Lugar
... sem base
e sem freios, não
se chega a lugar algum!
Em suma: não moderamos
nosso próprio
destino!
O tempo cura tudo, menos a mania que o peito tem de achar que o passado ainda é o melhor lugar para morar.
Por favor, não me acorde. Estou cansado demais para manter aparências; preciso estar num lugar menos sufocante.
Enquanto ela diz que eu estou em um lugar especial no coração dela, ela não faz ideia de que em meu coração, já não existe espaço, pois em todos os cantinhos só há de existir ela
"Livre do mundo"
Enquanto alguns escolhem pertencer a um lugar e agir como outras pessoas por medo de julgamentos e olhares estranhos, eu escolhi ser livre para viver e tomar minhas próprias decisões.
Não quero agir como outras pessoas apenas porque posso ser julgada por ser diferente. Eu sou diferente, penso diferente, e isso me torna alguém mais quieta. Mas, se me conhecer de verdade, saberá como eu realmente sou.
Gosto de pensar e colocar na escrita palavras que não saem pelos meus lábios. Adoro minha solitude e o tempo que passo sozinha, pensando e me divertindo, sendo estranha.
Durante muito tempo, me importei com a opinião das outras pessoas e com a maneira como elas me enxergavam, e isso me fazia muito mal. Porém, aprendi a aceitar quem sou. Hoje, escolho estar sozinha quando quero, mas também posso permitir que alguém faça parte da minha vida.
Tomei uma decisão que me traz paz e tranquilidade: não preciso deixar de ser quem sou para pertencer.
Sinto-me bem com a forma como aprendi a me aceitar. E hoje posso dizer:
Antes, eu queria ser igual. Hoje, quero ser eu mesma.
Não me importo se me acham estranha.
Eu também me acho. KKK
O ABISMO COMO CONSCIÊNCIA E CONDENAÇÃO À LIBERDADE.
O abismo não é um lugar. É uma condição. Não se trata de um espaço onde se cai, mas de uma verdade diante da qual se desperta.
O teu sonho, nessa leitura, não é simbólico no sentido comum. Ele é existencial em sua raiz mais profunda. Revela a própria estrutura do ser humano enquanto consciência. O homem surge no mundo sem essência prévia. Não há natureza fixa. Não há destino traçado. Há apenas a existência em seu estado bruto. E essa existência carrega consigo um vazio inevitável. Um nada silencioso que habita o centro da consciência.
Esse nada é o teu abismo.
Não como destruição, mas como liberdade absoluta. Porque, ao não seres determinado por nada anterior, estás condenado a escolher. A cada instante. A cada gesto. A cada pensamento. Essa liberdade radical não é leve. Ela pesa. Ela inquieta. Trata-se de uma angústia que não nasce do perigo concreto, mas da percepção vertiginosa das possibilidades infinitas de ser.
Sonhar com o abismo, nesse contexto, é perceber que não há um solo essencial que te sustente. Não há uma identidade fixa que te defina antes de agir. És tu quem te constrói. E essa construção se dá sem garantias, sem absolutos, sem um fundamento externo que te isente da responsabilidade.
Há uma imagem que ilustra essa condição com rigor. Um homem diante de um precipício não teme apenas a queda. Ele teme a possibilidade de lançar-se. Esse é o verdadeiro abismo. A consciência de que o ato depende unicamente de si. De que nada o impede, exceto a própria decisão.
Assim, o teu sonho não denuncia fragilidade. Ele denuncia lucidez. É o instante em que a consciência se percebe livre e, ao mesmo tempo, exposta. Sem desculpas. Sem subterfúgios. Sem um roteiro previamente escrito.
Há, contudo, um risco silencioso. Fugir desse abismo interior é viver em dissimulação. É criar máscaras, papéis rígidos, justificativas artificiais para escapar da liberdade. É fingir ser algo fixo para não enfrentar o peso de escolher continuamente.
Encarar o abismo, portanto, é um ato de autenticidade. É aceitar que não há essência anterior que te determine. Que és projeto. Que és construção contínua. Que és, a cada instante, aquilo que decides ser.
Teu sonho não anuncia uma queda. Ele revela uma condição. Uma convocação silenciosa à responsabilidade integral de existir.
