Ja me Disseram q eu sou uma Mulher Incomum

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*Turma do último gole*

Sou da turma do último gole,
que seca o copo e divide a sede.
Da última briga, mas também do abraço,
que perdoa e refaz o laço.

Sou do último pedaço de pão,
que reparte mesmo com fome no coração.
E do primeiro beijo, trêmulo e certo,
aquele que marca e fica pra sempre aberto.

Num tenho muito, mas o que tenho é inteiro:
lealdade, palavra e amor verdadeiro.
(Saul Beleza,)

*Nossa Turma*

Sou da turma do Caicó, do Bié e do Pato,
do Bananinha que riem até no aperto e no trato.
Do Neguinho firme, do Bié Filho na prosa,
gente que divide o pão e nunca deixa à toa.

Sou da turma do último gole, da última briga,
do último pedaço de pão na mesa amiga.
E do primeiro beijo, que a gente nunca esquece,
porque quem ama de verdade, permanece.

Tem uns que já foram, mas vivem na lembrança:
Luiz César, Vanytur... eterna aliança.
In memória, mas presentes no meu peito,
porque amizade raiz não morre, faz efeito.

Essa é minha turma. Pouco luxo, muito valor.
Gente de palavra, de riso e de dor.
(Saul Beleza,)

Transbordo amor, como quem nasceu para sentir demais.

Sou ternura no gesto, doçura no olhar, sou paixão em cada detalhe.

Meu afeto não conhece meio termo, amo por inteiro ou sigo em silêncio.

Me encantas não pelo que mostras, mas pelo que tua essência revela.

— Priscila de Araújo

Posso parecer e por vezes sou, um amontoado de estilhaços, contudo, enquanto percorro a estrada tortuosa, recolho cada caco, cada fragmento que deixei cair, colando-os aos poucos até me refazer. Sei que a inteireza plena talvez não mais me pertença, mas nada do que um dia foi meu ficará pelo caminho.

O passado não me arrasta, me arma, não é peso, mas fundação, é raiz indestrutível da árvore que sou.

Sou ausência tão presente que domina o espaço e pesa no ar. Quanto mais me apago, mais insisto em permanecer, pois até no último suspiro o fogo se lembra de arder em si.

Não sou triste; sou um deserto onde a felicidade se perdeu como miragem. Caminho por suas areias quentes, carregando sede de algo que jamais tocarei. Cada passo levanta nuvens de lembranças secas, e o vento que passa parece sussurrar risos que não me pertencem. Aqui não há flores, apenas o eco vazio de promessas que evaporaram antes de nascer.

Ninguém me entende, sou rascunho com letras ilegíveis, pareço instrumento desafinado, um piano com cordas quebradas, emudecido num canto.

Sou feito de marcas, mas cada cicatriz é sinal de vitória.

Cada cicatriz é prova viva de que sou mais forte do que a queda.

Perdi espectros do que fui; ganhei a clareza do que sou. Carrego menos bagagem, mais propósito. O amanhã já tem nome.

Sou o que não se doma, um cavalo errante, um verdadeiro Mustang selvagem, meu destino não se escreve em linhas, ele não tem selas,ele nasce no horizonte inalcançável.

A dor me deixou calibrado, minha sensibilidade escolhe a resistência, sou resistente por opção.

Venci porque quis mais do que temi, minhas decisões não esperam permissão, sou autor da minha passagem.

Cada perda foi lição que adotei, ensinar-me tornou-se tarefa de respeito, sou aluno e mestre do mesmo tempo.

Cada recomeço me fez mais inteiro, as quebras costuraram-me com nova trama, hoje sou a soma de todas as reconstituições.

Quando a sorte faltou, inventei processo, o processo substitui a sorte com hábito, hoje sou fruto dessa construção.

A confiança que construí é arquitetada, não deposito tudo no acaso, sou pedreiro de certezas.

A fé que me move é tangível, trabalho, rima e rotina, não espero milagres sem esforço, sou artesão da própria sorte.

Sou entulho empilhado, fragmentos sem forma. Às vezes, tapo buracos, nivelando terrenos alheios. Às vezes, sou relíquia de um tempo em que servia a algo maior. Mas o outrora passou, e em mim só restam vestígios.