Mesma Moeda
"Quando a arma que mata é a mesma que defende os direitos dos homens e a liberdade de viver, até os anjos choram — mas não julgam"
Você nunca encontra a mesma pessoa duas vezes.As alegrias curam, as dores ensinam, o sofrimento rasga, as feridas sicratizam. Em cada instante somos transformados pela vida.
A beleza de voltar para si mesma
Sobre liberdade, recomeços e a arte de viver em paz.
Há momentos na vida em que olhamos ao redor e percebemos que, depois de tantas chegadas, partidas, expectativas e experiências, voltamos a um lugar que, de alguma maneira, sempre foi nosso ponto de partida.
Estou novamente com minha avó, como nos primeiros capítulos da minha história. A vida aconteceu, pessoas passaram, relações foram construídas e algumas se desfizeram. No caminho, acumulei experiências, decepções, aprendizados e lembranças. E cá estou, novamente ao lado dela, mas já não sou a mesma menina de antes. Carrego comigo uma bagagem que o tempo, as escolhas e as experiências me ajudaram a construir.
E sabe o que descobri? Não há tristeza em retornar à origem quando levamos conosco uma nova maneira de enxergar a vida. Há, na verdade, uma paz imensa em reconhecer o lugar ao qual pertencemos e perceber que não precisamos estar cercados de pessoas para nos sentirmos completos.
Hoje, compreendo que as pessoas são o que são. Cada uma carrega sua própria história, seus valores, suas feridas, seus aprendizados e sua maneira particular de interpretar o mundo. Nem todos enxergam a vida como eu, atribuem o mesmo significado às relações ou compreendem os sentimentos da mesma maneira. E tudo bem.
Minhas expectativas são minhas, construídas a partir da minha maneira de perceber a realidade. O outro, por sua vez, age de acordo com aquilo que conhece, acredita e consegue oferecer. Isso não significa que devo aceitar qualquer comportamento, mas que posso compreender as diferenças sem abandonar meus próprios valores.
Aprendi que não preciso transformar as pessoas naquilo que imagino que elas sejam. Preciso conhecê-las, observar suas atitudes e permitir que o tempo revele quem realmente são.
Também compreendi que gostar de alguém não significa entregar a essa pessoa o controle da minha paz. Posso construir vínculos sem fazer deles o centro da minha existência. Posso desejar a permanência de alguém sem temer tanto a partida. Posso acolher quem chega, respeitar quem decide ir embora e continuar vivendo.
Não quero mais preencher os espaços da minha vida apenas porque estão vazios. Alguns serão ocupados, talvez. Outros poderão permanecer assim, e não há problema nisso. Não tenho pressa. Hoje, entendo que cada espaço merece ser cuidado com consciência, e que nem toda presença representa um acréscimo àquilo que já construí.
Minha vida não está à espera de alguém para começar.
Ela já acontece.
Acontece quando estou sozinha e posso organizar meus pensamentos sem interrupções. Quando caminho livremente, observo as pessoas, sorrio para alguém e sigo meu caminho sem me preocupar com julgamentos. Quando escolho onde ir, o que fazer e como aproveitar meu tempo. Quando posso simplesmente existir sem sentir que preciso explicar minhas escolhas ou prestar contas da minha intimidade.
Essa liberdade me proporciona uma paz difícil de descrever. Não porque eu tenha deixado de gostar das pessoas, mas porque descobri o prazer de estar comigo mesma.
Gosto de ter companhia quando ela faz sentido, mas também gosto da minha solitude. Não preciso transformar todos os momentos em experiências compartilhadas para que sejam especiais. Há coisas que posso descobrir sozinha, pensamentos que amadurecem no silêncio e alegrias que não precisam de testemunhas para serem verdadeiras.
