Minha Namorada Disse que eu Sufoco ela e agora

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*EU ME QUERO DE VOLTA*


Saí de casa sem saber para onde ia. Não era exatamente uma viagem. Viagem pressupõe algum compromisso com a chegada. Eu só queria andar.


Peguei a moto cedo, antes que a cidade começasse a cobrar de mim as coisas que eu já não sabia se queria pagar. Uma mochila pequena, pouca roupa, documentos, algum dinheiro e aquela sensação conhecida de que talvez, se eu ficasse longe o bastante, certas coisas dentro da cabeça perdessem o endereço.


A estrada de serra estava quase vazia.


Subi sem pressa. Curva depois de curva. Pinheiros, barrancos, casas isoladas, pequenas vendas onde ainda se podia tomar café sem alguém perguntar se você queria açúcar. Em alguns lugares, o mundo parecia ter esquecido de atualizar a paisagem.


Eu gostava disso.


Talvez porque passei boa parte da vida fazendo exatamente o contrário.


Atualizando.


Mudando de emprego. De cidade. De mulher. De opinião. De planos. Trocando certezas velhas por certezas novas, como quem troca uma camisa suja e acredita que ficou limpo.


Quando somos jovens, ninguém nos explica direito o tamanho da brincadeira.


Dizem para estudar.


Trabalhar.


Construir.


Casar, talvez.


Ter filhos.


Comprar uma casa.


Ser alguém.


A gente acredita.


Depois descobre que existe uma diferença enorme entre cumprir o figurino e caber dentro dele.


Eu cumpri algumas partes.


Outras fiz pela metade.


E algumas fiz tão bem que quase consegui destruir a pessoa que deveria ter sido.


Foi só muito depois que percebi isso.


Na juventude, eu achava que as decepções eram acidentes de percurso. Uma mulher que não ficou. Um amigo que virou estranho. Um projeto que morreu antes de nascer. Uma porta que não abriu. Um sonho que parecia grande demais para o quarto onde eu dormia.


A gente sofre.


Depois chama aquilo de experiência.


É uma maneira elegante de não admitir que não entendeu nada.


Continuei subindo.


Em determinado ponto, parei a moto num acostamento. Havia uma venda pequena, dessas que parecem ter sobrevivido por teimosia. Pedi café. O homem atrás do balcão devia ter mais ou menos a minha idade. Talvez um pouco mais.


Ele não tinha pressa.


Fiquei olhando enquanto ele limpava o balcão com um pano que provavelmente já tinha visto dias melhores.


Pensei em quantas pessoas eu havia observado durante a vida.


Homens cansados.


Mulheres que desistiram de certas coisas sem anunciar.


Gente que bebia todos os dias.


Gente que trabalhava todos os dias.


Gente que dizia estar feliz com a convicção de quem precisava convencer a si mesmo.


Eu costumava olhar para essas pessoas de fora.


Agora começo a reconhecê-las por dentro.


Essa talvez seja uma das partes menos agradáveis de envelhecer.


Você começa a encontrar nos outros os mesmos defeitos que passou anos condenando.


O homem que você julgava acomodado.


Você.


A mulher que você achava que tinha desistido.


Você.


O sujeito que dizia não esperar mais nada da vida.


Você.


É uma espécie de justiça tardia.


A vida não manda boleto.


Manda espelho.


Voltei para a estrada.


Desci a serra em direção ao litoral. O ar mudou primeiro. Depois a paisagem. A estrada se abriu e o mar apareceu entre uma curva e outra.


Parei.


Fiquei olhando.


Não senti nenhuma revelação.


Ainda bem.


Tenho desconfiança de revelações.


Quase sempre elas duram até o próximo problema.


O que senti foi uma coisa mais simples.


Cansaço.


Um cansaço antigo.


Não do corpo. O corpo estava funcionando.


Era outro.


O cansaço de carregar perguntas que aprenderam a se reproduzir.


