Mona Lisa
O dia findou-se e a noite solta das asas a treva como pluma desprendida de águia que em nós se eleva. Contemplo as luzes da aldeia entre a chuva e a bruma, e melancólico um sentimento se apossa da alma, que não resiste. Sentimento de tristeza e anseio, não de pesar, que só como a névoa, a chuva pode a dor se comparar. Vem ler-me algum poema simples, gemido do coração, que afaste os cuidados diurnos e acalme a inquieta aflição. Não dos velhos grandes mestres, dos bardos da glória, cujo passo ecoa eterno nos corredores da história. Com o poder das marchas bélicas, eles nos evocam a alma, a luta sem fim da vida, e esta noite almejo a calma. Lê canções de um poeta humilde, brotadas do peito, tanto como a chuva dentre as nuvens ou das pálpebras o pranto, de alguém que em noites insones e por laboriosos dias, ainda na alma ouve a música de mágicas melodias. Tais cantos podem dar calma à aflita preocupação, descendo como uma bênção que se sucede à oração. De teu livro favorito, lê o poema que ama, após cansando as rimas do poeta, a beleza da tua voz adormece. A noite vai se encher de música, dobrando quais nômades que fugirão. Silentemente. Ergueu-se o vento sobre o mar de espumas e dizem, abri caminho densas brumas! Saudando as naus, ele exclamou, dar velas, marujos, vede, fogem as estrelas. Seguindo o rumo à terra em correria, bradou, desperta, que aí vem o dia. A selva sussurrou, vossa folhagem. Tocando na asa, disse a passarada, desatai vossa madrugada. E no terreiro despertando o galo, não tardou o sol. Ao trigal murmurou, inclina a fronte que a manhã vem surgindo no horizonte. Arrojando-se, disse o nosso horário. E baixando por sobre a terra, seu dia há de chegar, em paz espere-o, que hoje impera a vida e a morte não é percebida. Caminhamos descalços na grama e colhemos margaridas. Nosso amor é suave como o vento e refresca o mundo com sua delicadeza. Em sonhos vejo sua face e é ali que mora minha paz.
Esta é a floresta primitiva, seus plangentes pinheiros, com verdes paramentos de folhagem, de musgo e formas indecisas. Parecem no crepúsculo os antigos, com tristes poetas, ou harpistas, cujas barbas brancas e longas sobre o peito descem. De seus rochedos fala nas cavernas, com voz alta e profunda o mar vizinho, e respondem em tom desolado os lúgubres lamentos do passado. Esta é a floresta primitiva, dos corações que palpitavam à sombra dela, como a pantera que a voz ouviu do caçador, onde os tetos estão da aldeia desses homens, cujas vidas corriam como os rios que as florestas regam pelas sombras da terra escurecidos, sem que deixem de refletir do céu uma imagem dos seus donos, dispersos como as folhas que de outubro os vendavais a um lugar distante arrojam. Só resta a tradição. Quem acredita em ascensões que esperam e resignadas sofrem, pois que existem mulheres de devoções firmes e belas, a lutuosa tradição escute, que ainda os pinheiros cantam de amor história passada, onde um povo feliz seus lábios teve. Nessa floresta primitiva construímos nosso ninho, de esbeltos passarinhos, marinheiros da selva no verde cristalino do mar clandestino, como seus peixes dourados a se espraiar na areia como oferendas, na frondosa amizade de todos os ares. E cantamos um hino à natureza, com tom grave e melodiosas vozes. E podemos dizer que somos o presente que o passado guardou com paciência e no ninho de tantos pássaros abundam sementes que nossos dedos escrevem. E somos para sempre parte desse expectro e plantamos árvores que se encontram no horizonte. E eu diria que esse poema é um ipê rosa, suave como nosso amor habitante da floresta primitiva, de nossos mais impetuosos desejos, que pulsam na natureza humana. E esse poema voa céus e te encontra sereno a pensar em seus caminhos.
