Mona Lisa
Quando a pessoa quer algo/alguém, ele(a) dá valor, não gelo, nem vácuo, muito menos desprezo, ele(a) batalha pra ter, chama pra conversar, mostra que se importa. Escolher persistir em algo/alguém que não merece e não te valoriza é humano, agora persistir nesse erro é falta de amor-próprio!
O silêncio num mundo sem som seria descrito como um sapo com cor verde vibrante e que produz uma droga chamada vacina do sapo, que causa delírios e alucinações.
Um rio correndo para o céu levaria consigo as margens que o contêm e chegaria até a lua para que um dia ela seja habitada.
Carta da solidão ao tempo:
"Prezado tempo, tu me fizestes sentimento e me abandonastes desolada para sempre de minha origem."
Um livro que apaga palavras do mundo seria um livro feito de átomos quânticos, em que todas as realidades são possíveis, como o pensamento puro é água cristalina.
O amor é a ausência da solitude. É um não se bastar projetado no outro. É um lírio sozinho entre margaridas à beira de um lago.
Se a morte fosse como uma estação de trem invisível, estariam esperando na estação todos os que creem, porque morrer é viver para a vida eterna.
A música de uma árvore durante um eclipse seria uma árvore confusa observando o eclipse do meio dia, ao som de uma sonata.
A esperança é o último jasmim que sobrou.
A sensação de tocar um sonho esquecido é tocar no impalpável ao som de uma melodia inaudível, como um mar dominado pelos peixes.
Se o tempo esquecesse meu nome, eu continuaria anônima, fumando um cigarro de hortelã dentro de uma caverna onde constelações respiram entre morcegos e uma estrela cadente cai lentamente sem fazer barulho, lembrando que o belo é breve como a vida das borboletas que vivem apenas o suficiente para ensinar o amarelo ao girassol e o azul ao céu.
No meio do mar existe uma porta aberta, e eu entro nela como Alice atrás do coelho, atravessando algas coloridas e peixes alienígenas que guardam civilizações antigas, onde talvez eu me afogue e minha alma se dissolva na fórmula da água cintilante que colore o invisível e abriga um pássaro que nunca nasceu.
A estrela que caiu antes de nascer germina como um vaga-lume verde piscando na galáxia com altivez silenciosa, porque dois elefantes não fazem uma girafa e dois e dois são quatro apenas quando a vida vale a pena e o humor permite respirar dentro do absurdo; então guardo essa estrela no frasco do perfume da minha alma sinuosa.
Se uma palavra pudesse sangrar, eu protegeria a palavra vida para que as sementes continuassem sonhando em brotar entre arranha-céus de vidro impecável nas cidades cinzentas onde as línguas mastigam fel e o silêncio dos poetas transfunde sangue nas bocas numerosas que esqueceram como se conter diante do abismo.
Antes de eu nascer, um espelho já lembrava a avidez fatal do óvulo e do espermatozoide que decidiram minha existência no deserto concorrido dos poetas, onde a escravidão mata a racionalidade enquanto o azul permanece celeste e os pássaros planam com a tranquilidade de um homem que se debate entre o amor e a embriaguez.
E assim continuo atravessando portas abertas no oceano invisível, carregando estrelas em frascos de perfume, protegendo palavras feridas, enquanto um pássaro que nunca nasceu aprende lentamente a respirar dentro da água que lembra meu nome antes do tempo existir.
Ela caminhava com o corpo curvado, de cabeça baixa, olhando para o chão, como quem carrega sua solidão com solenidade. Ela olhou para o lado e avistou um pardal, dois, três. E pensou que se ela fosse um pássaro, talvez tudo seria mais fácil. Não tinha acontecido nada ruim naquele dia, mas ela chorava uma vida inteira. Ela já foi feliz muitas vezes, mas se recusava a lembrar. Vinha à sua mente apenas abandono, vergonha, tristeza profunda. Em algum lugar da cidade um aluno lembrava dela com carinho. Professora por muitos anos. Mas nada mais importava. Sentia-se anônima e invisível. Foi ao supermercado e, em um caixa preferencial, cedeu o lugar a um idoso. Ele agradeceu. Ela respondeu "é um direito seu". O idoso puxou conversa e ela aproveitou para interagir alguns instantes. Ele falou que se não fosse a fé em Deus, ele nada seria. Ela pensou sobre como admirava as pessoas que tem fé. Ela respondeu descrente ao idoso "se o mundo todo se organiza, só pode ser a existência de Deus". O idoso respondeu que nem tudo se organiza, pois tem muita gente passando fome. Ela pensou que ele não era ingênuo, já que respondeu exatamente o que ela pensava, mas tentava esquecer. O idoso foi embora. Ela respirou fundo, segurou a angústia que sentia no peito e pagou a conta. Ela voltaria agora para o silêncio de seu apartamento. Colocou o ar condicionado no mais frio. Ela gostava de sentir frio. Tinha a sensação que o frio a distraia. Guardou rapidamente as compras e no celular ela assistia vídeos repetitivos, que a acompanhava no decorrer das horas, enquanto a noite caia lentamente. Solitude, solitude, solitude. Repetiu a palavra três vezes para tentar transformar sua solidão em algo mais palatável. "Se ainda houvesse minha mãe", pensou na dor de quinze anos atrás, quando sua mãe morreu em um acidente de carro. Depois que sua mãe partiu, ela nunca mais dirigiu. Tinha muito medo do trânsito. A solidão que ela sentia era decorrência de várias fatores. Ela mesma foi se afastando. Não queria mais ter amigos. Queria apenas o silêncio de seu apartamento gelado. Uma amiga antiga escreveu sobre a saudade que ela sentia. A amiga falou que ela brilhava. Ela respondeu sincera "são outros tempos. Agora convivo com a depressão". A amiga respondeu que ela sempre brilharia. Ela fechou os olhos com tristeza. Despediu-se da amiga, que tinha sido muito generosa nas palavras. Então se lembrou de um tempo feliz, como quem se lembra do cinema mudo. A amiga havia feito bem a ela. Então pegou os materiais de arte, tela, tinta, pincel. E pintou um gato bem colorido, no estilo pop art. Assim estava sendo sua rotina. Era como se carregasse um peso em seu corpo. E já não acreditava mais na medicina.