Quando somos jovens, procuramos respostas.


Depois de algum tempo, percebemos que algumas respostas apenas criam perguntas melhores.


E algumas perguntas não querem resposta.


Querem companhia.


Segui pela estrada litorânea.


Pequenos lugarejos apareciam e desapareciam. Uma igreja. Uma praça. Dois cachorros dormindo na sombra. Um bar aberto numa quarta-feira à tarde. Um velho sentado numa cadeira de plástico olhando para lugar nenhum.


Talvez ele soubesse alguma coisa.


Talvez não.


Essa é outra mentira da idade.


A gente imagina que quem chegou mais longe sabe mais.


Nem sempre.


Às vezes só chegou mais longe.


Foi então que lembrei de algumas coisas que eu tinha deixado para trás.


Não pessoas exatamente.


Momentos.


A adolescência.


Aquele período estranho em que a vida ainda não tinha apresentado a conta.


Eu sinto falta de coisas que, na época, pareciam insignificantes.


Uma rua.


Um quarto.


Uma conversa idiota.


Uma música tocando num rádio ruim.


Uma tarde sem obrigação.


A sensação de que ainda havia muito tempo.


É curioso.


Quando temos tempo, queremos futuro.


Quando o futuro já está parcialmente ocupado pelo passado, começamos a querer de volta algumas tardes.


Não quero voltar a ser adolescente.


Isso seria uma estupidez.


Quero apenas recuperar alguma coisa daquele sujeito que acreditava que a vida podia ser diferente.


Não necessariamente melhor.


Diferente.


Talvez seja isso que eu tenha perdido.


Não a juventude.


A capacidade de acreditar antes de exigir garantias.


Passei anos tentando viver de acordo com aquilo que parecia correto.


E algumas coisas corretas fizeram estragos.


Essa talvez seja uma das coisas que ainda não compreendi.


Como alguém pode fazer tudo conforme o figurino e, mesmo assim, terminar diante de uma vida que não reconhece?


Você trabalha.


Paga contas.


Cumpre compromissos.


Evita escândalos.


Engole algumas vontades.


Adia outras.


Diz “depois”.


Diz “agora não”.


Diz “é o melhor”.


E, quando percebe, existe uma distância entre aquilo que você construiu e aquilo que você era.


Não houve uma explosão.


Não houve música triste.


Ninguém percebeu.


Foi acontecendo.


Depois que sangra, seca.


O problema é que a pele fica diferente.


Talvez algumas coisas tenham morrido em mim em dias que eu achei que tinha apenas perdido.


Uma relação.


Uma amizade.


Uma possibilidade.


Uma versão de mim.


Aquilo não me matou.


Mas algo naquele dia morreu em mim.


Demorei para entender.


Ou talvez ainda não tenha entendido.


A diferença entre amadurecer e se acostumar é uma das perguntas que continuam me perseguindo.


Porque existe gente madura.


E existe gente apenas cansada.


Existe gente tranquila.


E existe gente que desistiu de discutir com a própria vida.


Existe gente que aprendeu a viver.


E existe gente que aprendeu a não reclamar.


Às vezes eu não sei em qual grupo estou.


Talvez nos dois.


Continuei rodando.


O vento batia no capacete e levava embora qualquer possibilidade de pensamento organizado.


Foi bom.


Minha cabeça sempre foi um lugar pouco recomendável.


Sou de carne, osso e uma confusão de pensamentos.


Nunca fui exatamente uma pessoa simples.


Durante muito tempo achei que isso fosse um defeito.


Hoje já não sei.


Talvez a simplicidade seja apenas uma forma eficiente de esconder aquilo que não conseguimos compreender.


Eu sempre vou ser uma confusão.


Não digo isso com orgulho.


Também não digo com vergonha.


É apenas um diagnóstico sem médico.


No fim da tarde, parei perto de uma praia pequena.


Não havia quase ninguém.


Tirei o capacete e sentei num banco.


