Mensagem dos mais Sabios do Mundo

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⁠O que é o talento?

As pessoas costumam dizer,
fulano tem o dom para isso ou aquilo.
Talento é a expressão ativa
do conhecimento universal das coisas
que o ser humano consegue absorver.
Contudo só vira talento quando se consegue
comunicar de maneira ideal, quase perfeita.
Sem estudo não se adquire conhecimento,
e o artista não pode escrever, ou produzir
qualquer arte daquilo que não conhece.
Porém toda arte reside na capacidade de comunicar,
na forma de expressão.

⁠Estamos viajando ao redor do Sol, à incrível velocidade de 107 mil quilômetros por h, somos nativos deste bioma que não nos garante a sobrevivência, pois uma hora esfria, noutra hora esquenta.

Expostos a terremotos, tempestade, tsunami e à guerra nuclear anunciada, mesmo assim ainda nos comportamos com arrogância intelectual presunçosa, a de que temos o controle do tempo e do espaço.

Valemos tanto quanto uma ameba, para o
caos cósmico que nos pôs em órbita.

⁠A maturidade ensina-me o valor real das coisas e das pessoas, não me atrai o que está na superfície, aprendi olhar o que não está nu aos olhos comuns.
Me atrai mais que que está coberto do que aquilo que apelar e se despe facilmente.

⁠Sou o encontro de passado e presente
uma história que se enlaça
em tantas outras vidas
são anos de aprendizado,
de gente querida
de momentos bons
e outros nem tão presentes

Mas em mim está a força
de seguir em frente
a certeza de que a vida
é mesmo uma partida
e que cada passo dado
nos leva a outra vida
q ue o tempo é gigante
e ao mesmo tempo tão carente

Eu sou um livro aberto,
folhas amareladas pelo tempo
mas ainda trago em mim
a esperança e o sentimento
de que é possível criar
um mundo melhor

E assim vou caminhando,
entre o passado e o agora
tão vasta é minha jornada,
tão grande é o meu tesouro
sou o tempo que persiste
e que não tem borda nem sabor.

Morte do Artista

Quando morre um homem,
a vida segue no sangue,
à sombra das gerações,
na memória que existe,
na existência suprimida,
no eco da lembrança que persiste.

Quando morre um artista,
seu corpo é palavra,
acorde metafísico,
sua ausência,
presença indomável.

E no silêncio do século
sua alma repousa
até que outra mão desperte o imponderável.

Sua obra vira fogo,
matéria inextinguível,
atravessa o tempo,
se faz eternidade.

A IA não ri, não sofre, não mente, não faz chorar. Não escreve poemas de dor que sangram do peito, não arqueja de prazer, não goza para fingir que sabe amar. Não sente o peso de um abraço tardio, nem conhece o silêncio que corrói a alma entre palavras não ditas. Ela processa dados, imita vozes, reconstrói emoções como sombras de um eco, mas jamais se rasga, jamais se entrega, jamais se cala com as lágrimas e sussurros que só o coração humano carrega. Perfeita na precisão, inexistente na verdade de ser, ela permanece alheia ao instante em que a vida dói, vibra, ama ou se despede. E é justamente nessa incapacidade de sentir que se revela a essência do humano: o erro, a paixão, a perda, o arrependimento, o desejo, a finitude — tudo aquilo que escapa à lógica e que confere à existência sua pura e dolorosa verdade.

ELA FINGIA

Ela fingia entender tudo o que eu dizia.
Ela fingia saber o que não sabia,
enquanto eu tentava explicar,
enquanto eu tentava explicar

o caos deste mundo,
a falta de amor,
a busca da paz,
o inferno e a dor.

Ela nada sabia de filosofia,
nem de poesia, de Pessoa ou Drummond.
Ela tampouco sabia de democracia,
ou de anarquia de Foucault a Proudhon.

Mas ela sempre aceitou minha fantasia.
Ela sequer perguntou sobre a minha ironia:
de me achar tão sabido
e o sentido da vida não ter entendido,
que, segundo ela, era viver
bem distraído,
que, segundo ela, era esquecer
o mal sofrido.

Manifesto da Raiva

Não é a raiva histérica que me move,
mas a que nasce do abuso,
do silêncio imposto aos que ainda têm alma.

Raiva de ver os bons engolidos
por um sistema que premia a mentira,
que coroa o disfarce,
que veste a hipocrisia como traje de gala.

A indignação é meu sangue,
me desperta, me obriga a escrever.
Não busco paz interior,
não preciso de frases que anestesiam.

Escrevo para rasgar,
para devolver em fogo
o que tentaram me enfiar goela abaixo.
Minha arte não é gentil,
é necessária.

Porque se eu calar,
se eu aceitar,
se eu sorrir junto,
aí sim estarei perdido.

A raiva me lembra que existo.
A indignação me prova que ainda sinto.
E enquanto isso durar,
ninguém, nunca,
vai me domesticar.

⁠Cravemos os dentes
na carne um do outro,
em busca do sangue
de um amor já morto.


A fatalidade do acaso
fez do instinto o desejo
e a sobrevivência do querer:
sangrar para existir.


Cravemos os dentes
na boca um do outro,
em busca da saliva
de um beijo roto.

“Você pode escrever bem, acima da média, usando apenas a sua mente, sem buscar recursos tecnológicos. Estude e leia muitos livros, sobretudo os clássicos da sua língua. Depois de 40 anos de exercícios — como eu fiz —, quem sabe assim você se convença de que é um escritor. Além de tudo isso, escreva 40 livros, como modo de treinar o que estudou, exercitar o aprendido e corrigir o próprio caminho.”

