Lembrança
amplecti singula et vivere in totum
Entre o silêncio e a lembrança
Há um vazio que ainda respira
Não se trata de partida
Nem de chegada
É o eco de passos que já se foram
Mas que ainda ressoam
Bem baixo quase inaudível
Os dias seguem
Mas há momentos em que o ar pesa
Como se o tempo insistisse
Em carregar consigo fragmentos do que foi
Não é dor
Mas uma sombra leve
Que se estende ao final de cada tarde
O toque que não se repete
Mas que a pele ainda guarda
Um olhar que já não encontra
Mas que os olhos ainda procuram
Nos reflexos dos dias
Há uma paz que tenta nascer
Mas é abafada
Não é ausência
É uma presença sutil
Como folhas que caem sem alarde
Dos tempos em que era criança,
Em que brincava e corria,
Da felicidade tenho lembrança,
Daquilo que fazia.
Certo dia, ouvindo a música do Roberto Carlos, O careta, veio-me as lembranças da minha adolescência, no tempo em colegas meus, metidos a entendidos, chamando-me de careta por não experimentar drogas ilícitas. Curioso, não para mim, é que atualmente já tenho mais de quatro décadas de vida, enquanto alguns "entendidos" morreram. Resumo da ópera: o que é melhor, um careta vivo ou "entendido" morto?
Fica a mensagem para a meditação.
Memória Maçônica - A lembrança fraterna
Maçom é paciente, é irmão, é singular, é tolerante sempre. Mas isso não é o ideal, visto que o ideal está no mundo das ideias. Isso é o justo e perfeito, é como a Ordem trabalha o maçom, é como ele deve trabalhar sua pedra.
Maçom não alfineta, não puxa briga; na verdade, ele resolve a situação da melhor forma possível.
Maçom não infla seu ego, ele trabalha cada vez mais na sua humildade e empatia.
Maçom não diz saber tudo, pois cada vez que ele estuda, mais vê que precisa estudar.
Maçom não cria problema, ele soluciona.
Seja como aprendiz, mestre ou inspetor, estamos constantemente nos esforçando para dar o nosso melhor, buscando a excelência em tudo o que fazemos. Mas é o que fazemos para o bem do próximo, do irmão, da fraternidade, da Ordem. Não buscamos medalhas, poder, honrarias ou metais. Buscamos o bem! E principalmente, o bem do próximo.
Guardo nas lembranças cada segundo com você
O primeiro olhar, o primeiro abraço, o primeiro beijo
Me senti como se ali estivesse te amando, mas me segurando por insegurança
Insegurança ou medo não sei
Insegurança de ter você tão perto e não saber o que fazer, e medo, de talvez você não sentir o mesmo por mim
Mas depois do teu olhar... percebi que eu também já estava ali, no mesmo lugar que você...
Dentro dos nossos corações....👻👻
Eu te sinto tanto no meu dia-a-dia,
Me dói não te ver sorrir.
Revivo você através de lembranças,
Me trás paz mas não me satisfaz.
Lembranças serão apenas lembranças.
Não posso abraçá-las.
A FAVORITA DO SULTÃO
Marcial Salaverry
Falar em “Favorita do Sultão” vem logo à lembrança os famosos “Contos das Mil e Uma Noites”, em que Scheerezade entretia o sultão com seus contos, mantendo-o longe das demais odaliscas, para ser a “Favorita do Sultão”. Mas essa linda época em que os sultões podiam ter quantas mulheres quisesse ficou no passado, pois hoje as relações são baseadas no amor, e geralmente o amor exige uma certa monogamia, caso contrário não será o amor, serão os amores, e existe uma diferença fundamental entre ter um amor, ou viver muitos amores, principalmente, se esses muitos amores forem simultâneos.
Sempre será complicado administrar essa situação, exigindo-se um perfeito jogo de cintura, para não arranjar confusão, pois sempre haverá aquela ocasião que as coisas virão à tona. Naquela época em que tal situação era permitida, era o tempo em que havia sultões e odaliscas.
O chamado “Magnífico Sultão”, tinha quantas odaliscas pudesse em seu harém. Todas viviam em paz, aguardando o momento em que ele escolhesse uma para usufruir seus favores, e sempre havia uma que ele chamava com mais frequência, e que era chamada de sua favorita. Mas isso ficou no passado, e as mulheres modernas, principalmente as ocidentais são essencialmente monogâmicas, e não gostam de dividir seu amado com outras. E os homens também assim pensam, embora sempre haja algum que aja, ou pretende agir como um sultão...
