Mona Lisa

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Na noite suave de ventos amenos o clamor estonteante da cidade faz uma pausa para a escuridão descer e descansar o sol. E eu absorta em pensamentos analiso símbolos da natureza e me imagino sentando graciosamente na relva verde a pensar amenidades como folhas caem suavemente das árvores e no outono cintilam o dourado de suas sombras. E penso outros assuntos mais concretos como o trono da sabedoria no qual se assentam aqueles que fizeram da humanidade um lugar melhor para a realização da vida e observo suas verdades e também a coragem de enfrentar o tempo e serem mensageiros da beleza. Eis que os homens temem muitas coisas, inclusive a si mesmos. E haverá também quem tema a beleza, se ela é o silencio daquilo que atrai a alma. Começa em si mesma e termina muito além da imaginação humana. A beleza é a música secreta do ser. Uma canção cujo eco dura até a madrugada desaparecer. E na manhã eu bebe o amanhecer em taças plenas de amor divino. Sento-me ao entardecer em meio ao reluzente langor e percebo que a beleza é doce e gentil. Ela caminha entre nós como afagos na alma. A beleza é feita de sussuros suaves. Ela fala em nosso espírito a recitar poemas antigos. A beleza não é em si uma necessidade, e sim um êxtase. Mas o êxtase é também nosso infinito. Beleza é quando a vida revela seu rosto sagrado. A beleza é a eternidade que se contempla no espelho, que reflete a face. Nós somos a eternidade que o espelho admira encantado.

No que concerne à vida posso dizer que o propósito da humanidade é ser feliz nessa terra, se assim se deixa transparecer na beleza da natureza. E de todas as vidas, temos somente esta vida, pois quem não vê o reino dos céus nesta vida, nunca o verá na próxima e os segredos se escondem dentro de nós mesmos, no olhar sensível que compreende o indizível. O belo está no passado, no presente, no futuro, e em todas as nossas existências, já que é um elo entre este mundo e o vindouro a preecher a face do céu, vestido de simplicidade e bondade. Quem planta a beleza é um semeador de novas riquezas, que se multiplicam na altura do agora nas alegorias do afeto e pede à humanidade nada mais que um sorriso a colorir a cidade. Mas tantos desconhecem se estão cegos no afazeres diários e os raios de sol perguntam por quanto tempo vão ignorar a natureza que permite ver a beleza de seu espírito, símbolo do amor? E o tempo se pergunta até quando os seres humanos honrarão os mortos e esquecerão os vivos? Essa pergunta é um louvor ao presente, às pessoas presentes, que trabalham palavras para levar adiante um pouco do seu olhar que busca e leva a paz, como alimento da alma e harmonia com tudo que nos cerca no caminho da luz. Claramente vejo no meu terceiro olho a melodia que abraça o meu entendimento. Minha tentativa de tecer versos é uma canção de liberdade, que não se faz sozinha, mas com plenitude de coração. O poema tem pressa e não pode esperar a perfeição, pois somente as canções que morrem jovens em meus lábios viverão no coração humano.

O perfume dourado da primavera estava em sintonia com o silêncio azul da madrugada e era acariciado pela voz aveludada do vento, o sabor cristalino da esperança, cuja luz perfurmava os lírios no toque luminoso da ternura. O aroma quente do verão esperava a melodia prateada da chuva e seu brilho doce das lembranças na escuridão macia do crepúsculo. Eu sentia a doce tristeza da saudade e inventava muitas atividades para tentar esquecer a luminosa escuridão da alma. O silêncio que gritava em meu peito de uma ausência presente. A solidão me exigia muitos esforços para suportá-la. Mas eu era resiliente e não me deixava afogar nesse lago de fraquezas. Minha felicidade era melancólica, mas ainda assim era felicidade. Quanto mais forte eu ficava mais a força aumentava. E em solitude escrevia um poema sem pretensão de publicá-lo. Meu vazio tinha significados e me salvavam de um desalento destrutivo que eu evitava. E vivia cada eternidade de um segundo. Minha fragilidade era invencível. Por séculos esperei talvez uma solução mágica, mas corpórea que sou, aceito o materialismo do meu destino, sem lágrimas débeis a escorrer na face altiva. O céu inteiro cabia nos meus olhos e o tempo parou para observar. Minha saudade atravessou continentes, mas não saiu do peito, em ar rarefeito, eu me contive como uma rocha e colhi minha própria dignidade. A noite parecia infinita, mas o silêncio cobriu o mundo. Desejo que a noite proteja meus sonhos.

