Ja Vivi um grande Amor
ANJO MORENO
Cabelos negros e soltos, mãos
finas de dedos pequenos, rosto
redondo, olhos grandes, boca
que beijos pedem e a cada um dado
busco da boca descer até o
pescoço, que me levam à maciez
de dois seios, neles os lábios
encosto e desço para o ventre macio
que aos céus me leva.
Deles avisto duas linda coxas que
terminam em dois pés pequenos e
delicados.
És uma escultura, teus olhos penetram,
inspiram.
Por certo és alguém que a este mundo
não pertence, um anjo deves ser, um
anjo moreno lindo, em forma de mulher.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista. RJ.
Membro Honorário da Academia de letras do Brasil
Membro da U.B.E.
Só nos resta ter esperança. Pois a esperança é o grande sol em nossas vidas. Sem ela tudo é sombra, nubla os nossos corações e a tempestade é iminente.
Uma grande história nasce antes da primeira palavra, nasce antes mesmo do primeiro sonho, uma grande história nasce quando Deus permite você nascer.
É necessário muita maturidade e grandeza para se alegrar com a conquista do outro. Por isso, não espere muito dos medíocres. A inveja é tudo o que podem oferecer.
É maior aquele que constrói
casas e prédios, ou aquele que apenas pela palavra
formou todo o universo?
Será maior o médico que se formou para restaurar sua saúde e curar tua dor,
ou aquele que sem nunca estudar deu à vida ao doutor?
Deus é designer do mundo inteiro,
conhecido como o fiel, o verdadeiro!
Sua imensidão nem cabe nesse verso
mesmo quando tudo parece controverso,
ele chama para fora e sopra vida aos ossos secos.
Ele é o construtor que até o pó não desperdiçou,
ele usou e te formou!
Às vezes falo, grito,
mesmo estando mudo.
Há sentimento
que não se traduz.
As palavras não dizem tudo.
Se a esta hora o agora
se fez em você passivo,
é porque de algum modo
estou em você cativo.
Se a esta hora meu verso
é espelho e você me lê,
é porque de algum modo
estou vivo em você.
Os vencidos não têm história
e a glória é tarde
para a palavra vazia.
Sincronizo o tempo
e os vencidos escorrem
pelo ralo da pia.
Conto do Desmantelo Azul
Uma vez, durante a primavera, eu vi o mar. Era fim de tarde, eu era criança, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez.
O encontro, no horizonte, do céu azul com um mundo de espelho azulado com moldura azul-dourada invadiu meus olhos, arrebatou minha alma. Nunca nada mais enxerguei.
Uma vez, durante a primavera, ouvi o mar. Era fim de tarde, eu criança era, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez.
O encontro do marulho azul com o silêncio azulado do infinito estourou meus tímpanos, ensurdeceu minha alma. Nada nunca mais ouvi.
Uma vez, durante a primavera, cheirei o mar. Era fim de tarde, criança eu era, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez.
O encontro da maresia de azul salgado com o aroma celeste de um céu azulado quase noite entranhou-se pelas minhas narinas, embrenhou-se em minha alma.
Nunca mais nada cheirei.
Uma vez, durante a primavera, degustei o mar. Era fim de tarde, era eu criança, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez.
O encontro de minha doce inocência com o azul salgado segredo das águas engravidou meu peito, emprenhou minha alma. Nada nunca mais provei.
Hoje, toda tarde, sento em frente ao mar, e uma suave fluida mão anil acaricia minha pele instantes antes de meu corpo se diluir na brisa marinha e meus poros explodirem em azul ao serem penetrados pela alma do mundo.
Não se limite
a dizer coisa com causa.
Não beba o eco ou o cio
que brota de versos alheios.
Não se banhe duas vezes
no mesmo vazio,
mesmo estando cheio.
Não caminhe por estradas conhecidas
nem queira novas perguntas
para suas velhas respostas.
Não se imite,
perca-se no caminho da volta.
Não tenho visão, sou visionário
no dicionário dos pequenos.
Não tenho calma, trago na palma
a alma dos mais, a alma dos menos.
Não tenho fama, sou difamado
pelos mais amados, pelos mais amenos.
Não tenho abrigo, sou amigo das estradas,
das madrugadas, do sereno.
Não tenho dor, vivo doendo.
Não faço versos,
os versos, em mim, vão se fazendo.
Quanta coisa me trava:
o medo, a solidão, a palavra.
Quanta coisa me cala:
a dor, o desejo, a fala.
Quanta coisa me cria:
a palavra, a fala, a poesia.
Palavro termos ternos,
buscando no efêmero
o que tenho de eterno.
A solidão vocabulizo
e, em cada rima perdida,
em cada rumo que tomo na vida,
eu me poetizo.
