Mensagens de Saudades Eternas

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Dá pra pintar um novo amanhã, mas as tintas e pincéis não podem ter memória...

"" Seria interessante se nossa memória pudesse voltar e apagar lembranças que não fazem bem e nem levam a lugar algum...

Medo de lembrar porque a memória não avisa ela chega traz seu nome seu riso o que fomos lembrar é abrir o que tentei fechar
porque algumas lembranças não querem ser lembradas querem ser sentindas

Porque há coisas
que o tempo não apaga,
apenas transforma em eternidade dentro da memória.
No fim, continuamos caminhando…
carregando aquilo
que o coração escolheu eternizar.
— Helaine Machado

A memória


A memória é uma biblioteca curiosa.
Esquece datas, confunde nomes, mas guarda para sempre aquilo que nos transformou.
Nem tudo o que permanece continua vivo. Mas tudo o que nos muda permanece.

O Primevo nunca nasce nem morre. Precede o tempo, sobrevive à memória e permanece indiferente às metamorfoses da identidade. Apenas aguarda o instante em que as máscaras se enfraquecem para recordar ao homem aquilo que jamais deixou de ser.

Cada osso guarda uma memória mais antiga que a própria história. O Primevo não habita apenas a alma; sedimentou-se na carne, nos nervos, no sangue e na arquitetura silenciosa do corpo. Antes que a consciência aprendesse a pensar, o corpo já sabia sobreviver, temer, desejar e recordar. Há memórias que jamais passaram pela linguagem, porque foram inscritas na matéria muito antes de existirem palavras para descrevê-las.

A memória é um espelho quebrado que reflete não o que fomos, mas o que tememos que sejamos. Cada gesto carregado de intenção deixa rastros invisíveis, e o mundo, indiferente, coleciona-os como quem guarda cinzas frias. No fundo, toda presença é sombra de ausência, e toda certeza, prelúdio de um silêncio que ninguém ousa ouvir.

A memória não guarda fatos, mas cicatrizes; cada lembrança é uma ferida reorganizada em narrativa, e quanto mais a repetimos, mais nos afastamos da verdade e mais nos aproximamos do mito íntimo que nos sustenta.

O tempo esmaga com delicadeza cruel: cada memória se desfaz, cada esperança se dobra, e no espaço entre o que fomos e o que seremos, o vazio se revela como o único companheiro fiel.

Há algo anterior ao nome, ao trauma e à memória — o PRIMEVO — onde a alma não se explica, apenas pulsa. É desse território que brotam as neuroses, não como falhas, mas como mensagens mal traduzidas do fundo arcaico que insiste em existir. Quando a consciência tenta domesticar o PRIMEVO, nasce o sintoma; quando aprende a escutá-lo, nasce o sentido. Toda cura começa no instante em que o ser aceita que não é senhor da própria origem, apenas intérprete tardio de um chamado antigo.

A memória não é arquivo — é seleção inconsciente daquilo que ainda não foi elaborado. O aparato psíquico não retém o que passou: retém o que insiste, o que retorna em busca de sentido que não encontrou, o que permanece aberto como ferida que nunca cicatrizou por completo. Lembrar não é revisitar — é testemunhar o retorno do recalcado que, sob a forma de imagem, afeto ou sintoma, continua reclamando o trabalho psíquico que lhe foi negado. A memória, portanto, não fala do passado: fala do que, no passado, ainda não terminou de acontecer.

Hoje você é apenas uma memória, mas por muito tempo, você foi meu tudo, minha vida. As lembranças estão aos poucos se apagando, embora algumas ainda permaneçam intactas na minha mente. Quantos momentos lindos vivemos juntos, mas tudo isso ficou para trás. Todo o meu futuro será longe de você.

“Existem carros que passam pelas ruas.
E existem aqueles que permanecem na memória.”


— Mário Augusto de Castro

Um perfume invadiu a sala e, num segundo, ela estava ali. Não em carne, mas em memória.. no ar, no canto do tempo, no friozinho que arrepia.
Era o mesmo cheiro, e com ele vieram os risos, os silêncios, o jeito de existir dela. Fechei os olhos e sorri, mesmo que a saudade apertasse. Porque às vezes o passado chega perfumado, só pra nos lembrar que certas pessoas nunca nos deixam de verdade.

Pra não esquecer quem eu sou,
eu marquei na pele.
Três vezes.


Duas.. memória viva.
Coisas que eu criei,
vivi,
fui.
Pra nunca mais duvidar
da minha própria história.


A terceira é guerra.
Um símbolo marajoara,
tribal,
cravado no dedo..
porque pra mim,
dedo é rota.
Caminho.
Direção.
Escolha.
E agora eu sei,
sem hesitar:
pra onde eu não volto.

“Respirar pesa,
como se o ar tivesse memória.
E ainda assim eu fico,
carregando um silêncio
que só quer… paz.”

As marcas.


Nem todas estão na pele.
Algumas ficam na memória, no silêncio depois de uma despedida, na palavra que não foi dita, na promessa que não foi cumprida.
Existem marcas que o tempo apaga e existem aquelas que o tempo apenas ensina a carregar.
Há pessoas que passam por nossa vida como uma brisa e outras que deixam cicatrizes profundas, não porque foram más, mas porque foram importantes.
As marcas contam histórias. Falam das quedas que sobrevivemos, das batalhas que vencemos e também daquelas que perdemos.
No fim, ninguém sai da vida intacto. Somos feitos de lembranças, feridas, aprendizados e recomeços.
E talvez a maior beleza não esteja em não ter marcas, mas em continuar seguindo em frente apesar delas. Afinal, até as árvores mais fortes carregam em seus troncos os sinais das tempestades que enfrentaram. 🌿✨

“Tenho dentro de mim uma biblioteca de pessoas que o tempo levou, mas que a memória recusou abandonar.”

— Juliana Hoffmann Liska

Nas dobras invisíveis da memória, onde datas se fundem a tamareiras douradas, um eco de encontros desfez-se em pó. Palavras inglesas pairam como fantasmas: date, um instante capturado; date, um laço efêmero de peles e olhares; date, a polpa doce que escorre entre dedos esquecidos. O abstrato devora o linear, tecendo fios de um novelo sem fim, onde o romântico se perde em desertos de silêncios.
Sombras dançam em relógios parados, namorando o vazio com passos tortos. Corpos se inclinam para o nada, inventando amores de névoa, frutas que não caem, calendários que se desfazem em confetes de ontem. O humano reside no rompante, na frase que se quebra como vidro fino, no pulsar irregular de um coração que ignora o tempo. É o caos que respira, o tropeço que encanta, o desalinho que pulsa vivo.
Entre curvas de sentido ausente, a alma se desdobra – não em mapas precisos, mas em rios que correm para lugar nenhum. Desconexo como o sonho acordado, abstrato como o vento em folhas mortas. Humano, porque sangra nas bordas, sonha nos vãos e persiste no eco das ausências.