Mesma Moeda
Resistir na mesma canoa,
como Anaru e Teya,
ir juntos além da intenção:
viver de fato o poema.
Nestes tempos estranhos,
na floração da Bwa Kwaib,
partilhar a contemplação,
a doçura e a sedução.
Nos permitir a distração
da atmosfera kaligana,
a gente se pertence,
o coração jamais engana.
[Não temer o amor no destino,
a paixão plena e o infinito...]
Tenho sentido inveja. E talvez essa seja uma das confissões mais difíceis que já fiz a mim mesma.
Não invejo qualquer pessoa que seja amada. Invejo aquelas que, mesmo depois de terem causado dores, machucado pessoas e desejado o mal, continuam cercadas de afeto. É difícil compreender como algumas pessoas parecem receber tanto amor enquanto outras, que nunca desejaram tanto mal a ninguém, experimentam uma solidão tão profunda.
Não me sinto inferior a elas. O que sinto é uma revolta diante de uma injustiça que não consigo explicar. Como se o mundo tivesse esquecido de fazer alguma distinção entre quem é bom e quem é ruim.
Mas talvez minha inveja esconda uma tristeza ainda maior: a vontade de também ser escolhida.
Tenho família, tenho pessoas que me amam, mas sinto falta de amigos. Daquelas amizades em que não precisamos medir palavras, calcular disponibilidade ou disputar espaço. Pessoas que simplesmente queiram estar conosco. Que se lembrem de nós. Que sintam nossa falta.
E o mais contraditório é que, quando essas oportunidades aparecem, muitas vezes não tenho energia para aproveitá-las. Quero ir, quero viver, quero conhecer lugares, mas alguma coisa em mim parece sempre cansada demais.
Tenho passado tanto tempo administrando as necessidades dos outros que, às vezes, já não sei muito bem o que fazer com as minhas.
Não consigo assistir a uma série, ir ao cinema, ouvir minhas músicas preferidas ou encontrar prazer nas pequenas coisas. Tudo parece ter perdido um pouco da cor. Sinto tristeza, um vazio que não sei explicar e uma saudade de uma versão de mim que parece ter ficado em algum lugar do caminho.
Há pouco mais de um mês, perdi uma amiga. E talvez tenha perdido também uma das poucas pessoas com quem eu conseguia compartilhar a vida de uma maneira leve.
Alguém com quem tomar café, ouvir rock, sair, levar as meninas ao teatro. Alguém com quem os pequenos programas não precisavam de grandes explicações.
Agora, quando penso em fazer essas coisas, percebo o quanto gostaria de ter alguém ao meu lado.
Tenho uma lista de pequenas promessas que fiz a mim mesma. Quero fazer uma trilha ouvindo minhas músicas preferidas, tomar um café na Confeitaria Colombo, comprar uma roupa bonita e terminar a noite em um barzinho de rock, ouvindo música e tomando uma taça de vinho.
Não são grandes sonhos. São pequenos pedaços de vida que gostaria de experimentar.
Mas até esses desejos parecem perder um pouco do encanto quando penso que não tenho com quem compartilhá-los.
Talvez eu não queira uma multidão. Talvez queira apenas algumas pessoas. Duas ou três presenças verdadeiras. Gente com quem eu possa ser inteira, sem precisar ser forte, útil, disponível ou necessária.
Quero ter amigos, mas estou cansada de tentar. Quero companhia, mas me falta energia para construir vínculos. Quero viver coisas bonitas, mas sinto falta de alguém que também queira vivê-las comigo.
E, no meio de tudo isso, existe uma pergunta que volta silenciosamente:
Em que momento deixei de viver a minha própria vida para me tornar alguém que apenas administra a vida de todo mundo?
Não sei responder.
Só sei que sinto falta de mim. Sinto falta de rir sem motivo, de ouvir uma música e sentir alguma coisa, de me arrumar porque quero sair, de ter histórias para contar e de esperar ansiosamente por um encontro.
Sinto falta de sentir.
