Mensagens de Sol
No Céu o Sol não pára de brilhar
As ondas no Mar se debatendo, enfurecidas
Será que pulam de alegria
comemorando a luz do dia
Ou será que, sentindo-se esquecidas
tentam fugir pra outro lugar
Na segurança da gaiola
um passarinho canta triste
canta sozinho
O cantar mais sofrido que existe
Um cantar para o qual
não pode haver nenhuma dança
As folhas farfalhando ao vento
dançam livres
Folhas mortas em viva alegria
Não parecem, em nenhum momento
Sentir saudade dos galhos
Pode até ser que eu me engane
Talvez aconteça
dos meus jugamentos serem falhos
Não me importa
Mas se eu tivesse que escolher
Ser passarinho na gaiola
Onda viva ou folha morta
minha escolha não levava um momento
Eu iria preferir voar ao vento
O Sol vem chegando devagar
Ilumina a casa ao meu redor
Primeiro os rodapés,
A calha e finalmente o corredor
Nesta manhã de calor
Quase nada se move
Faz tempo que não chove
E nem ao menos venta
E ao longo do dia
Pelo amor de Deus
Como esse Sol esquenta
Caminhando sob o Sol
Sobre o duro e estéril
Solo infértil da terra salgada
escavei e ali eu achei
Um pote de sementes
Que naquela hora e lugar
infelizmente
Não serviam pra mais nada
Caminhando sob a sombra
de um chão acidentado
da terra alagada
Mergulhei e ali me deparei
Com um pote de ouro
Que naquele momento
Também não serviu-me pra nada
Palmilhando cada centímetro
do chão pisado
de meu coração sem cura
cansado e endurecido
embaixo da dor eu encontrei
um pote de amor, que àquela altura
era tardio, não valia mais nada
Procurando na terra dos sonhos
Onde eu sempre ponho
A esperança que às vezes me resta
No final de mais um dia de tortura
Encontrei um grão de sabedoria
Cristalina e pura
Ali acabou-se a procura
Finalmente eu havia encontrado
Alguma coisa que presta.
As doces lembranças
Que te trazem o morno vento da tarde
Com a cara sorridente do Sol
As tranças nos cabelos
das meninas que passam apressadas
As taciturnas caras dos homens velhos
Parecem dizer que mais nada tem graça
Mas a palavra certa no momento preciso
Transforma tudo isso em sorriso
O voar dos pássaros
que hoje o vento trouxe
Enquanto secava a roupa no varal
A ideia nova que tudo isso lhe inspirou
Afinal, isso tudo não parece
Ser assim, de todo mal
E, se hoje ainda não o é
Te resta então, o amanhã
Aquilo que agora
o passado não mais esconde
Se torna um novo desafio
Naquilo que ainda não se desdobrou
Mas eu creio que já escolheste
A direção que desejais seguir
Não deixeis a tarde te atrasar ainda mais
Nem tropece na pressa que te invade
Tudo isso estava escrito
Acredite, então, em sonhos
Não importa nada a direção dos ventos
Siga tu, teu campo magnético
E corra devagar
Vá viver teu momento.
Fatalmente mais um dia
Onde voavam borboletas
enquanto o Sol sorria
Inexoravelmente
outro dia parte
Eu descarto desta vida
mais um dia
Enquanto esta vida assim
não me descarte
Outro dia fatalmente parte
E leva com ele
uma parte de mim
Igual a todo dia
Onde o Sol sorria
iluminando novamente
este chão
onde eu piso
desliza velozmente
me derruba
ri de mim
Termina outro dia
outro amanhã
a vida afia
Que em breve virá cortante
Constante
instante após instante
e partirá novamente
me deixando aqui
no meio dessa gente
Que caminha normalmente
e gentilmente desvia
de mim
Mais um dia, que pra mim
Sem Sol, nem borboletas
Partiu
Como cada dia sempre parte
Um dia, dia
Haverei também de pisar-te
Cortar-te, esquecer-te
e abandonar-te
Igual a cada dia desta vida
Que partiste
e te foste
sem mim.
Depois de uma noite acordada
A madrugada acorda o Sol
Está na hora de vir iluminar
A noite precisa descansar
Atravessei esta noite pensando
Em nunca mais assumir
Mais nenhum compromisso
O rumo das coisas agora
Muitas vezes fazem vê-las
sem o mesmo viço de outrora
e então, fatalmente eu enxergo
o Quanto, de repente, estive cego
Pois nunca precisei de nada disso
Um dia a gente precisa
Caminhar descalço
Pra finalmente perceber
Que o piso é falso
Depois de uma noite acordado
Eu faço um acordo comigo
Me viro de lado e adormeço
Me esqueço de quem me esqueceu
Deixa o Sol brilhar, nem ligo
Amanhã é um outro dia
Azar o seu.
