Mato
A brisa fria das manhãs
me abraçando ao abrir a porta.
O toque leve no meu rosto.
O mato verde dançando ao vento,
É nesse instante simples,
quase silencioso,
que o coração desacelera
e a alma encontra repouso.
A paz não grita, ela sussurra
nos detalhes que quase passam despercebidos.
E a felicidade.
ah, ela mora justamente ali,
no sentir, no viver, no existir.
Mato
Moro no mato,
vivo no mato,
trabalho no mato...
Minhas festas são no mato,
viajo para o mato,
vivo de mato em mato.
Se alguém me chamar para
passear no mato...
eu mato!
Chegam-me notícias de que a doce Iara-CE, outrora viva em encanto, agora se vê sufocada pelo mato, como se esquecida pela memória dos homens. É lamentável.
Benê Morais
“Contos da Cidade Dourada”
Diziam que existia uma cidade onde o ouro crescia como mato.
Não era apenas uma metáfora. Para os olhos dos conquistadores, a América inteira parecia um jardim onde o ouro brotava do chão, a prata escorria das montanhas e a riqueza esperava, silenciosa, por mãos estrangeiras.
Chamaram-na de cidade dourada.
Uns lhe deram o nome de El Dorado. Outros a procuraram nas montanhas dos Andes, nos vales dos povos originários ou nas minas que pareciam não ter fim. Mas talvez a verdadeira cidade dourada nunca tenha sido um lugar. Talvez tenha sido uma maneira de olhar.
O ouro não era riqueza.
Era cobiça.
E a cobiça transforma qualquer paisagem em mercadoria.
Eduardo Galeano escreveu que a América Latina nasceu com as veias abertas.
É uma imagem impossível de esquecer.
Veias abertas não apenas porque lhe arrancaram o ouro, a prata, o açúcar, o café, a borracha e tantas outras riquezas. Mas porque também lhe roubaram o tempo. Roubaram a possibilidade de crescer no próprio ritmo. Roubaram histórias, línguas, culturas e até o direito de muitos povos contarem a própria versão do passado.
Quando um povo perde a memória, torna-se mais fácil convencê-lo de que nunca foi rico.
As montanhas de prata desapareceram.
As minas foram esvaziadas.
Os navios atravessaram o oceano carregados de tesouros.
Tudo aconteceu à luz do dia.
Sem máscaras.
Sem vergonha.
O assalto mais grandioso da história não precisou da escuridão da noite. Foi realizado sob o brilho do sol, registrado por cronistas, celebrado por impérios e justificado por discursos de civilização.
Há ladrões que escondem o rosto.
Há impérios que escondem a consciência.
A cidade dourada foi desaparecendo aos poucos.
Não porque o ouro acabou.
Mas porque quem o arrancava deixava para trás apenas o vazio.
Existe uma estranha lógica na ganância.
Ela nunca aprende a contemplar.
Sabe apenas possuir.
Tudo aquilo que toca perde o significado e ganha um preço.
Uma floresta deixa de ser floresta para se tornar madeira.
Um rio deixa de ser vida para se transformar em rota comercial.
Uma montanha deixa de ser sagrada para virar minério.
E um ser humano deixa de ser pessoa para tornar-se força de trabalho.
Talvez seja essa a maior pobreza da história.
Não a falta de ouro.
Mas a incapacidade de enxergar valor onde não existe lucro.
O mais inquietante é perceber que essa história ainda ecoa.
Mudaram os navios.
Mudaram as bandeiras.
Mudaram os discursos.
Mas a pergunta permanece a mesma: quem enriquece quando uma terra empobrece?
As veias de um continente não sangram apenas quando lhe retiram os metais preciosos.
Sangram também quando sua inteligência é desprezada, quando sua cultura é tratada como inferior, quando seus filhos acreditam que tudo o que vem de fora vale mais do que aquilo que nasceu em casa.
A cidade dourada continua existindo.
Não nas lendas.
Nem nas minas.
Ela vive escondida na dignidade de um povo que, apesar de séculos de exploração, continua produzindo arte, poesia, fé, música e esperança.
Porque há uma riqueza que nenhum conquistador conseguiu embarcar em seus navios.
A capacidade de recomeçar.
Talvez esse seja o verdadeiro ouro da América Latina.
Um ouro que não pode ser fundido, vendido ou roubado.
Um ouro que corre, silenciosamente, nas veias de quem ainda acredita que a história não termina com o saque, mas com a coragem de reconstruir aquilo que parecia perdido.
E talvez seja por isso que a cidade dourada nunca tenha sido encontrada.
Ela nunca esteve enterrada debaixo da terra.
Sempre esteve pulsando dentro das pessoas.
Dentro de cada um de nós; Latino Americano.