O mar fazia aquele trabalho antigo de ir e voltar sem precisar justificar nada.


Pensei que talvez eu tivesse passado tempo demais tentando resolver a minha vida.


Talvez a amnésia resolvesse o problema.


Esquecer algumas coisas.


Esquecer algumas pessoas.


Esquecer certas versões de mim.


Mas logo percebi que seria inútil.


Porque não é o passado que continua nos perseguindo.


Somos nós que continuamos voltando até ele.


Voltei para a moto.


Ainda não sabia para onde iria dormir.


Também não sabia o que faria no dia seguinte.


Pela primeira vez em muito tempo, isso não pareceu uma ameaça.


Talvez porque eu tenha finalmente entendido que planejar tudo não me protegeu de nada.


Tudo correu como eu não planejei.


E, apesar disso, cheguei até aqui.


Não é uma vitória.


Também não é uma derrota.


É apenas o lugar onde estou.


A estrada continuava pela costa.


Eu podia seguir.


Podia parar.


Podia voltar.


Não havia placa dizendo qual das três opções seria a mais correta.


Ainda bem.


Passei anos demais obedecendo placas.


Naquela noite, enquanto o céu escurecia sobre o mar, pensei numa frase que não parecia minha, embora viesse de dentro:


eu me quero de volta.


Não o homem que fui.


Isso seria impossível.


Quero de volta alguma coisa que existia antes de eu começar a negociar comigo mesmo.


Antes de transformar desejo em obrigação.


Antes de confundir responsabilidade com abandono.


Antes de aprender a dizer “é assim mesmo”.


Talvez viver seja justamente isso.


Perder algumas versões de si.


Encontrar outras.


E, de vez em quando, reconhecer uma antiga no acostamento.


Parar.


Olhar.


Não tentar trazê-la de volta.


Apenas agradecer.


Depois subir na moto e continuar.


Porque existir é pouco.


É preciso viver.


Mesmo sem saber exatamente como.


Mesmo carregando perguntas.


Mesmo fazendo errado.


Mesmo descobrindo tarde demais que algumas respostas não estavam na estrada, na cidade, nas pessoas ou nos lugares para onde fugimos.


Estavam naquilo que a gente evitou olhar enquanto ainda tinha tempo.


O motor pegou na primeira tentativa.


Pus o capacete.


Acelerei.


Vamos, vida.


Me surpreenda.


Dessa vez eu não vou exigir que você faça sentido.

o dom de me apaixonar por você outra vez.

O mais estranho é que eu nunca terminei de me apaixonar por você.

Eu apenas fui mudando o jeito.

No começo, bastava pouco.

Um olhar demorava um segundo a mais e alguma coisa dentro de mim já encontrava morada. Uma conversa se estendia pela noite e eu descobria que gostava da maneira como você ocupava o tempo. Gostava do seu jeito, da sua presença, das pequenas coisas que, naquele momento, pareciam pequenas demais para saber que um dia seriam enormes.

Depois veio outra versão sua.

E eu me apaixonei de novo.

Não pela lembrança do que você tinha sido, mas por aquilo que você estava se tornando diante dos meus olhos. Algumas coisas mudaram. Outras permaneceram exatamente onde estavam. E eu descobri que também sabia amar suas mudanças.

Me apaixonei pela mulher que você se tornou.

Pelas novas manias.
Pelas novas palavras.
Pelos novos silêncios.
Pelo jeito diferente de olhar para determinadas coisas.

Me apaixonei pelo que aprendi sobre você e, principalmente, pelo que ainda não sabia.

Depois me apaixonei outra vez.

E outra.

E outra.

É quase engraçado pensar que eu poderia conhecer alguém tão profundamente e, ainda assim, continuar encontrando lugares desconhecidos.

Como se você tivesse sido escrita em capítulos que o tempo insiste em reescrever.

Eu volto para a mesma pessoa e encontro outra paisagem.

O mesmo sorriso, mas com outra história por trás.

