Luis Fernando Verissimo Sonhos
Perfeita És - Fernando S. Dias (Poetry)
Encontrei em ti, ó minha formosa eleita, que em minha alma se fazia desfeita
Nada se iguala ao teu raro fulgor
Tu és joia bendita, perfeita és, meu amor
Flor do acaso, Diamante escondido
Mais valiosa que o rubi do mundo todo
Tão pura qual lírio ao orvalho exposto
Branca qual neve nos montes de agosto
Branda és tua voz, suave e calma vens a ser
Tua longuíqua presença envolvera-me
Envolveu-me com teu amor estonteante
Um repentino romance o qual não obliterarei-me jamais
"Com um espírito de Caio Fernando Abreu dentro de mim. Descrevo nessas entrelinhas, como me sinto bem em viver. Em levar a vida. Como ele diria ” Vou indo. Sem muita bagagem. Pesos desnecessários causam sempre dores desnecessárias.” Isso. Dessa forma creio que vou longe. Quebrando paradigmas. Destruindo barreiras. Ultrapassando obstáculos sem olhar pra trás. Reconhecendo minha humanidade. Reconhecendo minhas limitações. E pedindo sempre a Deus, força e coragem suficientes pra continuar vivendo. Sem medo."
Já dizia Caio Fernando de Abreu: “A gente passa a vida inteira achando que é imortal”.
E nessa de achar imortal, a gente acaba se privando de sentir, fazer e falar certas coisas por medo do que as pessoas irão dizer.
Deixamos de fazer o que mais queremos por medo de julgamentos.
Deixamos de falar o que sentimos por medo da resposta da pessoa ou do ceticismo dela.
E, às vezes, nos privamos até de sentir. Como se isso fosse possível...
Sendo certo ou errado, bom ou ruim, o fato é que sempre seremos julgados. E se passarmos a nossa vida dando ouvidos a esses comentários, esqueceremos de viver.
Porque viver é isso: Cair e levantar, acertar e errar... E, às vezes, viver significa errar mais e acertar menos, até porque não recebemos manual de instrução da vida quando nascemos.
Precisamos errar, seguir alguns caminhos tortos, fazer escolhas não muito boas, mas, algumas vezes, precisamos fazer isso por nós mesmos. Precisamos cair, errar, chorar, ver o erro assim: cara a cara. Necessitamos ver se é realmente ruim para então dizer que não vale à pena. Isso é que é viver: fazer escolhas erradas e certas. Precisamos acreditar na mentira para sabermos que ela ser trata de mera ilusão. Precisamos desperdiçar uma oportunidade para sabermos dar valor àquelas que irão aparecer. Precisamos buscar nossa felicidade da maneira que quisermos sem passar por cima dos outros.
Nós não somos gatos, que na teoria, têm sete vidas. Não dá pra dizer "vou deixar isso pra amanhã" porque o amanhã não nos pertence e hoje pode ser o nosso último dia aqui na terra.
Precisamos viver para saber o que é a vida.
A esperança está na inocência dos corações que queimam e enxergam mudança.
Fernando Antonio Almeida Ferreira
Odeio a sensaçao de despedida, mas quando ela chega, chega...Fernando Pessoa já fala ''tudo que chega chega por uma boa razão''. A despedida chegou, e com ela, vai um pouco de mim, do que eu senti. Mas prefiro encarar a despedida como um vagão de trem, estou pronto para ir em busca de novas estações, com novos inicios e novas partidas. Respiro fundo, olho para ela, e falo, foi muito bom enquanto durou, percebi coisas que pensei que estivessem adormecidas. Mas se não estamos na mesma estaçao deixa eu partir....
POESIA EM MEMÓRIA ÚLTIMA
(para ti, Avelino Fernando do Couto Ribeiro)
Rezaram-te a missa,
O solista cantou,
O órgão tocou,
Em premissa.
Eu assisti e rezei
Diferente, por razão
De fé ao Corpo
Do Homem morto
E Crucificado que eu sei.
Tanta gente caminhando
Em passo quase de tropa
Rumo ao campo sagrado
E eu atrás de todos pensando
Se a morte é vida ou pecado
Por ter a coragem de morrer
Antes do prazo aprazado.
Deus - que fria é a morte
Criada de nascente
A poente,
Sem norte.
