Meu Sonho e te Conhecer
Hoje, surge meio que atalhado
Creio que seja esse meu jeito
Esse jeito meio que imperfeito
De olhar sempre de lado
Para as coisas do horizonte
Surge um Sol minguante, meio alaranjado
Emerge uma luz meio apagada
Iluminando meio que quase nada
Na fresta por entre as telhas
Restando um pouquinho pra cada telhado
Era o ventre do mundo, era uma luzinha assim...de nada
Reflete no espelho, me olhando de esguelha
Repetindo a imagem de alguém que hoje sou
Mas que ontem não era eu
Esse é algo que eu resgatei
Antes que se perdesse por completo
Pode ser que seja ainda alguém
Quem sabe ainda tenha uma alma
Eu sei que, ao caminhar na chuva, se molha
E, que ao pisar na folha, chega quase a barulhar
Mas elas farfalham também ao vento
Quem sabe todos nós, sejamos folhas que arremedam gentes
Hoje, surgiu meio que atalhado, o Sol
E eu olhei-o meio de soslaio
Percebi como sou diferente das folhas
As folhas são filhas de Deus e se quedam
Eu caio.
Edson Ricardo Paiva.
"A paz que trago no meu coração
Se deve ao fato de saber
Que esteja eu onde estiver
Terei sempre comigo
A pessoa que mais me amou nesta vida:
Eu mesmo."
Edson Ricardo Paiva.
Ilusão.
Acontece numa tarde linda
de um tempo que talvez
Não tenha vindo ainda
Meu mirante é o alto da colina
e de lá eu posso ver a todos os lugares
Lá, vivemos todos
Uma coisa que eu creio que esteja
um degrau acima, talvez dois
da mera esperança em todos sermos
Algo que a vida obrigou
a deixar pra depois
Eu vejo o início da estrada
E também onde termina cada uma
Posso ouvir desejos e orações
Sentir a dor no coração de quem detém cada pedido
E cada medo
Cada medo de viver a vida a esmo
Consumidas no miasma que as consome
O medo em libertar a dor guardada
Aquela que em cada manhã lhes invade
Enorme e em segredo
Medo até do fogo eterno
Enquanto a chama interna os queima em vida
Cada imagem de espelho
Todo dia tem lhes revelado
A miragem refletida atrás de si
As almas não se reconhecem
Por receio de olhar-se
Se fogem de molhar na tempestade
E todos vão vivendo a própria vida
Em seu mundo perfeito
Aqui nesse lugar a noite nasce feliz
Cada estrela onde quis estar
A lua, linda, vem dizer
Que esse dia não chegou
e novamente eu desço
ao degrau da esperança
esperando que algum dia seja realmente
Essa tarde tão linda
de um tempo que talvez
não tenha vindo ainda.
Edson Ricardo Paiva
Vida, meu chão
Assoalho meu, brilhante
Preciso de ilusão por onde eu piso
Energia renovada
Excetuada essa alegria
Escondida atrás das cortinas do tempo
Termina que resulta em nada
É só pura realidade
É preciso ter coragem
Pra atirar tantos duendes à lareira
E enxergar que atravessou a vida inteira
Pisando sobre um chão feito de estrelas
Iguais àquelas lá do céu
Eram tudo, a vida inteira, folhas
E tempos e ventos e telhados
Velhas telhas
Nada que nos faça diferentes, nem melhores
Que as folhas e as abelhas
O chão de estrelas
Tinha o mesmo formato das calhas
Por onde escoa a chuva, que carrega as folhas
Parecia ser bonito
Parecia haver escolhas
Parecia até ser boa
Mas estava desde sempre tudo escrito
Era tudo uma ilusão sem chão que se cumpria à toa e bem
Iludir-nos
Era a parte que nos cabia.
Edson Ricardo Paiva.
Pra que eu seja o autor da minha vida
E se a vida fosse o meu almoço, que eu preciso preparar
Como se eu tivesse uma panela de barro e só
Um jarro de água, apenas
E muita paciência, em pequenas porções
Viver qual se fosse um pássaro, um velho passarinho
Asas cansadas
Nada além de um breve canto
Um leve pranto
Nada de longas canções
Um fino fio de luz de lua
Talvez um tanto mais tênue
Luz de estrela, que eu, na minha ingenuidade
Nem perceberia a diferença ou quem me deu
Pra que seja eu, autor da minha história
Preciso lidar com a dor, a saudade
e o cansaço, em pequenas porções
E em grandes manhãs frientas
Friorentas margens de rios
Saber ser só, nas solidões que a vida traz
E fazer disso sempre o meu melhor
Jamais, jamais permitir
Que o jarro se quebre
Que a luz se apague
Que um dia vazio se torne em vida vazia
Ou que a dor e o cansaço me entreguem
Me vençam, carreguem
Sem que tenha sido eu
O autor de toda essa balbúrdia.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje amanheceu chovendo
O pássaro dormia, ele partiu
Meu dia amanheceu calor
Olhando o mesmo mundo
O vejo mais distante
Desejo ao pássaro
Uma boa viajem somente
Não tem como sentir
A dor de fazer tudo igual, diferente
Meu dia amanheceu
Tão quente
Sem motivo pra calar
Não faz mal estar tudo bem
Quando estar tudo bem
Não é, nem de longe, importante
O ar quente do balão
O vento forte contra a asa do avião
O tempo breve, cuja vida abrange
A grandeza do anjo
A beleza do jardim lá fora
O pássaro que há muito adormecido
Fez uma curva no céu
Acenou-me um adeus
Era a hora de partir
A corda do violão
Arrebentou, quando eu não estava perto
Se fez algum ruído ou não
Não sei
Somente o anjo, coração deserto
Decerto estava lá pra ouvir.
