Ja Amei e não fui Amada
O menino e o Lápis Mágico
Ele entrou na sala de aula. Seus olhos brilhavam e já foi logo dizendo:
— Olha, a tia diretora Juliana me deu um Lápis Mágico!
Ficamos felizes. Se ele está feliz, eu também fico. Se fica triste, continuo ali, respeitando o seu momento, mas procurando trazê-lo de volta ao lugar onde pode sorrir e fazer seus olhos brilharem novamente.
E foi em um desses momentos de fúria intensa, mesmo com as medicações, que ele quebrou o seu presente especial e o jogou no chão.
Quando voltou à razão e percebeu o que havia acontecido, veio o arrependimento:
— Como sou bobo... Sou muito bobão mesmo. Quebrei o meu Lápis Mágico e agora não vou conseguir fazer o dever.
Conversamos bastante sobre as suas ações, sobre autocontrole e amor-próprio. Depois pensei que talvez houvesse uma solução.
— Vamos lá pedir outro Lápis Mágico.
E o receio veio para nós dois. Não sei como funciona a segunda via de um Lápis Mágico. Se precisa de prazo, alguma documentação, assinaturas ou testemunhas... Mas vamos lá.
Pedimos licença, entramos, expliquei o problema exatamente como tudo havia acontecido, sem exagerar nem omitir nada.
Ela aceitou o pedido de desculpas, compreendeu toda a situação e prometeu que faria outro. Disse que levaria apenas alguns segundos.
Ele ficou ali, curioso, observando tudo, e eu saí.
Não queria perder a magia daquele momento. Preferia ficar com o suspense, imaginando as palavras encantadas, o pó de pirlimpimpim, talvez um pedaço de estrela, um pouco de poeira da lua ou alguns raios de sol.
Sim, eu queria guardar tudo isso sem perder o encanto.
E ele voltou, mais uma vez, com os olhos brilhantes, radiante, com um belo sorriso e cheio de esperança.
Sabíamos que aquele Lápis Mágico tinha as horas contadas.
Mas, naquele instante, isso já não importava.
O que realmente ficou foi a certeza de que o mundo ainda abriga pessoas capazes de entrar na fantasia sem medo de parecerem bobas, apenas para devolver o brilho aos olhos de uma criança.
Talvez seja essa a verdadeira magia.
Não a que transforma um lápis quebrado em outro novo.
Mas a que transforma culpa em esperança, lágrimas em sorriso e faz uma criança acreditar, mais uma vez, que ainda vale a pena sonhar.
E isso... não tem preço.
Edineurai SaMarSi
MATEMÁTICA DA VIDA
MATEMÁTICA × RELIGIÃO
Todo mundo sabe — ou, pelo menos, já teve algum conhecimento — de Matemática, mas passa a vida inteira sem, de fato, utilizar grande parte daquilo que aprendeu.
Na Matemática, nem sempre temos a oportunidade de usar Bhaskara, funções do 2º grau, o Teorema de Pitágoras, Trigonometria ou Geometria Plana e Espacial complexa...
Porém, na Religião, temos a oportunidade de praticar ou vivenciar todos os dias. Seja por meio de um sorriso, de um “bom dia”, de um gesto de carinho, de uma palavra amiga ou simplesmente apreciando a beleza viva ao nosso lado, o nascer ou o pôr do sol...
Talvez seja justamente o contrário: a RELIGIÃO é que é MATEMÁTICA.
Muitos preferem se fechar, criar uma bolha e andar por aí como se não existisse mais ninguém no mundo. E, assim como acontece com a Matemática, ela fica presa em um livro da época da escola, esquecida em algum lugar da vida.
A Religião também pode ser usada para assustar e controlar. Inventam histórias, criam enredos, alimentam traumas... E as pessoas ficam ou saem da escola, ficam ou saem da igreja, muitas vezes, por medo.
Mas talvez a verdadeira matemática da vida seja outra:
somar amor,
multiplicar gentileza,
dividir o que temos
e diminuir a dor do outro.
Porque, no fim, talvez seja essa a única conta que realmente importa.
Quando a Dor Pede Passagem
Uma história foi contada, e a pergunta veio ligeira,
como se já estivesse pronta para atacar.
Da boca de alguém que carregava a igreja no peito
e falava de Deus de boca cheia.
Perguntou-me, sem receio:
— E por que não com você?
— E... por que não comigo?
Foi tão inesperado que fiquei sem palavras.
Porque a resposta era simples e óbvia:
Nada daquilo deveria acontecer com ninguém.
Nem todas as minhas dores são minhas,
mas são pesadas demais para serem ignoradas.
Antes, eu achava que apenas fingia sentir a dor do outro,
como se fosse algo encenado dentro de mim,
algo que, aos poucos, mesmo no silêncio, ganhava forma.
Hoje, sei que não.
Não preciso encenar, porque essas dores realmente se tornam minhas.
Mesmo sem entender como, elas me alcançam.
Ultrapassam a realidade, ultrapassam a física...
e eu as sinto.
E, depois disso, torna-se impossível não fazer nada.
Impossível fingir ausência.
Porque a dor permanece aqui dentro, crescendo,
grande e intensa demais para que eu me faça invisível.
Então, eu vou.
Sem pensar muito, eu me entrego.