Dois barrotes de madeira
Duas cordas na horizontal,
Uma cova funda na vertical,
Um caixão que desce anormal
De cabeça para baixo,
Abismal,
Um corpo quase vivo
Afinal,
Que se não fosse a terra
Que mais aterra e pesa
Na sua função de singeleza
Entre a definição da morte,
Quiçá, quando for da nossa sorte
Entremos de pés ao baixo
E de cabeça ao alto,
Sem sobressalto,
Ou suspiros,
Não vá, mesmo lá dentro
Do ataúde fatal,
Vomitarmos os diospiros
Ingeridos há tempo que tal.
(Carlos De Castro in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 06-04-2026)
POEMA PARA TI
AVELINO FERNANDO DO COUTO RIBEIRO
(ou quando a morte fardada de roupagens negras se transforma em cristais de lágrimas puras que nem o sol consegue secar. © Carlos De Castro)
Há poucas horas te via
Na madrugada passar,
À minha porta.
Ias cedo, para o pão ganhar
Cedo ou tarde não importa
Quando o coração tem vida
Na noite que vai parir o dia.
E sou eu nesta elegia,
Neste paradoxo sem fim
Que afirmo com precisão
Que a morte é tão cobarde,
Se não,
Era fogo que não arde
E levava-me só a mim.
Assim, fico sem tino
Sem vontade de seguir
Esta vida, Avelino.
Pode ser que ao Divino,
Já no Reino do Eterno,
Possas rogar meu menino
Para que eu amado primo,
Jamais desça ao tal inferno.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Muito Trista Por Escrever, em 06-04-2026)
Hoje acordei pensando nessa frase de Fernando Pessoa e o quão profunda é: "segue o teu destino, rega as tuas plantas, ama as tuas rosas. O resto é sombra de árvores alheias." Acho que ele tem razão. A única coisa que temos de real é a nossa vida, a nossa realidade e há tanto nela pra cuidar, pra melhorar, pra nos preocuparmos. Há tanta coisa que exige nossa atenção e cuidado que dificilmente sobrará tempo para olhar para a vida dos outros e muito menos cuidar da vida dos outros. A vida dos outros são apenas sombras de uma realidade que a gente não conhece e na maioria das vezes se não for alguém muito próximo não há motivo algum pra conhecer.
''Brincar é impreciso, Viver também''.
Adaptei a famosa frase de Fernando Pessoa a uma outra famosa expressão (“Livre Brincar”), atribuída a Emmi Pikler.
"Nada"
Inspirado em Fernando Pessoa
Quem queria andar, que se ande.
Quem queira parar, que se pare.
Eu nada quero.
Quem quer construir, que construa.
Quem quer subir.
Eu não quero absolutamente nada.
A quem durma, que durma então.
A quem não durma, que se acorde
e fique sem dormir.
Eu, eu nada quero.
Nada que eu queria mais
que nada.
Posso eu querer além de nada?
Nada.
Marcio Melo
No poema Tabacaria, de Fernando Pessoa, esse trecho me chamou a atenção e às vezes lembro dele:
"o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada".
Representa o vazio, a falta de sentido ou o destino final de todas as coisas: o esquecimento e a inexistência. Sugere que, embora a carroça esteja cheia, o caminho por onde ela transita não leva a lugar nenhum.
Será que nosso destino individual é conduzido por essa carroça e a vida é um chegar em nenhum lugar?
Sou cristão, mas confesso que escuto o silêncio de Deus. Esse tema foi explorado pelo diretor que gosto bastante, Ingmar Bergman; tem um filme em que ele fala sobre o maior sofrimento de Jesus Cristo, e ele diz que não foi o sofrimento físico, mas o silêncio de Deus: o momento em que Jesus grita na cruz: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?".
E é isso: a fé é uma batalha, dolorosa e difícil, e às vezes desesperada; às vezes a gente pensa que não tem sentido nenhum. Mas, embora pareça isso, acreditar que tudo está indo para o nada faz menos sentido ainda. A própria palavra diz o que ele é: nada, algo que não existe. Então, o nada é uma palavra sem sentido no nosso vocabulário, pois só existem coisas e tudo. Embora não vejamos todas elas e suas relações, elas existem.
Creio que a história do ser humano é criação, queda, momento em que estamos, e restauração. Quando acabar a era da queda, tudo vai ser exposto, e as coisas, as pessoas, anjos caídos, Deus e anjos, e toda a teia e cadeia de causas aparecerão. Como diz o apóstolo Paulo: agora vejo em parte, depois verei face a face.
