Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
Refúgio é quem possa ficar, respeitando as pausas, até mesmo o silêncio.
Um lugar onde se possa descansar, ser inteira sem explicações;
apenas permanecer.
O Reencontro de dois amores
Em uma pequena vila costeira onde o vento soprava com cheiro de sal e jasmim, Léo e Maya eram uma única alma dividida em dois corpos. Aos dezessete anos, eles não trocavam apenas beijos, eles trocavam segredos sobre o futuro. Léo, um aprendiz de relojoeiro, prometeu a Maya que "ajustaria o tempo" para que eles nunca envelhecessem longe um do outro.
-A Partida Silenciosa
O mundo de Léo desmoronou em uma terça-feira cinzenta. O pai de Maya, um diplomata rígido e enigmático, foi convocado para uma missão nos confins do Alasca, em uma cidade de mineração tão isolada que nem sequer constava nos mapas comuns. Sem aviso, sem despedidas longas, Maya foi levada.
Léo correu até o porto, mas só viu o rastro da espuma no mar.
-A Busca Obsessiva
Os anos seguintes foram um teste de sanidade. Léo não enviou poucas cartas, mas sim centenas dela. Ele escrevia em papel impermeável, temendo que a neve do norte as destruísse. Ele gastou cada centavo que ganhava na relojoaria em selos e subornos para mensageiros. Mas o silêncio era absoluto.
-A Incerteza
Ele não sabia se ela recebia e não respondia, ou se suas palavras se perdiam no gelo.
-A Aventura
Aos 24 anos, Léo vendeu a oficina que seu avô deu-lhe e embarcou em uma jornada como mecânico de navios cargueiros, cruzando oceanos apenas para chegar mais perto do Círculo Polar Ártico. Ele enfrentou tempestades e o isolamento, movido apenas por um medalhão quebrado que Maya tinha lhe dado um dia.
-O Reencontro
Dez anos depois da partida numa feira de antiguidades em uma metrópole vibrante e barulhenta, Léo, agora um homem de olhar profundo e mãos calejadas, trabalhava restaurando instrumentos náuticos.
Uma mulher parou diante de sua banca. Ela usava um cachecol azul, da cor exata do mar da vila onde cresceram. Ela segurava um relógio de bolso quebrado.
"Dizem que o senhor conserta o que o tempo destruiu", disse ela, com a voz trêmula.
Léo levantou os olhos. Não era mais a menina de dezessete anos, mas a intensidade no olhar de Maya era a mesma. Ela abriu a palma da mão, lá estavam todas as cartas de Léo. Suas mãos tremiam ao revelar que o pai dela as interceptaram por anos, escondendo-as em um cofre que ela só conseguiu abrir após a partida de seu pai.
-O Destino ajustado
Eles não perderam tempo com recriminações. Naquela tarde, o relógio que Léo prometeu ajustar finalmente marcou a hora certa. Eles não voltaram para a vila, eles criaram o seu próprio mundo de hoje em diante.
O Brilho da Presunção
No breu sem cores, onde a vista se cala, O cego estende a mão, sem receio, pronto a confiar.
Sabe que a escuridão é lição que não fala, E no toque do guia, encontra o seu lugar.
Mas que força estranha aprisiona quem tudo enxerga, Na luz ofuscante, onde o ego se faz rei!
A soberba é areia onde a verdade se esvai, E o caminho é negado por uma falsa lei.
O cego, com o tato, reconhece o perigo, A alma, na sombra, aprende a se curvar.
Já quem vê no claro, abraça o seu próprio inimigo: A vaidade que cega e que impede de avançar. Não é a ausência da luz que o passo impede,
É o brilho da presunção que ao abismo conduz.
O coração altivo em sua ilusão se excede, Prefere a própria sombra à luz que a cruz lhe traz.
No fim, a verdade ecoa, simples e sombria: É mais fácil guiar um cego no escuro da noite, Do que uma pessoa que vê, mas na clara luz do dia, Escolheu ser dono da treva, e rejeitou o rumo e a sorte.
O Jeito
O ouro não está no palácio coloridos
mas na base simples, onde ele se ergueu.
A perfeição não é um salto ousado de voo, é o silêncio da semente na terra,
antes da flor.
Toda canção começa por uma nota só.
Todo quadro, por um traço despretensioso.
É a prática — dia após dia —
que junta os cacos da beleza
e compõe o mosaico.
Não deixes que a ansiedade confunda teus passos.
Aprende o ritmo lento do que é essencial.
Até o arroz e o feijão de cada dia,
temperados com atenção,
tornam-se um banquete para a alma.
Cada linha reta, traçada com cuidado,
é uma estrada para o essencial.
Assim, com paciência de artesão,
o simples se repete, o básico se aprimora,
e sem alarde, sem pressa, vira jeito.
Vira perfeição.