Nessas condições, não é muito aconselhável manter romances extraconjugais. Mas, sempre existe quem tenha uma irresistível vocação para uma vida de aventuras, e não resiste à tentação de montar um harém particular, desde que tenha condições, ou financeiras ou carismáticas para tanto.
Contudo, as coisas mudaram muito, e se antigamente as odaliscas aceitavam numa boa e conviviam pacificamente entre si, apenas aguardando a chamada do amo e senhor, as “odaliscas” atuais não pensam assim, e não gostam muito de saber que o “sultão” divide a atenção e os carinhos com outras parceiras. E procuram sempre chegar à condição de “favorita”, para exigir a exclusividade no “sultanato”.
Muitas vezes ocorrem disputas até que se defina qual a preferência do sultão, deixando-o sempre em situação delicada, eis que sempre será complicada uma escolha, já que existe uma atração especial em cada uma delas. Fatalmente a favorita será aquela que melhor souber prende-lo em sua teia, com carinhos e atenções especiais. E o sultão acabará por render-se à sua eleita, e a tendência natural, será a dedicação ao amor verdadeiro.
Nessa fábula moderna, cabe uma análise, para definir o que vem ser o amor, ou os amores, e as vantagens e desvantagens dessa situação.
Quando se tem diversos amores, jamais haverá uma dedicação total, pois os sentimentos ficam divididos. O ideal é ter apenas um amor, fixo, definitivo, imexível, para vive-lo em sua plenitude.
Quando se tem muitos, ficará sempre difícil escolher, pois existe uma atração especial em cada um deles, e geralmente a tendência é ficar sem nenhum, principalmente se a escolha for muito demorada, pois a uma espera cansativa, seguir-se-á uma desistência.
A favorita então será aquela que melhor souber fazer-se amar. É preciso conquistar, e saber controlar a situação. Mais do que saber amar tem que saber fazer-se amada. Descobrir os chamados “pontos fracos” da estrutura do sultão, e conquista-lo. Mostrar que é importante que ele a ame.
Muitas pessoas pensam que o amor é a doação total, e assim, anulando-se para quem ama, irá prende-lo. Não é bem dessa maneira, pois uma entrega pura e simples, tira o gosto da conquista. E essa conquista tem que ser diária. O amor tem que ser compartilhado, para ser bem vivido.
A doação tem que ser mútua, pois o tempo de sultões e odaliscas ficou para trás. A vida moderna exige sempre sentimentos em reciprocidade, com perfeita divisão de direitos e obrigações, permitindo que haja um relacionamento duradouro entre o ex-sultão e sua favorita, para que assim tanto o sultão como sua eleita possam fazer de cada dia sempre UM LINDO DIA, a ser bem vivido em clima de luz, paz, amizade, amor durante toda a vida...
QUEM INVENTOU A SAUDADE?
Num cantinho da memória, entre suspiros e lembranças, lá está ela, a saudade, envolvida no fluxo do tempo como uma história antiga, um fio dourado que nos une ao passado e nos faz sentir a falta do que já foi vivido.
Mas quem teria sido o mestre de tão delicada e dolorosa invenção?
Ah, curiosidade, sente-se aqui comigo, deixe-me contar-lhe uma história que se mistura com a bruma do tempo, uma narrativa de encanto e melancolia, onde a saudade dança ao som das estrelas e se reflete nas águas serenas do rio da vida.
Havia uma vez, num tempo imemorial, um poeta errante que vagava pelas estradas poeirentas do mundo, com os olhos fitos no horizonte e o coração repleto de sonhos. Ele carregava consigo uma pena de ave rara e um frasco de lágrimas estelares, e com esses singelos instrumentos, ele tecia versos de amor e despedida, de esperança e saudade.
Certo dia, enquanto contemplava o crepúsculo tingindo o céu de tons dourados, o poeta sentiu uma dor aguda no peito, uma saudade tão profunda que parecia dilacerar-lhe a alma. E ali, sob a luz do sol moribundo, ele compreendeu que a saudade era mais do que uma simples ausência, era a presença invisível de tudo o que amamos e perdemos.