Os mesmos olhos, mas carregando coisas que antes não carregavam.

A mesma voz, dizendo coisas que eu nunca tinha escutado daquele jeito.

E eu me apaixono.

De novo.

Não porque esqueci o que senti antes.

Justamente porque lembro.

Lembro de cada versão de você que passou por mim e percebo que nenhuma delas precisou morrer para dar espaço à próxima.

Elas ficaram.

Ficaram em mim.

E talvez seja por isso que o meu amor nunca pareceu uma linha reta. Ele se parece mais com uma espiral volta ao mesmo ponto, mas nunca exatamente na mesma altura.

Eu volto para você e sinto coisas que não sentia antes.

Presto atenção em detalhes que antes passavam despercebidos.

Entendo gestos que um dia não compreendia.

Encontro beleza em coisas que antes sequer sabia observar.

E penso que me apaixonar por você novamente não significa repetir o que já vivi.

Significa viver de outro jeito aquilo que ainda continua sendo você.

Eu me apaixono pela sua força.

Depois pela sua delicadeza.

Pelo que você mostra.

Depois pelo que guarda.

Pela sua presença.

Depois pela falta dela.

Pelo que você foi comigo.

Pelo que é agora.

Pelo que ainda está aprendendo a ser.

E continuo descobrindo maneiras.

Essa é a parte que mais me impressiona.

Eu poderia passar anos tentando explicar o que sinto e, ainda assim, bastaria você mudar uma pequena coisa no jeito de existir para eu encontrar uma palavra nova.

Um sentimento novo.

Uma forma nova de ficar.

Meu amor por você não precisou ser recuperado porque nunca foi embora.

Ele só ficou quieto em alguns lugares.

Esperou outras fases.

Aprendeu outras formas de respirar.

E quando você apareceu de novo, ele não precisou ser chamado.

Reconheceu você.

Como se soubesse exatamente onde estava.

E foi assim que aconteceu mais uma vez.

Eu me apaixonei.

Sem precisar esquecer das vezes anteriores.

Sem precisar escolher qual versão sua amar.

Amei a que chegou.

Amei a que mudou.

Amei a que permaneceu.

Amei a que eu conheci por acaso em pequenos detalhes.

E sigo amando a que ainda estou descobrindo.

Porque o que sinto por você não parece ter sido feito para caber numa única experiência.

Ele se repete sem ser repetitivo.

Volta sem ser o mesmo.

Recomeça sem ter acabado.

E toda vez que penso que finalmente entendi como é amar você, alguma coisa acontece.

E talvez não, com certeza, eu esteja muito ocupado sendo seu para me apaixonar por outra pessoa*

Você sorri de um jeito diferente.

Diz alguma coisa que eu nunca tinha ouvido.

Me olha por alguns segundos a mais.

E pronto.

Lá estou eu outra vez.

Me apaixonando por você.

Pela mesma pessoa.

Pelo mesmo amor.

Por uma versão que eu ainda não conhecia.

Assim mesmo, redundante como sou, e mesmo sendo.

E, pela primeira vez, não quero descobrir onde isso termina.

Quero descobrir quantas vezes ainda vou conseguir me apaixonar por você antes de perceber que, no fundo, nunca parei.

O meu eu se esvai. Palavras ditas, sonhos perdidos, desejos, tristes são os dias, ótimas noites de solidão que vão e voltam...

Eu poderia escrever esse texto cheio de raiva.

Poderia contar tudo.

Poderia falar das conversas escondidas, das comparações, das humilhações, das coisas que foram ditas pelas costas, das pessoas que acabaram envolvidas em problemas que deveriam ter ficado entre duas pessoas.

Poderia falar de muita coisa.

Mas não vou.

Não porque não aconteceu.

Aconteceu.

Mas porque eu não quero mais viver disso.

Eu sei dos meus erros.

