Ja me Disseram q eu sou uma Mulher Incomum
Sou um mosaico de tentativas imperfeitas. Nenhuma foi o bastante, mas todas foram entregues com a honestidade de quem tentou.
Sou confidente da madrugada, ela é a única que aceita minhas versões sem filtros, meus colapsos e minhas confissões inconfessáveis.
Sou um colecionador de perguntas sem respostas. Continuo indagando porque o silêncio total seria o início da minha rendição.
Sou um pedido de socorro que se transmutou em literatura para não ser um fardo e, assim, garantir sua própria sobrevivência.
Sou o resultado de mil falhas honestas, nenhuma foi covardia, todas foram passos em falso de quem buscava a luz.
A folha de papel é o único tribunal onde sou inocente, onde posso desabar sem julgamentos e ser fraco sem ser corrigido.
Sou vítima de cenários hipotéticos, sofro por tragédias que minha mente cria com a perfeição de quem já viveu o pior.
Sou a exaustão com verniz de eloquência. Posso falar bonito, mas o cansaço continua sendo a base de cada palavra.
Sou o somatório de insônias, esperanças remendadas e a vontade absurda de continuar, apesar de todos os prognósticos.
Sou feito de insônias e cafés frios, de orações sussurradas para um teto que nem sempre responde, mas que serve de anteparo para os meus medos. A fé é esse diálogo com o silêncio, onde a resposta não é uma voz, mas a força para aguentar mais um dia.
Sou como um canto que nasceu livre, mas aprendeu cedo o peso invisível das próprias grades, não as que se veem, mas as que se sentem no fundo da alma. Há em mim um desejo antigo de voo, desses que não pedem destino, apenas horizonte, mas que se desfazem toda vez que a lembrança me puxa de volta. Minha liberdade mora longe, talvez no tempo em que o peito ainda não conhecia o silêncio imposto pela dor. E mesmo assim, continuo cantando baixo, como quem tenta não esquecer a própria essência, ainda que tudo ao redor insista em aprisioná-la. Porque existem almas que nasceram para o céu, mas aprenderam a sobreviver dentro de gaiolas feitas de saudade.
- Tiago Scheimann
Sou feito de silêncios mal resolvidos. De palavras que nunca tiveram coragem de nascer. De sentimentos que aprenderam a se esconder para continuar existindo. E, mesmo assim, dentro desse caos contido, há algo em mim que insiste em não desistir.
Não sou inteiro. Sou feito de remendos, restos, reconstruções e adaptações. Mas talvez seja justamente essa imperfeição que me sustente. Quem já se quebrou aprende a voltar de outro modo. E seguir, às vezes, é isso: refazer-se com o que sobrou.
Escrevo porque há dores que não sabem gritar, apenas se transformam em palavras. Sou feito desse homem que sofre, observa, reza, recorda e continua, convertendo abandono em linguagem e fragilidade em algo que o tempo não consegue destruir.
Sou feito de memórias que não passaram, de orações que ninguém ouviu e de batalhas que quase ninguém viu. Talvez por isso minhas palavras carreguem o peso sereno de quem aprendeu a transformar
Não sou contra um Estado nuclearmente armado por ser pauta da esquerda, nem contra o armamento civil por ser pauta da direita. Sou contra o armamento inconsciente, por ser cristão.
Sou muito da poesia, mas se a vida me empurrar para a artilharia,
jamais vou me furtar.
Porque há em mim uma inclinação natural para as palavras que curam, para os silêncios que acolhem e para as metáforas que ajudam o mundo a respirar um pouco melhor.
A poesia, afinal, é o território onde a sensibilidade ainda tem cidadania e onde a humanidade tenta se lembrar de si mesma.
Mas viver não é apenas contemplar.
Há momentos em que a realidade deixa de pedir versos e passa a exigir coragem.
Momentos em que a delicadeza, sozinha, já não protege quase nada — nem a dignidade, nem a verdade, nem a própria vida.
Nessas horas, permanecer apenas na poesia pode ser confundido com ausência, e silêncio pode parecer concordância.