Quando, acima dos canteiros, o prado, impressentido, o largo oceano ergue seu vulto, e margaridas libertas já não são apenas flores, mas cor e movimento, ou a imagem talvez do próprio movimento, ao passo que o mar, envolvido, se inclina docemente, a árvore sobre seu tronco. Que isso seja esquecido como uma flor, ou como o fogo de áureo gorjeio que ninguém já relembre. É bom, amigo, o tempo que nos traz a velhice. Que os males sejam esquecidos para todo o sempre. E se alguém perguntar, dize, foi esquecido há muito, muito tempo, como uma flor, um fogo, uma surda pegada, numa neve esquecida há um tempo imenso. Mas a velhice me traz uma serenidade que eu não tinha tempos atrás, e te amo de uma maneira mais doce e calma. E não desejo sua presença ao meu lado. Se o que eu desejo é que caminhe ao seu lado toda a paz e a alegria que te é merecido. Somos duas águias que revoam juntas por debaixo dos céus, por cima dos montes, ao vento alongadas, que o sol revigora, cega a neve ilude, e as nuvens perseguem tênues e emaranhadas. Somos como águias. Porém, quando o fim vencer a um de nós, humano e frágil, possa o outro segui-lo e acabar seu voo. Fique extinto o fogo, seja o livro fechado. Mas minha memória não encontra o fim. Minha memória encontra seus olhos e o seu sorriso. E se falo em morte, é para exaltar muito mais a vida. Porque a morte será um dia que não veremos, e a vida vivemos todos os dias quando o sol desaponta no horizonte. Quando eu estiver extinta e sobre mim o claro abril sacudir seu cabelo de chuvas compactas, embora seja isso para mim uma partida, não importarei nada, pois não estarei mais aqui. Terei a paz que têm as árvores espessas sob as chuvas que os ramos lhes dobra. E terei mais silêncio e um coração mais frio que tu agora. Novamente eu falo, porque o fim aparece em minha canção. Mas todas as vezes que eu falo, uma estrela silencia seu brilho. E então, muito mais eu convido a vida. Pois é na vida que eu olho seus olhos e me encho de ternura. E sei te amar sem possuir e desejar que sejas feliz mesmo longe de mim, por mereceste meu afeto e em ti se faz completo.
Se um dia as pessoas que eu quero bem se forem, eu não me esquecerei. Quando me afastei o quanto pude, houve uma hora tranquila em que, ao me inclinar sobre uma flor, ouvi tua voz. Não me digas que não, porque te ouvi falar. Falaste daquela flor no parapeito da janela.
— Lembras-te do que disseste?
— Primeiro, dize-me o que julgaste ter ouvido.
Tendo encontrado a flor e afugentado uma abelha, inclinei a cabeça e, segurando-lhe a haste, escutei. Julguei ter captado uma palavra.
— Qual era? Chamaste-me pelo nome?
— Ou disseste apenas: "Vem"?
Ouvi ao debruçar-me. Talvez tudo tivesse nascido apenas em meu pensamento; talvez nenhuma voz houvesse atravessado o silêncio. Ainda assim, respondi ao chamado.
— Pois bem, então eu vim.
Dorme sossegada, águia esquecida. Lá o tempo é contigo. Publicamente demonstram tristeza, mas no íntimo não se sabe. Rosnavam contra ti todos os dias a tua passagem. E agora te acabaste. Louvam-te e deixam-te à margem.
Os outros, que te choraram em silêncio e em verdade — o rapaz em mocidade, o humilhado, o desprezado, o ferido, e o pobre — aqueles que jamais deveriam esquecer, já não se lembram mais.
Onde estão os que te amavam? Sob que nome agora se abrigaram? Onde repousam os exércitos de perdidos que um dia choraram sobre tua face?
Seus nomes são uma centena de heróis de alto brilho; numa centena de brancas águias tornaram-se os filhos de teus filhos. O fervor com que um dia sonhaste é o mesmo que lhes consome as asas. A valentia que incendiava tua alma permanecia a serviço do homem.
Dorme sossegada, águia esquecida. Lá o tempo é contigo, e o barro também age. Dorme, ó bravo coração, ó sábia criatura que acendeu a chama.
Porque viver na humanidade é muito mais do que viver num nome.
Viver na humanidade é muito mais do que viver num nome. Há um pássaro entre as colinas e as folhas são pequenos peixes amarelos nadando no rio. O pássaro faz rasantes e ofusca o rumor das folhas do vento. Viver na humanidade é muito mais do que viver um nome. Voa grande águia.
