Mensagem Póstuma
Odeio o tanto faz.
Pois eu tanto fazia, e você no tanto faz.
Esse tanto faz seu, não deixou a gente viver o tanto que seria.
Ainda que venhamos nos despedir dizendo adeus...
Saibamos: há Deus!
Ele sempre fica comigo e segue contigo!
Nunca estamos preparados para despedidas. Elas são cheias de incertezas, contradições, e principalmente mudanças na nossa vida, as vezes boa, as vezes não. Nunca estamos livres de nos despedir, seja em uma perda ou em uma partida, sempre vamos passar por isso. Então, aproveite o tempo que você tem, com todas aquelas pessoas que você gosta ou que gostam de você, porque a despedida, ah... a despedida deixa saudade, deixa ausência, deixa sempre alguém ir embora. E a dor da despedida, nenhum de nós estamos livres de senti-la, seja ela qual for. Abrace, beije, não deixe pra dizer depois o que sente, pois depois, talvez você não tenha nem o tempo de se despedir.
E próximo ao final do dia, eu te olharei por infinitos instantes...
Perdendo-me em seu olhar...
E talvez assim, o meu se entristeça...
Imaginando que o brilho dos teus olhos são por quem não quer admirá-los...
E a partida não carregará apenas a dor comum das partidas...
E sim uma somatória do pensar de que não toquei seu coração...
E quando as luzes da cidade se fizerem familiares...
Pensarei em porque não ter me demorado mais no abraço...
Ou na contemplação de seus sorrisos timidamente lindos..
E apenas será tarde demais...
Tarde demais para haver uma outra chance...
Ou tarde demais para haver um porquê...
Depois da porta...
Dói a dor que não tem nome
Que vem, prende e consome
Dói não entender tantas vozes
Que só ou em coro falam ferozes
Línguas arcaicas que desconheço
Vindas sem pressa em seu começo
Dói os vultos que passam ao lado
Sombras que migram desfiguradas
Para dentro de meu lugar particular
Dói a fome ávida e desconhecida
Sofrida, gritante, jamais tida ou sentida
Dói rezar ao pé do altar e ver crucificado
O Santo de minha fé tão maltratado
Dói o desejo de partir no primeiro vagão
Pois se conta que a cura da sofrida emoção
Reside depois da porta da velha estação
Tão dentro; alma e som.
Poesia nos versos de uma canção; eis o teu dom.
Ouvir, escutar e sentir.
São os meus olhos dançando no silêncio... Vendo-te partir.
'''Quando olhar para cima e avistar a estrela mais bonita no céu , pois bem esta sera eu quando partir...'''
Aqui neste lugar distante a noite cobriu com seu manto escuro as ruas da cidade.
E eu, no desejo de encontrar o lugar onde todos sofrem, percorri ruas, vielas e alamedas para te levar algum conforto.
Seus dias e os meus deslumbravam-se em meus pensamentos.
Sorrisos, prazeres e até aquela sensação gostosa de saber que você gostava de mim foram aos poucos tomando-me até brotarem as lágrimas pela proximidade da despedida.
Que sua alma seja confortada no além, aqui fica alguém que sempre te quis bem e sempre te amou.
Ofereço a minha tia Margarida.
Entre ti, amada minha, que foi, é e sempre será e o abismo da solidão acontecida, descortinada no tempo, fruto de teus descuidos e silêncio, me pego morrendo, nos passos em direção ao vão acontecido, em algum momento, entre meu desejo e tuas guardas erguidas... mas, confiante, digo-te:
“Preciso de ti! De teu beijo, de teu abraço, da atenção. Porque doce, é viver a vida sem dor, é não seguir morrendo em passos cegos, nesse solo de incertezas!”
Por muito tempo você foi a inspiração dos meus poemas
Com quem eu desejei viver a mais linda das poesias.
Hoje me agarro às lembranças, tão frágeis mas não pequenas
Sem medo de acordar e observar o fim das fantasias.
Hoje o sonho se desfaz, observando do fim para o início
Posso esquecer, mas não vou ousar fazer este sacrifício.
É necessário compreender o fim. O fim não causa amargura; ao contrário, fortalece. Só existe outras narrativas, porque o fim, cautelosamente, virou o jogo. O fim é apenas uma etapa. E, no fim, sabemos o valor da saudade, da falta, do abraço, do beijo, do conselho, do aperto de mão. É urgente viver o fim. Com ele, revigoramos nossas forças. O fim é espetáculo aos olhos. É delírio retumbante. Um brinde ao nosso fim. Pois, o fim do homem é, simplesmente, o prazer.
DA DANÇA AQUELA
Hoje que vi a dança aquela
A folha na varanda
verde claro e amarela
Tão viva, tão bela
Se despedia dançando
Girando, caía subindo
E eu na varanda, vendo ela
Sorte minha
Era ela
A dança mais bela
Tão nova e tão ela
Partia de velha
Verde claro e amarela
Se sabia pra onde ia
Com o vento dançava ela
Para um novo tom
Colorida coragem dela
Tão viva, tão ela!
Aquela Separação
Mal sabia que era o fim...
Mas o que é este encerramento?
Diante de tudo, diante de todos...
Para ti, talvez, não seja algo sério
Sabia bem que não entendia ao certo esta confusão...
Foi algo rápido, forte, porém, sensível e fresco de uma luta perdida
O olhar de indiferença e confusão se perdeu no meio da situação
E Tu, não verás a partida, mas entenda de verdade que está próxima
Lhe digo adeus com pesar ...
Mas esta é a despedida que lhe entrego
E por um certo momento desejei que tu vieste comigo
Mas já sabemos a resposta...
Eu sei que eu disse que ficaria para sempre ao seu lado. Que seguraria sua mão quando não houvesse mais ninguém. E naquele momento eu estava sendo sincera, só que você não.
Em meio a tantas mentiras, a gente foi se perdendo.
Hoje eu não reconheço mais você. Nos tornamos completamente estranhos. E inevitavelmente me vi obrigada a soltar sua mão quando chegamos em um determinado ponto, seguimos caminhos diferentes. Não me julgue por essa decisão. Eu não menti quando prometi a ti. Eu só não vejo mais a necessidade de cumprir algo a alguém que nem sequer existe mais.
Despidida
Meninu
Nuá segredo escondidu
Quando si tem pouco a ser dituai
Silencie púrum instanti...
Agora iscuti...
- É o coração!
Lembri-si o incontru é sempre nu Véu Duoiá
As palavras ficam fracas com sua partida, é a dor dentro da alma embutida, mas a certeza de que um adeus nem sempre é despedida.
Vim aqui contar pra vocês
O que já vi nessa vida
Coisas boas e ruins
E coisas pra serem esquecidas
Mas nunca vi coisa tão triste
Como a tal da despedida
SONETO DA PARTIDA
Ao despedir do cerrado, central sertão
na noite, eu deixarei a luz da lua acesa
a minha admiração posta, fica na mesa
e as lembranças largadas no árido chão
Os cuidados, ao pai, deixo minha certeza
que o bem é mais, mais que a ingratidão
que a vida com amor é repleta de razão
e que o sono só descansa com nobreza
Talvez sinta falta ou talvez só indagação
o que importa foi a história com clareza
e paz que carrego no adeus com emoção
E nesta canção de laço e fé no coração
a esperança na bagagem, única riqueza
se parto, também, fica a minha gratidão
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, maio
Cerrado goiano
Quem quer ir, vai! Você não tem que ficar avisando que está se aproximando da porta disposto a fechá-la.
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