Luto Morte
O luto, no fundo, é o amor que continua existindo... só que agora de um jeito que a gente ainda está aprendendo a lidar.
"Não desisto fácil, luto com todas as minhas garras
pelas pessoas que amo. As vezes caio, me machuco,
sinto dores, mais sempre continuo firme na certeza
de que a Luta por mais amarga e dolorida que seja
valeu cada passo, contruí pontes, aprendi. E hoje
mais madura sei exatamente por onde caminhar".
" O LUTO COMO PURIFICAÇÃO AFETIVA À LUZ DO ESPIRITISMO.
“Determinamos o encarceramento nas próprias criações inferiores.” Tal advertência de Francisco Cândido Xavier, pela voz espiritual de Voltei através de Irmão Jacob, representa uma das mais profundas reflexões sobre o sofrimento humano. O luto, ante a ótica espírita, não constitui punição emocional nem expressão de fragilidade da alma encarnada. "
Os filhos nunca morrem
Não, para suas Mães...
Quando um filho se vai
A Mãe se veste de luto.
Seu universo se desfez
Os dias parecem morrer
As lágrimas parecem congelar
Também parou de viver.
Sua dor é lancinante
Estampada em seu semblante
Tatuada em seu olhar.
A morte levou o seu filho
Ela não pôde evitar
Mas seu amor infinito
Jamais mudará de lugar.
A ORFANDADE VIVA
(A pérola que se fechou em ostra)
Dizem que o luto é o preço que se paga pelo amor. Mas ninguém nos ensina a lidar com a estranha ausência de alguém que ainda respira. É uma despedida em vida, um adeus sem ponto final, onde a pessoa continua ali, mas o que nos ligava a ela parece ter sido desfeito por um laço de fita esvoaçante e silencioso.
Há quem, diante de perdas sucessivas, decida que o mundo já lhe arrancou partes demais de sua existência. Como resposta ao naufrágio, essas pessoas não nadam para a margem; elas se tornam ostra, deixam-se afundar e fixam raiz no fundo do mar. Fecham a concha com uma força que nenhuma mão externa, por mais amorosa que seja, consegue abrir.
O isolamento vira armadura, e o silêncio, uma forma de sobrevivência introspectiva e extenuante.
Ficamos nós, os "sobreviventes", na areia desse convívio interrompido, olhando para o horizonte e tentando buscar num suspiro a resposta em vão. Olhamos para quem habita o mesmo sobrenome ou a mesma história, sentindo uma orfandade estranha — às vezes compreensível, outras vezes não.
É o peso de uma presença que não se deixa tocar, de um colo que existe, mas não se oferece.
Se o outro escolheu o retiro absoluto para não mais sofrer, cabe a nós a tarefa árdua de honrar a vida que pulsa aqui fora. Já que não podemos invadir o silêncio alheio, transformamos o nosso próprio grito em outra coisa.
Criamos, escrevemos e resistimos. No fim, talvez a literatura seja isso: a válvula de escape para construir pontes de palavras para lugares onde o afeto físico não consegue mais chegar.
Lu Lena / 2026
POR QUE É NECESSÁRIO MUDAR?
Dias desses encontrei uma pessoa que me disse: - Há muitos anos luto para mudar e não consigo. Quero mudar de casa, de emprego, de cidade e talvez até de País. Porém, tenho a impressão de que tem algo que me segura aqui.
Encontrei outra que disse em um discurso o seguinte: - Há quanto tempo esperei por este momento. Lutei e almejei tanto por esta mudança que ela aconteceu. Estou muito feliz por isso. E eu também fiquei feliz em ouvir isso dela.
É nestas horas que vemos que nada nos segura. Que não existe lei alguma que nos impede de mudar; seja de emprego, de casa, de cidade e até mesmo de Estado ou País. O que nos impede de mudar é o medo, a insegurança e muitas vezes a comodidade. Não queremos passar trabalho e isto faz com que não mudemos.
Viemos de famílias tradicionais, com costumes e credos cujo objetivo era crescer, casar, ter filhos, constituir uma família e pronto. Nada mais importava, há não ser este futuro que era programado por eles. Não importava se queríamos aquele futuro ou não. O que importava era o conforto e a segurança financeira.
Por que é necessário mudar? É necessário mudar para que possamos experimentar outras fases da vida, porque os ciclos se fecham e outros se aproximam para que entendamos que a vida é metamorfose constante. Se ficarmos parados e não acompanharmos toda essa evolução, não entenderemos o significado da nossa existência. Precisamos entender que mudar é uma necessidade para a nossa sobrevivência.
Feliz daquele que tem a coragem de mudar. Feliz daquele que tem a persistência para fazer com que a mudança aconteça em sua vida. Feliz daquele que vê que mudar é preciso. Que mudar faz parte da nossa vida. Que mudar nos transforma, eleva o nosso espírito e deixa nossa alma vibrando.
Que quando mudamos nos sentimos livres. Que quando estamos determinados a mudar e a mudança acontece, percebemos o quanto fora necessário toda aquela transformação. Vivemos numa era em que crescer e evoluir é necessário.
Quando falamos em mudanças, estamos falando de libertação, de vida espiritual. Estamos falando de sair da casca e voar. De deixar os restos para trás e atingir o infinito mundo das ilimitações. Voar e ver o mundo de uma nova forma, sob outra perspectiva. Que toda mudança é válida, desde que, entendamos que mudar apenas de casa ou de cidade não é mudança e sim uma fuga.
Que a mudança começa de dentro para fora. Que mudar é transformar o mundo interior. Quando isto acontecer, estamos prontos para a mudança exterior.
Eu não luto, porque crio desejos abençoados e inundados de paz 🌀✨💕 assim já é!
Eu e o universo, já está feito🌀🙏
Viver o luto de entes queridos é como ser uma alma flutuante em um corpo oco
— totalmente sem direção.
Lu Lena / 2026
Quem perde um grande amor não encontra flor nesta caminhada, pois o luto transforma o jardim da vida em um deserto gelado.
A paciência é a alquimia que transforma perda em memória. Sem ela, o luto explode em rancor e fome. Com ela, o passado vira lembrança comestível. Aprendo a cozinhar memórias, a temperar saudade com graça. E então o que restou alimenta, em vez de matar.
Vence quem transforma o luto em ofício diário e converte a saudade em canção que constrói pontes invisíveis.
Há noites em que a esperança veste roupas de luto. Parece estranho, mas existe beleza até nisso. Aceitar o luto como parte do caminho é bem-vindo. Porque nele às vezes surge um novo broto. E o broto é o começo de outro começo.
O luto tem regiões silenciosas e outras que gritam. Aprendi a circular entre elas sem pressa. Às vezes sento e deixo o pranto passar como chuva forte. Depois, limpo o rosto e sigo, com as mãos molhadas. E isso é o que chamam de resistir com ternura.
Carrego um luto sem rito de passagem, uma perda invisível que me transformou em alguém que eu ainda estou tentando conhecer.
Luto diariamente para não me tornar um fantasma de mim mesmo, um corpo que ocupa espaço, mas que já não habita o presente.