Com a sabedoria dos sábios e a sensibilidade dos artistas, o poeta decidiu dar forma àquela emoção indomável, transformando-a em palavras que pudessem ecoar através dos séculos. Ele entrelaçou a saudade com a ternura de um abraço perdido, com a doçura de um beijo nunca dado, e assim nasceu o mais belo dos sentimentos, tão doce quanto amargo, tão suave quanto cruel.
E quem teria sido esse poeta visionário, minha cara curiosidade? Alguns dizem que foi o próprio tempo, tecendo com paciência e cuidado cada fio de saudade que une os corações dos amantes separados pela distância. Outros afirmam que foi o destino, traçando com mãos invisíveis os caminhos tortuosos que nos levam de volta ao lar, onde a saudade se transforma em nostalgia e os sonhos se transformam em memórias.
Mas eu prefiro acreditar que a saudade é uma dádiva dos céus, um presente precioso que nos lembra da fragilidade da vida e da eternidade do amor. Pois só aqueles que amam verdadeiramente podem sentir saudades, só aqueles que se entregam de corpo e alma podem compreender a dor e a beleza desse sentimento tão humano e divino.
Então, minha querida curiosidade, da próxima vez que a saudade bater à sua porta, abra-a com um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos, pois ela não é uma invenção da tristeza, mas sim uma manifestação sublime do amor que habita em cada um de nós. E enquanto houver saudade no mundo, haverá também a certeza de que o amor é eterno e imortal, capaz de transcender fronteiras, unindo para sempre aqueles que se amam de verdade.
Sentir saudade é o eco do coração, uma lembrança que nos lembra que, apesar da distância física, estamos cada vez mais próximos daqueles que amamos, pois o amor transcende o tempo e o espaço.
Ame tanto as pessoas,ao ponto de se você tiver que sair da vida delas, tenham a lembrança, do que é uma pessoa que carrega o verdadeiro amor...
Meus dias estão nublados,o pensamento carrega lembranças de quando éramos felizes a dor aflige o meu coração buscando resposta de o porque deu está sofrendo assim,lembro quando dizia; Eu te amo meu amor! Doe,doe lembrar de ti e essa é a resposta para o meu coração! Súplicas ao eterno para perdoar meu erros já fiz! Ah amor teu retorno seria sinônimo de felicidade somente o teu sorriso pra iluminar o obscuro do meu cê; tenho fé meu amor que chegará o dia dessa dor passar quando tiveres em meus braços....
Se acordássemos amanhã sem nenhuma lembrança um do outro, você acha que ainda estaríamos juntos?
Certas lembranças não são um passado morto. São um presente vivo, com forte potencial para transformar-se em futura saudade.
Lembranças de criança
Doces emoções do tempo de criança,
Das brincadeiras com os colegas e das aventuras em andanças,
Da escola primária, ao velho ginásio em novas alianças,
Das casas das avós, dos carinhos e comilanças,
Das viagens de férias sempre com as alegrias das cheganças,
Das chuvas de verão, ao frio dos invernos, sempre nascia a esperança,
Das flores dos jardins de primavera, em suas diferentes nuanças,
Dos aniversários de amigos e parentes, sempre aquelas festanças,
Das festas juninas e de suas danças,
Ah, quantas boas lembranças, sem conhecer a desesperança.
A. Cardoso
Guardo na lembrança cada momento com você
Sinto tantas saudades dos beijos, dos abraços, dos carinhos
Minha razão pede para não te procurar
Mas meu coração reclama sua falta
Histórias de um passado vivido de forma única
Intensidade, paixão, amor, não sei dizer
Foram momentos únicos eu e você
Se te amo ou te odeio, não sei responder
Só sei que meu coração pede você, e minha razão me faz te esquecer
Entre amor e ódio... eu vivo você....
Um dia, a lembrança disso vai machucar tanto que eu não vou conseguir respirar, e farei o que sempre faço: vou entrar na minha cabine e vou fugir! Fugir de toda a dor, e em todos os lugares que eu for, lá estará ela.
DOR E AFETO
Me vem ligeiramente na mente,
uma nostálgica lembrança.
Tempo em que os pés viviam empoeirados.
Poucas atribuições, muita ciranda.
Avistava as andanças pela fresta do
portão .
As mesmas pessoas rotineiramente por ali passavam, enquanto eu, ansiosamente lhe esperava descer da condução.
Infância que dói, sentimento que constrói.
O semblante é nítido da pureza,
e com tantas pedras no caminho,
esqueceu-se da dor e voltou a brincar de vida.