Sei que tenho um temperamento difícil. Sei que sou explosivo, que já fui ignorante, que já falei coisas que não deveria. Sei também que alguns vícios meus fizeram estragos e que preciso continuar lutando contra eles.

Não vou esconder isso para parecer perfeito.

Eu não sou perfeito.

Nunca fui.

Mas também não sou aquilo que alguém pode contar sobre mim quando quer me colocar como o único culpado de uma história que foi vivida por duas pessoas.

Eu assumo a minha parte.

Apenas a minha.

E isso muda tudo.

Porque durante muito tempo eu achei que precisava explicar cada reação minha.

Hoje não.

Eu sei que uma reação errada continua sendo errada.

Mas também sei que existe uma história antes dela.

Existem coisas que foram acumulando.

Palavras.

Desconfianças.

Atitudes.

Promessas que não mudaram comportamentos.

Conversas que deveriam ser claras e pareciam escondidas.

Pedidos de mudança que foram feitos mais de uma vez.

E situações que foram me deixando cada vez mais cansado.

Eu não quero justificar meus erros.

Quero aprender com eles.

Essa é a diferença.

Eu também não quero mais ficar tentando entender por que, depois de uma briga, tudo parecia voltar ao normal tão rápido.

Eu ficava mal.

Pensava.

Tentava entender.

Enquanto do outro lado parecia que bastava colocar uma foto na academia, postar alguma coisa, curtir, sair, sorrir e continuar como se nada tivesse acontecido.

Durante muito tempo, isso me incomodou.

Hoje, não mais.

Porque eu finalmente entendi que a vida que alguém mostra na internet não é responsabilidade minha.

Se está feliz, que seja feliz.

Se não está, que resolva.

Se quer postar foto sorrindo, que poste.

Eu não preciso mais olhar para uma tela tentando descobrir o que existe por trás de um sorriso.

A vida dela não é mais a minha preocupação.

A minha vida é.

E talvez essa seja a maior mudança dentro de mim.

Eu também não vou mais gastar energia tentando entender por que, depois das brigas, coisas que eram nossas chegavam aos ouvidos de outras pessoas.

Eu nunca entendi.

Eu esperava lealdade.

Não queria que ninguém defendesse meus erros.

Se eu estivesse errado, eu queria ouvir.

Mas eu esperava que aquilo que acontecia entre duas pessoas permanecesse entre duas pessoas.

Quando descobri que havia gente falando de mim, e que quem deveria estar ao meu lado também participava dessas conversas, doeu.

Claro que doeu.

Mas hoje não dói como antes.

Porque algumas decepções só têm poder sobre nós enquanto ainda esperamos alguma coisa delas.

Eu parei de esperar.

Também parei de me preocupar com comparações.

Durante muito tempo, ouvir que alguém era melhor, mais isso ou mais aquilo me fez questionar o meu próprio valor.

Hoje eu penso diferente.

Eu não preciso ser melhor que ninguém.

Não preciso competir com ninguém.

Não preciso provar que sou suficiente.

Quem quiser outro tipo de pessoa, que procure.

Eu não vou mais mudar minha essência para disputar espaço na vida de ninguém.

E existe uma coisa que eu aprendi depois de tudo:

quem precisa diminuir você para se sentir maior já está dizendo muito mais sobre si mesmo do que sobre você.

Eu não quero fazer isso com ninguém.

Nem mesmo com quem me machucou.

Porque eu não quero sair dessa história carregando os mesmos comportamentos que um dia me fizeram sofrer.

Eu quero sair diferente.

Mais consciente.

Mais forte.

Mais tranquilo.

E, principalmente, mais dono de mim.

Eu também não vou esquecer das humilhações.

Não porque quero guardar rancor.

Mas porque algumas coisas precisam ser lembradas para não serem repetidas.

Eu sei o que senti quando fui diminuído diante de outras pessoas.

Sei o que senti quando precisei fingir que não tinha doído.

Sei o que senti quando saí de algum lugar sorrindo por fora e completamente destruído por dentro.