E, entre tantos momentos que dão sentido à minha vida, estão aqueles em que rezo com minha avó. Neles, encontro o aconchego da nossa história, a força da fé e a beleza de compartilhar algo que ultrapassa as palavras. Minha relação com Deus me ajuda a olhar para a vida com mais serenidade e a compreender que nem tudo precisa acontecer no meu tempo ou conforme minhas expectativas.
Talvez uma das maiores mudanças que experimento seja justamente esta: já não quero viver esperando que grandes acontecimentos me tragam felicidade.
Durante muito tempo, podemos acreditar que a vida começará a sorrir quando realizarmos determinado sonho, encontrarmos alguém especial ou alcançarmos aquilo que tanto desejamos. Entretanto, enquanto esperamos, muitas bênçãos já acontecem diante dos nossos olhos.
Elas estão na tranquilidade de um dia comum, na presença de quem amamos, na oportunidade de estudar, na possibilidade de descobrir algo novo, na oração que acalma o coração e até mesmo na liberdade de sair de casa e contemplar o mundo.
Às vezes, esperamos tanto pelas grandes alegrias que nos esquecemos de reconhecer as pequenas bênçãos que já fazem parte da nossa caminhada.
Hoje, quando olho para a minha vida, percebo que ela está sorrindo para mim todos os dias. Não porque tudo seja perfeito, nem porque todas as minhas vontades tenham sido atendidas, mas porque aprendi a reconhecer o valor daquilo que já existe.
Continuo tendo sonhos, desejos e curiosidades. Quero aprender, conhecer lugares, experimentar coisas novas e descobrir aspectos de mim mesma que ainda desconheço. Quero continuar me encantando com a natureza, com as pessoas que fazem bem à minha existência e com as surpresas que a vida pode reservar.
Mas já não quero fazer do futuro uma condição para apreciar o presente.
Se um dia alguém chegar e fizer sentido permanecer, haverá espaço para compartilhar essa caminhada. Não precisará me salvar da solidão nem me ensinar que minha vida tem valor. Será alguém com quem poderei dividir a beleza de uma vida que já existe, sem precisar abandonar a mim mesma para construir uma história a dois.
E, se esse encontro não acontecer, a vida continuará tendo muito a me oferecer.
Porque minha felicidade não precisa depender de uma presença específica, e minha história não perde o significado quando alguém deixa de fazer parte dela.
Quero continuar aprendendo a amar sem me abandonar, a acolher sem me anular, a respeitar sem ultrapassar meus próprios limites e a compreender que a liberdade também exige responsabilidade pelas escolhas que faço.
Não preciso controlar tudo, prever todas as despedidas ou me proteger de cada possível decepção. Posso agir com prudência e ainda me permitir ser surpreendida. Posso preservar minha paz sem fechar o coração. Posso reconhecer que algumas experiências do passado me ensinaram a escolher melhor, sem permitir que elas determinem tudo o que viverei no futuro.
Afinal, amadurecer não é deixar de sentir. É aprender a lidar com os sentimentos sem permitir que eles decidam sozinhos os rumos da nossa vida.
Hoje, percebo que voltar ao ponto de partida não significa retroceder. Às vezes, significa retornar àquilo que é essencial, mas com olhos diferentes, mais consciência e uma compreensão mais profunda de nós mesmos.
Estou aqui, ao lado da minha avó, vivendo minha história, cultivando minha fé e aprendendo a apreciar a vida que tenho.
Não estou esperando que alguém chegue para começar a viver. Estou vivendo, descobrindo, aprendendo e me encantando com o mundo.
E, quando a vida me sorrir de uma maneira inesperada, quero estar atenta para reconhecer esse sorriso. Mas, enquanto ele não vem na forma que imagino, não deixarei de perceber todos os outros que já recebo diariamente.
Porque, pensando bem, a vida já está sorrindo para mim.
E eu também estou aprendendo a sorrir de volta.
Que eu nunca esteja tão ocupada esperando pelas grandes bênçãos que me esqueça de agradecer pelas pequenas alegrias que já fazem morada na minha vida.