Meus olhos eram oceanos insondáveis, enquanto a noite se fazia uma lua de mistérios. O tempo é um escultor silencioso e fez seu rosto em minha face frágil como um cristal. O amor é uma catedral no centro da alma. No entanto, os espíritos não sabem rezar. Então o amor se torna uma ponte sobre o abismo da solidão. Entretanto sonhamos o amor como um jardim suspenso entre encontros, talvez uma constelação na noite escura, um rio que alimenta desertos. Em nossa arquitetura de afetos, nossas árvores têm raízes infinitas, já que o amor é um mapa desenhado sobre a pele da memória. E assim fazemos nossa história incompleta. Duas jornadas na cidade sem esquina, que não se encontram nas linhas da mão. O amor é impossível entre nós por diferenças irremediáveis, é fácil dizer. Mas na noite escura os dedos digitam. Mas a distância não tem conciliação e já não reconheço sua pele. Então levo esse amor como uma companhia abstrata, motivo de versos e poemas. E penso na vida que é muito mais vasta. A vida é um rio que aprende seu caminho entre as pedras, se desviando dos dissabores e seguindo adiante ao encontro do mar. Somos uma embarcação em mares desconhecidos. Nunca sabemos quem irá cruzar nosso destino, pois a vida é um mosaico de encontros improváveis. E questionamos. A vida é uma estrada iluminada por perguntas. Seguimos sem respostas. A vida é uma colheita de instantes que sorvermos ansiosos, dando um passo atrás e outro a frente. A vida é uma sinfonia que só acaba no fim. E expando do amor à vida e da vida ao cosmo. O cosmo é um oceano de luz, um manuscrito das galáxias, um jardim onde floresce o sol. O cosmo é uma orquestra sem maestro. O cosmos é tambem natureza. A natureza é uma pintora de horizontes, um espelho da eternidade. A natureza é uma pintura em constante movimento. A natureza é uma coroa de vida.

Eu buscava o sabor dourado da esperança, sua doçura luminosa, mas encontrava o gosto azul da melancolia, o amargor cinzento da ausência. Mas uma luz me cobria e eu sentia o sabor cristalino da paz, a leveza da manhã. Sua lembrança era o gosto rubro do amor e o sabor prateado da lua. Mas ardia a dura violeta da saudade, enquanto eu buscava o som luminoso da liberdade, sem perder a delicadeza transparente do afeto, na esmeralda dos sonhos no vermelho silente e solar da eternidade. Eu senti a voz aveludada do tempo no murmúrio sedoso da chuva e o canto macio dos pássaros era uma sinfonia em minha alma. No entanto, ardia o quente áspero do esquecimento na canção morna do verão. Eu sentia enfraquecer o meu corpo no silêncio cortante da ausência, mas a música líquida das fontes trazia sua delicada voz solar. O eco suave era a fala mansa do vento. Leve como a brisa na melodia transparente. Era o perfume luminoso do amor, na voz cintilante do desejo, a fragrância cálida da paixão que ruborizava meu rosto ao olhar seus olhos brilhantes na cândida alegria da tarde. O aveludado aroma da presença fazia a música macia da pele. E a voz doce das recordações é uma saudade teimosa que nunca vai embora e insiste no perfume estelar da união. A claridade do amor. A doce tristeza da saudade me deixava pensativa, vivendo no presente o passado distante. A voz pálida das lembranças que se fazia a escuridão doce da melancolia no aroma distante de quem anda errante a divagar memórias e a comer o tempo. Queimava o sabor nebuloso da perda, na canção fria da solidão, o eco azul dos dias perdidos, no silêncio do que ficou. Nem o perfume das galáxias podia redimir a música dourada dos astros. Mas a voz potente do universo faz calar o pranto e a claridade sonora das estrelas tem o toque luminoso da eternidade.

