Logo ali na Proxima Esquina
Essas imagens eram o mundo, que cozinhava em fogo brando dentro dela, sentada ali com os livros encantadores e seus títulos manicurados. Fermentava dentro dela, enquanto a menina olhava as páginas, com suas panças cheias até o gorgomilo de parágrafos e palavras.
Suas cretinas, pensou.
Suas cretinas encantadoras.
Não me façam feliz. Por favor, não me saciem nem me deixem pensar que alguma coisa boa pode sair disso. Olhem para meus machucados. Olhem para este arranhão. Estão vendo o arranhão dentro de mim? Estão vendo ele crescer bem diante dos seus olhos, me corroendo? Não quero ter esperança de mais nada. Não quero rezar para que Max esteja vivo e em segurança. Nem Alex Steiner.
Porque o mundo não os merece.
O grandão
Ficamos frente a frente como num duelo, ele ali enorme, colossal e omnipotente e eu tão pequenina.
Ele parecia muito mais zangado do que eu pensava, ia e vinha em secções de ondas violentas que faziam um barulho ensurdecedor.
No entanto, dentro de mim uma paz, sentia nos meus pés o granulado da areia, o vento a bater na minha face trazendo o doce aroma da maresia.
Eu e ele, o Grandão, finalmente tinha chegado a hora.
Abri os meus olhos, e com toda a minha sabedoria de gente pequena o fitei com olhos de desafio.
"Eu não tenho medo de você" Disse baixinho, era verdade não tinha medo.
Ele pareceu ficar ainda mais zangado.
E foi então que eu corri, as minhas pernas pequenas tornaram-se gigantes, os meus braços viraram asas, eu voava e os meus pés estavam no chão.
Foi então que os nossos corpos se fundiram, eu e ele, éramos um só, ele abraçou-me, pegou-me nos seus braços e me levou ao céu.
Todo ele estava em mim, como sempre estivera, sentia o seu calor na minha pele, e sorria, me perdi de amores pela sua imensidão azul.
"É Grandão, agora somos só nos dois..."
Eu e o Mar... Somos feitos do mesmo elemento.
Não lembro exactamente a idade que tinha nesta altura, mas lembro de cada pormenor daquele momento, o momento que eu e o meu Grandão começamos a caminhar com o mesmo passo.
E mesmo quando estou na selva de pedra, escuto o bater das tuas ondas e é feita a melodia.
E que fresco e feliz horror o de não haver ali ninguém! Nem
nós, que por ali íamos, ali estávamos. . . Porque nós não éramos
ninguém. Nem mesmo éramos coisa alguma.. . Não tínhamos
vida que a morte precisasse para matar. Éramos tão tênues e
rasteirinhos que o vento do decorrer nos deixara inúteis e a hora
passava por nós acariciando-nos como uma brisa pelo cimo de
uma palmeira.
Não tínhamos época nem propósito. Toda a finalidade das
coisas e dos seres ficara-nos à porta daquele paraíso de ausência.
Imobilizar-se, para nos sentir senti-la, a alma rugosa dos
troncos, a alma estendida das folhas, a alma núbil das flores, a
alma vergada dos frutos. . .
E assim nós morremos a nossa vida, tão atentos separadamente
a morrê-la que não reparamos que éramos um só, que cada
um de nós era uma ilusão do outro, e cada um, dentro de si, o
mero eco do seu próprio ser. . .
Zumbe uma mosca, incerta e mínima. . .
Raiam na minha atenção vagos ruídos, nítidos e dispersos, que
enchem de ser já dia a minha consciência do nosso quarto...
Nosso quarto? Nosso de que dois, se eu estou sozinho? Não sei.
Tudo se funde e só fica, fingindo, uma realidade-bruma em que
a minha incerteza soçobra e o meu compreender-me, embalado
de ópios, adormece. . .
A manhã rompeu, como uma queda, do cimo pálido da Hora.
. . Acabaram de arder, meu amor, na lareira da nossa vida,
as achas dos nossos sonhos.. .
Desenganemo-nos da esperança, porque trai, do amor, porque
cansa, da vida, porque farta, e não sacia, e até da morte, porque
traz mais do que se quer e menos do que se espera.
Desenganemo-nos, ó Velada, do nosso próprio tédio, porque
se envelhece de si próprio e não ousa ser toda a angústia que é.
