Mensagem Escrita
Escrever é parte de quem eu sou, é a cola que mantém unida todos os meus fragmentos, mas que também me ensina a desapegar e a refletir sobre tantas convenções erradas que são passadas de gerações a gerações.
Para muitas pessoas, os livros são um refúgio. Se você tira isso delas, elas podem afundar. A escrita e a leitura são minha salvação.
As pessoas acham que os escritores escrevem para os leitores. Elas não se dão conta de como é terapêutico vomitar as memórias, sonhos e ideias fixadas em nossos subconscientes.
Quando você escreve o que sente e o que pensa as vezes entra em contradição e é assim, as vezes o que você sente sufoca o que você pensa e o que você pensa de vez em quando corta as asas do que você sente, pra quem lê, se é que alguém além de mim vai ler isso, parece que só escrevo e ponto, mas pra quem escreveu, quando torna a ler, traz à tona a verdade, reacende sentimentos, e acredito que não seja mal relembrar o que se sentiu ao escrever, reavivar o que se pensava e afinal não faz mal sentir na maioria dos casos não importa o que você sente, e sim o que você faz a respeito.
Joyce, acho mesmo que não seja legível – não é certamente traduzível em chinês. O que é que se passa em Joyce? O significante vem rechear o significado. É pelo fato dos significantes se embutirem, se comporem, se engavetarem, – leiam Finnegan's Wake – que se produz algo que, como significado, pode parecer enigmático, mas que é mesmo o que há de mais próximo daquilo que nós analistas, graças ao discurso analítico, temos de ler – o lapso.
Engana-se quem pensa que não sinto. Sinto sim, e muito. Mas não preciso explicar. Não quero. Não devo.
Eu já escrevi muita coisa idiota,
com as quais já não concordo;
assim como já escrevi coisas belas
nas quais não acredito mais.
Convém a cada um ler o que escrevi
e receber conforme sua experiência e sabedoria.
Nenhuma palavra é sagrada.
Neste mundo tudo é imperfeição.
Escrever não é um mestre fácil. As frases deixadas inacabadas nunca continuam tão bem quanto começaram. Novas idéias dobram o arco principal do texto e nunca mais se encaixam perfeitamente.
Você escreverá sua história de várias maneiras. Nunca se preocupe com a história. Você tem apenas uma.
Só gente muito ingênua acredita em autobiografia. E apenas hipócritas afirmam que estão contando o próprio passado.
Quando estamos realmente presentes ao escrever, não existe escritor, papel, caneta, pensamento. Só o escrever acontece – todo o resto desaparece.
Eu me sinto muito mais confortável escrevendo do que dizendo as coisas. Eu gostaria de poder viver a vida inteira no papel.
É sobre você. Tudo é sobre você. Sempre foi sobre você. Todas são sobre você. Todas as músicas que escrevi.
Tua vida, filha, é um texto que há tempos começamos a escrever, mas, daqui em diante, também te cabe pegar esta tinta e delinear o teu curso, tome só cuidado com o que retiras do nada e trazes à superfície, é comum borrar ou rasurar um trecho, mas é impossível apagá-lo, a palavra se faz carne, e a carne se lacera, a carne apodrece aos poucos, mas é também pela carne que a palavra se imortaliza. Não há borracha para um fato já vivido, pode-se erguer represas e costões, muralhas e fortalezas para barrar o fluxo das horas, mas, uma vez que o sol se torne sombra, que o luar penda no céu em luto, a névoa se disperse na paisagem pendurada à parede, o dedo acione o gatilho, nada mais se pode fazer; nossa jornada, aqui, é única, a ninguém será dada a prerrogativa, salvadora ou danosa, da reescrita.
Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras.
Palavras são como folhas de plátino soltas ao vento... em direção aos novos horizontes.
Deixá-las voando irreverentes, sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem, sempre a favor do vento.
Assim é o ato da escrita, deixar fluirem palavras que, voando devagar, ao cair, adubarão terras distantes.
Eu nunca tive medo de ser sozinho, mas hoje pela primeira vez na vida eu estou com medo de não ter ninguém aqui.
Quando sinto desinteresse da parte de alguém, simplesmente me retiro. Não vale a pena insistir em quem é tão pouco. Afinal, não sabem a pessoa incrível que estão deixando ir embora.
Minhas noites andam conturbadas. Daquelas que te amarra uma cara feia no rosto, te traz lembranças e saudades antigas.