A voz mineral do crepúsculo tinha o perfume geométrico da eternidade e o sabor translúcido da expectativa, que tinha a textura azul do silêncio no brilho aromático da memória a carregar a luz dos anos e o sabor oblíquo da saudade. O eco da floresta de distância cristalina dourava a retina na claridade áspera do destino, que tecia a melodia da solidão no toque alaranjado do esquecimento. O epitáfio sonoro das estrelas reluzia na voz líquida dos séculos com o resquício de ternura e o cheiro celeste da contemplação na paz do infinito. O murmúrio esmeralda das colinas reluzia a música translúcida da aurora que já previa o gosto do luar e a fragrância silenciosa da neve com a textura do afeto na sonoridade violeta do horizonte. A luz macia da lembrança tinha o sabor azul escuro das madrugadas. A voz cintilante das fontes celebrava o escarlate do desejo no aroma cristalino das ausências na veia líquida do amor e no prateado do vento, que trazia a doçura luminosa dos sonhos revestidos do eco aveludado do passado. A música da tarde se estendia no verde da chuva de outono na textura sonora do universo com o gosto da serenidade branca do inverno atemporal sobre o toque aveludado do tempo a se espraiar por um instante no aroma vermelho da melancolia, que entretanto fazia ouvir a voz transparente dos rios no sabor solar da alegria. A consistência líquida das estrelas corria sobre o murmúrio cintilante das árvores na canção cristalina da verdade. O perfume turquesa do silêncio tinha a claridade melódica da alma e a esmeralda da sonoridade prateada da chuva. O gosto macio da lua tinha a voz rubra do coração e a forma luminosa do afeto no perfume mineral da madrugada, descomprometida com qualquer sentido no tom lilás da saudade de claridade doce no mar, com ondas de constelações no ardor branco da paz interior. O pensamento tinha o sabor arqueológico da memória na voz cósmica do vazio na metafísica do tempo ontológico da existência e a melodia espectral da consciência levava consigo a claridade ancestral da alma, cujo gosto era o silêncio invisível do destino na luz argumentativa da razão. As mentes deliravam de fome do abstrato da liberdade e em transe ouviam a melodia da impermanência na luz sideral da esperança.

O gosto silencioso da verdade era a sonoridade invisível do destino no aroma imemorial dos séculos, na textura celeste da dúvida que se esvaia no perfume matemático das estrelas, cuja a voz arquitetônica do universo se espraiava no sabor abstrato da liberdade. A claridade oceânica do pensamento era a melodia filosófica da impermanência que levava consigo a textura sideral da esperança no aroma intemporal da beleza na voz geométrica do infinito. A luminosidade silenciosa da consciência tinha gosto estelar da transcendência e a música subterrânea do destino era o perfume primordial do ser, cuja claridade poética era astronômica na saudade e na voz mineral da verdade. O aroma gravitacional do amor era etéreo na arqueologia do passado, na luz oceânica da eternidade. O perfume triangular da lua era a voz hexagonal das nuvens no sabor espiral do vento. A textura circular da saudade tinha a claridade prismática do amor na melodia vertical da aurora no aroma espelhado do céu. A voz labiríntica das montanhas estrelava a chuva na textura flutuante da memória. A sonoridade cristalizada da neve era o perfume errante dos caminhos, navegantes do tempo. A condição peregrina da esperança tocava a música planetária da noite, que orbitava em silêncio na luz nômade da ternura constelar da distância desmedida na vida celeste do infinito luminário dos sonhos. A voz navegável da saudade faziam as mãos mais descrentes no instante ambivalente de fechar as cortinas e finalizar o espetáculo, no sabor astral da lembrança numerosa tanto quanto onerosa, na forma galáctica da poesia no intermitente destino que se fazia mais vivo na música suave no instante do amor.

Eis que eu me questionava o que é a vida então? A vida é uma ponte suspensa sobre o abismo do desconhecido. O seu escultor é o tempo inerente das passagens, de quem parte sem bagagem no último trem da existência. A memória é um jardim de folhas douradas, do verde que já é passado. A esperança é uma estrela distante. O amor é uma constelação errante que brilha a cada instante. A consciência é um farol na neblina, só se pode ver a pouca luz que ilumina. O destino é um rio subterrâneo, que nos leva e nos trás, nos dá e nos tira. A saudade é um oceano sem margens, que transborda em nossas almas. A existência é uma chama exposta ao vento, que trás alegria ou sofrimento. Mas sejamos amenos. O tempo recolhia as flores do verão e a madrugada abriu lentamente suas pálpebras. Na terra, uma montanha carregava segredos milenares, enquanto a chuva escrevia cartas sobre os telhados. O tempo carregava confidências antigas sussurradas em silêncios. A memória chamava meu nome, e eu seguia esquecida de mim. O crepúsculo despia seus mantos dourados na eternidade silente. O perfume da existência se vestia da voz aveludada do vento, que tinha o sabor cristalino da esperança. O silêncio azul da madrugada ouvia a melodia prateada da chuva. Ao amanhecer, a claridade macia da paz se fez nos jardins floridos, e se sentia o aroma luminoso dos lírios. A doce tristeza da saudade era o brilho perfumado das lembranças. E eu construia minha morada entre a luz e a sombra. E entre o ruído e o silêncio eu encontrei sentido, pois o princípio e o fim habita a existência. A luminosa escuridão da alma divagava no silêncio que gritava na paz inquieta dos sábios.

