Lugar
Venha buscar-me, leve-me,
Para um lugar qualquer,
Faça de mim o que quiser,
Também o que puder,
E como tu quer,
Quero ser teu homem,
E te fazer minha mulher...
Como um ser humano que a um andarilho dá ABRIGO,
Um lugar para ficar, em um refúgio de uma TEMPESTADE,
Agasalhando, acalentando com um braço AMIGO,
Assim tu és Bonequinha, minha Princesa minha MAJESTADE...
Hoje me deu uma vontade louca de sair por AÍ,
Sair sem rumo pra algum lugar que nem eu mesmo SEI,
Mas desisti, lembrei que te amo tanto, e pensei em TI,
E em tudo que contigo ontem a noite CONVERSEI....
Chegaste trêmulo, fronte baixa,
carregando o riso gasto dos que imploram lugar.
Havia em ti um vazio tão ruidoso
que parecia mendigar palavras antes mesmo de falá-las.
Ofereci-te o que tinhas por hábito comprar:
presença.
Te dei portas, nomes, rostos,
e a cidade — ainda estranha para mim —
fui eu quem plantou aos teus pés.
Tu, que pagavas atenção como se fosse imposto,
ganhaste caminhos sem custo,
ganhaste gente,
ganhaste voz.
E cada ganho teu custou um pouco da minha.
Mas a criatura que ergui com cuidado
aprendeu rápido o truque da ingratidão.
Viraste o rosto, torceste o gesto,
inventaste razões onde só havia dívida.
Foste sombra que aprende a morder quem a carrega.
Foste cálculo frio atrás de sorriso emprestado.
Foste o erro que só se revela
quando a noite cai sem aviso e mostra o que sobrou de nós.
E o que sobrou?
Um rastro áspero, uma memória que fere sem metáfora,
um eco que me chama por um nome que já não reconheço.
Covarde, sim
porque escolheste atacar quem te deu chão.
Injusto, também
porque cuspiste no gesto que te fez caber no mundo.
Hoje, quando penso em ti, não penso em pessoa,
mas em fenômeno:
um colapso pequeno, íntimo,
capaz de ruir confiança com precisão cirúrgica.
Ainda assim, não te odeio.
Seria afeto demais.
Apenas te arquivo
no lugar das coisas que jamais devolvem o que tomam.
E fecho este capítulo sabendo:
não foste amor, nem amizade, nem queda.
Foste ilusão
e eu, a última testemunha do truque.
Poema: Não te odeio, seria afeto demais.
27 de julho de 2009
Curiosamente, é no lugar onde mais doeu que a centelha costuma estar enterrada. O lugar do trauma, da injustiça, da queda — ali mesmo onde desejávamos apagar a memória — é onde se esconde o início do chamado. Pois o destino não é um caminho fora de nós: ele é uma frequência que pulsa a partir da ferida.
Ler é encontrar abrigo quando o mundo pesa demais. É atravessar tempestades sem sair do lugar. É ter companhia nas noites silenciosas, quando ninguém parece compreender os pensamentos que habitam a mente.
Carta aberta à minha irmã
Hoje eu vi em algum lugar que era o Dia do Luto. Fiquei pensando nessa palavra por alguns minutos. Ela é pesada. Não sei se entendo o significado, talvez nem faça sentido tentar entender agora. Também não fui procurar. A verdade é que eu queria te dizer algo que você nunca vai poder ouvir. Então, vou escrever.
Quase ninguém sabe, ninguém do meu meio atual, mas até os meus 15 anos você foi minha heroína, minha fortaleza e minha confidente. Mesmo nas brigas diárias de irmãs, você sempre estava lá.
Às vezes sinto como se você estivesse lá no dia em que nasci. Acho que estava, porque você vivia dizendo que eu era um bichinho feio de tão pequena. Mas você estava lá.
Eu lembro das nossas brincadeiras na praia, de correr no quintal da vovó, de aprender a subir nas árvores com você e de fugir da mamãe quando aprontávamos. Lembro até de pular da ponte só porque você pulava. Naquela época eu sabia, só não entendia o quanto você era parte de mim.
Lembro do meu primeiro beijo e de quando te contei que meus dentes bateram nos da outra pessoa. Você riu tanto. Lembro das viagens de barco com o papai. Lembro do amor que existia entre nós e de como a gente se entendia só pelo olhar.
Te perder uma vez já foi dolorido demais. Depois dos meus 15 anos, aquela criança ficou para trás. Foi colocada em uma caixinha.
