Mensagem de Dor
Entrelinhas
Rainha, princesa, anjo, donzela!
(Escrava patética, louca égua sem cela).
Meu bem, tratarei-te como flor
(ao desestruturar-te, perderás vida-cor)
e te amarei para sempre, não importa como for!
(De mim tu não escapas, sou teu senhor).
Adoro-te e apenas quero teu bem
(obedeça-me se não quiser sofrer além);
por isso, sou capaz de tudo para te proteger
(daqueles que conspiram contra tua submissão-dever).
Escuta-me, deixa-me penetrar no teu cérebro
e mostrar-te o que meus olhos veem
(a implorar por piedade, tua figura célebre)
afim de que percebas a beleza que tens
(os berros teus pelos vida-vermes).
Quando você gosta de alguém, e este alguém te rejeita... dói muito, não é? Mas veja só, um dia este alguém estará precisando de alguém que lhe tenha afeto de verdade, e neste momento lembrará de você. E você? Bem, você deve está plenamente disposto a lhe dar atenção, até afeto se ainda for possível. Se não, seja gentil pelo menos. Pois a dor que sente, não deve ser desejada a ninguém. Seja uma alma linda sempre. Causar dor ao próximo, nunca te fará bem. Pelo contrário, te fará um ser amargo, que estará magoando principalmente, a si mesmo.
Muitas de nossas cicatrizes somem para sempre, mas algumas permanecem mesmo depois de sumirem, pois estas foram marcadas também em nossa Alma.
Algumas cicatrizes do corpo às podemos ver e não mais doerem, mas as cicatrizes da Alma, mesmo que invisíveis, podem doer muito.
MESSALINA (soneto)
Lembro, ao ter-te, as épocas sombrias
Dum outrora. A saudade se transporta
À tempos de prazer, e não dor à porta
De meninices, abarrotadas de alegrias
E nestas felicidades de glórias luzidias
Que a mostra era viço, não ilusão morta
O pouco era muito, e no pouco importa
O estorvo, a mais valia, eram as orgias
Tolas, e não só imaginação em ruína
De quimeras incolores e, assim impura
Num cortejo de recordação messalina
Ó saudade, acostamento de loucura!
Suspirando nostalgias tão cristalina
Tinta de tristura, que no peito segura...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Novembro, 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Nenhum drogado
Nenhum bêbado
Nenhum adúltero
Ninguém que faça o mal
A si mesmo,
É capaz de amar alguém
SE DIZ QUE AMA
Muitos nem amados sabem ser
Não se deixa ser amado...
Chama de amor
Mas não abraça forte
Não beija ardente
Não faz carinho
Não respeita a individualidade
Não respeita a privacidade
Não faz o bem...
Chama de amor
Mas não deseja o melhor
Não empreende o bem
Não quer está perto,
Não tem ciúmes, nem ponderado
Longe, saudades não sente...
Chama de amor
Mas não fica, não quer
Nem insisti pra ficar...
Não chama pra dançar
Não dar flores perfumadas
Não comemora datas importante
Não quer passear de mãos dadas
Não senta na praça colados
Não ver ao lado o por do sol.
Amados não saber ser.
O presente pode ter o gosto do passado.
O passado podre faz azedar o presente
Um passado podre, um presente azedo, ver futuro estragado.
Presos no passado
Algemados no presente
encarcerados no futuro
Condenados pela eternidade.
Estava eu sentado em um bar,
apreciando uma doce bebida,
perdi o sentido quando a vi...
Ah, ela era incrível,
seu sorriso me encantava,
aquela doçura toda mexia com a minha cabeça,
parecia aqueles amores que te prende, sabe?
Ela se aproximou e sentou do meu lado,
deu uma risada,
eu não sabia o porquê dela me escolher,
eu tão comum,
então a música mudou e a chamei para dançar, ela aceitou.
Aquela valsa que me leva para cá e para lá,
igual a um barco em uma tempestade,
ela me conduzindo,
parecia que não havia mais ninguém naquele bar,
parecia que estávamos em outro mundo, a sós,
ela acabava com meu psicológico.
E quando a música chegou ao fim,
eu não queria mais solta-la,
pois ela não saia mais da minha cabeça...
Então resolvi perguntar seu nome,
afinal queria revê-la algum dia,
então com um sorriso respondeu, "meu nome é tristeza".
Razões pra não desejar a vida e coragem pra não querer morrer; eis a definição do sofrimento que dilacera a existência humana.
A paciência é um estado que precisamos exercitar em muitas ocasiões. Quem é paciente enfrenta os piores momentos sem desesperos. “Antes de dar a dor, Deus dá a paciência”, diz o ditado acertado de Santa Teresa de Ávila.
Artista é uma disgrama
Desconhecido ou com fama
Sendo poeta, nem se fala
Nenhuma vivência se escapa
Sente tudo intensamente
Cada viagem uma inspiração
E até quando não se vive
Há fantasia pro coração
Passado, presente ou futuro
Quase um Deus onipresente
Transita feito um louco
Nos delírios da sua mente
Conhece a ordem
Mas não dispensa um caos
Até a dor vira arte
Entre o bem versus o mal
(12/11/2019)
La muerte
Não tenho medo de escuro
Nem de barulho
Nem de ladrão armado
Mas ultimamente até minha sombra me assusta
"Tudo vai ficar bem" — ele disse a si mesmo. Mas no fundo de toda aquela erupção esperançosa, havia sim um núcleo de dor. Acreditar que a lava era feita de esperança fazia com que a dor diminuísse.
As feridas formadas pelo fio afiado de uma faca não são mais dolorosas que àquelas que foram feitas pela própria trajetória da vida.
Não que sejam inexistentes,
Mas,
Em sua maioria,
Rasos,
Líquidos,
Não conseguem se aprofundar em assuntos,
Tentam fazer piada com a minha inteligência,
Para poder se defender da ausência de seu próprio intelecto.