A melodia dourada do crepúsculo fez raiar o silêncio azul da madrugada, em que o canto prateado das estrelas fazia a voz violeta do horizonte. A música cristalina da chuva fazia o murmúrio esmeralda das florestas em campos elísios. No dia seguinte, a canção rubra do entardecer se elevava no eco luminoso das montanhas. Eu sentia em meu ser a sinfonia alaranjada do outono e meu silêncio era branco como a neve, quando se ouve a fala cintilante dos rios no já passado concerto acobreado da alvorada. E minha voz era o sussurro transparente do vento no brilho sonoro das constelações. Era a luz macia da esperança, que trazia consigo a claridade aveludada, em contraste com o brilho áspero da realidade, na escuridão sedosa da manhã. A sombra morna do verão em altas árvores preparava a noite de textura líquida a se espraiar na boca de um rio cristalino, com o toque luminoso da ternura. Dia e noite se fundiam e a aurora de seda fazia o frio do infinito na luz amarela. A transparência cálida do afeto me lembrava o brilho delicado das lembranças e uma nostalgia sorrateira abraçava minha alma. Era a sombra acetinada do tempo na claridade macia da paz. Eu pedia aos céus um sinal, e a suave escuridão era bordada de estrelas de perfume da primavera, no aroma azul da distância entre dois corações que se perderam na fragrância prateada da lua, no perfume rubro das paixões. Eu pensava em você no cheiro translúcido da chuva e você me respondia na essência da eternidade, e isso era saudade no aroma cintilante das memórias. O perfume azul das saudades que não nos poupavam, já que o perfume luminoso dos lírios era a fragrância solar de nossa comunhão nas mãos da liberdade. Essa era nossa verdade.

Na casa clara da manhã, de poeira se enchia a estrada em um redemionho a levar flores de outono que descansam no solo. Canta a asa branca na planície de uma mata vasta e inebriada. A água calma da lagoa acalma a alma vaga na madrugada. Ouve-se a fala mansa de um arara que chama alta na varanda. No mar uma barca branca e iluminada levava uma menina que sorria. Para ela a vida era linda e infinita. A brisa fria da colina ouvia sinos a vibrar nas igrejas. Um poeta põe-se a escrever rima viva e cristalina, trilha antiga e escondida, que fitava a neblina e a poesia ilumina o dia. A melodia inspira a menina de família unida e querida. O rouxinol cantou de novo no dia solto do outono. No quintal havia um poço fundo e silencioso. Nas montanhas se ouviam coros sonoros de monges. Os olhos eram como sóis dourados, no contorno do horizonte e os opostos formam o todo de um sonho longo e misterioso. A lua despida sobre a rua pairava chuva pura da altura, em escultura de ternura. A bruma azul era música muda à alma. Uma luz profunda e absoluta. Na mesa havia uma fruta suculenta e madura, com uma cursa suave de pintura. O dinheiro era escasso e fortuna busca aventura. Mas esqueça. Uma doçura flutua na memória e o céu sereno e pequeno leva o tempo lento e secreto. Um vento leve sobre o campo, faz o verde crescer em silêncio para futuras festas belas e singelas. Uma estrela revela secredos e a névoa leve desliza pela relva. A terra espera a primavera em um verso belo e sincero. Um menino seguia sozinho, sorrigo antigo e tranquilo. Brilho vivo do destino. E há um caminho florido e bonito. Foi um livro escrito com carinho.

A natureza e seu esplendor. Ao lado de um campo de girassóis, dorme um lago sob a neblina a sonhar com papoulas vermelhas ao vento. Açucenas brancas destilam a madrugada e eu estava acordada a ver o espetáculo. Lírios à beira do rio mostravam que as margens eram adornadas com flores. Antúrios escarlates brilhavam onipotentes em seu ser luminescente e se destacavam em campos de deserto e suas miragens. As orquídeas varriam o quintal, volumosas no seu violeta vivo a espraiar amenidades em suas folhagens. Cerejeiras floridas eram um espetáculo a parte, tão longe e tão perto, a expandir flores rosas na íris da primavera anil. A floresta estava coberta de musgo como um camaleão a se camuflar no ambiente do bosque silencioso. Havia uma árvore solitária na colina, uma árvore que cresceu cedo demais e era preciso olhar o céu para vê-la. Suas raízes profundas encontravam as pedras. E da árvore caiam folhas secas de outono. A chuva fina sobre a terra vermelha fazia lama nos pés, que se lavavam em uma cachoeira cristalina, vinda de um rio serperteando a planície. Muitas léguas adiante o mar revolto sob uma tempestade balançava os barcos dos pescadores preocupados, mas que chegaram sãos aos seus lares. Avistava-se o oceano azul sem fim entre as conchas esquecidas na areia. Ao anoitecer a lua iluminava as dunas. Montanhas cobertas de neve sonhavam vales verdejantes. A lua cheia refletida na água era suave aos olhos como o pôr do sol no horizonte. Ao olhar o céu via-se estrelas espalhadas como sementes e os campos terrestres brotavam com abundância. A aurora colorida anuncia um novo dia. O sol nascente entre montanhas é uma poesia.