Que eu tenha sabedoria para acolher o que chega, serenidade para respeitar o que parte e liberdade para continuar sendo quem sou.
Que minha fé permaneça firme, que meu coração continue sensível e que minha consciência me ajude a fazer escolhas cada vez mais alinhadas com aquilo em que acredito.
E que eu nunca me esqueça de que a vida não precisa estar cheia de pessoas para estar cheia de significado.
Às vezes, tudo o que precisamos é de paz, fé, liberdade, amor e coragem para continuar descobrindo a beleza de existir.
A vida é surpreendentemente linda. E eu ainda tenho muito a descobrir sobre ela e sobre mim mesma.
🌷 SEJA A SUA MAIOR ADMIRADORA! ✨
Aprenda a olhar para si mesma com o mesmo carinho com que admira tantas pessoas. 💗
Celebre suas pequenas conquistas, reconheça sua evolução e tenha orgulho de cada batalha que venceu em silêncio.
Você não precisa ser perfeita para ser incrível, nem precisa da aprovação de todos para reconhecer o seu valor.
Ame a mulher que você é hoje, mas nunca deixe de acreditar na mulher que ainda está se tornando. 🌸
Invista em você, nos seus sonhos, na sua inteligência e na sua paz.
Não tenha vergonha de crescer, mudar de opinião, recomeçar ou escolher caminhos diferentes.
Sua evolução não precisa ser compreendida por todos, apenas respeitada por você.
Pare de se comparar com pessoas que estão vivendo histórias completamente diferentes da sua.
A única pessoa que você precisa superar é aquela que você foi ontem.
Seja sua própria fonte de incentivo, sua maior torcida e a voz que diz: “Eu sei que sou capaz!”
Não diminua sua luz para caber em lugares onde você não consegue florescer. 🦋
Lembre-se: AMOR PRÓPRIO também é estabelecer limites, reconhecer seus erros e ter coragem de mudar.
Quanto mais você se conhece, menos permite que o mundo determine quem você deve ser.
Seja a mulher que aplaude a si mesma, acredita nos próprios sonhos e não desiste de florescer.
🌷 Seja a sua maior admiradora. Você vai passar a vida inteira consigo mesma, então faça de si o seu lugar favorito! 💕
(Aline M. Abdalah)
Você acorda todos os dias com a mesma pergunta escondida atrás das tarefas simples. Não é dita em voz alta, mas governa cada escolha. Vai vencer o fracasso ou vai morrer tentando parecer vivo. Não existe terceira opção, só existe adiamento. E adiamento também é uma forma lenta de morte.
Você, homem ou mulher, aprendeu cedo a negociar com a própria consciência. Disse a si mesmo e a si mesma que ainda não era a hora, que faltava dinheiro, tempo, apoio, coragem. O fracasso não chegou como um impacto, ele se instalou como um móvel velho no canto da sala. Sempre ali, sempre ocupando espaço, sempre fingindo que não incomoda. Mas incomoda. Corrói. Envelhece por dentro.
A história começa no dia em que você percebe que ninguém virá buscar você. Nenhuma mão surgirá do nada. Nenhuma circunstância vai se alinhar sozinha. O mundo não pausa para sua dúvida. Ele avança, empurra, atropela quem fica parado. Você olha em volta e vê pessoas que não são melhores, nem mais inteligentes, nem mais profundas. Só decidiram. E a decisão, quando repetida todos os dias, cria um tipo estranho de dignidade.
Fracassar não foi o pior. O pior foi se acostumar. Foi aceitar um trabalho que drena, relações que diminuem, sonhos que viraram piada interna. Você riu de si mesmo e de si mesma para não chorar. Disse que era realista, mas no fundo estava apenas cansado e cansada demais para sustentar o próprio desejo.
