Luis Fernando Verissimo Sonhos
E nós não nos perguntávamos para que
era aquilo que não era para nada.
Nós sabíamos ali. por uma intuição que por certo não tínhamos.
que este dolorido mundo onde seríamos dois, se existia,
era para além da linha externa onde as montanhas são hábitos
de formas, e para além dessa não havia nada. E era por causa
da contradição de saber isto que a nossa hora de ali era escura
como uma caverna em terra de supersticiosos, e o nosso senti-la
era estranho como um perfil de cidade mourisca contra um céu
de crepúsculo outonal.
SEGUNDA. - Talvez por não se sonhar bastante. . .
PRIMEIRA. - É possível. . . Não valeria então a pena fecharmo-
nos no sonho e esquecer a vida, para que a morte nos esquecesse?
. . .
SEGUNDA. - Não, minha irmã, nada vale a pena. . .
Não sei o que é isto, mas é o que sinto. . . Preciso dizer frases
confusas, um pouco longas, que custem a dizer. . . Não sentis
tudo isto como uma aranha enorme que nos tece de alma a
alma uma teia negra que nos prende?
SEGUNDA. - Não sinto nada... Sinto as minhas sensações
como uma coisa que se sente. . . Quem é que eu estou sendo?
. . . Quem é que está falando com a minha voz?. . . Ah.
escutai. ..
A vida é feita de erros e acertos, o que não podemos deixar prevalecer é a dúvida.
A dúvida não nos leva a conclusão nenhuma, portanto, acertando ou errando, não nos restará dúvida alguma.
"Nós nascemos pela graça, depois crescemos criando graça e por fim envelhecemos perdendo-a. Más passamos o tempo todo reclamando da vida, sendo que a mesma é de graça.
O ser humano tem um problema sério com o ato de reconhecer e um notável caso de amor com o hábito de invejar
Como um vento na floresta,
Como um vento na floresta,
Minha emoção não tem fim.
Nada sou, nada me resta.
Não sei quem sou para mim.
E como entre os arvoredos
Há grandes sons de folhagem,
Também agito segredos
No fundo da minha imagem.
E o grande ruído do vento
Que as folhas cobrem de som
Despe-me do pensamento:
Sou ninguém, temo ser bom.
Não haja medo que a sociedade se desmorone sob um excesso de altruísmo. Não há perigo desse excesso.
"As vezes, quando você não tem vontade de sair de casa, não tem aquela vontade que é preciso para que você possa passar o dia bem, e se pergunta: Vale a pena passar o dia inteiro na cama? Vale a pena ficar se lamentando e não fazer nada para mudar? Pois eu digo! Não, não vale a pena desistir, não vale a pena parar de lutar, sua conduta deve ser relevante a seus atos, e seus atos devem ter consequências com as quais você deve ter a capacidade de arcar, então antes de se perguntar se vale a pena desistir, perguntasse a si mesmo se vale a pena continuar, se seu objetivo estiver pré-visualizado na sua mente e se ele realmente valer a pena, eu sei que você vai encontrar a resposta, e eu tenho certeza de que as consequências serão suportáveis. Não desista da luta por que caiu, mas insista nela por seu objetivo!
A sociedade é como um plano oculista da vida! Mas ao invés de ajudar, as lentes dela te cegam feito espinhos!
Prouvera aos deuses, meu coração triste, que o Destino tivesse um sentido! Prouvera antes ao Destino que os deuses o tivessem!
A arte é a expressão de si mesmo lutando por ser absoluto.
A arte pela arte é, na realidade, apenas a arte em proveito do artista.
Não há pior que a arte dos que morrem, a não ser o pensamento dos que não existem.