A alma é uma catedral habitada por silêncio. Nosso silêncio final. O amor é uma constelação na eternidade. Abstrato em muitas vidas. O tempo é um escultor de ruínas invisíveis. A memória é um jardim de folhas douradas, no vento de outono que tudo leva. O destino é um rio subterrâneo, que transforma as vidas de maneira invisível e incontestável. A esperança é uma estrela doméstica. A saudade é um oceano sem margens. A saudade é um olhar vago, parado, revivendo o passado. A consciência é um farol na neblina, que muito pouco sabe do inconsciente. A beleza é uma aurora interminável. A poesia é uma ponte subjugada sobre o abismo dos assuntos relevantes. O crepúsculo reconheu seus mantos de ouro do dia para ser rico no céu. A madrugada despertou os pássaros que já voavam em revoada sobre o vento, que carregava confidências antigas. À noite a lua velava os sonhos dos viajantes e a montanha guardava segredos milenares. O rio contava histórias às margens. Eu me queria neutra, mas a saudade visitou minha sala. Respirei fundo e segui em frente. O inverno caminhava lentamente pelas ruas e as estrelas observavam a cidade adormecida. Então o silêncio abraçou a floresta serena como um lago sem vento, brilhante como uma estrela infantil e delicada como pétalas de açucena. Uma montanha ancestral estava firme, livre como aves sobre os mares, profunda como a noite cósmica e suave como a luz da aurora. O dia nascia claro como as águas das nascentes, forte como raízes centenárias e simplesmente bela como um jardim radiante, a espraiar flores variadas, lírios, antúrios, rosas, açucenas. As flores era o que nos restava de beleza e estavam vivas e floridas.

O aroma oblíquo dos séculos cai na sonoridade azul da eternidade no sabor crepuscular das horas. A textura silenciosa do futuro descansa meu corpo fatigado pela movimentação do dia. Será um dia passado se o brilho áspero das eras são esquecidas, mas a temperatura violeta da memória faz mais forte a lembrança do amor, que surge exasperada, pois eis que são correntes do tempo e as mãos bradam por liberdade. As lembranças moram em um labirinto e voltam várias vezes ao mesmo lugar. É uma face que surge na parede sorrindo indiferente, talvez, se caminhos opostos não atravessam a cidade. No entanto, as palavras me resgatam e oferecem saídas através do perfume mineral da lógica, que altiva se faz racional. E na claridade sonora do pensamento penso em esquecer na noite escura, sujeito a perigos de ternura. Resta a luminosidade amarga da consciência e eu nego o sabor da boca se o dia foi pacífico e muito mais gratidão eu sinto. Tentar fortemente esquecer é fazer a memória cada vez mais vívida, então eu apenas me conformo a ver o copo meio cheio no murmúrio cristalino do conceito de que não há mal que sempre dure e paradoxalmente estou plena de alegria se a melancolia não entorpeceu o dia produtivo. A culpa são das noites escuras, que mais exaltam a cor da saudade. Mas não se come saudade nem amor, e sou privilegiada se tenho três refeições diárias. Diria que é uma forma torpe de diminuir a idealização, mas estou no sossego de casa e se bem pensar não me falta nada. O mais são pormenoridades e no estelar vazio dos minutos eu vislumbro o silêncio azul das nebulosas de meu peito e combato sentimentos ardilosos na geometria do infinito, que traz muitas promessas de prosperidade e tudo é relativo se o brilho dos vocábulos me enchem de bem estar e posso dizer que a felicidade está em mim, que em mim nasceu e reluz em meus olhos.

O crepúsculo bordava silêncios nas margens do tempo, enquanto a memória recolhia estrelas caídas nos jardins de orvalho. Eu observava a aurora em outro momento da eternidade e o destino escrevia hieróglifos invisíveis sobre a névoa dos séculos. Eu já não questionava, me deixava ir conforme as águas do rio e isso era um alívio de desapego. As montanhas guardavam o segredo ancestral das eras esquecidas, pois o vento transportava vestígios da lua derramada prata sobre os caminhos da ausência e tudo era silêncio que passava e esvanecia o aroma da lógica na inquietude das palavras, prisioneiras da sintaxe. A alma peregrinava por catedrais erguidas de luz e sombra no infinito a respirar entre as páginas de um livro não escrito. Era como ler o nada e o nada meditava. O silêncio possuía a solenidade dos templos. O horizonte vestia mantos de melancolia, mas a vida em si era alegre porque eu andava com a postura reta e a opressão se escondia para longe de mim. E no mais era uma grande calma nas festas juninas do mês. Ao findar o dia a noite florescia como uma rosa negra sobre o firmamento. E a alma de açucena contemplava a vida sem sobressalto. Era o momento de um novo ciclo e o espírito estava leve como estrelas que cintilam pensamentos divinos. A estação espalhava cartas douradas como um oceano recitando antigas profecias à praia adormecida. E lá estavam minhas pegadas de tantas estradas que meu ser já percorreu. A existência dançava nas horas do dia e era possível ouvir sua melodia em lírios brancos de uma canção tardia. O firmamento abria suas janelas para a vastidão do mundo e havia um sentimento profundo de orquídeas se espraiando pelo caminho florido. E não havia nada a faltar, só ao momento presente se entregar. A paz invadiu o meu coração e eu aprenciava a imensidão.