O conflito entre a consciência e o tempo psicológico está na impermanência entre os dois, que não coincidem no tempo e no espaço. A consciência abarca tudo aquilo que emerge do subconsciente, memória selecionada na medida do que suporta racionalmente, sem fragmentar a psiquê que suporta o que a consciência fissura. O tempo psicológico não é linear, já que o tempo é a projeção das emoções que muito mais se marcam em lembranças que não se podem esquecer. As árvores cochicham números azuis para o espelho do vento que se camufla em tudo que reflete, tal como as estrelas das galáxias que nos tornam ínfimos na imensurável dimensão do universo. E somos um grão de areia a comer e a beber e lamentar frustrações, que muito mais são minúsculas na proporção da existência e as panteras nas florestas ignoram proporções em sua pele a dourar o preto. Se o inconsciente pudesse criar uma cidade, nada mudaria de fato, haja vista que em nove bilhões de consciências, a terra gira conforme gira. E muitos guardam o vazio que excede de milionários excêntricos que desconhecem o frio da madrugada e o peso da fome. E somos tantos, e somos vários e a terra vaga com a mesma estrutura das consciências que pesam o agora, das ruas escuras de prostituição e droga. E são ingênuas todas as comemorações se o planeta corrompe os mais puros corações. Frases ilógicas provocam mais impacto do que descrições realistas, porque na teatralidade as questões se tensionam e é mais fácil ver no teatro atores e seus figurinos a enxergar nas esquinas nosso fracasso como humanidade. Comamos e bebamos. Raiou o mês de maio e é só um calendário. O surrealismo não destrói a lógica. Ele descortina a lógica com imagens novas e inesperadas e tenta burlar a palavra rígida que obedece a hierarquia dos substantivos e da sintaxe, presos na gramática padronizada que desconhece um campo de girassol dourado da cor do mar sagrado. E caminham estradas se um um único homem é inocente a pescar tranquilo no rio, mas a coletividade se denuncia e mostra a face dos totalitarismos, que desmancham a pele das minorias, que fazem a terra impura em seu suposto estado de degradação moral. Deus proteja os soldados e as ciganas que nas linhas digitais leem passados remotos, condenam o presente e não ousam encarar o futuro. Tocam flautas renitentes e pianos brilhantes e as crianças brincam. Pois que brinquem. Um dia serão adultas e conhecerão a terra que arde em ouro nos bolsos dos perspicases, já que os demais são tolos e beberão vento quando faltar o alimento. Os santos morreram em vão, mas um dia esse planeta vai ter solução. Assim sonhamos em um momento de exaltação. Mundo caduco, que não vale minhas palavras que não assistem caladas. Fazei com que eu procure mais amar do que ser amada. Mas que cilada.