Coloco-me no lugar do outro.
Vou para a frente, para defender,
para que a justiça seja feita.
Existem situações que ninguém deveria viver.
E algumas pessoas passam pela vida apenas olhando.
Eu não consigo.
Quando a dor me encontra,
ela me pede passagem.
E, de alguma forma,
acaba me levando junto.
Edineurai SaMarSi
Comendo Caranguejo
Eu já tinha comido caranguejo em restaurante. Então, um dia, a família resolveu fazer em casa. Estavam todos comendo, e eu ali, apenas olhando.
Até que perguntaram:
— Você não gosta de caranguejo?
Eu: — Adoro!
Eles: — E por que não come?
Eu: — Estou esperando chegar na parte do peito.
(Cabeça = peito de frango, na minha lógica. 😂)
Todos começaram a rir muito e me explicaram que essa parte não se come.
Eu: — O quê??? Só se come isso?
A pessoa que inventou de comer caranguejo deveria estar com muita fome ou ser completamente maluca! Se eu encontrasse essa criatura, daria uma voadora nela! 😂
Agora estou morrendo de vontade de comer carne. Vou ali ver se acho uma vaca. 🐄😂
Não imaginam o quanto eu lamento a extinção dos dinossauros... 🦖
Aquilo que as palavras não alcançam
Tenho tentado escrever-te, mas as palavras já não me obedecem. Quanto mais procuro traduzir o que sinto, mais distante me parece a verdade que desejo alcançar. Os versos nascem, morrem no papel, e nenhum deles parece digno de ti.
É como se meu pensamento conhecesse um idioma que minha pena jamais aprendeu.
Às vezes, temo que, de tanto procurar uma maneira de expressar esse sentimento, eu acabe por torná-lo banal. Que aquilo que em mim é imenso se reduza a meia dúzia de palavras já ditas por tantos outros. E recomeço. Apago. Reescrevo. Até que o cansaço me convença a silenciar.
Mas tu permaneces.
Não nos versos que abandono, nem nas frases que julgo insuficientes, mas naquele instante em que me distraio de tudo e, sem querer, volto a pensar em ti.
Talvez minha maior tristeza não seja sentir tanto, mas não encontrar, em toda a vastidão das palavras humanas, uma que te faça compreender o que tua existência, tão alheia a este tormento, despertou em mim.
Há dias em que me perco no vazio,
em que o mundo pesa, e tudo é desafio.
Mas lembro que já venci tantas batalhas…
Desistir seria minha maior falha.
Jefferson Francica
A desculpa esfarrapada de que "o mundo já é assim mesmo" serve apenas para acomodar os que não querem fazer nada para melhorá-lo.
Reino do Desalento
Já percebi a tática dos predadores,
Mas não vejo a coragem dos caçadores.
Os contrutores não fortalecem a muralha, ela está cheia de buracos e falhas.
Os cadetes estão cheios de vaidade e orgulho, mas com atitudes fracas.
Os predadores sempre tomam algo, e os soldados e o povo se culpam entre si.
Matam e fazem escárnio daqueles se levantam, os rebeldes, os líderes de espírito elevado, os revolucionários.
Os inimigos sempre dominam e os aliados só levam esse título sem prática.
Divididos, vaidosos e orgulhosos no povoado de ruínas.
Um povo que se comporta e tem instintos de fera canina.
Que tem orgulho da glória e inteligência dos outros povos.
Mas odeia o seu próprio povo e fica inerte na destruição.
Nação que veste as túnicas da contradição,
Aquela que diz venerar a entidade divina da criação, mas adora a destruição.
- Ramile Godon
"Eu já tinha excluído seu número de um jeito que eu não pudesse mais encontrá-lo. Mas, sabe? Acabei encontrando-o no fundo do poço. Eu apaguei tudo, mas fui lá, no fundo do poço, e peguei de volta."
Rosimara Saraiva Caparroz
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Viver preocupado é como achar que Deus vai falhar.
Então se sinta grato sempre como se tudo já tivesse dado certo, porque Deus sabe o que faz...
Deus daí me, fortaleça minha fé para cumprir a tua vontade Paí.
Perazza .'.
Quando esta tempestade acabar, o peixe morrerá... Para já, deixe-o festejar nas águas dos surfistas, enquanto os pescadores clamam por bons ventos...
FANTASMA NO VAGÃO
Autor: Góis Del Valle
Já não sei dizer quanto tempo faz.
O prazo terminou, final de uma ilusão.
Não posso mentir pro meu coração.
Alimentar a velha dor, a dor de uma paixão.
Não sou mais o mesmo de ser.
Tinha que morrer pra renascer.
Todo tempo é pouco pra viver a
esperança de sentir um novo amor,
nova paixão. Viver feliz é ser feliz com
o seu novo amor.
Não me importo mais com os fantasmas
no vagão, perdidos pela noite em vão, soprando
minha vela então. Não posso mentir, talvez
admitir, alimentar a velha dor... A dor de uma paixão.
Não existe remédio para o erro do passado, pois ele já cumpriu seu papel de ensinar aquilo que só a dor foi capaz de revelar.
Mesmo diante dos caminhos já desenhados, o ser humano cria os seus próprios e deixa marcas visíveis por onde decide passar.
