Linha Reta e Linha Curva
Curvamo-nos por conta própria, ou o tempo nos curva. Afinal nunca vi um ancião sem as curvas do cansaço!
AÇÚCAR
Sempre quis ir pra fora da curva;
Deve ser querer aparecer.
Eu roteio essa órbita,
Eu não quero falar sobre empatia na internet - eu quero ajudar a menina com as malas.
Eu não quero apontar caráter - Eu quero ser coerente.
Eu não quero sorrir nas fotos - Eu quero sorrir pro gari, pras crianças, pros cachorros, pro meu chefe, pra quem precisa e pra quem não precisa.
Noutro dia um moço sentado no chão com um cobertor retalhado gritava no morno da calçada paulistana: "- Hoje é dia 2???? É dia 2???"
Eu quero parar, olhar ele nos olhos e dizer: "- Mas eita, JÁ? Não é 1, não? Nossa senhora, moço. Já é dois, mesmo."
Assim foi, assim é, assim será.
Eu desenho por fora das bordas,
Eu quero entender o porquê de vocês gostarem tanto dessa música.
Ouve essa aqui também.
Eu pego o caminho detrás,
Eu quero admirar minhas amigas; tão inteligentes... e quero que conheçam um pouco da minha sensibilidade.
Eu ligo os pontos do avesso,
Tenho sido linchada, demitida, excluída, vexada e abandonada. Tudo por chorar demais. As pessoas não sabem como se sentir a meu respeito - parece que me amam, me odeiam, tudo junto.
Pode ser que eu sou metade amável, metade odiável, mesmo - ou pode ser esse movimento.
Odioso que eu faço.
Gracioso.
Infindável, inerte ou cansativo.
Eu começo pelo fim,
A gente poder surfar nas afetividades sem o ódio do movimento;
Eu como o doce antes,
Eu tô tentando mexer o açúcar que tá no fundo.
Ajuda aí.
Vi Cianci
sempre e indiretamente prezamos a face que o mundo se apresenta, o espetáculo se curva diante vossa presença junto ãos espectadores que gargalham sem parar, o nítido se tornou reflexivo sem esperanças de voltar nossa visão.
A carta sobre a mesa foi deixada pelo viajante, "the fool" se tornou sobresselente em meu pensar sem hipocrisia na fadica lembrança que devaneio.
VOCÊ CHEGOU QUENTE 🔥
Nem tudo que é torto se torna errado
Eu tive que fazer uma longa curva
para em um dia de chuva olhar seus olhos.
Se não fosse a curva você teria me visto...
Era uma noite apagada mas você chegou...
Como brasa eu fiquei ardendo procurando o coração!
E sua energia corporal alma sem igual...
Foi ascendendo o carvão da minha carne em silêncio.
Bem devagar sua existência por dentro ia abrindo meu peito devagarinho..
E foi aquecendo o centro do peito como um raio bem fininho...
Agora vivo das ilusões que a esperança trás...
A lembrança tenaz do primeiro encontro rua Goiás...
Eu queria era mais que o tempo congelasse o seu sorriso...
O paraíso se abrindo para mim e foi assim...
Que aconteceu e nunca mais te esqueci...
NA CURVA DAQUELA ESTRADA
Nasci, me criei no sítio
No meu pedaço de terra
Juntinho ao pé da serra,
Meu ranchinho construí;
Sempre ao amanhecer
Quando o sol aparecia
Da minha janela ouvia
O cantar da juriti.
Na estradinha de terra
De poeira, buraco e torrão
Subia lá no espigão
Só pra ver o sol se pôr;
Quando a noite chegava
Dormir não tinha vontade
Me batia uma saudade
Do meu primeiro amor.
Foi lá na curva daquela estrada
Que eu vi passar a minha amada
Na areia deixou seu rastinho pela estrada a fora
Nem me disse adeus e foi embora...
Atrás do meu ranchinho
A onde passa o rio
Na chuva, calor e no frio
Eu pescava lambari;
Na roça tinha quase tudo
Pomar, horta e o cafezal
O bote, chiqueiro e curral.
Na purunga tinha jataí
A minha velha carroça
A charrete e meu arado
Hoje ali enferrujado
No paiol de sapé e madeira;
Com toco e arame farpado
O meu ranchinho cerquei
E o nome dela eu gravei
Lá no mourão da porteira.
Em que ponto exato da curva a gente se perdeu qual foi o momento que as falas de amor se tornaram ofensas , e atolados em nossa arrogância ninguém percebeu, e quando foi que tudo em nos virou uma grande mentira, ao ponto do simples som de nossa voz se tornar ser tão irritante que mais parecia uma terrível agressão, e hoje estamos aqui de malas prontas e se perguntando , como um casal que um dia se amou tanto chegou a esse ponto ferindo um ao outro, causando tanta dor e destruição.
Quando a coluna se curva, todo o corpo é tirado de seu equilíbrio e alinhamento naturais.
Não da pra parar o tempo
Nem mudar a curva do vento
Quando eu me ver um dia, no ponto final da vida
Do meu passado, não mudaria nem uma virgula
A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te ouço a passada
Existir como eu existo.
A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.
Em que ponto exato da curva a gente se perdeu , em que momento as falas de amor se tornaram ofensas e quando foi que tudo em nos virou mentira, transformando som de nossa voz algo repulsivo aos ouvidos, e hoje nós aqui estamos de malas prontas se despedindo e se perguntando, como um casal que um dia se amou tanto conseguiu chegar a esse ponto, ferindo um ao outro causando muita dor espalhando o sal do inconformismo e deixando estéril o amor.
Assim como a árvore que se curva diante da tempestade, a resiliência nos ensina a flexibilidade diante das tormentas da vida.
Buraco negro
Seu buraco é negro, vorazmente profundo.
Seu apego gravitacional curva o tempo
e todo o espaço a minha volta.
Mesmo distante milhões de anos-luz
meu corpo cósmico é atraído voluptuosamente
por sua singularidade densamente infinita.
No seu horizonte de eventos me perco,
é a partir de onde não regresso
e as leis da física não mais existem,
nada mais faz sentido algum
e nada escapa do seu centro-coração
denso, gélido e sombrio.
No seu vácuo turvo e absoluto
é onde você guarda os segredos de tudo,
é onde se esconde multiversos
que se revelam em múltiplos versos.
Tempo ao Tempo.
A curva.
Não vá aonde o vento faz a curva.
Ele o levará de volta para onde você esteve.
Lá, onde o vento faz a curva que leva aos sonhos, vou, passo a passo, na certeza do encontro com o meu arco-íris...