A tarde ensina o crepúsculo nos últimos raios do pôr do sol, quando pássaros distantes se acomodam no céu do dia, que passa lento no domingo pleno de paz e esquecimento. A cidade silencia a máquina no dia das mães e comemoro os filhos que eu não tive a habitar os espaços com uma doce ternura de ausência. E não há arrependimento se muito se sabe das escolhas da vida. Estou viva e não há na sala nenhum ser que fala. Nas linhas de minha mão encontro o meu mapa, que afirma que tudo tarda e nada indaga. Penso em você que pode ser qualquer pessoa que a câmera enquadra. Sua figura em imagem que menos diz do que uma cantiga passada. Porque tudo é contemplação se os pés serenos pisam o chão da história construída com a memória de dias leves que deixam sua marca no destino, se o passado e o agora faz o futuro. E sinto algo dúbio entre uma saudade vaga e a vontade de não revistá-la. É como querer e não querer simultaneamente. Uma figura que mais bela se faz no passado e no presente encontra pouco espaço. E se demora além da hora, se ainda falo e digitam os dedos. E penso em uma calma certa, que nada me falta, se te ver deixa minha alma atravessada, mais procuro minha voz encarnada. A calma e o tédio cruzam um limiar, que é justamente onde te encontro em minhas lembranças. Tudo é pura distância se desconheço o passar dos instantes e habito o tempo psicológico que muito mais é relativo, se memórias esquecidas ainda povoam o presente e se senta em minha frente. O encanto se perte no palpável. As coisas findas, muito mais que lindas ficarão. Ouço murmúrios de poetas antigos que na sala conversam comigo. E cito seus versos como se fossem meus, já que em meu ser floresceu. E muito além vou quanto mais autêntica me faço e poemas revoltosos são mais teatro do que verdade, se me tenho contida e mais me abro para a vida. Também não me calarei, mas que minhas palavras sejam sucintas e não se demorem, pois que o verso chore calado e se vai fatigado quando se alonga em controversas que não acrescentam cores a minha tela. Mais um domingo se passa e no silêncio de minha casa tenho um coração em brasa, que é intenso quando fala e é intenso quando cala. Senhora Dona Sancha, coberta de ouro e prata, mostre a felicidade rara. Queremos ver sua cara. Logo vai raiar a madrugada. Fui no tororó, beber água não achei, achei a Mona Lisa, cujo sorriso não me esquecerei. A renascença chove em meu rosto e haja vista o que já está posto. Fui no tororó, beber água não achei, de sede de amor eu não morrerei.
Tenho pão, abrigo e proteção
Enquantos muitos vagueiam
Triste e pobre caro irmão
Cachorros de raça passeiam
Sociedade sem direção
Ontem mataram os indígenas
Depois escravizaram os negros
Vejo privilegiados otimistas
Outros carregam os pesos
Minhas lágrimas são luxo
De que tem três refeições
No meu apartamento burguês
Faco minhas reflexões
Por que o luxo é lixo
Se carros importados
Não tem nada a ver com isso
Muitos querem pão
Querem droga também
Para anestesiar o chão
Em que dormem de frio
De congelar a mão
Caríssimo irmão
De quem me desvio
Nas ruas de então
Sua droga é minha solidão
É o dinheiro que excede
No bolso ostentação
No restaurante italiano
Na padaria francesa
Outros contram moedas
Cínica mesquinha riqueza
Sei no estomago que pesas
O preço da avareza
Eu tranco as portas
Para me refugiar
Da ingrata realidade
A me rodear
Não dê dinheiro
Pois ele vai beber
Pois que beba irmão
Se o alcool é sua solidão
Frases de efeito
Sociedade em putrefação
Se sou delicada
E me come a depressão
Muito mais doeria a alma
Se tivesse que dormir no chão.
Escrevo calada na cadeira
O que procuro esquecer
Que a desigualdade
Ainda vai crescer.
Beba irmão
Se o álcool é sua solidão
Eu tenho comida farta
E me mata a depressão
Cada um vive
A sua opressão
Mas não somos todos iguais
Na poeira do chão
Eu tenho remédios
Você tem invisibilidade
Somos dois seres
Morrendo na cidade
Eu sonho com igualdade
De pão e alegria
Mas na impotência
Eu só escrevo poesia
Beba irmão
Se o álcool é sua solução
Beba irmão
Eu vou beber solidão
Um dia na cidade
Putrefação e desigualdade
Quem é você? Diga logo que eu quero saber. Já passou o carnaval, tire a máscara social. Boi, boi, boi, boi da cara preta, tire essa menina que tem medo do capeta. Então você é isso, um rosto sem riso e se quer ser meu inimigo, junte suas armas inúteis, pois eu conheço seu calcanhar de Aquiles e não vou te polpar. Seus poemas de escarnio morrem ao virar a página e é perigoso a você achar que eu sou frágil. E se falo em solidão é porque no meu mundo não cabe seu jogo sujo, que quer me calar covardemente. Pegue seu capital cultural, e dele se desfaça, veremos que sobra uma farsa de um comediante sem graça. Eu nasci pobre e doente, mas não me tenho medo do seu ódio. Eu te amei de graça. Acertei no amor, só errei no alvo. Tire a máscara e mostre também sua fragilidade ou vai viver eternamente essa personalidade falsa, que em meio à sensibilidade deixa escapar cruel sua própria destrutividade. Você não vai me calar, nem a loucura me calou. Eu já sofri tortura. Você tem palco e aplausos, eu tenho uma pele marcada por violência. E você ainda acredita que pode me diminuir. Eu conheço a escola da rua e das grades, e nenhas não há consolo nem apoio. Apena uma instituição sem rosto. Meu sofrimento é a doença que sua soberba ignora. Não, não é serventia da casa, é um coração em brasa. Coma seus privilégios e deixe em paz meu vazio e minha solidão. Eu que te amei em vão, desconheço desilusão e tenho uma voz farta que não cabe na sua sala. Tire a máscara e fale olhando nos meus olhos, sei que vai se calar, pois quem é você sem palco? Sapo cururu na beira do rio, quando o sapo canta maninha, é porque tem frio. Gélido coração é o seu e se um dia você ganhou minha confiança, hoje perdeu minha esperança do ser que eu pensava que você era, em meu estado de primavera. Eu amo João, você ama Maria. Quadrilha. Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar. Não, não tire a máscara. Não quero ver seu rosto. Suba no palco com seu novo projeto. Eu te conheço no palco da vida. E você tem sido meu professor, me ensinando lentamente a te odiar. Mas vou simplesmente esquecer. Você passará. Mascarado passou. Meus versos continuarão se sei bem a pessoa que sou. A canou virou, quem deixou ela virar? Sou o avaro burguês que não soube remar. Tire de perto de mim a palavra amar. Eu não te odiar. Escreverei mil versos enquanto a vida for testemunha da minha existência. Eu sou resiliência calada. Essa é a serventia da casa. Meu peito, meu lar.
