Luzes da Ribalta
"Família é onde o Natal começa antes da ceia e continua muito depois das luzes se apagarem. Obrigado por serem o meu melhor destino todos os anos."
EU DESEJO A VOCÊ
Que as luzes que desejarem apagar de sua vida se tornem estrelas para que brilhem ainda mais, iluminando todo o teu ser, chegando a cegar quem ousou tentar apagá-las, que seus dias sejam de vitórias extraordinárias a ponto de inimigos tropeçarem em suas próprias maldades e invejas quando tentarem te por pra baixo, e acima de tudo desejo que você seja capaz de perdoar a todos com a pureza que só um coração que conhece o verdadeiro amor será capaz de perdoar... pois o perdão, para os que lhe desejam o mal os ferem com uma dor insuportável, como se uma espada atravessasse o coração...
Depois que você me mandou limpar os óculos.
A mesa rodava, as luzes insistiam, os barulhos iam cessando como um prêmio e as pessoas tentavam me aquecer. Eu sabia que estava sendo amada, talvez como nunca em toda a minha vida. Mas só tinha olhos para os pêlos do seu braço. Eu olhava como quem não olha e me dizia baixinho: olha eles lá, olha lá os pêlos que eu tanto amo sem mais e sem fim.
Matei finalmente a saudade do seu dedão. Seu dedão meio largo, meio torto, com a unha que preenche todo o dedão. Eu amo o seu dedão, amo sua unha meio roxa, amo a semicircunferência branca que sai da sua cutícula e vai até o meio da sua unha, amo a sua mão delicada que sai de um braço firme. Amo que os pêlos da sua mão pareçam meio penteados de lado.
É isso, sei lá, mas acho que amo você. Amo de todas as maneiras possíveis. Sem pressa, como se só saber que você existe já me bastasse. Sem peito, como se só existisse você no mundo e eu pudesse morrer sem o seu ar. Sem idade, porque a mesma vontade que eu tenho de te comer no banheiro eu tenho de passear de mãos dadas com você empurrando nossos bisnetos.
E por fim te amo até sem amor, como se isso tudo fosse tão grande, tão grande, tão absurdo, que quase não é. Eu te amo de um jeito tão impossível que é como se eu nem te amasse. E aí eu desencano desse amor, de tanto que eu encano.
Ninguém acredita na gente: nenhum cartomante, nenhum pai-de-santo, nenhuma terapeuta, nenhum parente, nenhum amigo, nenhum e-mail, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma reza, nenhuma fofoca e, principalmente (ou infelizmente): nem você.
Mas eu te amo também do jeito mais óbvio de todos: eu te amo burra. Estúpida. Cega. E eu acredito na gente. Eu acredito que ainda vou voltar a pisar naqueles cocôs da sua rua, naquelas pocinhas da sua rua, naquelas florzinhas amarelas da sua rua, naquele cheiro de família bacana e limpinha da sua rua. Como eu queria dobrar aquela esquininha com você, de mãos dadas com os pêlos penteados de lado da sua mão.
Outro dia me peguei pensando que entre dobrar aquela esquininha da sua rua e ganhar na mega-sena acumulada, eu preferia a esquininha. A esquininha que você dobrou quando saiu da casa dos seus pais, a esquininha que você dobrou chorando, porque é mesmo o cúmulo alguém não te amar. A esquininha que você dobrou a vida inteira, indo para a faculdade, para a casa dos seus amigos, para a praia. Eu amo a sua esquininha, eu amo a sua vida e eu amo tudo o que é seu.
Amo você, mesmo sem você me amar. Amo seus rompantes em me devorar com os olhos e amo o nada que sempre vem depois disso. Amo seu nada, apenas porque o seu nada também é seu.
Amo tanto, tanto, tanto, que te deixo em paz. Deixo você se virando sozinho, se dobrando sozinho. Virando e dobrando a sua esquininha. Afinal, por ela você também passou quando não me quis mais, quando não quis mais a minha mão pequena querendo ser embalsamada eternamente ao seu lado.
Eu sei como é a vida sem você. E sei como é a vida com você. E seria uma honra e um privilégio passar o resto desta vida com você.
Meu eterno poeta, meu eterno compositor, meu eterno sambista, meu eterno sonhador. A luz da ribalta que um dia iluminou nosso amor, há de iluminar minha alegoria de sonhos , onde o destaque principal é você, causando chuva de confete e serpentina para celebrar este amor que nunca acabou.
Reflexão diária 27/11
Por muitas vezes por estar à luz da ribalta, esquecemos pela escuridão que um dia já passamos.
Flores da ribalta
Cenário sempre quase pronto
Figurino ainda em retoques
Texto passado por trás das rotundas
Luzes ensaiam o anoitecer da cena
Num paradoxo de já ser noite
Platéia sempre cheia
Com lugares reservados nunca usados.
Roldanas levantam paredes
Como se tudo fosse mentira.
No espaço de um palco
Cabe o mundo, o universo.
Objetos ainda faltam!
Que falta poderiam fazer?
Completo pode ser qualquer vazio.
E no abrir da cortina os atores!
Sempre fingem representar,
O que na vida sempre fazem.
Apenas aguardam os aplausos finais,
Que na vida é apenas silêncio,
Com algum choro, flores e cortejo.
Jaak Bosmans 19-04-09
RIBALTA SOCIAL
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Todo mundo está certo neste meio;
fartam egos, razões, donos de si;
faltam freio, bom senso, raciocínio
e verdades expostas de verdade...
Todos têm sua pedra sempre à mão,
sua causa mais justa que a do outro,
seu sermão inflamado e sua ira
sobre todas as iras ao redor...
Não se ouve pedidos de perdão,
há perdões espinhosos, vingativos
à espera da mão de quem se renda...
Só existem juízes, nenhum réu
neste céu infernal de santos sonsos;
somos todos heróis nesta comédia...
Série: minicontos
PAGLIA
- Veste-se de criança e alegria seu sonho de fantasia, ao cair da ribalta. Sinestesia...
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