Poema : Rosas Secas
No refúgio de um tácito ataúde
D'onde qualquer sussurro traz espanto
Cujo lúgubre coloração de canto a canto
Consome o que restava da parca saúde
Esconde-se o putrefato cadáver pálido
Cujo olhar não mais se abre
À volta do pescoço segue a calabre
E a carne fétida traz o ventre esquálido
Cercado pela penumbra densa e mórbida
Aos grandes umbrais da vida finada
Cujas bocas seguem tão caladas
Na metamorfose da decadência sórdida
Aos balcões cinzentos que adormece
No frio cimento eternizados
Postos ao descanso contemplado
Onde a história se encurta e se esquece
Em frágeis ossos que viram poeira
Expostos ao tempo e ao lamento eterno
Mutações que agem no seu ventre interno
Definhando desta vida passageira
Revela o último sacrifício
De um espírito que no silêncio vaga
E das poucas palavras que propaga
Abundou da ganância como exercício
Ao flanco esquerdo então se nota o ramo
Que já fora adornado por diversas cores
Mas que hoje comporta enegrecidas flores
Junto a uma carta grafada em " Te amo "
Se vê então o que já foram lindas rosáceas
Outrora balsâmicas em figura crata
Mas que agora definham na gélida prata
D'onde se mostra lânguida como a cartácea
Sobre aquela lápide que guarda as vidas
Escrita está, no puro tom latim
Aquelas rosas secas, mortas ao carmesim
Um dia tiveram aroma e foram coloridas
Escrito por: Wélerson Recalcatti
Arrepiei-me no lugar onde as lágrimas se anunciam, naquele espaço ínfimo e invisível que o Belo toca.
Noites densas
Navegar nas profundezas
Onde há mares e maresias
Sensações e Tempestades
Distância e Ânsia de conexão
Demasiadas de atos do movimento do Navegar
Somos as extensão das noites densas.
Entre Continentes
Meu filho mora onde meus braços não alcançam.
Um oceano inteiro mora entre o meu hoje
e o teu agora.
A casa ficou grande demais
desde que tua ausência passou a ter endereço.
O silêncio aprendeu teu nome
e o tempo, sem você,
anda mais devagar.
Sinto saudade do que não volta:
do riso solto,
do barulho da presença,
do simples fato de saber
que você estava ali.
Te amo em fuso horário,
te espero em pensamento,
te abraço em oração.
E mesmo longe,
mesmo do outro lado do mundo,
você continua sendo
a parte de mim
que nunca foi embora.
Só o tempo sabe
para onde segue a estrada.
Mesmo quando dizemos conhecer o destino,
quem pode prever o que nos aguarda?
Será o ponto final…
ou o primeiro passo de uma nova jornada?
As rotas mudam,
os ventos trocam de direção,
mas o essencial permanece:
seguir adiante
com os olhos atentos
ao lugar onde o coração deseja chegar.
E quem pode dizer
se o amor cresce no mesmo compasso
em que o coração escolhe sentir?
O coração suspira quando o amor se eleva,
e chora silencioso
quando o amor se despedaça.
Quem pode prever
o instante em que dois caminhos se encontram?
O amor precisa estar desperto,
vivo no peito,
para reconhecer essa magia que toca
como luz suave,
como energia pura
que renova tudo o que somos.
E como fluirá o dia?
Quem ousaria afirmar seu fim,
se a noite — misteriosa, profunda —
guarda no silêncio das estrelas
tudo aquilo
que habita o seu coração.
Onde você está agora?
Todos os dias me pego pensando
nos tempos em que sua presença
era meu lugar seguro,
meu riso fácil,
meu pedaço de paz.
Sinto falta da leveza,
das conversas sem hora,
da alegria que só existia
porque você estava ali.
Se você estivesse aqui,
tudo estaria bem —
eu sinto isso no peito.
Mas agora somos livres…
e essa liberdade dói.
Dói porque é vazia de você.
Hoje eu preciso seguir,
preciso tirar você
da minha cabeça
e do meu coração,
mesmo sabendo
que essa será
a batalha mais difícil
que já enfrentei.
Eu vi beleza onde não havia esforço, e por isso não tentei aprisionar o que tinha asas. Disse minhas palavras sinceras e deixei que o destino seguisse seu próprio movimento. Hoje entendo: a mudança que pedi talvez tenha chegado através daquela breve passagem. Porque ela me fez olhar para mim mesmo — para quem eu era e para quem posso vir a ser.
Em meio ao caos e à agitação, é essencial saber se retirar para um espaço de calmaria, onde reinem a paz e o silêncio. Esse é o lugar onde nossa mente criativa e sábia encontra espaço para se expandir. É ali, na quietude, que surgem os pensamentos mais profundos e verdadeiros, e onde conseguimos enxergar com a clareza da mente. Às vezes, o silêncio é o que precisamos para realmente ouvir a nós mesmos e entender o caminho que devemos seguir.
“Amar é cuidar, criar e respeitar. Onde o amor guia, tudo se ilumina; onde falta, tudo se fragmenta.”
Em um mundo onde a rotina muitas vezes dita o ritmo das nossas vidas, eu me encontro dançando na contramão, guiado pela imprevisibilidade que se tornou minha essência.
Em um mundo onde as máscaras escondem intenções obscuras, é importante manter nossos corações vigilantes e nossas almas protegidas da falsidade que nos rodeia.
Conviver com pessoas falsas é como dançar em um campo minado, nunca sabemos onde as armadilhas estão escondidas.
Em um mundo onde as palavras podem ser vazias e enganosas, são as atitudes que revelam as verdadeiras intenções dos corações.