A aurora derramava sinos líquidos sobre os jardins do horizonte. Eu me via cada vez mais longe. O silêncio demorava lentamente os excessos do tempo, que era farto alimento de futuro. As sombras vestiam túnicas de safira e esquecimento. Era um momento solene. A memória recolheia as estrelas caídas da noite e o vento levava nas mãos invisíveis o aroma das distâncias. Eu buscava um equilíbrio de constância na lua bordada de rendas de prata nos cabelos da noite. Eu observava com atenção e muito pouco entendia, mas sentia que me desfazia de antigos olhares suspensos no pôr do sol. O céu repousava sua melancolia sobre as sombras da montanha e eu não me entristecia. Seguia alegre e minha única tristeza era saudade. Saudade do que vivi ou saudade do que sonhei. Mas foi intenso e o meu ser não se bastava. Como as mãos não se entrelaçavam havia uma dor lilás em meu peito. Mas faz sol e o dia convida à produção, velhas sementes plantadas no chão no ensejo de se fazer comunhão e eu beijava o altar e murmurava orações na transcendente vontade de ser o agora espiritual, embora tão pouco sei, de Deus e desse ser celeste que povoa meus olhos de anil. A primavera chegou e florescem lírios, açucenas, begôneas, girassóis. As flores de maio em seu resplendor se colorem com cores variadas, roxas, rosas, brancas, laranjadas. A saudade é uma flor fora de estação. Talvez seja outono e eu me entretenho em varrer flolhas douradas que numerosas pousam na terra verdade. A saudade é a nossa busca de sentido na vida. É mais fácil eleger uma pessoa amada do que reconhecer que dentro de nós mora um pouco de nada. E no vazio buscamos mil respostas ao amanhecer. E reconhecemos que não somos completos e ainda assim somos capazer de amar e ser feliz. É o que a poesia diz. Mas andemos ligeiros, pois o tempo passa sorrateiro e apaga as fotos antigas e esquecemos na face que muda o ser que se julgava especial. Envelhecemos. E o tempo passa mais rápido. Ser feliz é, então, uma urgência, se os minutos se esvaem nos traços de nosso rosto, no modelar de um novo corpo. O destino escrevia caligrafias de fogo nos mapas da eternidade. A saudade florescia em flores amarelas e ausentes. Seja feliz no presente.

As horas adormeciam em lírios de névoa dourada adornando o destino a escrever cartas de fogo nos mapas da imensidão. A saudade florescia em minha poltrona inerte a apertar o coração leve e pesado, em cada lado do aorta. O crepúsculo sempre presente lia lentamente o sangue púrpura do dia. O inverno esculpia catedrais de gelo no âmago do silêncio. E a eternidade me olhava atônita como quem desconhece e caminhava descalça pelos salões do infinito. E eu pensava que somos mortais, enfim. O oceano desconhecido escondia relâmpagos azuis sobre o manto das marés. E eu pisava a areia com força, vontade de permanecer. A noite espalhava estrelas pelas ruas dos cidadãos e seus pensamementos navegavam por arquipélagos de lembrança. Mas eu estava séria, compenetrada e em nada pensava, apenas via as nuvens coloridas no céu, que eram pungentes. O tempo possuía a voz antiga das bibliotecas desertas e eu lia apenas as imagens, cansada que estava das retinas. A chuva desenhava partículas líquidas no telhados das casas. E a chuva era aprazível e contava muitas histórias de um tempo remoto. A solidão acendia velas negras nos corredores da alma, mas o espírito altivo já atravessou o medo e vive sereno as vozes da sala. As nuvens transportavam caravanas de sonhos adormecidos. Eu me sentia completa e nada me faltava, talvez você, mas me conformava silente que o mundo é vasto e um sentimento é muito pouco quando o céu revolto se acalma e a neblina cobre o horizonte de orquídeas e no peito a açucena dorme profundamente na calma do meu olhar. O passado repousava em céus de bem esquecer. A esperança cantava na madrugada escura e o universo derramava pérolas luminosas na flor da noite.

