Meu Amigo Ama minha Mulher
De um modo geral, expresso-me muito mal.
Uso palavras não compreensíveis a todos.
Minha prolixidade me isola,
Separa,
Por isso levo sérias conversas comigo no espelho,
Torno de meu âmago,
Próprio remédio e por vezes,
Afogo-me em próprio veneno.
Tão cheia de mim que me canso,
Asfixia,
Mergulho no meu eu em demasia.
Viajo, crio coisas, não me encaixo,
Incertas estranhezas,
Olham-me do alto,
Enfadonho.
Sou um singular á procura de um plural,
Insólito.
Não me justifico.
Apenas vivo.
"Ela é chuva ácida, me deixa sem fala desde sempre, quem me deixa sem fala? Minha paredes não estavam no lugar, na verdade eu nem sei se ainda tinha paredes, outra havia roubado meu coração, tinha quebrado tudo, minha alma, minhas estruturas, minha clareza.
Isso não é pra se entender, tô escrevendo sem ar, tenho lágrimas nos olhos semi-serrados, eu tenho medo de escrever, medo de aceitar, medo que meu cérebro não aceite meu coração... Mas esse moça que veio do passado, exatamente dos seis ou sete anos perdidos, me fez apaixonar"
Não foi minha intenção
Não foi minha intenção te machucar, agora sofro calada por ter que levar a culpa de quem não soube amar, me desculpa, talvez seu coração quis se entregar, não sei o que houve se foi aquele abraço, talvez um sorriso desapercebido, mais aconteceu, agora jura que a culpada sou eu, não foi minha intenção agora por isso terei que me partir, não quero ver esses lindo olhos e o brilho do sorrir se despedir, cuida do teu coração, não tenho amor suficiente para te consolar, me perdoa agora é hora de ir ...
Quero sentir seu cheiro, sentir minha mão enrosca nos seu cabelo, eu queria lhe dizer o quanto te desejo.
Arrancar tua estria
Como eu queria...
Colar em minha parede
Adora-la todos os dias
Como se adorasse santo.
TARUMÃ
Não me sangrem
por favor
as sangas
da minha infância.
Deixem que sigam
seu rumo
vadio e vário
de rio avulso.
Que ora esparrama
por sobre as pedras
espuma branca
e ora em derramas
de sede ardente
ao sol se entrega.
Vai sanga avulsa
vai rio menino
ao teu destino.
Minha catarse consiste em escrever e escrever. Queria pode escrever tudo que escrevo aqui para você e jogar na sua cara para nunca mais você fazer com outra mulher o que você fez comigo. Tuas palavras de engano me iludiram. E eu por causa de minha carência acreditei. O dinheiro que eu emprestei para você pode fazer bom proveito. Não preciso dele. Se eu pudesse pegava esse mesmo dinheiro e jogava na sua cara. Desde que decidi escrever sobre tudo isso. Tenho me sentido mais leve, quem sabe alguém em algum lugar leia, aquilo que você ignorou.
Vejo o mundo a minha volta, e a confusão na minha mente se alastra, como se nada fizesse sentido e como se tudo não fosse parte de uma vida feita para mim.
Para todo conto que olho só vejo mais e mais pessoas zombando de minha determinação, são fracos e covardes que só se satisfazem fazendo outros se sentirem inferiores, eles merecem somente vaias e pena
Te apaguei da minha vida, mas jamais das minhas páginas. E por um instante esqueci que minhas páginas são minha vida.
A minha obra
Empreenda nas suas grandes obras, a família, os filhos, o parceiro\a , trabalho e em si próprio\a.
Nada é produto acabado, o melhoramento continuo é necessário. Retocar ai, por um pouco de sal acolá, aumentar ou diminuir a intensidade do brilho disto e daquilo, é um exercício que se requer permanente para que quando terminarmos, a nossa obra esteja completa.
Não há fim , nem cansaço de melhoramento para com nossos filhos, família , parceiro\a e nos próprios.
Essa missão cessa com o termino da nossa obra, e nossa obra termina quando cessa a nossa existência.
Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estacões
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr do Sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Com um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho.
Nota: Trecho do poema O guardador de rebanhos, de Fernando Pessoa.
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