Abaixo do Sol
depois de outra noite
sem sonhos
Tanta gente acorda
E se propõe a sonhar
Portanto se lavantam
E se põe a correr devagar
Por uma estrada acidentada
Que a bem da verdade
Ninguém sabe onde ela conduz
Talvez não leve a nada
Inconscientemente acordados
Fazem um acordo consigo
Abaixo do Sol
Muitos sonhos amansam
Tristonhos
Se lançam à vida
Numa dúvida doída
A única certeza
é que as folhas caem
após o outono
Mas os sonhos não descansam
Talvez seja por isso
Que em certas noites
Eles não vem durante o sono.
Tarde, bela tarde
A bem da verdade
é um fim de tarde
e dentro em pouco
O Sol nem arde
Abaixo do Sol
O Mar engole a terra
e a terra empurra o Mar
Numa eterna monotonia
Que se a gente pudesse
Ia lá só pra ohar
Todo dia
E trazia o coração
Arreado de alegia
Quando a noite vem chegando
E joga no ar
A rede ou anzol
E assim, bem de repente
O Sol agonizando contrastante
Sumiu completamente no horizonte
Caminhando pela areia
Eu vejo ao longe
Um cão sem dono
Abandonado, esquecido
deixado de lado
E todas aquelas sensações
tão lindas...somem
A Lua já brilhando
Me envia um recado mordaz:
"O cão não sabe o que faz
Ou então não seria jamais
amigo do homem"
Eu tenho os olhos no céu
porém não olho pro Sol
Não faço nada impossível
Se fizer foi sem saber
e você, sôfrega...tropeça
eu não entendo aonde vai
com tanta pressa.
Linha de cerol
e o rosto a olhar pro Sol
Linha de costura
e agulha o dedo fura
Linha de anzol
e o Violão em si bemol
linha do trem
e na frente não tem ninguém
linha da palma da mão
e no bolso nenhum tostão
A ausência de escuridão
nem sempre se traduz em Luz
Luz não é aquilo que vem
do Sol ou de fontes artificiais
Aquilo é luminosidade
ou energia luminosa
Luz é algo que te faz
viver em Paz
te faz sentir proximidade
com a fonte Universal
de toda Luz
Mesmo na escuridão
Luz não vem de fora
Luz é algo que nasce
e existe
Dentro.
Existem cegos
que são cheios de Luz
e gente calcinada
que espiando-lhes
a alma
Não vemos nada
nem paz, nem luz
nem calma.
Todos os dias
ao acordar
Agradeça ao Sol
Sua presença
Mesmo se estiver
chovendo
E se sua alma
Estiver propensa
a desistir da vida
Lembre-se
Ela acaba mais depressa
Que você pensa
Encare portanto
o seu Espelho diário
mesmo que não perceba
seu rosto acabou
de acrescentar
mais um dia
ao calendário
e apesar dos dissabores
está em dia
com todos os credores
e que ainda está coeso
Com os fardos
colocados às suas costas
pelo poder infinito
infinitamente
cheio de mistérios
alheio a dar respostas
continue
fazendo o que não gosta
e amealhando flores
no canteiro imaginário
de um Céu
que não existe
mesmo assim
não fique triste
poderá sempre haver
um laço de corda
no final
da escada onde subiste.
Hoje o Sol não brilha
Agora o pensamento falha
e enquanto caem as folhas
o vento sopra
e não trás nada
além de lembranças
de tanta
alegria perdida
tento calcular
o desespero que eu sinto
mas, há coisas que
não se mensura
acima das nuvens
as estrelas não se movem
eu tento enxergá-las
mesmo assim
e a vida
vai passando em vão
assim como são vãs
as falsas alegrias
que passadas
não deixaram nada
lembranças sem garantia
já sepultadas
hoje em dia
Hoje o Sol não brilhou
hoje eu não olhei pro Céu
Há dias em que as coisas páram
Há tempos em que as coisas
mudam depressa
Não percebemos
Quando foi que amiudaram
As esperanças
vão sumindo
Conforme os dias correm
Fantasias coloridas
cores fantasiadas
Dourados raios de Sol
Que sempre me iluminaram
Há dias em que as coisas páram
tudo volta a ser semente.
