Isolamento
Alguns irmãos, são irmãos de ninguém...
Via ele, com e desejos de bem e alegria
Um arco-íris de mil cores atravessado no olhar
Dos irmãos que, naquele tempo, sabiam amar
Os pais, cuidavam de entregas e bem cuidar
Na dança dessa vivência, não cabiam verbos
Como abandonar, silenciar, machucar, desamar
Mas sim, doar, acolher, agasalhar, aprender, ensinar
Exemplos de escrúpulos, bravuras e bem semear
O tempo passante e implacável trouxe consigo
Decretos àquela numerosa família, que unida era
A opção de cada um construir seu território
E no umbral, talhado gravou: “Não entres. Virtudes ausentes!”
Menino de camiseta azul que sonha em tocar o céu e viajar até o sul, vive por aí sonhando acordado e esperado o destino lhe trazer o motivo de viver e então parar de sofrer, sofrer por quem não se lembra dele, sofrer por quem não quer seu bem. Vamos garoto, levante-se, renasça e ame-se.
José, José, menino de tão pouca fé, mas o que será que ele quer? O mundo está aí para ele, mas ele não se anima a se aventurar da cabeça aos pés.
Se acovarda
Se esconde
Desrespeita
Não aceita
Repulsa
Retruca
Se cala,
Ou fala.
Ignora
Comemora
a dor dos teus irmãos
Egoísta
Imprudente
Segue firme
Inconsequente
Não obedece
E se esquece
Consciência
não se limpa
Apenas
lavando as mãos
"Trocamos os locais cheios de gente por casas cheias de nós, os volumes altos por nossa voz interior e essa mudança de comportamento simplesmente, se relaciona com o que nos transformamos."
Aqui estou eu, abaixo das minhas muralhas,
Consigo ouvi-los daqui.
Aqui estou eu, abaixo das minhas muralhas,
Consigo senti-los daqui.
Aqui estou eu, abaixo das minhas muralhas,
Consigo vê-los daqui...
Aqui estou eu, construindo as minhas escadas...
É quarentena e um vírus voa lá fora, invisível! O mundo parou em 2020. Muitas frases de efeito filosóficas já circulavam pelas redes sociais antes disso, mas agora, as pessoas procuram compartilhar aquelas que propõem profundas reflexões e mudanças: nos outros.
Estamos sempre esperando que o mundo ao nosso redor fique perfeito mas não mudamos a nossa própria estrada torta.
Vivemos em trilhas improvisadas a benefício do imediato, do bem viver hedonista, da aparente vida perfeita separada pelas traças que mantemos por trás das cortinas que encobrem a nossa intimidade, a nossa verdade tão necessitada de reparos pessoais.
A asas da tecnologia nos permitem alcançar janelas espirituais e culturais com fortes apelos à transformações mas eu não sei se o ser humano está acordado ou vive em sonambulismo profundo. Talvez estamos recebendo apenas mais uma pressão a um sono turbulento que vivemos.
O que precisamos mesmo neste momento é acordar. Ninguém consegue realizar coisa alguma em sono profundo. Como poderíamos promover mudanças de qualidade?
Acordar torna-se neste século o ponto de partida. Inibir os passos que seguem as multidões em manadas de fúria, embaladas pelo vazio.
Acordemos!
Depois, quem sabe, conseguiremos alcançar alguma racionalidade.
Agora as máscaras vendam a boca, abafam os sorrisos, as falas...Mas os olhos estão sendo obrigados a nos comunicarem muito mais sobre o mundo, sobre quem realmente somos quando algumas luzes se apagam.
(Durante o isolamento mundial de 2020)
Essa coisa de quarentena está me deixando louco. Acordei na segunda feira achando que era quarta, fui olhar no relógio e descobri que era sábado.
2020 – UM ANO PARA SE ESQUECER OU ADOTÁ-LO ENQUANTO PARÂMETRO DEFINITIVO?
* ZILMAR WOLNEY AIRES FILHO
As advertências estavam lá no Código Divino: “Estejais prontos!” Do mesmo canteiro de lições gratuitas, também está jungida a reflexão sobre as catástrofes, mortes coletivas, ponderando as suas existências, para renovação, mudança, evolução da humanidade.
De certo, é que havia um modus vivendi, onde diversas pessoas estruturaram suas teias habitacionais e relações pessoais revestidos por uma bolha virtual. Daí em diante, horas intermináveis em sítios e redes sociais ao arrepio da ideal alimentação, e do mínimo acondicionamento físico. Reconhece-se, com pesar, que os diálogos eletrônicos atropelaram o interagir presencial com pessoas e natureza.
Outrossim, num factício dia, sob a auréola de nuvens escuras e baixas temperaturas, a atmosfera dos laboratórios chineses deslizava, de forma silenciosa e fatal. Talvez, numa estratégia de disputa por fatias do mercado. De modo, que no ar ficou o rastro do corona vírus pelas cidades, estados, países, continentes, dizimando vidas, populações. Alguns sobreviventes, para evitar o contágio; outros, já imunizados pela resistência, para evitar a disseminação; se autoflagelaram num regime de prisão domiciliar.
Neste lado de quarentena e isolamento social, muitas pessoas redescobriram que possuíam uma família, esposa, filhos, pais, irmãos, tios, avós, e que necessitavam interagir com esses. Constataram que havia um quintal com plantas, aves, cães, gatos, um céu azul cheio de estrelas e um sol radiante de energia sem ônus. Atinaram, enfim, que o pequeno espaço físico do lar servia para inúmeras ocupações e atividades, inclusive para caminhada e até o ofegante teletrabalho.
