Lágrimas
O poder autêntico é o direito de desabar em lágrimas, para então, da própria lama, emergir por escolha e não por obrigação.
As lágrimas, rios que secaram. As dores, que foram companhias, morreram de velhice. Muitas amizades nasceram e delas só restaram lembranças... Mas eu, em meio a tudo isso, não mudo: sou ainda aquele menino assustado, caído nas pedras frias, nas águas turbulentas. Permaneço o garoto que não consegue subir sozinho o pedregal.
Deixe o choro ser a chuva ácida que lava os escombros do que se foi, a lágrima é a água benta que purifica o olhar para o recomeço.
Carrego tempestades no olhar, mas é nelas que percebo que ainda sei sentir. A lágrima não denuncia fraqueza, denuncia existência. É a prova de que o coração, apesar de cansado, não desistiu de pulsar. E quem sente, ainda está vivo, mesmo que a vida doa.
Cada lágrima carrega uma história que o mundo nunca ouvirá. Mas ainda assim ela cai, insistindo em provar que a dor merece saída. É o corpo aliviando o peso que a alma não suporta sozinha. E isso também é coragem.
A esperança é um mapa rabiscado com lágrimas e mãos calejadas, apontando caminhos que poucos ousaram pisar.
Existe um certo luxo em poder desmoronar sem plateia, em deixar que as lágrimas corram sem a pressão de ter que explicar o motivo para quem só entende de sorrisos. A dor é um território privado, uma propriedade onde só entra quem já teve o próprio chão roubado.
Nem toda lágrima nasce da dor. Algumas escorrem pelo excesso de consciência acumulada dentro do coração.
Nem toda reconstrução produz beleza imediata. Algumas acontecem no escuro, entre lágrimas silenciosas e pequenos atos invisíveis de resistência.
Salmos 126: 5,6
Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria.
Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.
Ainda que eu chore ao lançar a semente, que eu nunca deixe de ser um semeador; que a Tua Palavra caia em corações sedentos e feridos, e que o Teu poder produza colheita de cura, restauração e vida
Era ela
Estava triste, cabisbaixo, as lágrimas escorriam lentamente pelos meus olhos; um vazio profundo. Mas, de repente, uma voz doce e suave me perguntou: por que choras, poeta? Por que choras, poeta? Ah, meu deus, era a moça do sorriso lindo! A moça das flores, a musa dos meus versos. Ah, meu deus, era ela! Era ela! Era ela!
(Só lágrimas)
Hoje eu acordei só lágrimas,
Olhei para o céu, um vazio
Profundo.
Olhei para o jardim, não me
Encantei,
E chorei.
Será, meu Deus,
Que estou perdendo aquela
Essência bonita do poeta,
Ou será apenas um momento
De desilusão,
De desilusão?
_Quando a falta de oração, de Palavra e de lágrimas não dói mais,
é porque o coração não só esfriou… morreu.__
Quando finalmente eu contemplar a face de Cristo, acredito que entenderei que cada lágrima que derramei na terra jamais caiu fora das mãos de Deus.