Se a melancolia tivesse dentes primeiramente ela morderia meu ser aflito, que passa escondido, perdido no abril que passou e arrastou os dias de minha alegria, que floresce no mês seguinte, haja vista que a desilusão me enche de potência, já que não habito o outro e só me resta a consciência vagando na sala serenizada que explode em cores na introspecção de uma artista que se demora ao pintar sua obra. Se ontem eu te amei a ponto de te odiar, hoje acordei calma e desculpo o seu erro de tom. Os loucos e sua submissão que abunda no quartos amarrados, contidos, sujeito a perigos. Mas isso não tem nada haver com isso, se você não conhece uma instituição e não sabe o preço do abandono. Mas esqueça, em sua sala burocrática tome seu café pequeno. Deixe os loucos e suas loucuras, duras, que são muito engraçadas quando já não falam. Mas esqueça. E eu não consigo esquecer se novamente me vejo amarrada, contida, sem perspectiva de vida. Mas se estou em casa minha alma descansa e agradeço cada minuto do meu sossego, e agradeço esse lar que muito mais representa a mim. Cada alimento, eu agradeço, porque tudo reconheço, se tudo me foi negado. E quando deito minha cabeça no travesseiro, volto a ter nome e identidade. E sonho com o paraíso de flores e águas cristalinas. Eu até que estou indo bem. Tomo meus remédios e, se já não trabalho, tenho um dia produtivo, de cores e letras. E enfim me esqueço se o passado institucional perde seu peso. Eu não quero lembrar, pois sofro e não sei chorar. Se a madrugada tivesse ossos de vidro, eu pisaria descalça na memória de minha infância até sangrar luz na manhã que nasce como se fosse uma semente de vidro que faz crescer os vitrais das grandes catedrais góticas, em que o sagrado se vestia de preto e era luto todos os dias da alegoria, nas velas que acendem orações que rogamos milagres, já que o terreno não basta, e ao etéreo se levantam as mãos como uma dança da chuva na tribo das simbologias ocultas. Eu conheço bem a fonte que desce daquele monte e é um frenético discurso religioso e suas liturgias pagas a prestação. Dentro do meu silêncio quando ninguém está olhando o mundo, dorme em meus olhos uma coruja altiva que quanto mais olha, mais julga e não tem palavras para nomear. A coruja é o símbolo da sabedoria, haja vista que vê e nada fala, mas guarda na lembrança da sala o saber que não passou imperceptível. E acusa sem falar quando pisca seus enormes olhos cor de mel. É como se ela dissesse: Eu sei, eu vi, e isso basta para que as almas se apequenem com culpas ocultas de quem se sabe observado, no esplendor da carícia de um gato alado que voa a atmosfera no azul celeste da terra que se sonha esfera. É uma fera. E todos nós somos também feras, se temos dentes e mordemos. Se o tempo apodressece como uma fruta esquecida sobre a mesa de Deus, de minha infância sairia o cheiro do mesmo, que se repete absurdamente já que a vida é só presente e não passa, não evolui, apenas é um filme mudo com os mesmos gestos, como a vida que estagna as melhores memórias da retina e o cotidiano é uma mentira de Deus, como uma maçã que retorna ao estado de semente e todo vivente é demente e esquece o próprio nome na amnésia das línguas fugitivas de seu lugar comum, a comer as estações e tarda o outono e suas folhas no chão, a clamar libertação de nosso sangue irmão.
