Lugar
Nem todo amor é um lugar seguro para ficar. Há amores que, por mais intensos e verdadeiros que sejam, machucam mais do que acolhem, confundem mais do que trazem paz e exigem de nós mais renúncias do que deveriam.
Às vezes, amar alguém não é motivo suficiente para permanecer. Porque amor sem respeito, diálogo, reciprocidade e segurança emocional pode até ser amor, mas não é lar.
Às vezes, a maior prova de amor-próprio é aceitar que o sentimento existe, mas que aquele lugar já não nos faz bem, e ter coragem de partir, mesmo ainda amando.
Muitas vezes, afastar-se não significa romper o afeto, mas mudar o laço de lugar. Há separações que acontecem apenas na geografia dos dias, onde cada um segue para cuidar das suas escolhas, da sua sobrevivência e da sua própria colheita. A afinidade diária pode até silenciar, mas o respeito e a amizade verdadeira permanecem intactos, guardados em um altar sagrado na memória. Entender que o outro mudou de rumo sem mudar o que fomos um para o outro nos permite torcer de longe, sem cobranças ou melancolia. A vida nos distancia nos passos, mas o amor maduro sabe que algumas almas continuam unidas pelo fio invisível da gratidão, não importa quão longe estejam.
Definitivamente, não estou no lugar de fala.
Mas dói na minha alma o sofrimento das pessoas pretas. É asqueroso, vergonhoso e desumano. Vivemos em um país que provavelmente é um dos mais miscigenados do planeta e, mesmo assim, o racismo e o preconceito em geral estão presentes no dia a dia e em absolutamente tudo.
Apesar de ser parda, descendente de africanos, indígenas e caboclos, reconheço que, pela forma como sou percebida pela sociedade e por ter a pele mais clara, tenho privilégios que pessoas negras de pele mais retinta não têm. E, a partir desse lugar, que antes eu não entendia muito bem, venho aprendendo bastante e comecei a enxergar as coisas por outra ótica.
É triste perceber que todos estamos sujeitos a reproduzir preconceitos e comportamentos racistas, mesmo que inconscientemente. O racismo está impregnado na nossa cultura, na linguagem e na sociedade em geral. Até mesmo expressões que usamos no dia a dia podem carregar associações entre o negro e algo negativo, e muitas vezes nem paramos para refletir sobre isso.
Quando nos silenciamos diante de uma situação real de racismo, contribuímos para que ele continue. Quando nossos colegas de trabalho, amigos ou familiares fazem um comentário racista e não nos posicionamos, também ajudamos a naturalizar esse comportamento.
Por fim, a primeira coisa que devemos fazer é nos conscientizar sobre o racismo estrutural do nosso país. É um aprendizado diário e, em seguida, precisa vir a mudança de atitude!
P.S.: Tenho muito orgulho da minha ancestralidade!
Uma casa com livros no lugar de eletrônicos resolveria 90% dos problemas de muitas famílias. Limite de tela é para inglês ver. Pais adoecidos não têm poder de cura.
Quando for montar o pódio da sua vida, coloque-se sempre em primeiro lugar. Mantenha a constância e não deixe nada nem ninguém te tirar dessa posição.
Meu lugar especial
Quem quer passar
no lugar do outro,
se o caminho alheio
pedras há que não se veem?
Melhor de longe observar
os passos que passam,
um após outro,
deixando no chão
a memória de quem neles acabou de passar.
Há pés que não acompanham
o ritmo do mundo;
ficam atrás,
desalinhados, num passo sempre atrasado
aprendendo a dançar
com os desníveis da vida...
Equilibrando-se sempre pra encontrar em tudo a melhor saída
Passam os passos, (des)compassados,
cambaleiam as certezas,
e cada tropeço revela
uma força escondida.
Ninguém chega
ao lugar do outro.
Cada coração guarda
uma paisagem única, um cenário só seu,
um silêncio que ninguém traduz,
uma ferida que ninguém sente
da mesma maneira de quem a viveu.
Por isso, não invejo caminhos.
O meu pode ser estreito,
com curvas a me tontear, lento, tão lento que estou sempre a me atrasar...
mas é nele que estou sempre a aprender
minha própria voz reconhecer.
Meu lugar não é perfeito.
É feito de ausências, carências (in)consistências... encontros, embates, combates...
lágrimas, sorrisos e recomeços.
E é especial:
porque é meu... somente meu.
Dele cada cantinho só quem conhece sou eu.
E, quando o mundo passar por mim,
seguirei caminhando,
com passos talvez incertos,
mas inteiros, certeiros –
em direção à pessoa
que estou me tornando...
Serei eu do jeito que só eu sei ser, enfim!
"Para uns o o amor é..
Onde o coração descansa
e vive em paz
Um lugar onde a tempestade não alcança
Um sentimento delicado
Para outros o amor é saudade!
