Ja me Disseram q eu sou uma Mulher Incomum
Já não me encontro no amor ou na dor. Na saudade ou no vício. Na espera ou na vontade de algo melhor. Não há razão ou sentido. Tudo pelo que vivi, hoje são flores mortas em um jardim sem vida dentro de um cemitério abandonado, frio e amaldiçoado. Não resta nada pelo que viver.
- Marcela Lobato
*Conviver com alguém que nunca erra é viver num tribunal onde você já entra condenado*
Você apresenta a defesa e o veredito já tá assinado.
Pede desculpa até quando foi machucado.
Engole o choro pra não “fazer drama”.
Com o tempo, você para de falar.
Não porque aceitou, mas porque cansou de ser réu num crime que não cometeu.
Amor não pode ser inquisição.
Se todo erro é seu e toda razão é dela, isso não é relação. É sentença.
E ninguém nasceu pra cumprir pena dentro de abraço.
W.Carvalho!
Carta III — A Injustiça dos Homens: Crítica moral, política e social
Sete anos já se passaram desde que o inferno da terra abriu-me as portas para este calabouço. Ainda é uma sorte possuir alguma porção de fôlego para respirar. Afinal, o problema nunca foram as leis, mas aqueles que as criam e os fins para os quais as aplicam. Cada gota de oxigénio que inalo está infestada de dor, angústia, fome e sede. Enquanto os reis da terra convocam reuniões, os lares transformam-se em cemitérios: cada quarto, uma campa; cada cama, um caixão. E, ao passo que os lordes repousam sobre o conforto da riqueza, as mãos pobres de quem trabalha repousam na indigência.
Então disseram os opressores:
— Enquanto houver um que governe, haverá sempre um que sirva.
— Enquanto houver um que dite as leis, haverá quem as obedeça.
— Enquanto houver um que mande, haverá quem cumpra.
Esta é a lei dos antepassados e é hereditária a todas as gerações. Não há quem mude essa lógica: o que já está estabelecido, ninguém altera.
Então o povo gritava:
— Longa vida aos que nos governam; que os vossos dias se multipliquem na terra!
— Que a riqueza, o luxo e a abundância nunca vos faltem!
— Viva aos reis da terra, pois não há entre nós quem se compare a vós!
— Que os antepassados vos protejam das desgraças deste mundo!
Cada um bajulava da melhor forma, na esperança de ganhar a atenção e o reconhecimento deles. Elogiavam, veneravam e presenteavam aqueles que os oprimiam, intimidavam e matavam.
Ainda assim se curvavam em adoração e exclamavam:
— Viva! Viva! Viva aos reis da terra!
— Viva! Viva! Viva aos que nos governam!
— Viva! Viva! Viva aos que nos orientam!
Os poderosos, então, criaram leis que os protegessem daqueles que mais necessitavam de proteção, para que permanecessem aquecidos no trono do poder, enquanto o povo continuava cego rumo à decadência. O cheiro sanguinolento de suas atrocidades chegava até aqui embaixo. Eu ouvia o choro dos inocentes subjugados ao martírio. Sentia o grito de socorro de mulheres violentadas pelos lordes. Sentia o desespero dos maridos assistindo ao sofrimento de suas esposas.
Nada me vinha à mente senão o ódio ao escrever:
Morram, miseráveis. Vós que governais sobre a penúria dos mais vulneráveis; vós que julgais o futuro de uma criança ainda no ventre da mãe; vós, poderosos que proclamais hipocrisia diante do sangue derramado por milhares de mártires. Vós que vestis túnicas de ouro, sapatos de prata, mitras de diamantes, cintos de escarlata e colares de esmeralda: saciai o gosto da opulência enquanto vos resta tempo. Comei e bebei enquanto o galo ainda não cantou. Dançai e alegrai-vos das vossas atrocidades.
Pois a vingança está às portas daquele que bate. O meu espírito perseguirá os injustos e não cessará a busca até que todos sejam consumidos. Morram, malditos. Arrepender-se-ão de não me terem enterrado. Eis que venho sobre vós com uma espada de dois gumes para completar a minha ira e derramar sobre vós a minha justiça. Vós que comeis sobre a desgraça dos pobres tereis as entranhas cheias de dor e angústia. E vós, ó plebeus, por serdes cúmplices dos opressores provareis também a desolação de tudo aquilo que construístes com músculos abatidos. Preferistes aplaudir aqueles que vos oprimem e condenastes aqueles que vos defendiam.
Quando a malevolência gritou, silenciastes a benevolência.
Que o castigo seja convosco. Que o tormento, a dor e a desgraça vos acompanhem até a sepultura.
