Isso Ja Nao me Pertence mais

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Não haverá, entre um espírito que abarrota de invenções alheias e outro que inventa por si próprio, a mesma diferença que vai de um recipiente que se enche de água à fonte que a fornece?

Não procures proveitos desonestos, os proveitos desonestos são perdas.

A vida é pobre demais para não ser também imortal.

Não há cinquenta maneiras de combater, há apenas uma: a do vencedor.

Não sei como é a vida de um patife, nunca o fui; mas de a de um homem honesto é abominável.

A verdade pode ser interessante, mas não é indispensável.

O egoísta, embalsamando-se a si mesmo, transforma-se numa múmia, que não sente a dor, mas que não goza a alegria.

A diferença do sucesso ou não sucesso está dentro da gente. Está na forma como nós pensamos, na forma como nós agimos.

O talento não é um direito, é uma obrigação.

Dinheiro, s. Uma bênção que não nos traz vantagem excepto quando nos separamos dele.

Não seria maravilhoso se a nossa mente roncasse como o nosso estômago faz quando está com fome?

O grande prazer que nos dá falarmos de nós próprios deve fazer-nos recear não darmos nenhum aos que nos ouvem.

Não há ofensa que não perdoamos, depois de nos termos vingado.

Quem não acredita no juramento alheio sabe que é capaz de jurar em falso.

O prazer em si não é vício.

No fundo, talvez o problema da pátria não passe de um problema de linguagem! Onde quer que se encontre, aonde quer que vá, o homem continua a pensar com as palavras e com a sintaxe do seu país.

Um banco é um lugar que te empresta dinheiro se conseguires provar que não necessitas dele.

Dinheiro não traz felicidade: manda buscar.

Pois bem, que é que o autor coloca nos seus livros? O que ele não é e gostaria de ser, como nos sonhos. Os livros são desejos recalcados, atos falhos.

Não querer associar-se senão com aqueles que aprovamos em tudo é uma quimera, é mesmo uma espécie de fanatismo.

Émile-Auguste Chartier
ALAIN, Propos: Texte établi, présenté, et annoté, Gallimard, 1970