Mensagem Escrita
Está certo que escrever (livros) é diferente de ser autor publicado.
O segundo caso pode ser a evolução e a realização do primeiro caso.
Eu não me importo se eu escrevo, publico o que escrevo e (quase) ninguém lê.
Eu só quero
escrever, escrever, escrever.
Escrever ficção sempre foi, para mim, uma alquimia de transformar a dor em poesia, a feiura em beleza. Tem sido uma espécie de redenção.
O dom para algo vem de Deus. Se você não acredita em Deus não tem como acreditar mesmo que a escrita, por exemplo, é um dom de Deus dado a alguém.
Gosto do desejo dos outros que surge do meu desejo e o modifica, gosto dessa projeção, gosto de desaparecer atrás dela, não gosto mais de escrever, mas gosto dessa falsa liberdade.
Nem o céu é o limite
Quando os sonhos
São maiores que
O próprio Universo.
Encare a vida como um céu azul,
e as nuvens como apagador,
que a cada passada deixa a
lousa limpa para uma nova
história ser escrita.
As nuvens sempre passam.
Podem ser nuvens claras ou
escuras, mas sempre passam.
Talvez tenha que chover uma
tempestade, mas ela também passa.
Compreenda que você não é nuvem, você é céu.
Eu não escreveria nada autobiográfico. Se você viveu uma vida como Laurence da Arábia, pode ser uma hipótese, mas, de outro modo, me parece um pouco vaidoso.
Os problemas são como estrelas, ao amanhecer nos não conseguimos mais as enxergá-las, mas elas ainda estão ali.
Poeta sincero
Já li que poeta não escreve para agradar
Eu também não o faço, hei de confessar
Escrevo sobre aquilo que sinto
Prefiro dizer minhas verdades, não minto
Mas para dizer o que penso não preciso de ofensas
Dou a opinião e os motivos, quem quiser se convença
Respeito o direito alheio de pensar diferente
Mas que fale com respeito
Que trate gente como gente
E aprendi não me importar se alguém quiser me ofender
A ofensa fica com ele, não vou receber.
Estrondo
Caro leitor, que ouve sua própria voz
Ressoando na cabeça,
Te explico
Implicitamente abaixo:
O início do processo criativo
Não chegou ao meu conhecimento
Seu local talvez seja privativo
Nem passou por meu pensamento;
Me debruço sobre o nada
Como se fosse num parapeito
De cabeça eu mergulho
Mas o que sai, está feito;
Disso não me orgulho
O mérito não é meu
Terminado o barulho
O crédito é todo seu.
Tenho inveja, por exemplo, de pessoas que são obcecadas pela Guerra Civil, que transborda de detalhes, mas é circunscrita. No meu caso, os monstros recuam, mas nunca desaparecem. Estão mortos há muito tempo e nascem enquanto escrevo.
Eu não consigo escrever de modo forçado, sob pressão e a curto prazo.
Bato palmas para as pessoas que conseguem.
A vida é dolorosa e desapontante. Não tem qualquer utilidade, por isso, escrever romances realistas. Nós em geral sabemos onde estamos em relação à realidade e não queremos saber mais nada sobre ela.
Algumas coisas
quando se quebram
são fáceis de consertar:
uma xícara lascada
uma estatueta de gesso
um sapato velho
uma receita que desanda
ou uma amizade arruinada.
Ainda que guardem
as marcas do remendo,
é possível que essas marcas
tenham um certo charme
como algumas cicatrizes.
Mas experimente consertar
um poema que estragou.
A poesia é tudo que nos rodeia e captamos com o coração, não é aquilo que está escrito e sim o que foi sentido.
A poesia não é forçada, ela nasce sozinha e flui sem entraves. Poesia é arte, é canção cujo coração é a clave.
A razão para quererem me ver é que sou uma célebre assassina. Ou pelo menos foi o que escreveram. Quando li isso pela primeira vez, fiquei surpresa, porque costumam dizer cantor célebre, poeta célebre, espiritualista célebre e atriz célebre, mas o que existe de célebre em assassinato?
O álibi da inspiração é entender o porquê de você ter começado algo. Acredite em mim, ela sempre ganha.