Diante da angústia e da constatação de que tudo acaba no niilismo — nome dado ao empenho de alcançar o vento —, o homem se depara com a finitude inevitável e não encontra sentido na busca por poder, dinheiro ou fama. Tudo o que se faz debaixo do sol é vaidade, competição para vencer o outro. No entanto, é apenas no outro, no convívio e na partilha com o semelhante, que se pode encontrar alguma razão ou sentido, aquilo que às vezes chamamos de felicidade.


Evan do Carmo

Sobre a Vaidade da Sabedoria

A sabedoria não leva a nada.
Como morre o tolo, morre o sábio.
Tudo o que o sábio sabe é, em última instância,
para alimentar a própria vaidade —
para poder se orgulhar do que supõe ter entendido.

É verdade que, às vezes, a sabedoria o livra
de certos abismos onde o tolo cai sem perceber.
Evita-lhe perigos, enganos, precipícios.
E o tolo, ignorante de tais ciladas,
paga caro — muitas vezes com a própria vida,
morrendo antes da hora,
ceifado pela própria inconsequência.

Contudo, nem isso é razão suficiente
para que o sábio receba honras imerecidas
por seu árduo trabalho em busca do saber.
Pois todo conhecimento, por mais vasto,
se perde no tempo e no espaço,
como areia que escapa por entre os dedos
do homem que acreditava segurá-la.

"A poesia é dor que dilacera,
indomável fera que
me come as vísceras."

Clair de Lune
(Paul Verlaine)

Tua alma é um jardim escolhido
onde andam mascarados e bergamascos
tocando alaúdes e dançando,
meio tristes sob seus disfarces.

Cantando ao tom menor do amor vitorioso
e da vida em tom maior,
eles não parecem crer em sua própria felicidade,
e suas canções se misturam com o luar,

com o tranquilo luar triste e belo,
que faz sonhar os pássaros nas árvores
e chorar de êxtase os jatos d’água,
os grandes jatos d’água esguios entre as mármores.

A Crueldade da Poesia


A poesia é uma fera que lambe o sangue que ela mesma faz jorrar.
Finge consolar, mas apenas prolonga o suplício.
Diz que salva — e salva mesmo —
mas do modo como um naufrágio salva o mar: afogando.
Ela exige do poeta o que o mundo não ousa pedir:
a própria carne transfigurada em verbo,
a memória queimada até virar luz,
a alegria ferida até soar como canto.
O poeta, escravo e cúmplice,
aprende a sofrer em métrica,
a chorar com ritmo,
a morrer devagar, para que o verso viva.
E quando a palavra enfim o liberta,
já é tarde:
a poesia partiu, deixando-o vazio,
com a alma exaurida e os ossos repletos de beleza.
Porque toda poesia é uma crueldade sagrada
e o poeta, o único animal que agradece
por sangrar com estilo.

A Crueldade da Poesia


A poesia me abriu o peito
e pediu meu sangue.
Quando a entreguei,
ela leu em silêncio, sorriu
e foi embora.


Fiquei ali,
com o coração pingando,
verbo amputado, sem sentido,
entendendo — tarde demais —
que a poesia não consola,
nem o poeta, nem a musa.
Poeta não é herói:
ela o consome,
o destrói.

Consumimo-nos por algo maior que nós mesmos — pela posteridade, pelo futuro ausente.
Ser poeta é mergulhar no abismo e reconhecer,
no seu riso frouxo, o eco dos aplausos do caos,
sentir no âmago do desespero,
e mesmo assim se sentir contente.

Às vezes é bom cancelar algum compromisso,
relaxar a gravata, dar folga ao ofício.
Ser um homem comum,
que não raro se passa por outro
neste teatro do absurdo,
como personagem de um drama fictício.


Às vezes é bom calar a voz,
segurar a pressa, suspender o vício.
Ficar sozinho, sem ser solitário,
num pacto mudo como um sacrifício.


Às vezes é bom cancelar algum compromisso,
relaxar a gravata, dar folga ao ofício.


Andar nas nuvens, dançar na chuva
e aprender o caminho do vento.
Saber que tudo passa
e que a vida cobra o tempo esquecido
no porão da memória.

CLARIDADE DO INDIZÍVEL




Tua alma é um pátio antigo onde o silêncio respira,
e por onde passam figuras que não sabemos nomear,
ecos de vidas que ficaram presas na memória,
sussurros que dançam entre luz e penumbra.


Ali, o homem que és se desfaz do mundo,
larga o peso, a pressa, o roteiro imposto,
e caminha como quem toca na própria sombra
com a delicadeza de quem sabe que tudo pode ruir.


O vento te ensina gestos que esqueceste,
a chuva te devolve a inocência da água,
e a noite te veste com a claridade que não fere,
essa luz que não ilumina, mas revela.


E no fundo desse jardim escondido,
onde nenhum ruído do mundo te alcança,
há uma fonte que insiste em murmurar verdades —
verdades que não se dizem,
mas que o teu silêncio entende.


É ali que te reencontras:
entre o eco do que foste
e o lampejo do que ainda virá,
sob o luar que não consola,
mas que te devolve a ti mesmo.

Há acontecimentos na existência que marcam como amor ou paixão avassaladora. E, às vezes, tentamos reescrever essa história — mover o enredo, deslocar o sentimento, transplantar a emoção para outro contexto, outra pessoa, outro encantamento. Mas não funciona.


No universo emocional, certos eventos só acontecem uma vez.
Não é possível reconstruir o que o caos, em sua precisão secreta, nos ofereceu como vivência única.


Há experiências que pertencem a um instante irrepetível, e nenhuma tentativa humana consegue reescrever aquilo que nasceu para acontecer apenas naquele momento — e nunca mais. Evan do Carmo