A lua derramava pérolas de silêncio sobre os jardins abandonados da memória. O crepúsculo bordava fios de cobre na veste fatigada do horizonte. As rosas aprendiam a morrer com a elegância das estrelas cadentes. A Via Láctea era um rio antigo escorrendo pelas veias da eternidade. O sol acendia incêndios de ouro no campo adormecido da manhã. As constelações floresciam como lírios luminosos no pomar do infinito. O tempo caminhava descalço sobre as pétalas frágeis dos instantes. A saudade possuía a cor violeta das últimas flores do verão. O vento carregava cartas invisíveis entre continentes de esquecimento. Os relógios mastigavam lentamente as migalhas douradas dos dias. A lua prata cantava sobre os ombros adormecidos da noite. As nuvens navegavam como cisnes errantes pelos mares profundos do firmamento. O amor distante era uma estrela cuja luz persistia mesmo após o desaparecimento do astro. O relógio da praça derramava minutos sobre as pedras antigas como folhas de outono levadas pelo vento. As constelações pareciam jardins suspensos florescendo nas varandas do infinito. O tempo possuía dedos pacientes que esculpiam ausências nas margens da memória. A saudade florescia entre ruínas douradas de verões esquecidos. As árvores erguiam orações verdes para as galáxias silenciosas. O sol escondia coroas de fogo entre os cabelos metálicos dos trigais. A lua era um espelho quebrado refletindo fragmentos dispersos da eternidade. As estrelas migravam lentamente pelo céu como pássaros de cristal atravessando oceanos invisíveis. O amor se afastou como um navio dissolvendo-se nas névoas dos séculos. O tempo derramava neve invisível sobre os jardins da juventude. Os relógios eram monges silenciosos celebrando a liturgia das despedidas. O vento recolhia pétalas dispersas dos calendários esquecidos. A aurora despertava sinos líquidos nos vales da esperança. As flores compreendiam aquilo que os homens raramente aceitam: toda beleza carrega em si a semente da partida. A Via Láctea brilhava como uma cor luminosa sobre a pele escura da noite. Enquanto os continentes dormiam sob mantos de sombra, as constelações velavam o repouso dos séculos. A distância estendia oceanos entre nossas mãos desencontradas. As rosas guardavam em suas pétalas o perfume de futuros que jamais floresceram. O céu escrevia poemas efêmeros com nuvens destinadas ao esquecimento. E eu permanecia imóvel sob o carvalho solitário, observando as estrelas nascerem uma a uma, como se cada luz distante fosse uma lembrança regressando dos confins da eternidade. O amor permanecia distante, mas sua luz continuava através da noite, como a luz antiga das estrelas. As flores caíam ao chão como cartas que a primavera já não podia responder. O tempo passava como um cervo branco atravessando a floresta da existência. As constelações observavam em silêncio os naufrágios do amor humano. A impermanência caminhava entre os jardinsvestida de outono na madrugada dos sonhos.

Na alvíssima açucena que mora em meu ser prenuncio alvíssaras de um futuro irremediavelmente promissor. E meu estado anímico se faz em arcano de espanto. Minha individualidade axiológica encontra beatitude nos pequenos pormenores e pinto um quadro cambiante que transforma todas as cores existentes. Diria ser persistente almejar o realismo em fragmentos que fabrico. Na candura das flores e dos animais acontece um momento cartático, que resulta em uma cintilação púrpura na coalescência de um contemplativo raio crepuscular, que em sua deliquescência arde o diáfano brilho do sol adormecido entre lírios nas margens dos rios. E são efêmeras todas as demonstrações de afeto, pois floresce no deserto qualquer esperança de água. As flores eflúvias deixam idílicos os campos na aurora elísia de contemplações únicas e especiais, por sua raridade. E andamos na cidade de concreto e tudo parece cinza nas retinas limpas de um emérito trabalho sutil, que é rapidamente ignorado. E escrevo palavras na epifania de meus dedos quando a noite cai e escurece a terra. Os olhos esplendentes permanecem por uma estesia estética que alcança o etéreo na sonoridade agradável de uma flauta. Escrevo poemas obtusos e sua exegese é saber que se fala do belo transitório, que busca os melhores versos, desde o exórdio até o ponto final. E não falo de amor, pois que o poema é a própria expressão do sentimento, seja simples, seja hermético. São minutos de silêncio em que apenas a linguagem fala. E nisso mora sua raridade delicada. Na imanência de vir a me tornar quem sou, voo por planícies e faço rasantes nos lagos. Tudo é um substrato da liberdade maior que conquisto no imponderável cotidiano. E poderia dizer que amo, mas a palavra crua perde potência. Então afirmo desejar que seus dias sejam pacíficos e que você encontre no peito a incandescência do inexorável caminho da alegria. Assim eu diria. E após longo divagar me entrego ao laconismo, com as palavras silenciosas que não pedem abrigo. Apenas um ombro amigo.