CALDO DE CANA
No roçado amanhecendo,
Vi o sol beijar a estrada,
A enxada cortando o mato,
Na lida abençoada.
O cheiro verde da cana,
Na memória adormecida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
No engenho a roda cantava,
Gemia o velho moendão,
A garapa escorria farta,
Feito bênção pelo chão.
Cada gota era esperança,
Pela família repartida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
Tinha a cana Caiana,
Alta, forte e vigorosa,
Ao lado da velha Pitú,
Sempre doce e generosa.
Cada talo era um tesouro,
Na jornada tão sofrida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
O caldo de cana gelado,
Com pão-doce e boa broa,
Era um banquete de pobre
Que a lembrança ainda entoa.
Pouco havia sobre a mesa,
Mas nunca faltou comida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
O melaço fervilhando
Na panela de carvão,
Perfumava o terreiro inteiro,
Adoçando o coração.
O doce vencia a dureza
Da batalha já vivida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
Quando vinha o tempo da safra,
Era festa no canavial,
Mas depois da derrubada
Recomeçava o ritual.
A terra pedia de novo
A semente repartida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
Na reçoca do plantio,
Brota a força da raiz,
A cana vence o tempo,
Sem esquecer seu país.
Quem conhece esse mistério
Vê a vida refletida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
O suor de cada homem
Era chuva sobre o chão,
Misturando fé e coragem
Com trabalho e oração.
A colheita era pequena,
Mas a honra garantida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
Hoje o engenho silencia,
Muita coisa já mudou,
Mas o cheiro da garapa
O tempo nunca apagou.
Quem provou aquele caldo
Leva a alma comovida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
Que o caldo de cana ensine
O valor da tradição,
Da família reunida,
Da coragem do sertão.
Pois o doce da memória
Jamais conhece partida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
Não existe mais
Mapinguari
morando no mato,
Mesmo assim
é preciso seguir
com cuidado
nesta vida;
O Bicho-Preguiça
continua útil,
se seguir preservado.
Os tempos mudaram
definitivamente...
Só sei que existe
mais de um
Mapinguari
por todos os lados,
E não têm mais idade
e as línguas deles
estão sempre afiadas.
Os tempos são outros...
O Bicho-Preguiça
traz o melhor ensinamento:
O convívio não
pede enfrentamento
com Mapinguari de qualquer tipo.
Os tempos de hoje pedem que
não seja dado mais nenhum espaço.
Quando um Mapinguari surgir
para provocar ou mentir,
é só mudar o seu caminho,
fingir que escuta,
deixar falando sozinho
ou comece a ler um livro.
Só não deixe o Mapinguari
continuar enchendo os seus ouvidos.
Piúva eflorescida
no Mato Grosso do Sul
do meu bonito amor,
Moda de viola
encantada para me levar
onde você for,
Versos Intimistas
para celebrar o andor
de amar imensamente
a cada instante da gente.
Quando Mamoninha do mato
florescer para alimentar
as nossas abelhas nativas,
Estarei cuidando ainda melhor
dos sonhos e das expectativas,
Porque confesso que do meu
modo acanhado te tenho amor,
Com o meu recato para nós
preservo e guardo o meu melhor.
Porque quando chegar a hora
de alimentar os pássaros
do impulsos e das emoções,
Sei que estaremos preparados
para viver o que esperamos,
e assumiremos dedicados;
Porque um pelo outro temos
o que não pode ser explicado,
e no íntimo vive mergulhado.
Sei bem que príncipe encantado não existe, mas oque tem de "sapo" por aí ... rsss é mato ... kkkkkkkkkk :P
Perdoe-me os homens de boa índole, mas a "canalhice" masculina cresce que nem mato... que é isso? que é isso ?
Não mato mistérios. Eu os trato, dou atenção e afago até que percebam que foram vencidos e cativados.
O frescor do mato verde,
A densa relva molhada,
O cheiro do café fresquinho,
O pão quente chegando à mesa.
O ninho do passarinho,
A folha seca caindo,
O vôo da borboleta,
A lenda do boi da cara preta.
O vento assobiando,
Pingos de chuva gotejando,
O Sol vivo e brilhante,
A lavadeira cantarolando.
O dia amanhecendo,
As nuvens passando,
A flor se abrindo
E a criança brincando.
Eis algumas coisas da vida!
E que na verdade não são pequenas...
São simplicidades, sutilezas.
Que passam despercebidas,
Pois as capacidades de tão grosseiras.
Perderam a percepção, das verdadeiras riquezas.
Viver de luto, por quem está vivo?
Fala serio, das duas uma ou eu mato ele e depois faço
uma festa, ou ele morre ao ver o meu desprezo e a minha
alegria... Mas das duas eu ainda fico com a segunda,
mesmo sendo réu primaria no Brasil, eu morreria
logo atras dele, então não iria dar muito pra curtir!
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