Edson Ricardo Paiva.
Meu Poema pra Lua
Lua pequena
Brilha lá no céu, tão só
Sozinha, deserta
Traz a tua luz pra minha
chega um bocadinho aqui
Pra perto
Alumia de furar telhado
Alumia meu também deserto
Pássaro noturno
Pia o seu piar incerto
Fez seu ninho no coturno abandonado
De um soldado que lutou
Nalguma guerra boba
Lua solitária, esconde
Onde foi que a loba abandonou filhotes
Onde foi que tanta gente viu
Nessa derrota inglória, a vida
Com o passar do tempo, a noite a esqueceria
E se transformaria numa espécie de vitória
Lua guardiã da Terra, irmã
Cuida de cada semente que germina
E continua triste, infértil e em silêncio
Observa, calada, a tanta incoerência
Toda vez que mês se vai
A cada geração, que aqui termina
Sempre elas terminam
Lua só, perene
Perante a eternidade que desfila
E trilha teu caminho em teu silêncio
Daqui nós a temos, linda!
Como um sorriso de filha, que nunca envelhece
Lindo, de amor verdadeiro
Profundeza da existência
Tendo a escuridão ao fundo
Fria é a ciência do mundo
No seu triste olhar distante
Admira a beleza sem brilho da tua presença
Depois que o Sol nasceu
E os poetas, cujas almas bem trajadas
Na calma de quem traz o coração em trapos
e os grilos, os pássaros noturnos, os sapos e as lobas
E cada sentinela vigilante
Ao longo das eras, ao longo dos turnos
A cada povo a sua vez
Porque sempre existirão coturnos
E farão novo
Meu Deus, que gente boba!
Dirão poesias
Algumas bonitas, profundas
Apesar das poucas linhas
Outras, exibidas por pessoas diplomadas
Extensas, em seus rapapés e rococós
Com frases intensas, rotundas, longas, rebuscadas
Que, se a amiga Lua as lesse
Pensaria que não dizem nada.
Edson Ricardo Paiva.
Não foi meu suor que ofereci; foram minhas lágrimas.
Não foi meu corpo que sacrifiquei; foi minha alma.
DONA
Teus olhos me fascinam,
Seu sorriso me convence.
És dona dos meus sentimentos,
À ti meu coração pertence!
Minas Gerais, meu coração
Minas Gerais, minha paixão
Sou mineiro com muito orgulho
E te transformo em Canção
Que pena seu dinheiro não poder comprar toda a minha cultura, todo meu conhecimento, toda a minha sensibilidade, toda a minha percepção artística, toda minha fraternidade, toda minha empatia, toda minha compaixão, todo meu caráter, todo meu senso crítico, todo meu respeito pelo outro, toda minha indignação, todo meu senso de justiça. Que pena você não ter a modéstia que eu possuo e nem a coragem de dizer a verdade!
Crítico de arte,
a meu ver, não seriam esses
que comodamente tentam diminuir
ou apossar-se do meu trabalho...
Verdadeiro crítico - e isso garanto a vocês - é quem
manuseia meus pincéis; habilidoso mistura
minhas tintas; por vezes me premia
com variados e surpreendentesesboços e cores...
E, este, acreditem, não sou eu!
E sim, aquele que generoso
me inspira!
Pablo Picasso.
...saiba,
meu amigo,
que essa tua intenção
em assumires os afazeres
da tua própria vida,
é a fonte da qual afloram
e perduram toda qualidade
e respeito que dedicas
a ti mesmo!
... meu mundo,
por vezes, é mudo!
Embora, permanentemente abarrotadode inquiridores, pretenciosos e desbocados
silêncios!
"... meu reino não é deste mundo!",
visto que, meu reinoé o reino
do possível, dos pacienciosos e
realizadores, disse Jesus, o Cristo!
Embora, este mundo que não é meu:
mundo este das fartas contradições e
dúbias escolhas - se pela dor,
se pelo cansaço - semelhantemente
se tornará o reino das justasrazões
e possibilidadesque há séculos,
milênios, me trouxeram
aqui!
Regras, a meu ver, são vorazes
inimigas da sabedoria!
Sobretudo porque regras absurdas
ou nem tanto tornam necessárias
uma infinidade de obrigações
que para sermos sábios,
precisamos nos ver
livres!
... o que por agora
mais satisfatoriamente
sensibiliza meu espírito -e, acredito
que tantasoutras pessoas - não são
ascertezas já ordeiramente consolidadas;
mas, esses estágios ainda primários,
carregados de elementos e fatoscapazes
de me surpreender e não poucas
vezes desacomodar minhas
próprias convicções...
O que sempre me obriga a mais
um passoinstigado pela
incerteza!
Descobri que andas espalhando calunias a meu respeito... Não sei por qual motivo eu ainda me surpreendo, sentia em meu coração que você pudesse ser honesta, não apenas comigo, mas talvez com você mesma. Sobre eu procurar você? - Nunca, eu não!
- Sou orgulhosa demais para isso! - Talvez esse seja o motivo que você ainda insiste em manter minha presença viva em suas palavras mortas, não mais ilusionada em suas inverdades.