E, há alguns dias, eu liguei para a mamãe feliz, porque finalmente poderíamos nos encontrar. Eu imaginei esse encontro. A criança que estava guardada pulava de felicidade. Criei imagens de nós duas conversando, contando as besteiras da infância. Imaginei conhecendo as meninas e dizendo que eu seria a tia mais legal do mundo. Lembro de pensar: “Vou ter ela de volta.”
Mas não foi assim.
Nosso encontro foi diferente. E, dessa vez, você foi arrancada de mim mais uma vez, e para sempre. E eu não pude fazer nada. Não pude lutar, nem quebrar uma cadeira na cabeça de alguém. Pelo menos da primeira vez eu fiz isso. Eu te defendi. Briguei com todo mundo por você.
Mas, em algum momento, eu desisti. E por isso te peço perdão.
Irmã, você me deixou, mas eu ainda não aprendi a te deixar. Ainda crio lembranças que nunca aconteceram, porque é mais fácil assim. Porque, por alguns instantes, isso faz você parecer presente.
Quero que você saiba que o teu legado não vai morrer. Não enquanto eu existir.
Você sempre será a minha melhor lembrança.
E as minhas melhores histórias sempre terão você.
Com amor,
Da sua irmã, que ainda não aprendeu a viver sem você.
Só notamos os dias felizes da nossa vida passada depois de darem lugar aos dias de tristeza.
Lugar é geografia, um local para a política; comunidade evoca as dimensões sociais e pessoais de lugar. Um lugar se torna uma comunidade quando as pessoas usam o pronome “nós”.
Para os homens, o lugar do mistério está entre as pernas das mulheres.
09/11/05
Estou aqui num simples lugar, lembrando-me do dia especial que você apareceu na minha vida.Cheia de luz, cheia de esperança, cheia de alegria, cheia de amor e carinho, que parece não acabar.Hoje estou neste quarto, onde entre quatro paredes expresso meu sentimento.Sentimento que está preso numa gaiola onde conto os dias e noites, na esperança de te ver, nem que seja passar por mim.Me sinto um pássaro à espera de liberdade para voar, ser livre e te amar.É nessa folha que expresso em segredo tudo aquilo que sinto.É nessa folha que falo da verdade, do amor e realidade, da paixão vazia e solitária.Você parece ilusão ao qual me agarrei, e em desespero se tornou aquilo que poderia tocar no meu coração se foi, se escondeu para eu não seguir.Não sei quanto tempo ainda vou ficar aqui nesse simples lugar.Mas também sei que serei um pássaro livre em qualquer outro lugar.Sempre te amarei, nessa longa espera, para a liberdade.
ele vem sem avisar
e muda tudo de lugar
tudo muda
tudo tem que mudar
o tempo de amanhã
vem me encontrar.
Lembre-se disso — e guarde com carinho:
você não foi feita para caber em todo lugar,
foi feita para florescer em alguns.
E florescer exige solo compatível, luz suficiente e a coragem de sair da sombra quando ela já não protege, só limita.
Quem me dera voar como os pássaros
e ver tudo lá de cima
migrar de um lugar para o outro
ser livreno ar como o vento
Abrir minhas asas no céu
voar livremente por instinto
migrar para onde nasce o sol como destino
Em Algum Lugar
Por Marcio Melo
Há lugares onde estamos
sem nunca deveríamos estar,
mas de lá não saímos.
São lugares que evitamos,
mas neles moramos.
Talvez sejam só isso:
lugares que nunca deixamos.
E onde quer que formos,
eles irão também.
Estarão sempre lá.
Em algum lugar.
Lugar de Mato
Marcio Melo
Eu queria ir pra um lugar
onde o vento sopra paz,
onde revoada canta alto
e o mato tem cheiro de mais.
Cheio de pássaro e terra
nos pés sem pressa de andar.
Sentado na porta da casinha de sapê,
só vendo o tempo passar.
Longe da cidade imunda,
poluída de gente vazia,
que se consome e se acaba
morrendo sem alegria.
Quero uma vida que não seja
só passagem sem sabor.
Quero erguer lembranças minhas
como quem ergue um castelo.
Um lugar onde se sonha
e o sonho vira real.
E morrer abraçado ao mato,
com a paz no coração.
O Silêncio foi o lugar mais lindo que eu conheci na vida... lá ouvir uma voz que sempre me acompanha e ela me diz:* VOCÊ PODE SER MELHOR QUE TUDO ISSO . ( Flávio S.Silva)
