido de Rivotril,
Comprimido era meu ser, minha alma,
Num engano intrínseco,
Em passar um pano,
Em fugir da realidade ao invés de enfrentá-la,
O álcool era minha bengala,
Velha, quebrada e que no final o resultado era o chão,
As perdas imensuráveis,
Os vexames inomináveis,
Que agora ficam só na lembrança,
Sim, tenho que me lembrar,
Porque para aquele buraco,
Nunca mais quero voltar,
Essa liberdade que agora sinto,
Eu voltei a respirar...