Agora que o mar está calmo e as estrelas escurecem a noite, como o fogo que queima a terra e jorram labaredas, os olhos estão ternos ao esquentar a pele e se esquece do ser que foi ontem, pois que tardam todos os horizontes e a mágoa passada já não ressoa na madrugada. Tudo é esquecimento e dormir é um ensaio da morte, mas distante se faz quando se procura um norte, um objetivo de vida mais altivo e sereno a perdoar a chuva quando molha o corpo. O amor não sabe morrer, mesmo que tente insistente. O amor é insolente e faz da alma bruta uma matéria prima resistente. E a face volta no mundo com suas rotas. O ódio é o amor ao inverso, pois que a indiferença é quando o amor se torna anônimo e se esconde em qualquer face da multidão, e a singularidade se desfaz calada, haja visto que tudo se assemelha e o amor tem pressa, tem presa, encontros e desalentos. Minha face ambígua se faz entre corente e ausente, mas não se cala no nada. E lembro sem precisar de fotografia, pois a mente configura a imagem e mente quando diz que já vai tarde. A noite escura me faz ficar sensível como o diabo, como já se dizia. E todos os poetas que me acompanham me pedem que dê outra chance ao abstrato sentimento que só existe nas palavras e em memórias vagas. E se me escondo e me perco, muito mais habito o endereço do amor e suas mil formas de continuar. Pois que minha mente conhece lembranças profundas que se não se esvaem no passar dos minutos. Mas sei também deixar passar se tudo é distância e liberto quem livre não precisa de minha absolvição. Não amo o que se persegue e mais invasivo se faz quanto mais fala. E procuro um equilíbrio em amar tranquila na poltrona de minha sala e apenas ser abrigo quando minha voz é desejada. Quando a indesejada da gente chegar, vai me encontrar tentando tecer um poema e partirei embriagada pelo versos que nunca enviei. Não quero um verso calculado, quero a fluidez de um abraço que comunica duas humanidades que ficam porque querem, porque precisam, se ao outro se inclina e aquece a mão fria. É o que os poetas diriam.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão. Sentidos confusos que passam em vão. Talvez seja o momento de desacelerar o verso, e ouvir o que sustenta o poema, sair um pouco do sistema, desacelar o passo e observar o ritmo da respiração. Não se trocam pedras em vão. Mas não há briga onde há comunhão, afinal todas as árvores foram um dia sementes, que hoje dão sombras aos viventes. Alguns temas são sensíveis, podem gerar dor em que vê. Gatilhos que a alma lê. Mas se há vontade de entendimento, façamos da paz nosso alimento. E mais que paz, plantemos no solo leveza, doçura e delicadeza, se assim foi no começo, pois que permaneça e que jamais se esqueça, se já fomos amizade encantada, na cidade que vê e não fala. Pois que eram sinceros os nossos passos. Uma árvore de quase vinte anos foi regada muitas vezes e hoje colhemos o verde das folhas vivas e as flores que abundam nos nossos olhos. E nos vejo árvore frondosa, que de ternuras se faz formosa. Somos uma árvore antiga que cresceu em meio a cantigas e muito mais se faz especial, se permanece no tempo real. E é precioso observar que somos duas sementes de uma árvore só. O amor se desencontrou no tempo, mas nunca se desencontrou nas almas. Assim penso, se assim sinto. A distância não apaga a verdade se te leio e te ouço. E você é abrigo, se músicas e poemas, alimentam minha emoção, tantas vezes fragilizada, mas atenta, na melodia que acalenta. E te faço esse poema, se o tempo passou e permanecemos. Um amor calmo, que o tempo não arrastou. Queria ver seu rosto e te abraçar, mas nem sei bem como te encontrar em mim, temo que seu amor tenha chegado ao fim. Ainda assim escreverei sobre seu olhos cor de mar, onde quero para sempre navegar.
No dia nublado que eu tanto aprecio, pois que me apetece o frio, sinto na alma um alívio dos tormentos que assolam ao meio dia, se é tarde e o pôr do sol se esconde no horizonte. Estou em paz no silêncio da sala, que muito mais me fala do que apenas um ambiente, já que acolhe meu ser ambivalente, sem nada questionar. Minha vida hoje são retratos que eu pinto e me perco nos minutos ao estudar cores, complementares, análogas ou monocromáticas. E seleciono uma por uma para compor a paisagem com a paciência contemplativa de quem esquece o tempo e o espaço. Aquietam-se os pensamentos e por um momento eu não penso em nada, apenas analiso a combinação triangular entre o vermelho, o amarelo e o azul. Dou uma pausa para registrar o dia e não sinto tristeza nem alegria, apenas uma calma profunda. Penso nas altas montanhas que escalei, em que a neve fria era mortal e nada me aquecia. O senhor é meu pastor e nada me faltará. A ciência não resolve tudo, mas eis que apascenta, se um novo tratamento me salva do mar que eu me afogava. E posso atravessar o dia sem lembrar das dores que me consumiam. Tenho fé em Deus, na ciência e na medicina e estou otimista como nunca, se a roseira pede sol e água fria, muito mais me alivia não ter angústia para escurecer a poesia. E pássaros alados voam no espaço e o mar entra em erupção e suas larvas são água doce que se bebe ameno, no peixe dourado ao vibrar escamas na lama densa que constrói uma habitação. Os olhos estão serenos e caminham horizontes de largas colheitas que se avista de longe, no ressoar de uma canção se uma apresentação delicada, me deixa ainda mais tranquila, se é paz o que espero da vida e muito mais me convida a sentar e apreciar. Se sou sensível e me atormenta a ironia, o que mais eu pediria, palavras que oscilam entre o delicado e o enérgico. A arte que me apraz se sou antiga e em uma cantiga posso me despir do medo e me entregar ao amor, que já não é mais segredo, consciente que de longe melhor habita, pois que o amor se esvai na vida cotidiana do mercado, que destrói o que há de sagrado. E te amo como uma obra de arte que não, já que fomos feitos para apreciar, se essa é uma condição levarei o amor no coração e não gritarei nos telhados para não acordar os passarinhos, que a natureza é sutil e cresce no seu tempo. Não hei de apressar o movimento. Se olho com serenidade o amor que nasceu na cidade e se estende pela eternidade. Tudo o mais é conformidade se o peito não sabe mais sofrer, muito mais alegria desejo a você. E que Deus venha se impor e perdoe minha mudança de humor. Que assim seja, nosso amor firmeza. E no diário sol, rogai por nós o girassol. Além.