Não porque a poesia seja fraca, mas porque existem tempos em que até a beleza precisa aprender a defender-se.
E nem se trata de abandonar a poesia, mas de compreender que ela também pode vestir armadura quando necessário.
Que quem cultiva sensibilidade não está condenado à passividade.
E que defender aquilo que dá sentido à vida também é uma forma de honrar tudo aquilo que a poesia sempre tentou dizer.
Ser da poesia é escolher, sempre que possível, o caminho da palavra antes do confronto.
Mas é também saber que a dignidade não pode ser permanentemente desarmada.
Porque quem ama profundamente a vida não luta por amar guerra — mas para que ainda exista mundo suficiente onde a poesia possa continuar respirando.
Sou favorável à Democracia e contrário ao Conservadorismo, ao Patriotismo e ao Cristianismo igualmente Fabricados.
Não porque toda forma de Conservadorismo seja necessariamente ilegítima, nem porque amar o próprio país ou professar a fé cristã sejam, por si mesmos, problemas.
O que me inquieta, e muito, é outra coisa: quando essas palavras deixam de nomear convicções e passam a funcionar como Produtos Ideológicos cuidadosamente embalados para despertar medo, orgulho, culpa e até obediência cega.
Há um Conservadorismo que nasce da prudência, da experiência e do desejo de preservar aquilo que possui valor.
Mas existe também um Conservadorismo Fabricado, que transforma qualquer mudança em ameaça, qualquer questionamento em afronta e qualquer tradição em argumento de autoridade.
Nesse terreno, conservar deixa de significar cuidar do que merece permanecer e passa a significar simplesmente impedir que o mundo seja diferente.
Há também uma diferença entre amar um país e transformar o Patriotismo em instrumento de mobilização.
O Patriotismo Fabricado não pede apenas que amemos a terra onde nascemos; exige demonstrações públicas de lealdade, cria inimigos internos e externos e, muitas vezes, transforma símbolos nacionais em uma espécie de salvo-conduto moral.
Como se uma bandeira pudesse substituir uma consciência e um hino pudesse dispensar o Pensamento Crítico.
E há o Cristianismo Fabricado: não necessariamente aquele que nasce da fé, da espiritualidade e da busca sincera pelo Evangelho, mas aquele que é moldado conforme conveniências políticas.
Um cristianismo que fala muito de moral e pouco de misericórdia; que condena com facilidade, mas perdoa com dificuldade; que se preocupa mais em controlar comportamentos do que em interrogar a própria consciência.
Talvez o problema não esteja nas palavras — Conservadorismo, Patriotismo e Cristianismo —, mas na facilidade com que podemos esvaziá-las e preenchê-las com aquilo que desejamos que elas legitimem.
A Democracia, por sua vez, exige algo muito menos confortável: a possibilidade de convivermos com aquilo que não somos.
Ela não exige que abandonemos nossas convicções.
Exige que reconheçamos que nossas convicções não nos concedem propriedade sobre a verdade, nem autorização para retirar do outro o direito de existir, discordar e participar da vida pública.
Por isso, talvez seja necessário desconfiar das identidades que chegam prontas demais.
Daquelas que oferecem respostas antes das perguntas, inimigos antes do diálogo e certezas antes da reflexão.
Porque toda fabricação ideológica precisa de consumidores.
A Democracia, ao contrário, precisa de cidadãos.
E talvez a maior defesa da Democracia não seja escolher uma tribo para combater outra, mas preservar em nós mesmos a capacidade de pensar antes de pertencer, questionar antes de obedecer e compreender antes de condenar.
No fim, uma Sociedade Livre não é aquela em que todos pensam — ou acham que pensam — da mesma maneira.
É aquela em que ninguém precisa deixar de pensar por conta própria para poder pertencer.
0283 "Sugestão sobre o que fazer com seu Desânimo? Afaste-o de mim! Sinto muito, mas não sou do ramo. Então, procure especialistas!"
0287 "Ouvi dizer que 'Casamento Aberto' é a mais recente moda entre os Modernos.
Como sou Antigo, casamento tem que ser mais fechado do que boca de ventríloquo. E estamos conversados!"
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