Mas aquilo acabou.

E não vai mais me definir.

Eu não sou aquela versão de mim que saiu de uma discussão se perguntando se era um homem bom o bastante.

Eu não sou aquele cara que precisava da aprovação de alguém para saber o próprio valor.

Eu não sou os meus piores dias.

Eu sou também tudo aquilo que estou fazendo para mudar.

Meus vícios não são meu destino.

Minha raiva não é minha identidade.

Meus erros não são minha sentença.

Eu posso reconhecer tudo isso e continuar de pé.

Aliás, é exatamente isso que estou fazendo.

De pé.

Sem precisar fingir que não doeu.

Porque ser forte não é dizer que nada machucou.

Ser forte é olhar para aquilo que machucou e decidir que não vai deixar aquilo controlar o resto da sua vida.

Eu poderia passar horas contando quem fez o quê.

Mas não quero.

Não preciso.

A verdade não precisa de espetáculo.

Eu sei o que vivi.

E quem viveu comigo também sabe.

O resto é opinião.

E opinião dos outros não vai mais decidir como eu me sinto.

Eu não vou mais correr atrás de explicações.

Não vou mais procurar respostas em redes sociais.

Não vou mais investigar conversas.

Não vou mais tentar descobrir quem está falando de mim.

Não vou mais tentar convencer ninguém da minha versão.

Acabou.

Não porque eu perdi.

Mas porque eu escolhi sair da disputa.

E existe uma diferença enorme entre perder uma batalha e decidir que você não quer mais lutar aquela guerra.

Eu escolhi a segunda.

Hoje eu quero cuidar de mim.

Quero vencer meus vícios.

Quero controlar minhas explosões.

Quero trabalhar.

Quero crescer.

Quero recuperar minha paz.

Quero olhar para trás e conseguir dizer:

“Eu passei por isso, mas isso não acabou comigo.”

Porque não acabou.

Eu ainda estou aqui.

Talvez mais cansado.

Talvez mais desconfiado.

Talvez mais cuidadoso.

Mas também mais consciente.

Eu aprendi a prestar atenção nas atitudes, não apenas nas palavras.

Aprendi que amor sem respeito não basta.

Que carinho sem lealdade não sustenta uma relação.

Que transparência não deveria ser implorada.

Que confiança não sobrevive quando existem segredos demais.

Que comparação machuca.

Que humilhação deixa marca.

Que expor o outro depois de uma briga não resolve nada.

E que duas pessoas podem se amar e, mesmo assim, não saber mais fazer bem uma à outra.

Eu não quero mais ser vítima de ninguém.

Mas também não vou aceitar ser culpado por tudo.

Eu tenho responsabilidade pelos meus erros.

Cada um deve ter responsabilidade pelos próprios.

É simples.

Eu não quero vingança.

Não quero que ninguém sofra.

Não quero destruir reputação.

Não quero transformar passado em guerra.

Quero simplesmente seguir.

E talvez seguir seja a resposta mais forte que eu poderia dar.

Enquanto alguém pode estar preocupado em mostrar para o mundo que está tudo bem, eu estou preocupado em fazer com que realmente fique tudo bem dentro de mim.

Essa é a diferença.

Eu não preciso parecer feliz.

Eu quero ficar em paz.

Não preciso provar que superei.

Quero simplesmente superar.

Não preciso mostrar que estou melhor.

Quero realmente estar melhor.

E isso não acontece em uma postagem.

Acontece longe das câmeras.

Na mudança dos hábitos.

Nas escolhas.

No silêncio.

Na distância.

Na coragem de não voltar para aquilo que fazia mal.

Eu não sei se um dia alguém vai reconhecer os próprios erros.

Talvez reconheça.

Talvez nunca.

Isso já não importa.

Eu reconheço os meus.

E isso é o suficiente para eu seguir.

Eu amei.

Eu errei.

Eu fui ferido.

Também feri.

Tive vícios.

Tive explosões.