Morram, corruptos. Trocais a justiça por moedas e jade. Deixastes que o brilho funesto da riqueza e o prazer transitório da concupiscência vos corrompessem. Escrevo-vos com o mesmo sofrimento que me fizeram suportar, com o mesmo tédio com que me lançaram nas sombras destas paredes escuras, com a mesma dor em cada dedo que perdi. Naquele momento, a sede de vingança, a ânsia pela justiça e o cansaço de continuar a escrever dilaceravam-se dentro de mim.
Afinal, quando a injustiça canta, os tolos dançam.
Quando a justiça fala, a sociedade censura.
Mas quando a verdade retalia, não há quem se desvie da sua cólera.
A ignorância torna os homens cegos à verdade; a ganância envolve-os com o manto da cobiça; o egoísmo conduz ao assassinato da guerra. E é aqui que nasce a injustiça dos homens: todos querem reinar sobre os outros; todos querem ser distintos dos comuns; todos querem ser senhores e receber o serviço dos servos. É aqui que nasce a indiferença dos homens: na criação de castas e estratos para evitar o semelhante — nobres e humildes, fracos e poderosos. Diz-se que a maioria vence sempre. Mas a lei pertence aos poderosos; o mundo é dos poderosos, daqueles que detêm a força.
Por isso, não importa a quantidade: diante da minoria rica e soberba, nem mesmo Deus pôde impedir que nos pisassem.
Carta VI — O Último Suspiro:
Últimas reflexões e legado
Já não me restam forças para continuar a escrever. Apenas um pequeno fôlego sobrou para que eu me lembre do quanto é bom viver. Já se passaram mais de quinze anos, e até aqui não recebi nenhuma visita: nenhum parente, nenhum vizinho, nenhum amigo. Como se todos se sentissem aliviados por se livrarem de mim, como se eu fosse um fardo. Não faz mal. Hoje deixarei a carne, mas não o mundo. O meu espírito continuará vivo — não num novo corpo, nem num novo hospedeiro —, mas na memória daqueles a quem estas cartas chegarem.
Nestes, o meu testemunho continuará a viver.
"Mesmo que lhes firam o corpo, não poderão matar o espírito. Mesmo que os prendam, não poderão silenciá-los da verdade".
Despeço-me deste corpo, desta vida. E, como injustamente me condenaram por não concordar com as vossas normas e por me punirem pelos meus pensamentos, farei com que os vossos próprios umbrais vos engulam de aflição pelo vosso cinismo e pela vossa hipocrisia. Que a vossa abundância e vaidade sejam reduzidas ao pó da terra.
Suspiro de alívio, embora carregue o fardo. Eis que chegou a hora de partir. Suspiro de paz, embora ainda exista ódio em mim. Que a terra se encha de justiça e que cada homem seja consciente de si mesmo. Pois nenhum homem pode condenar outro sendo ambos falhos. Nada nos dá o direito de punir o crime alheio quando não há quem puna os nossos.
Pergunto aos lordes:
— Quem dentre vós é digno de expiar o erro de outrem enquanto não reconhece os seus próprios? Se somos todos livres o que vos dá o direito de colocarem correntes nos nossos pescoços?
Todos nascemos livres, sem correntes, e ninguém espera que, após nascer, lhe coloquem cordas no pescoço.
"Cada ser humano possui uma vida e, por possuí-la, tem o direito de vivê-la."
Quem sois vós que nos quereis tirá-la?Porventura sois vós que a concedestes?
Eis o ponto da corrupção humana: todos querem ser soberanos, todos querem governar, mandar e dominar. Mas será que algum de vós já pensou em ser servo?
Se todos governassem, quem estaria subordinado? Por isso mesmo, não abuseis de quem vos dá um pouco de consideração como chefes. Pois só existe governo porque existem aqueles que vos obedecem. E, se ninguém vos obedecesse, duvido que as leis vos conseguissem proteger.
"Vós criais as normas, mas somos nós que as tornamos realidade."
Esta é a minha última carta. Gostaria tanto de escrever-vos mais, mas o sangue no meu corpo esgotou-se, e também o meu espírito. Já não restou papel; apenas um pedaço esquecido pelos antigos prisioneiros desta masmorra. Rogo-vos que guardem estas cartas com a vossa própria vida e que não as deixem apodrecer assim como eu. Não as deem de comer aos ratos, pois elas foram escritas com a carne deles. Não as entreguem aos soberbos, pois tenderão a queimá-las quando perceberem que elas ameaçam o seu poder.
"Não há arma mais delicada do que as palavras quando são capazes de transformar a consciência de um povo."
E eles não querem isso.
Não as vendam por moedas, pois nasceram da desgraça e foram escritas na miséria. Eis o meu último testemunho, o meu último pensamento para vós, e o meu último desejo:
"Uma morte livre vale mais que mil anos de vida escrava."