Última Conversa — Paulo Fernando | Menino Confuso
Você foi o amor mais intenso que eu já vivi, mas, ao mesmo tempo, aquele que mais me magoou.
Nunca pensei que a nossa história terminaria assim. Durante meses, pensei em te escrever, em tentar descobrir se ainda existia algum sentimento em você por mim, mesmo sabendo que você já estava com outra pessoa. Porque eu te amei. E nem sabia que era capaz de amar alguém dessa forma.
Hoje, não te amo como antes, mas ainda guardo com carinho as boas memórias que construímos. As ruins, eu perdoei. Não porque deixaram de doer, mas porque não quero mais revivê-las.
Nunca imaginei que conseguiria apagar as nossas conversas. Fiquei sete meses preso a elas. Foi mais fácil me desfazer de tudo o que você me deu, de tudo o que fazia lembrar você. Mas aquelas mensagens… nelas eu sempre encontrava um pedaço de nós, e era nelas que eu permanecia preso. Até hoje.
Comecei a sentir vontade de encerrar tudo quando percebi que ver você olhando as minhas coisas já não me afetava como antes. O teu sorriso já não trazia a luz que um dia iluminou os meus dias. E, se eu já não sentia mais necessidade de olhar a sua vida, também não fazia sentido continuar deixando uma porta entreaberta para que você observasse a minha. Foi por isso que apaguei tudo.
Chorei.
Chorei porque foi a história mais bonita que eu já vivi. Cada momento ao teu lado parecia pura mágica. Mas, ao mesmo tempo, também foi o meu maior pesadelo.
Naquele dia, na praia, na nossa última conversa, foi como se cada palavra sua fosse um soco. E pensar que foi justamente no mar, no nosso primeiro encontro, que eu me apaixonei por você. Terminar tudo exatamente onde tudo começou foi um choque difícil de explicar.
Mas a dor da despedida foi ainda maior.
Naquele instante, eu olhei para você completamente ferido e disse adeus. Você sorriu. Até hoje não sei se era nervosismo, indiferença ou deboche. Só sei que doeu. Porque, mesmo naquele momento, eu ainda estava aberto para você.
Sempre foi você quem eu quis.
Eu só queria entender você um pouco melhor. Também queria que você tentasse me compreender. Mas não aconteceu. E, mais uma vez, eu me perdi dentro de um amor que não encontrou o mesmo caminho de volta.
Hoje, quando apaguei as nossas conversas, não foi porque deixei de reconhecer a importância da nossa história. Foi porque entendi que algumas lembranças precisam permanecer apenas na memória, e não mais na tela de um celular.
Você sempre fará parte de um capítulo importante da minha vida. Um capítulo que me ensinou a amar com toda a intensidade que eu tinha, mas também a entender que nem todo amor foi feito para permanecer.
A dor não desaparece de uma vez. Ela aprende, aos poucos, a morar em um lugar onde já não controla os nossos dias.
E, finalmente, hoje, esse ciclo acabou.
— Paulo Fernando | Menino Confuso
A Porta da Liberdade — Paulo Fernando | Menino Confuso
Na calada da noite, acordei com alguém batendo na porta. Logo pensei que fosse na minha casa. Quando escutei a vizinha perguntando quem era, uma voz bradou dentro do meu quarto: um “sou eu” que estremeceu tudo o que há dentro de mim.
Levantei-me, andei pela casa, sentei, e logo pensei: poxa, será que nunca vou sair daqui? Será que ninguém vai notar que estou preso? Que preciso ver o sol raiar novamente? Que preciso de um abraço?
Com os olhos fechados, senti uma calmaria dentro de mim, e as lágrimas molhavam o meu rosto. Comecei a lembrar do meu pai, aquele que vem cuidando de mim mesmo eu não merecendo. Senti saudade de falar com ele. Eu tinha tanta coisa para conversar, mas ao mesmo tempo sentia vergonha, pois eu tinha me afastado, mesmo ele estando ao meu lado.
No estado decadente em que eu estava, me humilhei e me prostrei aos seus pés. Pedi perdão, pois compreendi que ele é a minha verdadeira liberdade. Em silêncio, ele estava ali me ajudando, e naquele chão ele começou a dizer o quanto eu era lindo, magnífico, sublime. Ali, matei a saudade do pai.