E, apesar de toda essa tristeza, ainda existe em mim uma mulher que deseja conhecer lugares, tomar café, ouvir rock, caminhar por uma trilha e brindar à vida.
Espero que ela não tenha se perdido.
Espero que esteja apenas cansada.
E que, em algum momento, eu consiga encontrá-la novamente.
Há pessoas que voltam iguais, mas nós já não as provamos com a mesma boca. O tempo muda o sabor de quase tudo.
Ainda penso nela, mas não com a mesma dor.
O vazio continua aqui. Não desapareceu. Apenas deixou de ser um quarto sem janelas.
Entre as frestas que o tempo abriu, o ar finalmente entrou. E, pela primeira vez em muito tempo, eu consegui respirar sem que cada lembrança parecesse um afogamento.
Ela ainda existe em mim. Só já não ocupa todo o espaço. O silêncio continua, mas deixou de ser um castigo e passou a ser apenas silêncio.
Talvez seja isso que chamam de seguir em frente. Não esquecer alguém. Apenas aprender que até o vazio pode deixar passar um pouco de luz.
Às vezes, a pessoa não foge de quem ama. Foge daquilo que precisa abandonar em si mesma para conseguir amar.
Há beleza na constância de quem permanece em si mesma,
e há poder em aceitar que algumas pessoas não nasceram para andar ao nosso lado,
mesmo que já tenham
compartilhado passos conosco.
Me perguntaram se existe alguém que me conheça mais do que eu mesma,
Eu respondi: o Google, meu amigo de cabeça cheia e pressa.
Ele sabe que sou estrela e estilista, meme e poesia,
Que ajudo famosos de dia e que já fui até padaria.. Ah.. e que vendo batata frita à noite na esquina...
Pera🤔 .. batata..
Continuando..
Que já fui rua, já fui igreja, já fui festa e silêncio profundo,
Que já dancei com o caos e já fiz amizade com o mundo.
O Google sabe que sou diva do café, ninja da procrastinação,
Que sou poetisa de madrugada e CEO da confusão.
Que sou drama ambulante, risada em looping,
Que coleciono curiosidade, caos e alguns looks duvidosos no shopping.
No final, ele sabe de mim o que nem eu mesma sei,
E ainda me sugere coisas que eu juro que jamais farei. 😅
Um dia vou te encontrar de novo. Não por acaso. Por destino atrasado.
Já não serei a mesma pessoa.
Nossas vidas estarão diferentes.
Outros caminhos, outras versões, outras cicatrizes.
Mas algo em mim ainda vai reconhecer você.
Na mesma rua
Eu passo
e o chão lembra.
Não é você..
É o eco do que doeu.
As paredes sabem,
o ar pesa,
e meu peito responde
como se fosse agora.
Mas não é.
Você ficou
no que eu sobrevivi.
Eu sigo
no que eu me tornei.
E por mais que doa
te cruzar no mundo,
já não existe
lugar em mim
onde você mora.
A consciência deve ser livre. Ninguém pode ser obrigado a ser de esquerda ou de direita. Eu mesma não suporto nenhuma das duas correntes ideológicas semeadas aqui no Brasil, mas me dou bem com as pessoas das duas matizes.
... a espiritualidade
ou a ciência do espírito, por si mesma,
não necessita ser provada - porém, pronta e
exaustivamente dissecada por cada Ser
habitandoessa terra - salientando que qualquer expressão de verdade deve passar pelo filtro
do nosso próprio entendimento
e, não mais se perca pela
incerteza!
... enquanto
não dedicarmos ao bem
o mesmo vigor e a mesma audácia
devotados ao mal, este permanecerá
cada vez mais violento e
devastador!
“Uma mesma estrela pode guiar um viajante e cegar outro; nem toda a diferença está na luz, às vezes está nos olhos que a contemplam.”
Tão medonho quanto aos seus problemas, é um país acumular a mesma quantidade de especialistas que eles.