Soam fios de ouro dourados que do céu são lançados por deus. A matéria prima é levada para que a natureza adorne seus bosques e lares. Lindas pérolas encontram melhor morada no acaso das alvoradas e se diz que o verde sagrado se faz em folhas detalhadamente delimitadas. Suas flores fazem morada amiúde se são no verão desejadas a curvar a íris que caminha estrada. Sacio a sede dos pormenores a escavar o tempo e seu jeito sorrateiro de passar e nos deixar no presente onde abundam todas as ausências, que já não se sente. Minha vida é terrena e muito mais se faz amena se escrevo longamente a gastar a pena das palavras corriqueiras. E volto sempre ao mesmo tema, que já saturou na boca que mastiga flor. E quem fala flor, fala dor. O corpo se faz anestesiado imune a qualquer passado e as asas abertas da noite descansam o trabalho das horas onerosas que comem o dia, sem melodia, poesia ou alegria. Como somos vários, cada um sente sua própria euforia. Emerjo do coração da cidade e vejo passageiros que partem e se elevam como um vento fortuito que menos brada ao esperar a madrugada. E se rói o osso de cada empreitada, pois há mãos que vendem seu trabalho e não é possivel outra alternativa a não ser andar altiva e muito bem esconder as cores de plástico que surtentam a fragilidade inequívoca dos pés que alcançam o chão e muito mais se faz comunhão se todos os passos são os mesmos e se voltam para cidades dormitórios, pois que a cidade é de poucos e o trânsito diário é um mal que se faz necessário. Mas esqueça, que hoje eu vejo a beleza do mundo e suas mil maravilhas que se escondem no horizonte. E posso rir com a luz do dia, se o caos de todas as cores fazem surgir posteridades insanas que iluminam a face irradiada e nada mais tarda. E me sinto como o suspiro do mar e suas muitas formas de se acalmar. Não tenho lágrimas do infinito momento das memórias, que perscrutam os atalhos e muitas frutas saborosas saceiam nossa vontade de certeza. Na mesa farta a história passa intacta. O calor me dá sua luz e toco as palavras suavemente, com dedos cautelosos e eis que meus sonhos são numerosos.
Eis que se dizia que tenho uma dor que não cabe em mim, é pesada e me faz sofrer. Todos os ecos se escondem e me acusam de comer miséria, se me tenho curvada com o rosto sério. Isso se dizia no passado, pois a alma conhece atalhos e tecem uma longa colcha de retalhos. Há no mundo todos os espaços, hora de sofrer e momento de se fazer renascer. Benditos sejam o céu e o mar, se estou feliz e inteira, e nenhuma sombra se faz sorrateira. Mas a dor tem também sua beleza de pérola, ao olhar o mundo sem prazer. E mais real se faz a sua observação. Pássaros são poemas que o voo escreve no céu. As árvores e suas grandes sombras se fazem frágeis quando são cortadas e se transformam em papel, onde escrevemos amenidades de afazeres urgentes da cidade, nas salas burocráticas. Persistem outras árvores, cujas raízes estão na densa terra vermelha. E se fazem altiveiras em sua longa jornada de crescimento. E mais abunda na cidade o cimento seco e árido e não há gratidão se folhas negras não alcançam o chão. A lua cheia se ergue em esplendor e a quietude de sua luz povoa o silêncio delicado e se escrevem versos oníricos na expressão da tarde, que deixou na pele vertiginosas alteridades. E o ser não se cabe e como os cãos latem para a lua em fotos cruas que mais banalizadas se faz do que um indigente que colhe aquilo que sobra. Um louva-a-deus se encontra no nariz de um homem que dorme sobre a luz do luar e é sempre um bom presságio entre colinas e planícies, que sustenta o chão de um grão levado pelo vento alheio que se faz certeiro ao procurar o dia e acrescentar cores nas palavras em poesia. Vive-se em estado de fantasia se cada olhar descortina uma nova realidade. E o mundo se faz vasto, nas longas horas dos vagalumes que bricam de aparecer e se esconder, em sua luz verde e um anônimo se deita na rede sem pensar em nada, e a paz se faz calada. O vento canta nos galhos das árvores e amanhã teremos alvorada e novas cores pintam os olhos de então, que se demoram em grande contemplação.