O silêncio vestiu a madrugada de veludo e eu respirava a saudade que escreveu meu nome na areia do tempo, quando as estrelas aprenderam a habitar o oceano. Eu colecionava segredos que nenhuma árvore ousa revelar, mas as flautas cantam em forma de melodia e um dia talvez chegará à sua retina. Eu bebo lentamente a luz esquecida das águas e sou margem de muitos rios. Meu coração é uma biblioteca onde os relógios adormecem e a eternidade mora nos meus olhos de lembranças. Eu guardo a memória das nuvens no horizonte que fita o eterno em nossas mãos afetuosas, que cobre o chão de orquídeas. Eu acendo as constelações no inverno a bordar cristais na pele da manhã. A esperança caminha descalça sobre luzes incandescentes. O crepúsculo dissolve o ouro no sangue do céu e chove dourado em nossas escamas. O espelho conhece o rosto de sua ausência, mas a chuva penteou os cabelos da terra vermelha. Eu te falo de longe em sussuros de idiomas que apenas seus olhos compreendem. Cada folha caída é uma carta que eu escrevi e o outono enviou. O vento esqueceu sua infância entre os pinheiros, mas eu não me esqueci de seu sorriso altiveiro. Desconheço o vazio, pois levo sua face no sol e descanso debaixo de uma árvore de flores rosa e tudo é candura em minha rosto. Diriam que as cinzas ainda guardam o perfume do fogo e eu diria que minhas mãos guardam o aroma de lírios e açucenas brancas na tarde de paz. As flores conversam com o sol no idioma elísio e no céu e na terra vivemos o paraíso. O eco envelhece antes de encontrar quem o escute. Mas eu tenho palavras fartas nos dedos. O destino desenha labirintos em minha face, mas a tempestade aprende delicadeza ao tocar uma pétala. Eu repouso sobre o íngreme da montanha e avisto de longe a cidade que guarda as pessoas em edifícios. Toda lágrima conhece o caminho do oceano, mas minha alegria conhece sua língua e somos fluentes em querer bem as pessoas que conosco caminharam estrada. E sou feliz por existir e ter um rico passado. O presente me enche de glórias humildes e o futuro me parece o infinito que cabe dentro de um único instante.

Eu decoro as praias com alfabetos de espuma e desperto a primavera com o perfume adormecido das cores quando o silêncio floresce as palavras maduras que o vento carrega na eternidade bolsos de sementes de futuro. A memoria é um jardim onde nunca termina o outono. As folhas secas contam histórias de árvores floridas e frondosas. As horas bordam linhas na minha face e minha memória se torna mais jovem quando altiva se mostra bondosa. E eu diria que o tempo é um trem que sempre volta no mesmo horário. A névoa abraçou a manhã como quem protege um segredo meu, que é evidente quando falo em amor. O coração constrói pontes onde a razão levanta muros, mas o sentimento desconhece o concreto. A noite derramou tinta sobre o orvalho e mais coloridos ficam as flores. O rios nunca esquecem o caminho das estrelas. Eu fecho os olhos e vejo sua face. O último raio de sol pediu licença ao horizonte, pois a solidão cultiva jardins sem vida. A esperança acendeu uma vela dentro da tempestade. Fazia sol e chovia. As nuvens escondem cartas escritas anônimas. São cartas que o orvalho escreveu sobre as pétalas. As árvores respiram a paciência das estações. E o amor ultrapassou a paciência e virou uma doce resignação. O crepúsculo guardou brasas douradas sobre as asas do céu e minha face se vestia de ouro na luz que recolheu os fragmentos da noite em suas mãos. Eu te observava como uma borboleta que adornava um livro. Era a lembrança da beleza silenciosa entre letras. O rio aprendeu a cantar observando o voo dos pássaros e a saudade cultiva jardins suspensos de momentos ternos. O sol semeou espelhos sobre a superfície do lago. Eu pensava se eu amo como águas de um rio que nunca mais verei. E o amor é um sonho impossível, que escreve beleza na luz do dia. O tempo afia suas asas nos séculos e o sentimento adormece no oceano profundo. O amor não tem destinatário, são fragmentos de um tempo passado. Mas esse amor é o brilho que me faz sonhar acordada. Mais nada.