Tão medonho quanto aos seus problemas, é um país acumular a mesma quantidade de especialistas que eles.
O brasileiro, em sua maioria, carrega dentro de si a estranha mania de se achar especialista em quase tudo — é médico nas segundas, repórter nas terças, técnico de futebol nas quartas, teólogo aos domingos, juiz e cientista político em tempo integral.
Opina com tanta convicção sobre o que nem consumiu e sentencia com a segurança de quem jamais se atreveu a se questionar.
Tão ávidos e apaixonados pelas respostas, ignoramos que o mundo subsiste mais pelas perguntas…
Talvez seja tão somente uma forma de sobrevivência intelectual em meio ao caos — ou, quem sabe, um capricho coletivo para não ficar a dever aos políticos que também aprenderam a ser influencers de quase tudo e especialistas em quase nada.
E assim seguimos, palpitando — sempre cheios de certezas — enquanto a ignorância se disfarça de sabedoria e a vaidade faz parecer que já desbravamos e entendemos o mundo, quando mal entendemos a nós mesmos.
Que o Senhor — o Dono da Verdade — nos livre do infortúnio de tropeçar na demonização da dúvida!
Amem!
Nosso país e o mundo precisam subsistir, assim suponho!
Talvez a sensação de descobrir ter sido manipulado com a ajuda da IA seja a mesma de descobrir ter sido assaltado com réplica de arma.
Mas a diferença entre os que são assaltados com réplica de arma e os que são manipulados com a ajuda da IA é que os primeiros não idolatram seus agressores.
Se algum dia os Asseclas Apaixonados despertarem e perceberem que foram manipulados pelos políticos-influencers com recursos terceirizados, talvez troquem a paixão pela revolta…
Talvez a maior violência nem seja a da arma — verdadeira ou réplica —, mas a da consciência ferida quando percebe que entregou a própria confiança a quem jamais mereceu.
Ser assaltado com uma réplica de arma é experimentar o medo real diante de um perigo fabricado.
O coração dispara, o corpo obedece, a vida parece ficar por um fio — ainda que o gatilho jamais pudesse cumprir a ameaça.
A dor vem depois, quando se descobre que tudo foi sustentado por uma encenação.
Mas, ao menos ali, a vítima reconhece o agressor como tal e qual.
Já quando a manipulação acontece com a ajuda da Inteligência Artificial, o enredo é muito mais sutil.
Não há correria, não há gritos, não há mãos ao alto.
Há algoritmos, narrativas calculadas, recortes convenientes da realidade.
Há “políticos-influencers” que terceirizam argumentos, fabricam proximidades e simulam verdades com a precisão de quem sabe exatamente onde tocar para provocar aplausos — ou indignação.
A diferença mais perturbadora talvez esteja nisso: quem é assaltado dificilmente defende o agressor.
Mas quem é manipulado, muitas vezes, transforma o manipulador em mito.
E confunde-se quase tudo…
Dependência com lealdade.
Repetição com convicção.
Engajamento com consciência.
Autoritarismo com autoridade.
Arrogância com bravura…
E até Discurso de Ódio com Liberdade de Expressão.
Os asseclas apaixonados não percebem que, ao terceirizarem o próprio juízo, tornam-se extensão da estratégia de quem os conduz.
E toda paixão cega tem prazo de validade: dura até o dia em que a realidade rompe o encanto.
Se esse despertar vier, pode ser doloroso.
Descobrir-se usado é como acordar no meio de um teatro vazio, percebendo que a plateia era figurante e o roteiro nunca foi seu.
Nesse instante, a paixão pode, sim, virar revolta.
Mas talvez haja um caminho mais nobre que a revolta: o da responsabilidade.
Não apenas contra quem manipulou, mas consigo mesmo — pela pressa em acreditar, pela comodidade de não questionar, pelo conforto de pertencer.
Porque, no fim, nenhuma tecnologia é mais poderosa do que a disposição humana em não pensar.
E nenhuma libertação é mais revolucionária do que reaprender a pensar por conta própria.