Até que um dia algo quebra. Não é um milagre. É uma exaustão lúcida. Você percebe que continuar do jeito que está dói mais do que tentar mudar. O medo ainda existe, mas perde o trono. Ele deixa de mandar. Você entende que o fracasso não é o erro, é a permanência. É repetir o mesmo dia esperando um resultado diferente e chamando isso de paciência.
“Vença o fracasso ou morra” não é um slogan bonito. É uma constatação brutal. Morrer aqui não é o corpo parar. É a identidade se dissolver. É viver como figurante da própria história. É chegar ao fim com a sensação de que você poderia ter sido alguém inteiro, mas escolheu ser funcional.
Então você começa pequeno. Ridiculamente pequeno. Um passo que ninguém aplaude. Uma escolha que ninguém vê. Você age mesmo sem garantia. Age com medo, mas age. Aprende que coragem não é ausência de pânico, é disciplina em meio a ele. Aprende que ninguém respeita quem se abandona, nem você mesmo, nem você mesma.
O fracasso tenta voltar. Ele sempre tenta. Vem com a voz conhecida dizendo que é tarde demais, que você já tentou antes, que não nasceu para isso. Mas agora você reconhece o truque. Entende que essa voz não quer te proteger, quer te manter previsível. E previsibilidade é confortável para o mundo, não para você.
A virada não é épica. É silenciosa. Um dia você olha para trás e percebe que não está mais no mesmo lugar. Não venceu tudo, não conquistou tudo, mas deixou de se trair. E isso muda a postura. O jeito de andar. O jeito de olhar as pessoas. O jeito de dormir.
Vencer o fracasso não significa nunca cair. Significa não morar no chão. Significa levantar sem dramatizar, sem romantizar, sem pedir permissão. Significa assumir que a sua vida é sua responsabilidade, mesmo quando as circunstâncias foram injustas, mesmo quando você não escolheu o ponto de partida.
No final, você entende que “ou vença o fracasso ou morra” nunca foi uma ameaça externa. Era um aviso interno. Um limite. Uma linha no chão dizendo daqui você não passa para trás. Daqui em diante, você avança ou se apaga.
E você escolhe avançar. Não porque é fácil. Não porque é bonito. Mas porque continuar vivendo pela metade já se parecia demais com morrer.
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COMO NÃO DESANIMAR DIANTE DO FRACASSO
Você chega neste ponto do livro porque já entendeu algo essencial, mesmo que ainda resista a admitir. O fracasso não é o fim do caminho. Ele é parte do terreno. O que destrói você, homem ou mulher, não é cair. É o desânimo que se instala depois da queda e começa a decidir por você. É ali que a vida começa a ser abandonada em parcelas pequenas, quase invisíveis.
Fracassar cansa. Não apenas fisicamente, mas mentalmente. O corpo até levanta, mas a mente começa a criar narrativas de desistência que soam inteligentes, maduras, prudentes. Você passa a chamar medo de cautela, fuga de sabedoria, estagnação de estabilidade. E quanto mais você repete essas histórias para si mesmo e para si mesma, mais elas parecem verdade.
Não desanimar diante dos fracassos não tem nada a ver com pensamento positivo. Não tem relação com acreditar que tudo vai dar certo. Tem relação com lucidez. Com enxergar o fracasso como um dado do processo e não como um veredito sobre quem você é. Quando você confunde resultado com identidade, qualquer erro vira uma sentença pessoal. Você não pensa “isso falhou”. Você pensa “eu sou um fracasso”. É nesse ponto que o desânimo cria raízes.
O fracasso machuca porque toca em expectativas não cumpridas. Algumas eram suas. Outras foram impostas. Você tentou corresponder a um modelo de sucesso, de maturidade, de estabilidade que nunca foi realmente escolhido por você. Quando não consegue sustentar esse modelo, a culpa aparece. E a culpa prolongada se transforma em cansaço existencial.
Desânimo não surge do nada. Ele é construído. Ele nasce da repetição de tentativas sem reflexão, de esforços desconectados de sentido, de insistir nos mesmos caminhos esperando resultados diferentes. Você se desgasta porque não ajusta a rota, apenas força o passo. E chega uma hora em que a alma pede trégua, não por preguiça, mas por saturação.
