Mesma Moeda
O niilista encara a ausência de deus e paralisa. O humanista encara a mesma ausência e diz: "Perfeito. Agora somos livres para ser humanos de verdade."
A religião a transforma culpa em virtude e depois cobra para aliviar a culpa que ela mesma inventou.
O universo nasceu no instante em que a primeira consciência reconheceu a si mesma. A primeira palavra do universo não foi luz. Foi "eu".
Se a humanidade algum dia compreender completamente a si mesma, talvez descubra que sua maior pergunta sempre foi como continuar sendo humana.
Aristóteles percebeu que justiça não significa tratar todos sempre da mesma maneira, mas oferecer a cada situação o tratamento que lhe corresponde.
Onde todas as instituições pensam da mesma maneira, diminui a variedade necessária para enfrentar mudanças imprevisíveis.
O medo constrói deuses com a mesma matéria com que constrói prisões: a necessidade humana de encontrar segurança diante do desconhecido.
O desespero é a doença de uma existência dividida contra si mesma: viver, mas não querer ser quem se é; desejar ser outro, mas não conseguir escapar de si.
Uma democracia intelectualmente madura não exige que seus cidadãos compartilhem a mesma metafísica, apenas que compartilhem regras de convivência.
Uma vida que jamais interroga a si mesma pode existir biologicamente, mas permanece intelectualmente incompleta.
Uma democracia não se fortalece quando exige que todos pensem da mesma maneira, mas quando consegue transformar a pluralidade das consciências em força política sem destruir a liberdade.
