Mas Vc Nao tem Culpa de Nao me Amar

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O sonho da razão produz monstros.

Francisco de Goya

Nota: Título de uma obra de arte do pintor espanhol.

Sempre vimos boas leis, que fizeram com que uma pequena república crescesse, transformarem-se depois num peso para ela, depois de grande.

Há verdades que é mais perigoso publicar do que foi difícil descobrir.

É preciso que um autor receba com igual modéstia os elogios e as críticas que se fazem às suas obras.

É uma perfeição absoluta, dir-se-ia divina, sabermos desfrutar lealmente do nosso ser.

O amor é um poema essencialmente pessoal.

Nós apenas trabalhamos para encher a memória e deixamos o entendimento e a consciência vazios.

Engatar uma mulher é de certeza mais fácil do que ver-se livre dela.

Ensinam-nos a viver quando a vida já passou.

Um leitor inteligente descobre frequentemente nos escritos alheios perfeições outras que as que neles foram postas e percebidas pelo autor, e empresta-lhes sentidos e aspectos mais ricos.

O silêncio, ainda que mudo, é frequentes vezes tão venal como a palavra.

O aborrecimento entrou no mundo pela mão da preguiça.

O homem mais sensível é necessariamente o menos livre e independente.

Num povo ignorante a opinião pública representa a sua própria ignorância.

Hoje, setenta por cento da humanidade ainda morre de fome... e trinta por cento faz dieta.

O nosso amor-próprio exalta-se mais na solidão: a sociedade reprime-o pelas contradições que lhe opõe.

A fé é a consolação dos miseráveis e o terror dos felizes.

Se você olhar atentamente você verá que existe apenas uma coisa e somente uma coisa que causa infelicidade. O nome desta coisa é apego. O que é apego? Um estado emocional de aderência causado pela crença de que sem alguma coisa particular ou alguma pessoa você não consegue ser feliz.

Viver é o meu trabalho e a minha arte.

Telha de vidro

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...

Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que - coitados - tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!
- Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!