Mensagens de Estrelas
Quando naveguei sem destino, guiei-me pelas estrelas e assim não naufraguei;
Quando passei por tribulações, prostrado me pus diante do Alto e assim encontrei a paz
O sol ilumina a vida, as estrelas cintilam com o brilho da nossa alma e a lua acaba por seguir os passos da nossa jornada
A transcendência é o principal caminho que nos faz chegar às estrelas através do interior do nosso espírito
Aquele que contempla as estrelas sob a égide da humildade terá sempre a vitória como destino e a esperança como aliada
O silêncio é como as estrelas: quanto mais tempo passamos, mais tentamos contá-las, mas nunca alcançamos um denominador comum.
À Sombra das Estrelas, Chorei em Silêncio
Sentei-me à beira do silêncio do mundo, onde as palavras não ousam sussurrar o nome da saudade. O vento passava, cúmplice, levando consigo as lembranças que ardiam no peito — e ainda assim, eu o deixei passar, como quem deixa ir aquilo que mais ama.
Diziam que as lágrimas evaporam, mas as minhas desciam pesadas como promessas quebradas. Cada gota carregava o peso de um olhar que não voltou, de um gesto que não se repetiu. E ali, sob um céu bordado de estrelas ausentes, compreendi: o amor, quando parte, leva pedaços que jamais se regeneram, apenas se transformam.
Ah, se o tempo soubesse consolar como sabe destruir, talvez eu não me sentasse ali. Mas foi naquele instante, entre a brisa e o chão frio, que compreendi o sagrado da dor — pois só quem sente profundamente, é capaz de renascer do que foi desfeito.
E assim, primo, deixei que as lágrimas corressem não para esquecer, mas para me lembrar que viver, às vezes, é apenas isso: sentir tanto, que se torna divino existir.
Olhe para o céu, preste atenção às estrelas, elas são flores incandescentes
Que demonstram a paixão de um ser divino...
No espelho o reflexo às vezes me assusta
O que riscou tanto o meu rosto?
TESPERO
A noite é tão longa...
E as estrelas, apesar de serem tantas
Nem brilham tanto...
Falta a tua luz...
E apesar de serem de diamantes,
Esmeraldas safiras e ametistas...
Nem são preciosas...
Falta a tua presença...
A noite é tão longa...
Mas não tenho medo de divididas,
Não tenho medo de goleadas homéricas,
Não tenho medo de rebaixamento...
Tespero...
POEMA MENDIGO
Estou cheio de ser poeta,
de sonhar com as estrelas,
estou cansado de me apaixonar
dez vezes por dia
e me desiludir quarenta,
estou cheio de ser poeta,
estou cheio de escorregar no arco Iris,
e mergulhar no buraco negro,
estou cheio de jardins
com abelhas venenosas
e acácias carnívoras
estou cheio de velhas palavras,
de doces rimas ,
do poema água com açúcar,
quero a verdade
de acordar as cinco da matina,
do imprensado do coletivo,
do odor de axilas expostas,
do martírio dos aproveitadores no metrô,
quero a verdade de mendigos sob viadutos
da epidemia de drogados,
quero ouvir a miséria vicejando,
as margens de alagados e palafitas,
quero sentir viciados definhando,
escravizados pelo poder da fumaça e do pó...
quero o meu poema chorando e gritando,
um poema bem inconveniente,
que consiga incomodar
essas assembléias dolentes ,
quero um poema que cheire mal,
que se vista mal ,
um poema mendigo
com a podridão das nossas realidades...
BOLHA DE SABÃO
A lua é de são Jorge,
a noite é do dragão,
e as estrelas,
tê-las ou não tê-las
depende da paixão
santa é minha loucura,
que galopa como um alazão,
ave esta ternura,
suave e colorida
como penas de pavão,
ave Maria, avestruz,
Cristo morreu na cruz,
Maomé foi a montanha,
Ana Montana adora cuscuz,
a noite é de sao Jorge,
a lua é do dragão
e a terra viaja no universo
como um ínfima bolha de sabão...
ESPANTALHO
Anoiteceu,
A plantação dorme sã e salva,
As estrelas brincam de cair no horizonte
Ante a aparição de UFOs E seres extraterrestres...
O milharal parece uma legião
De espíritos sofridos que se debatem
Com o soprar do vento...
A lua é a diva das inspirações,
E mesmo o meu coração de molambo
Faz pulsar o desejo com tanto fascínio,
Enteado da solidão,
Beijo as trevas como um refúgio,
Corvos e morcegos se debatem
Ante a beleza lunar
E o orvalhar na terra faz germinar
Sementes dando sentido ao trapo do meu ser...
OLHAR ESTRELAS
Quando chegar a noite,
Deixa-me sozinho por instantes
A olhar estrelas, incrédulo e abobalhado
Como se eu fosse um espantalho
E o universo fosse plantações...
Deixa me olhar estrelas,
Como se eu fosse um pirilampo
Diante de tanta luz,
Deixa me olhar estrelas,
Como se eu fosse poeta
Buscando a rima certa,
Quando chegar a noite,
Deixa-me sozinho,
A olhar estrelas
Como se eu fosse o jumento,
Que conduzia Jesus,
Deixa me tentar entender tanta luz,
Quando chegar a noite,
Deixa eu entender ursas,
Capricórnio, cruzeiro do sul...
Deixa me pensar que protejo
Aquele que semeou com seu arado...
Todos os astros que pontilham as tuas pupilas...
VIRGÍNIA
Um dia a solidão inventou a lua e as estrelas, e a melancolia de contemplá-las; caminhava a beira do açude para descobrir o avesso do firmamento que certamente estaria no reflexo de seu espelho. Descobriu que o lago são lágrimas choradas pelos que se desiludiram com o amor e a vida, ou as lágrimas que ainda não choramos. Quando não pensava em nada viginha colocava os planetas nas margens do açude; terça casava com alfredo em marte; quinta casava com lucas en jupiter, quarta casava em venus, domingo se divorciava e voltava a terra, e, na terra era solitária. Há muito tempo o gaiola trouxera as suas mais belas recordações nas águas do rio; Iara era o fruto dessas recordações, mas um dia o gaiola se foi; a lua e as estrelas mergulharam no espelho do açude, e a noite cinzenta só mostrava o vulto de um espírito que não mais percebia os crisântemos e açucenas que floresciam às margens do lago. Virgínia buscou a lua e as estrelas no fundo do lago e descobriu o mistério e o silêncio de águas profundas...
Não tenho medo de grandes estrelas
De uma forma ou de outra
Eu ajudo a construir o céu e o inferno
Sou passageiro como um cometa
E como as desilusões sou eterno
Faço malabares com as estrelas
tenho meia dúzia de planetas na gaveta
já viajei na calda do cometa
e lapido diamantes que já foram meteoros...