"Uma sociedade que censura uma opinião diferente daquela que defende é venenosa."
Não sejais hipócritas convosco mesmos.
Não sejais indiferentes à verdade.
Não sejais mornos: decidi-vos se sois frios ou quentes.
Não vos curveis para viver uma vida miserável diante daquele que vos oprime, censura e persegue.
Novamente, se alguém vos perguntar de quem é esta carta, respondei-lhes:
é de um Condenado.
Espero que aqueles que a encontrarem me conheçam um dia, do outro lado do mundo.
Adeus!
Enquanto Ainda Há Vento
Quando o vento já não encontrar caminhos
E o sol se despedir do próprio brilho,
Quando o som se dissolver no vazio
E o silêncio reinar absoluto...
O que restará da viagem?
Que respostas nos aguardam após a travessia?
Haverá preço a pagar pelo percurso?
Qual será o peso das escolhas
E o valor das nossas ações?
Enquanto o sol ainda aquece os dias
E o vento insiste em soprar,
Há tempo, precioso e breve,
De viver com verdade,
De semear o bem sem medida,
De caminhar leve, sem dívidas na alma,
E de fazer da jornada
Um caminho digno de memória.
Porque, ao final,
Não levamos o tempo,
Levamos o que fizemos com ele.
Izaias Afonso
A consciência que habita cada ser humano já traz consigo registros ancestrais, padrões cármicos e a inclinação natural
para evoluir.
Ela aprendeu a abrir as mãos
não por fraqueza
mas por sabedoria
Já não implora permanências
nem negocia o próprio valor
com aquilo que insiste em ir
A mulher que desapega
entende que segurar demais
é uma forma silenciosa de se perder
Então ela solta
com o mesmo cuidado com que um dia acolheu
Solta memórias que já cumpriram seu papel
solta expectativas que pesavam mais que sonhos
solta pessoas que não souberam ficar
E no espaço que antes doía
ela se encontra
Inteira
presente
leve
Porque descobriu que nada do que é verdadeiro
se desfaz com a liberdade
E que partir
às vezes
é apenas a vida reorganizando o que merece ficar dentro dela
“Quem já viveu os extremos não se perde na alegria nem se desfaz na dor; aprende a permanecer.” - Leonardo Azevedo.
“Houve um tempo em que, ainda criança, enxergava vastos universos. Mais tarde, já adulto, mal discernia o que havia diante de si. A mente, quando não conhece limites, revela mundos que a razão não alcança.”
“O amor não se mede em grandeza, mas em presença. Ainda que discreto, já carrega em si o poder de semear e florescer.”
O homem que vive entre ovelhas esperando tornar-se lobo não percebe que já aprendeu a aceitar o matadouro. Porque a ignorância cria presas; o conhecimento cria predadores.
Como é que um produto que nem chegou a pousar na prateleira do mercado já conseguiu subir de preço? Seja banana, tomate ou até uma bicicleta, a regra é simples. Deve ser talento ou magia?
Organização exemplar. O dono vende ou apenas faz de conta que está a vender? Porque o produto é dele, claro, e pode até pôr o preço que quiser… afinal, quem quiser compra. Ou não compra.
Não se pode brincar com a necessidade das pessoas. A sede e a fome não entram em negociações. E não esperam tabelas de preços a serem reinventadas.
O Tempo de Agora
Não olhes para trás com pesar ou saudade,
o que passou já escreveu sua história.
Guarda no peito apenas a verdade,
o amor que ficou e a tua memória.
O que foi dor, serve como aprendizado,
mas não deixes que te prenda ou te impeça.
Liberta o que já não está ao teu lado,
o mal se desfaz, o bem permaneça.
Quem partiu deixou sua marca e lição,
seja doce ou amarga, ficou lá atrás.
Hojo tu segues com fé no coração,
fazendo do presente a tua paz.
Tens em tuas mãos o poder da mudança,
a força que vence qualquer batalha.
Crê em Deus, crê em ti, mantém a esperança,
que o futuro se tece com o que hoje trabalha.
Vive intensamente esse momento,
sorrir, amar e florescer.
O mundo responde ao teu sentimento,
e a felicidade... já está em você.
"A minha mente?
Ou a tua mente?
Não sei...
Só a minha mente e o meu coração já não me pertencem de verdade."
"Depois de tudo o que vivi, de tudo o que o tempo levou e de tudo o que absorvi de outras pessoas, já não consigo distinguir mais o que é meu ou o que veio de fora. E no fundo, nem importa mais. Porque até o que restou — meus pensamentos e meus sentimentos — já não têm o mesmo valor, já não são realmente meus, já não trazem alegria ou razão. O tempo tirou tudo o que dava vida a eles."
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