Mente
Tem dia que a mente vira um beco sem placa… vocêanda, anda, anda… e já nem sabe mais quem tá carregando esse corpo cansado... já não sei quem eu sou. Talvez eu tenha virado pedaço das dores que engoli, das versões minhas que precisei matar pra continuar vivo nesse mundo louco.
Às vezes olho no espelho e parece que tô vendo um estranho usando minhas cicatrizes. Sorrio por educação, respondo “tô bem” no automático… mas por dentro tem um tumulto que nem eu consigo explicar.
A real é que a vida bate tanto na gente
que uma hora até a própria alma desaprende o próprio nome... mas é só mais uma fase, só mais uma frase...
Na tristeza, Deus ajude minha mente;
Na alegria, Deus perpetue meu gozo;
Há apenas um capaz de me compreender inteiramente.
Lobo solitário, em horas mortas, permeando uma noite preguiçosa e sonolenta preso a uma mente fatigada.
O silêncio cresce em minha mente como uma floresta de ossos. Cada palavra que escrevo é uma ave de vidro, tentando voar sem quebrar.
Corvos voam sobre mim, refletindo em suas penas os labirintos da minha própria mente. Observam meu cansaço, aguardando o momento em que me dissolverei em minhas próprias sombras.
A história nos ensina que o maior poder não reside na força do cetro, mas na força da mente iluminada, capaz de penetrar a superfície e tocar a fibra mais sensível da condição humana, o amor. Salomão demonstrou que a inteligência sem empatia é estéril, mas a inteligência a serviço do afeto é justiça. É um lembrete eterno de que cada um de nós carrega a responsabilidade de julgar com sabedoria, pesando não apenas os fatos, mas o custo humano de cada decisão impensada. Que a sua régua seja a ternura e o seu julgamento, a misericórdia.
Sou o sentinela e o prisioneiro de uma guerra que nunca cessa. No tribunal noturno da mente, cada lembrança esquecida retorna como testemunha hostil, expondo minhas feridas com uma precisão cruel. O silêncio, esse juiz disfarçado de paz, sentencia-me a reviver o que tentei enterrar. Quando os pensamentos se libertam, tornam-se lâminas: cortam sem aviso, rasgam o que o tempo tentou cicatrizar. A sombra, paciente, estende sua mão, prometendo descanso em troca da rendição. Mas há em mim uma centelha teimosa, um lampejo que recusa a dissolução. Assim sigo, numa vigília interminável, onde a lucidez é tanto escudo quanto lâmina. Cada instante é um duelo, e cada suspiro, um veredito suspenso entre a luz que sangra e a escuridão que observa.
O coração só se acalma quando a mente aprende a delegar as preocupações para a autoridade superior da Fé.
A magnitude do amor celestial é um conceito que a mente humana tateia, mas jamais apreende em sua totalidade, pensar que o Pai Celestial entregou o próprio Filho, a encarnação do Verbo, para que este sofresse o ostracismo e a morte em meu lugar, é confrontar a fronteira do indizível. Este não é um afeto passivo, mas uma força ativa que me arrancou da ruína e me inseriu na família divina, transformando um coração limitado e errante em um reservatório onde reside a plenitude do Espírito. Essa certeza da filiação é a minha riqueza imaterial, a fonte inesgotável de regozijo que me move à adoração incessante.
O maior cárcere é a mente que insiste em viver no passado, enquanto o corpo é forçado a habitar o presente.
O gigante que você precisa enfrentar está na sua mente, alimentado pelas suas dúvidas. A fé é ter a ousadia de começar, e a estrada se constrói à medida que você avança.
O demagogo fala ao estômago faminto e não à mente pensante. O preço da liberdade é a vigilância eterna contra quem promete facilidades.
Mate as expectativas, esses fantasmas da mente que aprisionam, use toda essa energia liberada para cravar seus pés no chão. A vida só existe na densidade crua e irrefutável da presença, onde o agora é o único ponto de poder real.
O corpo tem memória de batalhas que a mente quer esquecer. Há dias em que ele se recusa a colaborar, cobra presença no presente. Quando obedece, eu celebro em silêncio, quando nega, aprendo a negociar, ofereço chá, música, paciência, pequenos tratados de trégua.
Se alguém ousasse mergulhar na minha mente, seria imediatamente entorpecido pelo caos, aqui não existe repouso, apenas um conflito eterno entre passado e uma sucessão de pensamentos perturbadores que fazem da desordem o meu único lar.
Minha mente é um território hostil após a meia-noite, lembranças andam armadas e a esperança raramente faz o turno da noite.