A gente se dá
todo nosso amor
depois se retribui
em companhia
me chame para ver
o pôr do Sol
qualquer dia
não é preciso
ter dinheiro
a gente se senta
aqui no quintal
e se lembra
do quanto pode ser bom
dividir um momento
assim tão normal
mas que parece
que o esquecimento
ou algo assim
transformou num
incontrolável vendaval
a distração pra completar
não deixa ver
que minha companhia
ainda pode ser sensacional
você faz o chá
e eu ligo o rádio
faz de conta
que hoje
é nosso primeiro dia
ainda me lembro
o quanto você ria
então
vamos olhar o Céu
e procurar vestígios
da passagem do rouxinol
então espero
me chamar
pra ver
o pôr do Sol
O Sol queima meu rosto
é final do mês de Julho
Quando é noite
Eu tento dormir
Porém os meus sonhos
me acordam
O silêncio no meu quarto
ressuscita barulho insondável
O sono, outrora tão amável
hoje é inefável falso amigo
A minha alma não encontra
Abrigo em meu corpo cansado
A desordem em que se acham
Meus pensamentos
A cada dia e a cada hora
cada vez mais lentos
A cada hora mais tementes
de novos tormentos
Me fazem duvidar
Que o Sol de agosto
Haverá de trazer-me
Qualquer qualidade
de alento
Procuro e não encontro
Motivos para as coisas
Que me acontecem
Se os há, não me lembro
Não há motivo que me leve a desejar
Que a vida continue acontecendo
Quando o Mês de Setembro chegar
"Nem todo dia cinza é triste, nem sempre a alegria brilha ao Sol. A Felicidade é como a inteligência: Sua origem é de dentro pra fora. Não procure nas nuvens o que está sob seus pés"
Às vezes quero ver o Sol à noite
E olho as Estrelas,
que são Sóis distantes
Enxergo hoje as coisas
Como não as via antes
Hoje não adianta mais
Saber o que devia ter descoberto
No tempo em que nasciam flores
Onde hoje tudo é deserto
Eu, que desejava tanto a Guerra
Enquanto vivia em paz
As vicissitudes desejadas
Foram tão rudes
Quanto inesperadas
E hoje eu olho as coisas
Tão distântes e digo
Faz um tempo
Tanto tempo, Meu amigo
Que queria desviar-me
Dos caminhos que hoje sigo
Aprendi a caminhar
Conheci os segredos dos Mares
E dos Nós de Marinheiro
Esta noite eu enfrentei
Uma tempestade atróz
Querendo encontrar o caminho
que me conduzisse de volta
À ilha dos Girassóis
Uma fada dança em minha mão
Tenho esperança, ainda
De que tudo mude
E que o vento sopre em direção
Ao final deste Mar
Que não finda
E caminhar finalmente pela praia
Ao final de uma tarde linda
Antes que a vida se esvaia
Consumida pelo tempo
Tanto tempo
Meu amigo.
Final de tarde
Sopra meu rosto
O Vento
O Sol
Pinta de Vermelho
O Céu
O lago à minha frente
Reflete a minha imagem
Quando olho minha cara
Reconheço o olhar sincero
Hoje ainda me resta um sorriso
Só preciso descobrir
aonde está
Minha vontade de sorrir
Acho que ficou
No dia
Em que tua mágoa sem trégua
Levou-te decidir
Que era hora de partir
Ele saiu de casa
Antes mesmo que o Sol nascesse
E nesse afã de conhecer a vida
Queria vivê-la toda e à toda
Depressa, antes que acabasse o dia
Mas ao poucos foi descobrindo
Que o mais lindo, em toda ela
É adquirir o poder
de enxergar beleza
Em coisas que a maioria
despreza e não acha bela
Aprendeu a importância
de esquivar-se
Dos olhos que o espreitavam das janelas
Que a mentira e a verdade
Às vezes vêm de mão dadas
Teve sempre o cuidado
De não passar por sob escadas
Aprendeu o valor
Que pode ter um tostão
E a falta absoluta de teor
Que pode haver em Um Milhão
O mal e o bem
São questões pura e simplesmente
Variáveis;
Depende sempre
de onde a gente está quando olha
Aprendeu que não há como explicar
Um dia, a chuva vêm e molha
Por absoluta falta de escolha
Todo Mundo acaba compreendendo
Aquilo que todos olhavam
E ninguém estava vendo.
Não deixe que os raios do Sol atinja suas vistas (ou seja não tape o Sol com a peneira isso pode lhe prejudicar)