Observo como muda o meu humor, se ontem te amei, hoje sinto pouco e o pouco foi o demais que ouso. Acordo sonolenta e as palavras me dão ressaca se me desnudo na sala de minha casa calada. Pois que me desculpem os versos em vão, se tantas vezes caminho sem direção. Se digo que escrevo a você vislumbro o possível fim e muito mais escrevo a mim. Na pintura de minha face se derramam todas as minhas fases e como um camaleão mudo de cor e me misturo à paisagem. Eis que o sol raiou e é densa sua claridade, no azul do sábado que atravessa a cidade. E se eu amo tanto, também me esqueço verbalmente ao escrever um poema que não mente. O poema tira minhas vestes e encancara o peito que se faz mar celeste ou solo árido do agreste. Eis que é o mesmo sumo e me assusto ao ouvir minhas palavras e por um instante não sinto nada. Fecho as cortinas da sala, pois a ninguém interessa minha madrugada e o ímpeto de desmachá-la e já não sei quando minto ou falo a verdade, se tudo brota no caminho das ambiguidades. No sol ardente encaro a realidade, que muito mais se faz palpável se escrevo e me calo quando se escancara o sábado do passado que se busca na escuta alheia de algo que se assemelha. Busco através das palavras uma expressão que muda conforme minha face, que não ri, nem chora, pois que outrora tudo era mais intensidade, mas o dia concreto busca uma nova necessidade. O amor implacável enfraquece se no calor já mudou o meu humor. E me faça o favor de não acreditar em minhas frases, pois que contrasta o ser que sou e a pessoa que serei. Disso eu bem sei, se palavras passadas me deixam ruborizada e mais busco pássaros em revoada no céu que desconhece estrada. Hoje é dia de viver o hoje e me pergunto como pôde a noite escura se transformar em rima se hoje sigo nova trilha na paisagem que se descortina. Me visto com o meu rosto para evitar qualquer desgosto, se tanto me tenho exposto. Mais eis que são apenas palavras, que pouco dizem do meu ser, se sei fazer escurecer ou amanhecer. A roseira na janela nada espera se a maré se faz em cores amarelas e me pinto de aquarela em cada traço na tela. A poesia se faz como uma necessidade a conter minha intensidade, me abstenho da cidade e minha sala é um ecossistema que se retroalimenta. E minha doçura arde como pimenta na mão que acalenta e me faz e me sustenta. Sou mais que aparência. Eis minha essência.
Frente ao trono da liberdade, gaivotas sobrevoam a cidade e asas pairam no ar do horizonte em suas cores laranjadas do pôr do sol. As árvores se alegram com o vento e florescem nos raios de luar. A liberdade se faz em sussurros de pássaros que mais se aconchegam a um ribeirão a matar a sede, em tempos de paz e libertação. A liberdade ocupa todos os lugares, e as flores desabrocham sem medo e se diz que tudo vive na terra e as grades opressoras se rasgam no espírito da noite. A natureza tranquila tem suas leis e tudo acontece no tempo certo de se transparecer, em dedos razantes que habitam o instante das palavras insinuadas que ensinam o mar a se fazer acalmar. Eis que são muitas as distâncias e longe se vai o espírito da floresta, que em toda terra vive. Se a humanidade se nega, nega todas as criações e há oceanos a perder de vista. Eu sou um fragmento do absurdo que muito mais se faz instrumento de conversão entre o poema e o mundo. Eis que tenho pensamentos profundos e as palavras não se bastam, se nomeio as borboletas da tarde. O azul arde ternamente nos olhos, levando a mente a comer a beirada da estrada que se alonga nas praias de nossas convicções. Pois eis que o agora traz muitos elementos e se juntam todas as conjunções da imagem. O amor partiu em uma tarde e os olhos que ficam não choram, pois que a vida impele a uma aceitação calma dos limites do agora. O amor tardou, pois que já não somos mais os mesmos e as bocas não encontram caminhos. E se perde nas espectativas o amor que chamamos de vida. Um corpo que mudou, uma taça que se quebrou. Ama-se o que já se passou e a face bela ganha traços inesperados e o amor se faz desesperado se o corpo mudou e envelheceram os sonhos. O amor parte muitas vezes, procura trem, navio, qualquer caminho que fuja da desilusão. E cava a cova do amor que sobra. Apenas um ama sozinho na estação, sentado recolhido sem perspectiva de abrigo. Amar sozinho é como se fartar em um rio seco. A água que não mata a sede, mas é inútil olhar para baixo e para trás, haja visto que trem que leva trás, bagagem, pessoas, novos amores. A vida se faz sol em plena madrugada e os olhos serenos não esperam nada. A vivência se renova e despedidas antigas fazem menos eco na escuridão desfeita, a terra antes rarefeita, se faz em novas colheitas. Dispersam todos os sonhos da primavera e não há alma que note, pois que se olha para o norte e encontra boa sorte.