Eis que faço a minha confissão. Ó meu caro amigo, bem sabes que minha loucura tem asas e não cabe na casa. Escrevo versos contidos, hinos à natureza e ao amor, mas minha mente tem mil voltas e arduamente tento educar minha insanidade que quer gritar obscenidades e clamar pela justiça e a liberdade com sons histéricos e canções insandecidadas de minhas mãos já conhecidadas. Mas tranco minha loucura com grades de ferro e espero que ela morra de inanição. Se eu pudesse falar tudo que eu penso, não restaria pó sobre pó, porque eu sou mais do eu mesma e meu ser não conhece o limite do céu. Escrevo versos educados, mas minha boca quer comer o mundo e regugitar outro planeta. Sim, sou louca, e não posso me ofender com a verdade se meus dedos digitam acorrentados. Não quero assustar o mundo, nem acordar os passarinhos, mas vivo enclausurada em mim mesma, calculando os meus passos e não há margaridas nem begôneas que me contenha. Tenho palavras na boca que não podem ser ditas. Como eu seria livre se eu pudesse me expressar realmente quem sou. Mas não quero que me joguem novamente no calabouço, esse pouco ar que eu respiro me é sagrado e meus poemas são falseados se eu quero extrapolar todos os limites, mas respiro longamente e me limito. Sei que eu nunca poderei ser eu mesma, que a educação sempre calará minha garganta. Mas do amor eu sinto eu não minto, essa é a única verdade dos meus versos cabaleantes, adornados por palavras que desconheço, porque minha sinceridade é do tamanho da minha loucura e seu amor foi a única sanidade que me restou. Não espero ver sua face novamente, bastam-me as lembranças e já tenho metade do céu. Quem ousaria declarar sua insanidade assim tão cruamente? Vivo em uma linha tênue entre a razão e a loucura, mas se te amo há tanto tempo, bem sei que meu amor é verdade e sobrevive heroicamente sobre minha oscilação. Já não me importa mais quem sou, se tristemente vivo o que esperam de mim. E eu queria gritar no sol da tarde até acordar as estrelas e difamar o universo. Morre minha loucura na minha constante educação. E você continua como esperança em forma de canção. Que Deus ouça minha oração.
Quando a estrela matutina resplandece no céu mil alvoradas despertam como vagalumes brincando de acender luzes verdes florescentes no mesmo tempo em que as roseiras abrem suas pétalas a espera do sol. No mar as marés acompanham a lua e a flor açucena desabrocha em lírios brancos anunciando que a paz se estende no universo e harmoniosamente cantarolamos uma antiga cantiga e em nossas línguas sentimos as framboesas silvestres que doam seus frutos gratuitamente. Amanhece no orvalho da grama e o dia se faz como uma fábrica a tecer ações numerosas em que a terra abunda trabalhos cotidianos. E é preciso tirar as ervas daninhas, pois as begôneas pedem espaço. O lavrador trabalha a terra com paciência e uma vasta plantação de estrelas se espanham nos campos do universo. O ser humano observa o chão se transformar e no fruto do trabalho descansam as constelações. Eu me vejo absorta olhando o horizonte e pensando em quem eu amo. Será que já me esqueceu? Por quais caminhos andará? Será que escrevo cartas ao vento? Em uma cachoeira renovo meus passos e os pensamentos lunáticos caminham mais adiante. Eu nasci una do ventre de minha mãe. Porque afinal esse sonho de ser dois? É um pensamento esdrúxulo que eu deixo passar. E ao descansar o corpo debaixo de uma árvore eu me esqueço e parece que eu não amo mais se a sombra areja minha mente e na fome eu me farto de estrelas cadentes que viajam sem destino e se apresentam luminosas nos meus olhos dúbios. Eu amo e esqueço. O amor é uma pergunta e uma ausência e mais me distrai ver uma formiga carregar uma folha maior que seu próprio peso. Se meu amor já me esqueceu, o que eu ganho em pensá-lo tanto? Mas amor não se ganha, amor se doa, e o amor dói, porque pulsa no corpo e os olhos inebriados já não sabem esquecer. E penso, penso, penso, penso em você. E pergunto à leve brisa: Você já me esqueceu? E espero o vento me responder.
Benditos sejam aqueles que não olham para trás. Benditos sejam aqueles que amam o presente e louvam o futuro. Benditos sejam aqueles que estendem uma mão, haja visto que tem duas. Benditos sejam os honestos, e da boca sai o que está no coração. Benditos sejam aqueles que tem alma nobre e sentem em seu íntimo a compaixão. Benditos sejam aqueles que perdoam aos outros e a si mesmo. Benditos sejam os mansos, pois plantam na terra a paz. Benditos sejam os hulmildes, pois sabem que somos todos iguais. Benditos sejam aqueles que enxugam as lágrimas alheias, assim como benditos sejam aqueles que compartilham um sorriso verdadeiro. Benditos sejam aqueles que colhem os bons frutos do que plantou. Benditos sejam aqueles que podem dar amor, pois o tem de sobra. Benditos sejam aqueles que molham uma planta e alimentam os animais, não sem antes alimentar os seres humanos. Benditos sejam os corajosos, cujas palavras são tão transparentes quanto a sua alma. Benditos sejam os trabalhadores e os artistas, quem se doam à terra, que é o nosso lar. Benditos sejam aqueles que refletem sobre si mesmos e mudam seus comportamentos em prol de uma harmonia maior. Benditos sejam os que sabem pedir perdão, que preferem perder a discussão por uma possível reconciliação. Benditos sejam aqueles cujos olhos vão para além de si mesmos e enxergam o próximo como sangue da mesma carne. Benditos sejam os que se calam, e não alimentam discórdias. Benditos sejam os que sentem gratidão e recolhecem a ajuda oferecida. Benditos sejam os que suportam sua dor, sem apagar a alegria alheia, assim como benditos sejam os que se curvam e pedem ajuda, pois não estamos sozinhos. Bendita seja eu e bendito seja você, porque benditos são os homens e as mulheres que estão no mundo e fazem valer o seu nome por suas ações em prol de uma convivência melhor. Benditas sejam as crianças e as novas gerações, pois renovarão a cultura. Bendito seja o crepúsculo que traz frescor ao calor da tarde. Bendita seja a flor que nasceu e ninguém viu. Suas pétalas continuam belas. Bendito seja o dia de hoje em que Deus abriu meus olhos e me fez ver as bênçãos de sua criação. Que o presente seja sempre momento de renovação. E que o mundo tenha pessoas de bom coração. Eis a minha oração.