Tive momentos dos quais não me orgulho.

Mas também tive momentos em que fiquei quando poderia ter ido.

Perdoei quando estava machucado.

Tentei quando já estava cansado.

E hoje eu não preciso transformar ninguém em vilão para reconhecer que aquela relação deixou de fazer bem para mim.

Algumas histórias terminam.

Algumas pessoas vão embora.

Algumas feridas demoram para fechar.

Mas nenhuma delas precisa decidir quem seremos daqui para frente.

Eu não vou carregar ódio.

Não vou carregar vingança.

Não vou carregar uma culpa que não é minha.

Vou carregar apenas o aprendizado.

E seguir.

Porque eu finalmente entendi uma coisa:

eu não preciso provar que sou forte.

Preciso apenas continuar sendo.

E, depois de tudo que aconteceu, existe uma coisa que ninguém mais vai tirar de mim:

a decisão de não me abandonar novamente.

Eu perdi muito tentando não perder alguém.

Agora eu vou recuperar a mim mesmo.

E isso, para mim, é o verdadeiro recomeço.

Dessa vez, eu vou comigo.

Escrevo sob corpos. Cada música é uma morte. Em todas, eu sou a vítima, deixando sobre o chão o meu próprio cadáver. Renasço como uma vampira, e sugo o meu próprio sangue para fazer da dor uma nova arte, enquanto gasto todas as minhas vidas, até que chegue o dia onde sol me queime, e não me deixe mais voltar a abrir os olhos. Quando terei escrito a última poesia, a última música e o último poema. Quando finalmente a dor cessará e não terei mais que morrer para me manter viva.
- Marcela Lobato

Talvez eu não tenha medo de morrer. Talvez tenha apenas curiosidade para descobrir se, finalmente, alguma coisa terá coragem de ficar.

Passei tanto tempo procurando alguém que me encontrasse que esqueci de perguntar se eu ainda estava onde havia deixado a mim mesmo

Não confie demais no meu sorriso. Algumas pessoas usam lágrimas para pedir ajuda; eu aprendi a usar o riso para esconder o endereço.

Eu faço parte dos pensadores que acreditam
que o Coronavírus ( Covid19 )
seja uma arma bacteriológica .
Salve-se quem puder
nesse mundo sem salvação.

⁠Quanto mais eu vivo, mais eu me convenço
que esse planeta seja usado pelos outros planetas como manicômio universal.
✍ #GeorgeBernadShaw
(26/07/1956 - 02/11/1950)

Quando eu era criança,
imaginava
que os adultos guardavam
todas as respostas....


Depois, crescendo...
acreditei que os idosos
as possuíam...


Agora, com quase 60 anos,
sei com convicção
que as verdadeiras
detentoras delas
são as crianças.
✍©️@MiriamDaCosta

Eu era criança
quando via imagens
quando escutava fatos
sobre o nazismo...


e perplexa
me perguntava
que ser humano
seria capaz
de apoiar tamanha
monstruosidade...


Cresci
e o tempo respondeu
sem piedade
mostrando-me
os rostos
as vozes
as mãos
que repetem
a mesma crueldade
com novos nomes
com velhas violências
com a mesma frieza
disfarçada de discurso...


E assim compreendi
que os monstros
não ficaram no passado
eles caminham entre nós...


✍©️ @MiriamDaCosta

Se eu tivesse sido concebida
pela brisa do silêncio,
eu não teria brotado
um furacão de palavras ...


e não teria espargido pétalas de poesia
nas estrofes do vento da minha existência,
que sussurra versos gritantes de vida
entre as linhas do tsunami da minh'alma ...


Um'alma poética
ama o silêncio
mas não pode
ser silenciosa ...


ela não é silente
e nem faz ruído
ela escreve...
✍©️@MiriamDaCosta

Eu sou
profundamente
eivada
pela
dependência
poética.


✍©️@Miriam Da Costa

Eu sou dependente
da química
do pensamento...