E no centro desse silêncio, há uma pergunta que não pode ser evitada.
O que farás com a liberdade que te constitui como um abismo sem fundo.
O LUGAR INTERDITO DA ALMA.
Do livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"Sim. Porque não há lugar ao meu lado para ninguém."
Joseph Beauvoir pronunciou essas palavras como quem encerra um veredito irrevogável. Não havia revolta em sua voz, mas uma espécie de resignação austera, como se já tivesse percorrido todos os caminhos possíveis e encontrado apenas a mesma paisagem deserta.
Camille Marie Monfort, porém, não se deixou persuadir pela aparência de certeza. Aproximou-se com a gravidade de quem não deseja contrariar, mas compreender até o limite.
"Não há lugar, ou não há permissão", indagou ela, com suavidade meticulosa. "Há uma diferença silenciosa entre o vazio e a interdição."
Joseph manteve-se imóvel. Seus olhos, antes firmes, vacilaram por um instante.
"Se houvesse lugar, alguém teria ficado."
Camille inclinou levemente a cabeça, como quem examina uma ideia antiga demais para ser aceita sem revisão.
"Ou talvez ninguém tenha suportado aquilo que guardas nesse lugar", respondeu. "Há almas que não são desabitadas, Joseph. São apenas profundas demais. E profundidade não é ausência. É excesso."
Ele deixou escapar um leve sopro, quase um cansaço antigo retornando.
"Excesso de quê. De falhas. De incapacidade. De tudo aquilo que afasta."
Ela negou, com uma serenidade que não impunha, mas sustentava.
"Excesso de consciência. Excesso de sentir. Excesso de verdade não dita. O problema não é não haver lugar ao teu lado. O problema é que esse lugar exige mais do que a maioria está disposta a oferecer. Permanência. Paciência. Coragem diante do que não é leve."
Joseph fechou os olhos por um breve momento, como se aquelas palavras tocassem uma região que ele evitava nomear.
"E ainda assim, ninguém fica."
Camille respondeu com um tom mais profundo, quase confidencial.
"Nem todos os encontros são destinados à permanência. Alguns existem apenas para revelar aquilo que acreditamos ser definitivo. E depois partem, não porque não havia lugar, mas porque não era o lugar deles."
Ele permaneceu em silêncio. Não era um silêncio de recusa, mas de assimilação lenta.
"Então o erro não está em mim."
Ela sustentou o olhar dele com firmeza doce.
"O erro está em transformar a ausência dos outros em sentença sobre o teu valor. Um lugar não deixa de existir porque não foi ocupado. Apenas aguarda aquilo que lhe corresponda."
Joseph voltou-se levemente para a escuridão ao redor, como se buscasse confirmar se ainda havia algo além dela.
"E se ninguém jamais corresponder."
Camille não hesitou.
"Então teu desafio não é desaparecer, mas continuar sendo um lugar verdadeiro, mesmo sem testemunhas. Porque aquilo que é autêntico não se mede pela presença alheia, mas pela fidelidade à própria essência."
O ar parecia mais denso, mas não mais sufocante.
E naquele instante, a solidão deixou de ser apenas condenação. Tornou-se também uma prova silenciosa de integridade.
Algumas mudanças chegam sem pedir licença e mexem com o que parecia estar no lugar.
Nem sempre é fácil acolher o novo.
Mas talvez a fé também seja isso: seguir sem conhecer todos os detalhes, confiando que Deus continuará conosco em cada mudança de caminho.
O céu muda.
A vida também.
E Deus permanece.
Edna de Andrade
Se você acredita que para ser um bom líder, basta tomar frente e levar pedrada no lugar dos seus liderados, sinto muito em te desapontar.
A montanha é o lugar de pessoas valentes, refúgio dos grandes guerreiros e lugar de meditação dos sábios.
Tudo ao nosso redor influencia a gerar mudanças.
Nem mesmo o planeta fica parado no mesmo lugar, nem mesmo a lua fica estacionada na mesma fase, nem o clima na mesma estação e inclusive, o extraordinário universo está sempre inspirando renovações.
Procuramos a verdade no controle das certezas sem perceber que a própria mente é um lugar onde nada cresce a não ser o silêncio daquilo que nunca ousamos perguntar.
Reno Fioraso