Não desanimar exige parar de romantizar a persistência cega. Persistir não é continuar do mesmo jeito. Persistir é aprender, recalibrar, mudar abordagem. É aceitar que você pode ter escolhido mal, planejado mal ou se preparado mal. Isso não diminui você. Pelo contrário. Só pessoas maduras revisam a própria estratégia sem transformar isso em drama.
Você precisa entender algo com clareza desconfortável. O fracasso não vem para te humilhar. Ele vem para te ensinar onde você ainda está operando no automático. Onde você age por impulso, por comparação, por medo de ficar para trás. O desânimo surge quando você ignora esse aprendizado e tenta seguir como se nada tivesse acontecido.
Existe uma diferença profunda entre cansar e desistir. Cansar é humano. Desistir, muitas vezes, é apenas falta de estrutura interna para lidar com frustração. Você não foi ensinado e ensinada a perder. Foi treinado e treinada para acertar rápido ou se sentir inadequado. Então, quando o erro aparece, você entra em colapso silencioso.
Não desanimar é desenvolver musculatura emocional. É aprender a sustentar o desconforto sem se abandonar. É falhar hoje e ainda assim manter uma conversa honesta consigo mesmo e consigo mesma amanhã. Sem agressão interna. Sem autodepreciação teatral. Sem frases absolutas como “nunca”, “sempre”, “nada dá certo”.
Observe com atenção. O desânimo costuma vir depois de expectativas irreais. Você espera resultados grandes demais em tempo curto demais. Espera reconhecimento antes da consistência. Espera segurança antes da experiência. Quando isso não acontece, você interpreta como sinal de que não vale a pena continuar. Mas o problema não foi o fracasso. Foi a fantasia.
Fracassos fazem parte de qualquer construção real. Quem não fracassa, normalmente não está tentando nada que exija crescimento. Está apenas se movendo dentro do conhecido. O desânimo, nesse caso, é um aviso de que você está saindo da zona confortável. E o desconforto, embora desagradável, é um indicativo de expansão.
Você precisa reaprender a conversar consigo mesmo e consigo mesma depois de errar. A maioria das pessoas se trata pior do que trataria um estranho. Você se acusa, se diminui, se ameaça com abandono. “Se eu errar de novo, eu desisto.” Essa postura não gera força. Gera medo. E o medo paralisa.
Não desanimar não significa ser duro consigo. Significa ser responsável. Responsável por ajustar o plano, revisar expectativas, cuidar da energia mental. Você não é uma máquina. É um sistema vivo. Se sobrecarrega, quebra. Se ignora os sinais, entra em colapso. Persistência sem consciência vira autossabotagem disfarçada de virtude.
Há dias em que o fracasso parece pessoal demais. Como se ele tivesse escolhido você. Nesses dias, é preciso reduzir o campo de visão. Não pense na vida inteira. Não pense no futuro distante. Pense na próxima ação possível. Pequena, concreta, executável. O desânimo se alimenta de abstrações grandes demais. A ação simples o enfraquece.
Você não precisa se sentir motivado ou motivada para continuar. Precisa estar comprometido e comprometida. Motivação oscila. Compromisso sustenta. Compromisso é continuar mesmo quando a emoção não ajuda. É entender que desistir sempre parece tentador no curto prazo, mas cobra um preço alto no longo prazo.
Fracassar também revela onde você deposita sua autoestima. Se ela está inteiramente nos resultados, cada erro vira um ataque ao seu valor. Quando você começa a construir autoestima na postura, no esforço consciente, na coerência interna, o fracasso perde o poder de te destruir. Ele passa a ser apenas um dado.