De consequência,
tenho sérias
reflexões mentais...


✍©️@MiriamDaCosta

É que às vezes
eu queria ser um extraterrestre...


um ser de um planeta qualquer
bem distante desse mundo...


Assim evitaria todo o tipo
de contato imediato, em qualquer grau,
com os seres humanos...


É que às vezes penso em vestir
a pele do cosmos
em descolar minha matéria humana
deste mapa de feridas sangrentas
que é esse mundo ...


Ser um outro ser... um corpo
que não lembra nome,
um orbitante do silêncio
num planeta bem distante...


Fugiria dos olhares semi mortos
que sondam curiosos a vida
e das mãos que gesticulam
como fósseis dum viver morto...


Evitaria todo contato imediato,
qualquer grau de toque
que cole sangue nas cinzas ...


Preferiria a gravidade de um mundo
sem lembranças humanas,
onde ninguém me peça
rendição nem desculpas...


Às vezes sonho ser de outro céu,
uma estrangeira de estrelas longínquas,
um ser de um planeta bem distante...


Longe, o tempo seria mais gentil,
e os gestos, silenciosos
como constelações....


E eu, poupada do contato imediato
da falsidade e futilidade
de tudo que pede
ou arranca pedaços meus ...


vivendo apenas a minha inteireza
na suave distância
entre o meu respirar poesia
e o infinito...


✍©️ @MiriamDaCosta

Como um Cavalo Selvagem


Eu tenho um coração com cabeça
e uma cabeça com coração
dentro de uma alma poética
que é indomável
como um cavalo selvagem...


Eu tenho um coração que pensa
e uma cabeça que sente
misturados no fogo secreto
de uma alma poética
que não aceita coleiras,
nem freios,
nem rédeas;
pois pulsa livre
como um cavalo selvagem
cortando ventos
e rompendo horizontes...


Eu carrego um coração pensante
e uma cabeça enternecida de emoções
dentro da morada da minh'alma,
tão poética e indomável,
que galopa livre
pelos campos da vida
como um cavalo selvagem
em eterna busca
de infinitos poéticos...


✍©️@MiriamDaCosta

De certa forma,
eu sempre me senti
completa e serena
nos lugares onde eu pude
ver as Árvores e o Mar...


Afinal...
A minh'alma
tem as cores e os olores
da Mata Atlântica
e do Oceano Atlântico...


E o meu Lar
é a Região Oceânica de Niterói...


✍©️@MiriamDaCosta
@miriamdacostamiry

Oceano Atlântico


Oh! Atlântico!
Eu sonhei em ser uma das suas ondas
em todas aquelas tardes
em que a minha existência
pousava nos braços da profundidade
que acolhia a minh'alma...


Oh! Oceano!
Em todos os meus dias
eu sempre sonhei
em ser como o Senhor...


Uma única lágrima minha
poderá um dia
ser acolhida
entre as suas ondas?...


✍©️@MiriamDaCosta

– Às vezes, eu sinto algo muito estranho…
algo que, ao mesmo tempo, me perturba e me aquieta.


"– Explica-me melhor esse “algo estranho”
que te cria controvérsias no estado d’alma…"
(disse o Tempo)


– Eu queria voltar no tempo…
naquele tempo em que eu nada sabia,
nada entendia…


"– E por que isso agora?"
(perguntou o Tempo)


– Porque eu sinto saudades daquele tempo.
Às vezes, chego a acreditar que não saber do mundo e não compreender nada dele
é uma forma de paz.
Eu não consigo entender
como é possível viver em paz
com tudo isso que acontece…
com tudo isso que os humanos fazem.
O Senhor me entende?


"– Claro que te entendo!
E é por te entender
que dialogo contigo.
O Tempo é mestre.
E você está sendo uma boa aprendiz,
com suas inquietações e interrogações...
(respondeu o Tempo)


✍©️@MiriamDaCosta
( Em "Diálogos com o Tempo")