Não choremos, não odiemos, não desejemos. . .
Cubramos, ó silenciosa, com um lençol de linho fino o perfil
hirto da nossa Imperfeição. . .
Vou dedilhando a vida com os pensamentos, uma carícia aqui, um afago ali que é pra poder sorrir por dentro.
Há um sol logo ali, um céu todo azul, imenso a me cobrir,
a me inspirar o novo.
Dos tombos vem o prumo, pra tudo que desajeita, a gente ajeita.
Com a fé viva em Deus há de haver bons recomeços.
Eu ia mudar de casa naquele dia. Depois do que acontecera, não queria viver ali nem mais um dia. Ouvi a campainha. Deviam ser os homens da mudança.Se o surto não passasse eu não poderia sair da cama.Os homens iriam embora sem fazer a mudança.
"Abraçámo-nos nem sei durante quanto tempo, só sei que tudo parou ali mesmo, outra vez, mais uma vez. De repente estávamos de novo sozinhos, entregues um ao outro, o mundo era um outro lugar, como no dia em que nos conhecemos."
E ali reclinado sobre a vida, descobriu aquilo que nunca suspeitara. Não era ele, com seus passos, que ordenava tudo, que comandava o salto do grilo, o vento da espiga, as pás do moinho. Mas eram eles, grilo e espiga, cada um deles que, com seus pequenos movimentos, faziam os passos do tempo.
Eu estava ali fora, vendo o tempo passar, na escuridão da noite, a beleza veio me visitar, Gosto da cor do seu cabelo iluminado pela lua , gosto do brilho dos seus olhos, neles eu vejo as estrelas, gosto do tom suave, carinhoso da sua voz, adoro o gosto do seu beijo. Mais Derepente as nuvens ali começaram a mudar, senti a brisa tocar meu rosto. Em plena meia-noite eu me encontro aqui animado. Vestígios de um sábado. Uma noite daquelas que enlouquece a gente. Boa noite.
Por tanto tempo juntos, em algum momento houve amor, hoje já não há mais.
E mesmo que alí, em estado físico permaneçam, a mente vaga para outros lugares, talvez em busca de um amor que fez morada num outro coração.
Era uma auto-indagação para saber quem realmente estava ali: Esse sou eu no retrato, mas onde eu estava quando o tiraram? Era a minha vontade louca de o abraçar de repente e dizer: Mostra o sorriso da sua alma menino tímido, não esconda suas cores. Você já é grande, mas ainda é uma criança para mim. Te ver crescer me faz ver que também estou crescendo. Vá com calma, eu posso me assustar.
Sabe porque muita gente namora dois meses aqui dois ali? É que hoje em dia poucas pessoas amam, a maioria só tem medo de ficarem sozinhas.
Meus amigos são aqueles que mesmo seguindo caminhos totalmente diferentes do meu, permanecem ali do meu lado.
Um esbarrão, pernas bambas, olhares trocados, vontades disfarçadas, negando evidências, segundos ali parados, ouvindo o disparar dos corações. Segundos? Não... uma vida.
"Às vezes, só de ter você ali, sem precisar tocar, meu coração já entende que encontrou o seu lugar no mundo."
É ali, nesse espaço que ninguém vê,
que o amor fala baixo,
mas cala o mundo inteiro.
É ali, onde o silêncio é mais profundo,
que o coração se ergue como um grito,
rasgando o invisível,
fazendo da sombra um altar.
É ali, onde não há testemunhas,
que a verdade se despe,
sem medo, sem máscara,
e o amor se torna fogo,
capaz de incendiar até o impossível.
É ali, nesse segredo indomável,
que o mundo se curva,
porque nada é mais forte
do que aquilo que não precisa ser visto
para existir.
Um carinho aqui, um gesto de amor ali... e tudo vai ficando doce.É possível sim fazer deste mundo um pedacinho do céu.
Oh se é!!!
Nenhuma relação se constrói sem partilha sincera a todos os níveis, tem que haver reciprocidade, alimento, senão morrerá de fome!
É cruel e difícil amar alguém que ama todas as mulheres do mundo. A gente não sabe porque está ali e nem porque ele permanece. Dizer adeus pode ser uma saída, mas é a mais dolorosa. Nesse ínterim, a gente acaba ficando se isso não acabar com a gente. Não é falta de amor próprio. É amor demais.