Não desanimar é aceitar que o caminho não vai validar você o tempo todo. Que haverá silêncio, indiferença, portas fechadas. E mesmo assim, você continua. Não por teimosia vazia, mas porque entende que o processo é maior que o aplauso. Quem depende de validação constante não aguenta fracassos prolongados.
Você também precisa aprender a descansar sem desistir. Muitos abandonos são, na verdade, exaustão mal interpretada. Você não precisava parar para sempre. Precisava parar um pouco. Respirar. Reorganizar. O desânimo cresce quando você trata pausa como derrota e descanso como fraqueza.
Fracassos repetidos pedem análise, não autopunição. O que exatamente não funcionou. Onde você insistiu no que já estava claro que não dava retorno. Onde você ignorou sinais. Onde você terceirizou decisões. Não desanimar é usar o fracasso como ferramenta, não como sentença.
Chega um momento em que você entende que o maior fracasso seria desistir de si mesmo e de si mesma. Não do projeto, não do plano específico, mas da própria capacidade de aprender e se reinventar. Quando você mantém essa base intacta, nenhum fracasso consegue te apagar por completo.
Você não precisa vencer sempre. Precisa continuar inteiro e inteira o suficiente para tentar de novo com mais consciência. O desânimo perde força quando você para de exigir perfeição e começa a exigir honestidade consigo.
Persistir, no fim das contas, não é um ato heroico. É um hábito silencioso. Um acordo diário de não se abandonar, mesmo quando o resultado ainda não apareceu. É isso que separa quem atravessa os fracassos de quem se perde dentro deles.
E se você chegou até aqui, lendo com atenção, já sabe que desistir nunca foi falta de capacidade. Sempre foi falta de sustentação interna. Essa sustentação se constrói agora, com clareza, responsabilidade e continuidade.
Você não precisa provar nada para o mundo. Precisa apenas não se trair diante do primeiro, do segundo ou do décimo fracasso. Porque fracassar faz parte. Desanimar é opcional.
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Fim
Eu lembro dessa história como quem abre uma gaveta antiga e encontra um pedaço de mim mesma ainda respirando ali dentro, meio amassado, meio intacto, meio incrivelmente vivo. Era sempre à noite, como se a vida só tivesse coragem de acontecer depois que o sol ia embora. A gente se reunia debaixo daquela árvore que, na nossa imaginação adolescente, virou quase uma entidade sagrada, o tal do “velho Carvalho”. Nem sei se era mesmo um carvalho, mas na nossa cabeça ele tinha séculos, sabia de tudo, e guardava nossos segredos como um confidente silencioso.
Ali, eu era livre. Eu, que em casa andava pisando em cacos invisíveis, desviando de palavras duras, de olhares que pesavam mais do que qualquer castigo. Ali, embaixo daquela árvore, eu era leve. A gente ria alto, inventava histórias absurdas, falava de futuro como se fosse uma promessa garantida, como se a vida fosse mesmo justa com quem sonha. E eu acreditava. Acreditava nelas. Acreditava na gente. Achava que amizade era isso, um abrigo onde ninguém pergunta quanto você tem no bolso antes de te abraçar.
Até que veio aquela noite.
Eu cheguei como sempre, no mesmo horário, com a mesma expectativa simples de quem só quer um pouco de paz depois de um dia pesado. Mas o “velho Carvalho” estava sozinho. E isso já era estranho. Silêncio demais é sempre suspeito. Foi quando eu ouvi música, risadas, aquele barulho típico de festa boa… só que não era pra mim.
A casa ali perto estava iluminada, cheia de gente. E lá dentro estavam elas. Minhas amigas. Minhas companheiras de fuga. Rindo, comendo, vivendo… sem mim. Era uma festa de 15 anos. Aquela coisa clássica, bolo, decoração, gente feliz tirando foto como se a vida fosse perfeita.
E eu do lado de fora.