Quando abri os olhos, olhei para a janela. Me levantei e fiquei observando, esperando forças para poder abri-la. Então fui em direção à luz que ultrapassava pela fresta da janela e a abri.
O céu, a terra, as flores amarelas e azuis… um sol nascendo.
Não consegui segurar as lágrimas e deixei cair.
Precisei sair do meu cômodo para receber o que eu precisava: a minha liberdade. Pois ela já morava dentro de mim.
— Paulo Fernando | Menino Confuso
Labirinto de Migalhas — Paulo Fernando | Menino Confuso
Você me fez derramar lágrimas.
Meu coração começou a sangrar ao te ver partindo, e meu sonho foi, pouco a pouco, se destruindo. Não imaginava que eu precisaria dessa realidade para perceber que eu e você acabamos — e que esse foi o nosso fim.
Cego pelas tuas palavras bonitas, perdi-me no teu labirinto, onde você não me permitia sair. Vivi a ilusão de que poderia ter você para sempre na minha vida, como nos contos de fadas, que sempre têm um final feliz.
Te ver partindo foi como um flash, que me mostrou a realidade: você não está nem aí para o que eu sinto por você. Então vi minha venda cair ao chão, e as lágrimas que rolavam no meu rosto foram, aos poucos, se secando.
Respirando fundo, comecei a procurar uma saída. Uma porta para sair de perto de ti, porque já não dava mais.
Eu te amo, mas ficar sofrendo não.
Na minha solitude, comecei a ver o mundo de outra maneira. Percebi que eu precisava me amar, buscar o meu eu, me encontrar novamente.
Diante disso, fui em busca da minha felicidade, porque o seu amor de migalhas eu já estava cheio.
Sim, estou conseguindo viver sem pensar em você. Logo poderei te ver novamente e dizer que você não foi um erro, mas sim um acerto que me fez crescer e criar camadas de proteção contra pessoas assim como você.
Enquanto esse dia não chega, vou vivendo.
Feliz.
Longe do teu labirinto.
Longe de tudo que ainda te envolve.
— Paulo Fernando | Menino Confuso
Algumas Ilusões — Menino Confuso | Paulo Fernando
Não sei se já aconteceu com vocês, mas comigo sempre acontece.
Eu começo a me envolver com a pessoa e passo a sentir muito por ela. E tem gente que não sabe lidar com isso. Promete céu, terra e mar… mas você já entende, no fundo, que aquilo não vai passar de palavras bonitas.
Mesmo assim, você acredita. E acaba mergulhando de cabeça nesse começo de relação.
Passa o primeiro mês e tudo parece maravilhoso. Um sonho mesmo. Você conversa até o sol aparecer e só para quando o cansaço chega. Abraça, beija, sente demais.
Mas os dias passam… e tudo começa a mudar.
O tempo que era muito vira pouco. A atenção vai se afastando aos poucos. E aquela pessoa que prometeu céu, mar e terra já não está na mesma sintonia que você.
E então as lágrimas começam a cair.
A pessoa parece não se importar. E o pior: ela diz que você “não é pra ela”, que “não está no momento”, que “está confusa com tudo isso”.
E vocês terminam aquilo que nem deveria ter começado.
Passam 30 dias depois do término… e você ainda sente.
Porque sentimento não passa como dor que se resolve com um simples remédio. Não é rápido assim.
E então você, sem muita força, pergunta:
“Você ainda gosta de mim?”
Você espera uma resposta positiva. Mas, na verdade, a pessoa finge não entender:
“O quê? Como assim?”
Engraçado como algumas pessoas mudam depois de conseguirem o que querem.
Você fica arrasado, claro. Quem gostaria de se sentir esquecido por alguém que amou?
Acho que ninguém.
Mas uma coisa é certa: nem tudo precisa ser do jeito que a gente quer.
Quando você vira sua própria prioridade, esse tipo de pessoa deixa de ser amor… e vira só uma ilusão.
E como ela mesma disse:
“Eu estou vivendo, e você também. Você está bem, e eu estou ótimo.”
Guarde isso: você não precisa de um namorado agora. Você precisa de você mesmo.
De conhecer seus gostos, suas manias, seu cheiro, seu silêncio.
Lembra: quando você começa a deixar de lado o que tanto queria, você começa a receber sem precisar correr atrás.
Bom… acho que é isso.
Qualquer coisa, me chama. Vamos conversar.
— Paulo Fernando | Menino Confuso
