Jardim das Borboletas Vinicius de Moraes
Certas palavras não podem ser ditas em qualquer lugar e hora. Estritamente reservadas para companheiros de confiança, devem ser sacramente pronunciadas em tom muito especial lá onde a polícia dos adultos não adivinha nem alcança.
Todo aquele cuja sanidade depende da confiança na ordem social ficará irremediavelmente louco. Ou você pendura a sua alma em Deus, ou ela cai.
Olhe ao seu redor. Olhe o que o homem não consumiu. Olhe o que o homem não destruiu. E pense o que ninguém parou para pensar, que Deus nos deu riquezas brotando em todo lugar.
"Tenho um forte preconceito em favor das mulheres bonitas, mas sempre recomendo que todos os dias elas se olhem no espelho e peçam a Deus que lhes dê uma personalidade digna da sua beleza."
Fala-me, anjo de luz! És glorioso, à minha vista na janela à noite, como divino alado mensageiro
Ao ebrioso olhar dos froixos olhos (...)
A noite vai bela, e a vista desmaia
Ao longe na praia, do mar!
Se a mulher foi, muitas vezes, comparada à água, é entre outros motivos porque é o espelho em que o Narciso macho se contempla; debruça-se sobre ela de boa ou de má-fé. Mas o que, em todo caso, ele lhe pede é que seja fora dele tudo o que não pode apreender em si, pois a interioridade do existente não passa de nada e, para se atingir, ele precisa projetar-se em um objeto. A mulher é para ele a suprema recompensa porque é sob uma forma exterior que ele pode possuir, em sua carne, sua própria apoteose
Quando vocês ouvirem jornalistas dizendo "Nós somos putas", não acreditem. Isso é tentativa de usurpar a boa reputação das mães deles.
Teoria da conspiração não é um conceito científico defensável, é uma metáfora, uma figura de linguagem destinada a depreciar certas idéias que você não gosta.
Forçado a chamar um homem de mulher, você sempre pode responder:
-- Mas eu também me sinto mulher e fico ofendida de que um macho usurpe o meu gênero.
Para provar uma hipótese você não precisa de muitos fatos: precisa de apenas um que não admita outra explicação.
Soneto XXXVIII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.
Fazia, de papel, toda uma armada,
e estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino.
ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são de papel, são como aqueles,
perfeitamente, exatamente iguais...
_Que meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!
“ O trabalho consome o tempo,
O tempo consome o trabalho,
O que sobra é a vontade,
De mais tempo sem trabalho...”
Oscar
Sabedoria de Preto Velho
Meus filhos julgam, às vezes, que perderam um ente querido pela morte. Mas essa visão é errada. Solte o seu parente que você julga morto. Aprenda a libertar a sua alma e deixar que ele voe nas alturas de sua própria vida. Muitos dos filhos acham que reter significa possuir. Engano. Na vida, o que possuímos de verdade é aquilo que doamos. Se você desejar reter as almas queridas, através de suas emoções e sentimentos desequilibrados, você se transforma aos poucos em pedra de tropeço para aqueles que diz amar. Amor não é posse. Amar é doar, é libertar, é permitir que o outro tenha a oportunidade de escolher e trilhar o caminho que lhe é próprio. Amar é permanecer amando, mesmo sabendo que os caminhos escolhidos são diferentes do nosso. Então, meu filho, você não perdeu ninguém, não perdeu nada. Perdeu, talvez, a oportunidade de aproveitar a experiência e aprender a amar de verdade. Esse sentimento de perda é o maior atestado de uma alma egoísta. Ame mais, meu filho. Liberte, liberte-se e procure ser feliz. Mas, pelo amor de Deus, deixe os outros prosseguirem e, assim, encontrarem também o seu caminho. Ainda que seja do outro lado da vida.