Eu não fui esquecida por acidente. Aquilo foi escolhido. Calculado. Porque no fundo, alguém decidiu que eu não cabia naquele cenário. Não porque eu não era amiga, mas porque eu não tinha dinheiro. Porque eu não teria um presente bonito pra entregar. Porque minha presença não combinava com a estética da festa.
É curioso como a exclusão não faz barulho. Ela não grita. Ela só acontece, e quando você percebe, já está do lado de fora, tentando entender em que momento virou invisível.
Elas vieram falar comigo depois. Disseram que acharam que eu tinha sido convidada. Ah, claro. Aquele clássico teatro da ingenuidade conveniente. Todo mundo sabia. Todo mundo sempre sabe. Mas ainda assim, saíram da festa pra ficar comigo. E naquele momento, eu aceitei aquilo como um gesto bonito. Hoje eu vejo como um remendo mal feito numa ferida que já tinha aberto.
Porque amizade de verdade não te deixa do lado de fora pra depois vir te consolar.
Eu me afastei da aniversariante. Não foi um escândalo, não teve grito, nem cena. Foi um silêncio decidido. Aquela percepção fria de que algumas pessoas só gostam de você até o ponto em que você não compromete a imagem delas. E quando compromete, você vira detalhe descartável.
Anos depois, ela ainda tentou me diminuir. Me chamou de pseudoblogueira, como se aquilo fosse um insulto mortal. E eu fiquei pensando… olha que curioso… eu, que não tinha dinheiro pra comprar um presente, agora tinha algo que ela não conseguia ignorar: voz. Alcance. Presença.
E mesmo assim, pra ela, eu continuava sendo nada.
Mas sabe o que é mais engraçado? Eu não era nada pra ela, mas eu fui tudo pra mim mesma naquele momento em que decidi ir embora. Porque crescer também é isso, é aprender que nem todo mundo que senta com você debaixo de uma árvore merece um lugar na sua vida inteira.
Hoje, quando eu lembro do “velho Carvalho”, eu não sinto raiva. Sinto uma espécie de carinho melancólico. Porque ali existiu uma versão minha que acreditava nas pessoas com uma pureza quase perigosa. E apesar de tudo… eu não me culpo por isso.
A culpa nunca foi de quem amou demais. Sempre foi de quem não soube receber.
E se tem uma coisa que a vida me ensinou, é que a gente pode até não escolher de onde vem, mas escolhe muito bem quem permanece.
Agora me conta… quantas vezes você também já foi deixada do lado de fora de alguma festa da vida?
Você não está sozinha.
Há outras pessoas atravessando a mesma ponte, enfrentando a mesma tempestade e tentando chegar ao outro lado.
Quando finalmente chega ao fim da ponte, você pensa que encontrou a saída.
Mas não encontrou.
Existe outra barreira.
E ela é ainda mais assustadora.
Uma parede muito alta, feita de areia, molhada pela chuva, cheia de buracos. Pessoas estão escalando, mas você sabe que aquilo não é realmente seguro.
- Seja gentil com você mesma. Você passou por 4 cirurgias, corpo e alma cansados. Não precisa ser forte o tempo todo. Chorar é limpar a alma. Descansar é necessário. Pedir calma ao tempo é permitido.
Não faço questão de ser sociável, amizade não se ganha se conquista da mesma maneira que se perde se não houver respeito e sinceridade! Não espere menos que isso de mim!
O julgamento diz mais sobre ela mesma. A rigidez da minha sogra reflete os filtros e preconceitos da cabeça dela, e não a minha decência, o meu corpo ou a minha postura. O problema está nos olhos de quem julga. No caso nos olhos dela.
Vestir-se
De si mesma, é a beleza mais linda
Que existe.
Todos o resto se torna apenas um acessório.
Gleice KELLY ss.
A vida não é de confiança, nos apunhala com a mesma faca com que passa manteiga.
Quando as flores do seu jardim já não têm o mesmo fulgor, a mesma cor, o mesmo perfume… não adianta apenas regá-las. Antes de tudo, é preciso mudar as raízes.