Mistério da Gioconda
Monalisa, teu olhar é um mistério
Tua boca é desejada
Tua mão, linda e delicada
E esse sorriso então
Como posso decifrá-lo?
Quanto encantamento
E o mistério empregou
Mas que revelarás?
Embora teu sorriso seja misterioso
O que teu olhar esconde?
Um olhar fixante e enigmático
Mas quem realmente tu olhas,
Olha com devoção,
Quem é olhado, é olhado com admiração
Gioconda em olhos e sorriso.
Monalisa
Não sei que segredo esconde esta gentil criatura com o seu sorriso indisvendável e seu olhar magnético. Não sei se homem ou mulher, apenas um alto-retrato, também não o sei. Sei sim que esta é uma das mais belas e gratificantes criações que o gênio Leonardo Da Vinci poderia em sua vasta criação e a magnitude de sua mente fantástica criar para que nossos olhos deleitassem.
Assim como a mulher amada, nos impressionamos com cada traço, gesto, olhar, sorriso. Me encanto com cada momento que posso desenhar teu rosto com meus olhos e saber exatamente o traçado de cada linha que te dar forma.`
É impressionante como você embriaga de prazer e ternura cada gesto singelo ou mais bruto. Tudo em ti minha amada é poesia pura. Daquelas que precisam ser tomada todos os dias em doses homeopáticas para não perecermos sem tê-la. Explicar o que sinto quando a vejo, não existem palavras suficientes em português muito menos em qualquer outra língua para dizer-te do meu amor. A única palavra que posso dizer no momento que você entenderia, só existe em nossa língua é saudade, saudade de teus afagos, caricias intermináveis, prazer imenssurado que me leva até você. Amo-te com paixão de criança, com malicia de adolescente, com a seriedade dos adultos e a ternura dos velhos. Quero ter-te sempre ao meu lado ou até a minha frente, pois só assim posso te contemplar a cada segundo que respiro nesta terra tão imperfeita que a perfeição tem sobre ela que é você, minha musa!
Beijo de quem te ama hoje e sempre, mesmo que o sempre; sempre acabe, ainda assim o que sinto permanecerá!
L.P.S
Açucarado são seus beijos.
Com sabor de quero mais.
Deusa mulher,monalisa.
A mais belas das mortais.
Com um corpo de serei.
Meiga e singela flor.
Por todo canto que passa.
Deixa transbordar o amor.
E um doce e raro perfume.
De toda esta tua graça.
A me matar de ciumes.
Até parece pirraça.
Que fazes pra me mostrar.
Tudo aquilo que eu já sei.
Que és a mais graciosa.
Das mulheres que eu amei.
Todas as mulheres que são "Monalisa"..
"Um quadro? Uma pintura! Uma beleza "escondida", natural, um brilho que ofusca tudo e a todos! Deslumbrante, elegante, é ela que esbanja beleza e elegância! Onde passa arranca suspiros!"
Monalisa
Mata-me a suas incertezas, vazio e tristezas
A fonte desses males sei que surgem do nada comendo bons pensamentos como se fosse praga.
A sensação de estar só na garganta surge um nó e o medo desses grilos dividir e sentimentos prefere engolir.
Mata-me saber que pensa que não nos importamos ou achamos que é drama.
Digo que pensar isso também é armadilha traiçoeira não se importar com tristeza não é condição pra quem ama.
A vida é Boa, mas as vezes bate essa sensação que estamos só no meio de uma multidão
E hora de aproveitar essa ótima oportunidade escolher aquele amigo de verdade e mergulhar seu abraço como se fosse o seu travesseiro.
Poder confessar suas angústias ou não falar nada se quiser afinal as vezes nossos olhos falam mais do que a boca.
Esse sentimento mau vai passar tão rápido quanto surgiu vai voltar a ser feliz.
Aí use também para os outros essa receita.
Que a melhor coisa no momento que está triste e ir de pressa ligeiro
Procurar seu amigo de abraço gostoso como travesseiro.