Um sonho, um espaço solitário
Para alguns é algo leve, alegre,
cheio de esperança e muita brincadeira
Já para outros é utopia, sofrimento, devaneio, dor
e medo de sofrer
Para mim o amor é ser o oceano, é sentir, é crescer, é o céu....
É viver junto do meu par...."
☆Haredita Angel
Dia fortemente ensolarado, agradeço por estar neste lugar pacífico, refrescante, agradável, onde estimo devidamente o teu lindo apecto, iluminado pela resplandecência do Sol, um momento singelo, tranquilo, profusamente restaurador.
Em vista disso, sem nenhum vestígio de pressa, desfruto calmamente da tua companhia, o mesmo se eu estivesse folheando atentamente um bom livro, daquele que vai ficando ainda mais interessante após cada trecho que é lindo.
Grato, alegro-me por estar aqui contigo, estás tão graciosa, desse jeito despreocupada, feliz com teus cabelos cacheados, notoriamente, uma dádiva este nosso tempo juntos, sendo muito bem aproveitado.
"Esperando o tempo passar para não chegar a lugar algum.
Que inferno, estagnado na própria história.
Enterrado na cultura podre que me engole
sacrificado nas canções miseráveis e fúteis de adultos pueris.
No caixão da sociedade que se orgulha de ser porca, pobre e infeliz."
"Só queria achar meu lugar de sossego
no silêncio, sem lágrimas e tristeza.
Só queria contemplar a calma na alma que nunca tive.
Voar como um pássaro e poder escolher onde pousar."
O Sagrado Entre-Lugar
Os períodos mais transformadores da vida começam exatamente assim com a sensação de estar entre um lugar que já não é mais nosso e outro em que ainda estamos aprendendo a habitar. E é nesse 'entre' que muitas das nossas maiores transformações e estado de consciência plena acontecem.
Não é um espaço de conforto, é de verdades. O 'entre' é o lugar onde a pele se sente fina, a respiração fica pesada e onde as certezas de ontem se desfazem e as de amanhã ainda não possuem contornos definidos. É o silêncio que precede o salto e o vazio que antecede a nova forma.
Para a chegada do novo é necessário se desfazer do anterior. Pois eles podem não caberem ou mesmo poder serem juntos.
Tememos esse intervalo, ansiosos por chegar logo à próxima margem. Mas é justamente no tempo de espera, na suspensão entre a partida e a chegada, que a vida nos convida à escuta. Ali, despidos dos papéis e das "máscaras" que já não nos cabem, temos a oportunidade de perguntar não apenas para onde vamos, mas quem estamos nos tornando durante a jornada.
Não tenha, pois, pressa de sair do desconforto. O que chamamos de "estar perdidos" é, na verdade, a vida nos dando espaço para o reencontro.
A transformação não acontece no destino, ela floresce na travessia.
Dulias Durreis©
Escrever requer coragem, pois quem escreve se expõe, se colocando, assim, em um lugar de real vulnerabilidade.
Pensar em vulnerabilidade significa pensar em fragilidade, mortalidade e finitude.
Nesta altura, podemos compreender a rede de sustentação da vida como o conjunto em que habitam nosso corpo, nosso entorno e nós mesmos.
O estado melancólico nos transporta para um lugar diferente:
É um lugar que é mais propenso às meditações íntimas.
Durante a experiência melancólica, realizamos um mergulho mais profundo.
Nele, somos capazes de acessar substratos que somente se encontram nessas regiões.
Os resíduos que são encontrados neste estado são as pulsões mais significativas que temos em nosso interior.
Eu fecho os olhos e estou andando, sabe? É um lugar escuro, frio, e no chão há muita água.
E sabe que eu, quando suspiro, escuto o eco do meu vazio, e é DE UMA IMENSIDÃO TÃO EXTENSA que chega a ser reconfortante estar em um lugar onde o vazio parece ser menor que o meu. Fecho os olhos e percebo que os meus pensamentos me consomem, que sentimentos me levam a caminhar cada vez mais por um caminho escuro, ao invés de procurar um apagador e acender a luz.
Estou sentada à mesa, cercada por um mar de papéis — folhas pálidas que se acumulam diante de mim como fragmentos de pensamentos mortos. Afundo-me entre papéis espalhados, como se cada folha guardasse um pedaço esquecido de mim. A madeira permanece em silêncio, testemunhando o caos que lentamente me engole. Me sinto completamente soterrada por papéis que parecem lápides de pensamentos que nunca encontraram descanso.
AVISO⚠️
não tire nada do lugar
estamos falando da minha mente, ok?
sei onde cada coisa está.
A escrita é lugar de coragem e de liberdade.
É exposição, mas também partilha.
O escritor, ao expor sua linguagem, a liberta e a ilumina.
Sob a luz, ela pode finalmente ser lida.
