Mensagens de Saudades Eternas

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Aquilo que experenciamos está como memória e aquilo que nos contam se trata de história.

Preservar a memória histórica não significa viver do passado, muito menos barrar o desenvolvimento tecnológico, mas conservar o conhecimento dos nossos ancestrais, nos ajuda a lembra de onde viemos e de quem, tudo isso nos ajuda a saber quem realmente somos.

memória apagada


me apagou da sua memória feito arquivo,
como quem fecha uma janela sem olhar o céu.
fui palavra que não coube na tua página,
fui verso que não rimou com teu tempo.

e no teu gesto simples, quase sem peso,
desinstalou-se o que em mim era inteiro.
não houve drama, nem despedida
só o silêncio de quem não quer lembrar.

mas eu, que ainda guardo tua voz em pastas invisíveis,
sigo abrindo arquivos que você renomeou como nada.
sigo lendo entre linhas o que você quis esquecer,
como quem revisita cartas que nunca foram enviadas.

porque há amores que não se apagam,
mesmo quando deletados.
eles ficam —
em cache, em sombra, em sonho.
em mim.

24/10/25

Dias de chuva

Chovia…

Abrigo na memória
uma janela entreaberta,
o latido das gotas caídas,
seduzidas por letras
cantaroladas nas pontas dos dedos.

Chovia...

Nesses dias pardos
que ainda trago na boca...

Abri uma gaveta
de infância —
e não havia nada,
nada que me fizesse lembrar
a faceta de transgressor.

Chovia...

Desejos esses,
habitados em ímpetos silêncios,
de vaga mundos —
sem sair do regaço da minha mãe.

Chovia...

Vertiam-se aqueles beijos
em dia de branco chumbo,
dados com amor e paixão,
como a auga escorrida,
ecoando melodias
no meu coração

chovia, mãe

chovia

chovia

chovia

Momentos vazios
lágrimas brotam
Reflexos da memória
manifestações do dito
e do que ficou reprimido
Momentos com Deus
avivamento
Outrora
Pura introspecção
Madrugada de afloramentos
Pesares
não nos tire o encanto
Nenhum dia igual ao outro


Agnaldo Souza

Em vez de fugir, mergulho fundo,
nas águas turvas da memória,
onde os fantasmas dançam em silêncio,
e o tempo dissolve sua história.


Não há bússola neste abismo,
apenas o eco do que fui,
mas sigo, devagar, sem pressa,
colhendo os cacos de mim.


A dor é um peixe prateado,
que brilha e some na corrente,
e eu, aprendiz de navegante,
aprendo a ser paciente.


Mergulho e saio com algas nos cabelos,
e o sal queimando na pele,
mas trago nos olhos um brilho novo,
e nas mãos, um pouco mais de fé.


As ondas me cospem na areia,
mas já não sou o mesma mulher,
o mar me devolveu em fragmentos,
e eu os guardo como um poema.


Agora respiro, agora existo,
com menos medo e mais verdade,
pois quem mergulha nas sombras,
encontra também a claridade.
⁠

A memória, às vezes é só uma sala vazia onde ninguém mais senta pro café.
Ro Matos

Quem faz um feito, faz uma história, quem faz um grande feito, se torna pra sempre memória. ⁠

Memória; sinônimo de felicidade; de conforto; de rancor; nos faz o véu do viver, fixo nesse oceano de incertezas jaz certas.

Quintal da memória


Uma varanda,
uma vila,
um corredor comprido.
Da janela,
um quintal aberto ao mundo.
Chuva de verão caindo morna,
cheiro de café vindo da cozinha,
o leite crescendo no fogão.
Brinquedos esquecidos pelo chão.
Pai - porto seguro.
Avó - doçura de colo.
Madrinha - mãos cheias de agrados.
Padrinho - passos lentos pelas tardes.
Hoje,
quando a chuva retorna
e o café invade o ar,
fica apenas
a infância
roçando leve
as asas da lembrança.

Desenvolva sua memória fotográfica para não se perder com objetos parecidos com os seus.

POESIA EM MEMÓRIA ÚLTIMA
(para ti, Avelino Fernando do Couto Ribeiro)
Rezaram-te a missa,
O solista cantou,
O órgão tocou,
Em premissa.
Eu assisti e rezei
Diferente, por razão
De fé ao Corpo
Do Homem morto
E Crucificado que eu sei.
Tanta gente caminhando
Em passo quase de tropa
Rumo ao campo sagrado
E eu atrás de todos pensando
Se a morte é vida ou pecado
Por ter a coragem de morrer
Antes do prazo aprazado.
Deus - que fria é a morte
Criada de nascente
A poente,
Sem norte.
Dois barrotes de madeira
Duas cordas na horizontal,
Uma cova funda na vertical,
Um caixão que desce anormal
De cabeça para baixo,
Abismal,
Um corpo quase vivo
Afinal,
Que se não fosse a terra
Que mais aterra e pesa
Na sua função de singeleza
Entre a definição da morte,
Quiçá, quando for da nossa sorte
Entremos de pés ao baixo
E de cabeça ao alto,
Sem sobressalto,
Ou suspiros,
Não vá, mesmo lá dentro
Do ataúde fatal,
Vomitarmos os diospiros
Ingeridos há tempo que tal.


(Carlos De Castro in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 06-04-2026)

Quem treina sabe
Músculo tem memória
E se voltar a treinar
Logo ele volta a crescer,
E como posso esconder
Se o coração é um músculo que faz parte do meu ser,
Ele pede pela sua volta para voltar a viver.
O corpo sem treinar definha,
O coração sem amar,
Faz dos olhos um mar
Cheio de água salgada,
Esperando pela embarcação
Que um dia fez morada naquele coração.
-
Leonardo Procópio, Pindamonhangaba.

"O existir assemelha-se a um sono sem memória, no qual a mente se exila em territórios alheios à alma que me sustenta."

Os momentos passam, mas não se perdem enquanto a memória os abriga. Assim também os sonhos: enquanto não morrem dentro de nós, a realização ainda se aproxima.

memória

“ se passam
anos,
meses,
dias,
horas,
minutos e
segundos
mas a todo momento
sem exceção
me recordo do seu olhar,
seu toque
seu cheiro
seu sorriso
e da imensidão
que ficou em mim”

⁠As pessoas vêm e vão, até se demorarem num limbo entre a memória e a imaginação.

Aquela noite ficaria gravada na memória do tempo — um ponto de inflexão silencioso, o prenúncio de algo que mudaria para sempre o destino da humanidade.

Somos apenas lembranças e se deixamos de ser memória na mente de alguem, então, dixamos de existirmos, ser é estar presente.




Raquel Souza

“Que o Natal, memória do nascimento de Cristo, nos recorde que antes de sermos povos distintos somos humanidade compartilhada, e que nenhuma fronteira é maior do que o chamado à paz, ao cuidado mútuo e à dignidade que nos une.” - Leonardo Azevedo.