Quando a borboleta se faz azul no dourado de sua asas, ancestrais antigos fazem suas casas, em tijolos de terra batido e a primavera ganha novo sentido. Cores no jardim evidenciam que flores desabrocham como a vida em estado de permanente transformação. Um antigo cão se faz fiel ao roer o osso e gatos andam sorrateiros em cima do telhado. Tudo é arado na calma estação de pessoas que viveram e hoje são transmutação. Também vivemos a calma de nossos dias, e se faz em paz todos os pequenos afazeres. A centopeia caminha seus múltiplos pés e a formiga inequívoca carrega imponente uma folha maior que seu corpo. Na vasta plantação o lavrador cava a terra e povoa a colheita de seu sustento, o farto alimento que sustenta o tempo presente do fruto que já foi semente. E cada um a seu jeito olha o horizonte e há fome de futuro, pois tudo acontece no agora e as horas demoram na casa que não tem relógio. No mar a maré baixa deixa transparecer suas conchas e os barcos seguem além e pescadores antigos armam suas redes e abundam colheita de peixes e muito mais satisfeitos voltam para casa. Na feira os peixes são vendidos como entidades fruto do trabalho justo e todos se alimentam. E a comida é mais que alimento, é um ritual da vida em movimento. Na cidade também os carros sustentam suas rodas e levam de um lugar ao outro anônimos trabalhadores, que honestamente caminham nos prédios altos que acolhe muitos cidadãos e eis que nada é em vão se os olhos estão claros e se é chão o mesmo de toda população. E o amor se faz em silêncio quando cada pessoa carrega seu passo manso a fazer da cidade um organismo vivo, muitas vezes apressados nos caminhos diários. Somos todos passageiros de nosso itinerário. Na estação de trem há muitas mãos para despedidas, mas cada um sabe da vida nas voltas da terra em rotação e mais bate um coração que se integra no ambiente e povoa mares de presença sem questionar ambivalência, pois a vida simples se faz sem complicação, pois passa veloz o veraneio de nossos pés na terra e por isso impera uma sede de viver, sem se derar em questionamento. O café se faz quase sozinho de tanto cotidiano e se esvai o ano nas teias de aranha, que silenciosamente tecem cada linha e eis que é uma armalho. Meu olhar e vasto como um campo de girassol. Olho para frente para o lado e tudo tem seu tempo exato. E todas as pessoas se bastam ao piscar os olhos em movimentos involuntários. Segue a vida em longa contemplação e a calma presente não parte de repente, pois são das retinas o longo observar ao ver o tempo passar. E não há grandes sobressaltos. Apenas uma vista que passa e se mostra vasta e tranquila quando o verso não aniquila a paz do cotidiano. E a vida vale a pena em seus vastos oceanos.
Quando o silêncio mora entre mim e o que consigo dizer há palavras prontas que se fartam na língua e em um momento oportuno os dedos tecem versos que mais clarifica o olhar sobre a vida. O amor idealizado perde sua força na altura do agora, pois o amor fraterno extrapola a gratidão dos que se fazem presente e comem na mesma mesa o mesmo alimento. E se fazem iguais e amáveis e isso é uma dádiva. Quando decidi te esquecer se fez um silêncio na sala, mas muito mais fala cada amanhecer, que renova nos olhos a vontade de viver. Observar o mundo em construção e o sentimento se faz pequeno então, se muito você se ausenta e esqueço as linhas de suas mãos e seus olhos partem lentamente em um navio sem volta e não há revolta se o coração se faz em paz e muito mais arde a realidade, que pede passos certeiros e não pode se perder em devaneios. Você foi um sonho e eis que a vida toda é um sonho e imagino que pinto um quadro, pois se é o quadro que me pinta. Segue o rei governando e sonhando com o seu poder. Quando acordar já será tarde e nada estará em seu comando. E o pobre que em sua pobreza sonha, sente real a escassez quando tudo falta. O poema segue onírico e te esquecer não é difícil, se novos sonhos povoam a íris. Você será lembrança de todas as memórias que carrego comigo. E seremos abrigo de outros corações, pois que há no mundo uma vasta população, e cada pessoa carrega sua singularidade e mais encantos acrescentam à verdade. É um movimento vão nadar contra a correnteza e melhor se faz ao deixar o rio levar e eis que você passará e carrego meu corpo, minha mente e minha alma. E em minha profunda calma não ei de me lamentar, pois todas as pontes foram feitas para se atravessar. O sol ameno tem seu jeito de colocar tudo no lugar. Ao te deixar, novos caminhos se abrem se olho em outra direção. A mente se faz perspicaz se organiza o passado e o presente para melhor receber o futuro. Nos versos de grande esperança os dias que virão trarão bonança e o mar bravio se acalma e já não é tenebroso como nas grandes navegações e o mar então liga os continentes e te esquecer é uma urgência, se o coração se gsta em vão se em você não há olhos que vejam o poema que almeja fazer uma jangada para atravessar o mar salgado e o meu amor era sagrado, mas que eis que então se faz passado. Esquecer é impossível se a mente carrega memórias e lembranças, mas há sempre um jeito de se conformar e deixar o tempo passar.