Em tempo de reflexão, volvendo o olhar para o que ficou para trás, depara-se com a geração dos anos 60, e o sonho de liberdade da sua juventude. Rememora a paz e o amor dos hippies cabeludos e os festivais Woodstock nos anos 70. Finalmente, extasia-se com a fartura e riqueza cultural insuperável dos anos 80. Logo após, houve um hiato, um vazio em inúmeros aspectos e circunstâncias, salvo pontuais exceções. Acredita-se que o eclipsar dessa ausência de cultura e arte por tantos anos, submete-se agora a um veredicto de juízo final apocalíptico no Tribunal da Pandemia do Corona Vírus. As premissas, álibis, teses se articulam na perspectiva de questionamentos, tais como: O que fizemos? O que produzimos, nestes anos todos? Será que apenas copiamos, plagiamos? Só fizemos leituras sintéticas, rápidas, de conteúdos rasos? O que retivemos neste longo interregno das relações virtuais sob a viatura da internet?
Nos meados do ano 2020, o grito de Silvio Brito nos anos 70 ainda ecoa: “Parem o mundo que nós queremos descer!” O roqueiro Raul Seixas já profetizava, sobre o silêncio nas ruas, comércio fechados, num dia em que a terra iria parar. As pessoas ressentem, enfim, que a respiração ofegante não alcança a velocidade de celulares e computadores de última geração. Os cidadãos não querem tantos títulos e nem tampouco super-heróis de netflix. Necessitam apenas dos préstimos da enfermeira, do médico, do padeiro, do lavrador, do gari, da faxineira, esses heróis do sermão do monte, legado insuperável da ética cristã.
As estatísticas de milhares de mortes diárias constituem o parâmetro definitivo do ano 2020. Em quem acreditar? Nas gestões, governos, políticos, que ostentaram tanto poderio em material bélico, mas não detinham o mínimo de estrutura hospitalar e medicamentos, nem tampouco pesquisadores, cientistas, para prevenir e combater o Covid-19. A saúde e os investimentos em pesquisas e estudos científicos relegados a segundo plano expuseram a estupidez dos administradores públicos que preferiram os investimentos maciços em material bélico e conquistas de territórios para garantia de petróleo.
A reflexão que se chega ao final é que jamais seremos os mesmos, e nem tampouco teremos o parâmetro daquilo que fomos ontem, amiúde pela inexistência de registros de um tempo que se pautou pelo predomínio do fútil e descartável. Aquilo que poderemos ser no futuro, em nível de gente, constitui uma incógnita. Certamente, haverá uma longa marcha de desconfianças, suspeitas, incredulidade.
Espera-se, não obstante, que o ser humano novamente volte a confiar, assim como a palmeira confia nas abelhas, colibris, e ventos de julhos, conduzindo o pólen das árvores vizinhas para fecundar seus frutos. Assim como o chão árido espera e acredita pelo regresso das primeiras chuvas para engravidar o solo e gerar novas sementes.
Há apenas duas formas de ficar completamente sozinho neste mundo: perdido na multidão ou em total isolamento.
Precisou vir um vírus para nos lembrar da importância de um simples abraço e de uma conversa pessoalmente entre amigos.
Precisou uma pandemia para nos fazer valorizar o nosso lar, um momento em família, nossa reconexão com quem mais amamos.
Nesse momento de necessidade de resguardo, temos a oportunidade de renovarmos e fortalecermos nossos laços mais íntimos.
É tempo de desacelerar. De olhar em volta e dar valor para as coisas mais simples e preciosas da vida.
Que desse caos, brote a humanidade nos corações egoístas e maldosos.
A todos nós, que fique a lição: Não somos máquinas, nem semideuses.
Somos frágeis. Somos pó.
E nossa casa não é uma prisão. Prisão é ter de respirar através de um aparelho, sem saber se haverá a chance de ao menos um adeus.
Os que podem ficar em casa, fiquem por aqueles que não podem.
Os que não podem, se cuidem o quanto puderem.
Vamos conter esse vírus!
Que a distância nos ensine o valor das coisas simples que hoje estamos com receio de fazer: abraçar apertado, dar aquela boa crise de risos com os amigos. Aviso logo que aquelas reuniões chatinhas de família e de trabalho vão fazer falta, se já não estiverem fazendo. O amigo que você liga e encontra quase que sem pensar, ou aquela ida à padaria próxima, o tão falado “vamos ali tomar um café”. Nossa, tanta coisa simples deixando de ser simples. No fundo, não passa daquela velha máxima: é preciso perder para dar valor ao que se tem. E adianta frase ou provérbio? Só quando sentimos acreditamos!
Crônica O VÍRUS QUE CONTAGIOU
O silencioso casal conversou.
O desligado amigo ligou pro outro.
Os vizinhos do prédio se conheceram.
Deu saudade da família.
A gentileza contagiou.
A fé se fortaleceu.
E de repente um isolamento social aproxima os que estavam distantes. Pessoas. Sentimentos.
Reconecta.
Nos faz refletir vulnerabilidades.
Nos faz pensar a empatia.
Nos faz valorizar a vida.
Mas, sobretudo, nos faz enxergar:
dentro de casa,
o outro lado da moeda (capitalista),
adentro.
Hoje você cuida de si.
Hoje você cuida dos seus.
Hoje você fica em casa.
Num amanhã a gente se abraça.
Cuidem-se!
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