Isolamento
Quando recebi o diagnóstico positivo, uma infinidade de sentimentos me invadiu, e um dos maiores medos que senti foi o medo de ser rejeitado. Eu temia que as pessoas se afastassem de mim, que me julgassem, que tivessem medo de se aproximar e de me tocar. Também tinha medo de perder a minha autonomia, de não poder mais fazer as coisas que eu gostava ou de precisar depender dos outros. Além disso, tinha receio de que a minha vida profissional fosse prejudicada, de que as pessoas não quisessem trabalhar comigo ou de que eu perdesse oportunidades por conta da minha condição de soropositivo. E, por fim, o maior medo que eu senti foi o medo de morrer, de não ter mais tempo para viver os meus sonhos e de deixar as pessoas que eu amo.
Todos esses medos foram difíceis de lidar, mas com o tempo, aprendi que não podia deixar que eles me dominassem. Fui atrás de informações sobre a minha condição, busquei apoio em grupos de ajuda, e fui trabalhando minha autoestima para não me sentir inferiorizado em relação aos outros. Aos poucos, fui me adaptando à nova realidade, e percebi que ainda tinha muitos sonhos a realizar e muitas coisas para viver.
Se você está passando por isso, saiba que é normal sentir medo e insegurança, mas é importante que você busque ajuda e informações para lidar com a situação. Não deixe que o medo te paralise, e lembre-se sempre de que você é capaz de viver uma vida plena e feliz, mesmo com a condição de soropositivo.
A Professora e a Bailarina
A professora e a bailarina
São duas figuras importantes
Uma delicada com as palavras
Outra com movimentos elegantes
Durante a pandemia
Nasce um sentimento conturbado
A professora é que mantém vivo
O mundo do qual estamos isolados
A distância e o pé da bailarina
Neste isolamento como doem
Mas a esperança é como o fim de um espetáculo
Onde os aplausos espantam qualquer dodói
A professora com fervor
Todos os seus alunos ela ama
Agora isolada com sua câmera
Seu coração de saudade emana
A professora e a bailarina
É uma combinação feliz
Levantando os braços e apontando
Tudo o que sabem com gestos gentis
As LIVES e os trabalhos da professora
São importantes para nossa educação
Pois juntas constroem nosso futuro
Com cultura, amor e dedicação.
(Autores: Membros da Família Vinho)
Agora me vou para minha triste solidão, onde estou rodeado por todos, mas no meu âmago, estou só. Afogado num mar de sentimentos, preso numa cela de pensamentos. Meu coração dói e meu mundo se corrói, enquanto lá fora a chuva cai e o vento sopra, fico aqui ouvindo a infinita ópera que se tornou o meu pranto, e que hoje eu me espanto, mas que já não posso abandonar, pois, aqui, nesta cela escura e fria, aqui é o meu lar.
Ficamos alterados com a pandemia: ansiedades, expectativas, retenções... até mesmo as pessoas mais serenas e que não deixam transparecer movimentos sofreram dessa mutação. Mas serviu também como lente de aumento: os carinhosos ficaram ainda mais amorosos, os caridosos e empáticos se lançaram aos necessitados sem sonegar uma gota sequer de amor e esse calor aqueceu o coração dos mais apáticos. Os maus? não tive tempo com eles, em alguns momentos, apenas desviei....
2020
O ano em que não só aprendemos a tirar os sapatos, mas a deixar impurezas e preocupações do lado de fora.
2020
O ano em que não só fizemos distanciamento social, mas aproximamos corações e mentes a favor da vida.
Qualquer um que assuma sua missão com a seriedade devida, e contra todo tipo de força, é um voluntário para o "inferno", pois passa por isolamento, inveja, crítica, insegurança, etc. Qualquer um que tenha feito algo relevante neste mundo passou por isso.
Em dias de pandemia, não estaríamos todos nós, isolados socialmente, tendo agora a oportunidade, talvez a única, de refletirmos sobre aquilo que nós somos de verdade, sobre aquilo que queremos de verdade a fim de nos realizarmos plenamente? A grande maioria dos seres humanos passa por toda uma existência vivendo a vida escolhida por fatores ou por pessoas de fora - e deixando cada vez mais de lado aquilo que efetivamente se deseja ser, suprimindo a real essência da vida na mais profunda escuridão claustrofóbica de seu próprio espírito.
pandemia
é o contágio em massa
dos vazios de coração
enquanto uns se entregam
ao álcool
para se prevenir do vírus da dor
outros se isolam
por temer o amor
mas a pior parte
é ter que identificar
quem é quem
por trás das máscaras
Quarentena: dia 431
O recado do tempo é desacelerar: se a pademia tivesse durado apenas seis meses ou um ano eu teria retornado "ao normal" como se não houvesse amanhã, tirando o atraso do isolamento, talvez.
Fique Zen, adapte ao seu "né me quitte pas" ou se deixe raptar para uma cama boa.
Mas, o que fazer com as bactérias em formato humano que ficam mais evidentes e fazem par com o vírus pandêmico espalhando dissabores? escolha não associar-se a eles, modo soneca neles até que se autodestruam, fodam-se entre si, redundatemente, os maus darão sempre no próprio peito o último tiro. Paciência!
Não é sobre cessar fogo, é sobre nunca ter dado o primeiro ou segundo tiro e apenas desviar-se dos ataques.
A solitude é o azimute da vez e é preciso ficarmos bem de corpo, mente, consciência e alma consigo até que venha a nova era pós pandemia, com novas surpresas.
Só por hoje atraversiamo, acreditando na loucura da alegria e da paz, com ou sem voz!
Um deserto se esculpiu em meio ao mundo. Isolados; entramos por vias escarpas e escuras como num abrigo. Descobrimos em nossa alma toda força... também nela, nosso maior inimigo.
Mesmo tentando, nem sempre conseguem enxergar os dois lados da moeda.
Afinal, o de cima brilha, tem uma bela cor e possui um desenho mais elaborado. Já o outro lado, é mais escuro, difícil de se enxergar, seu brilho já está fosco e sua estrutura é envelhecida, apagada e deformada.
Pela beleza do lado de cima, só enxergam ele, esquecendo completamente que o outro também existe, também sente e também se importa.
Possui sua história, afinal, tudo que possui uma história carrega suas marcas, as cicatrizes e as feridas do passado que muitas vezes ainda não estão coaguladas.
Essas feridas gangrenam, ardem, machucam e cortam aos poucos o coração do lado de baixo, que com esse isolamento só se enferma cada dia mais.
Pouco a pouco, a cada dia mais, em cada segundo, só se aproxima mais de um abismo, que nunca mais sairá.
E nele, o lado de baixo sempre se encontrará, sozinho, desolado e triste.
Mas esperançoso que um dia as trevas não o cercarão mais, e que um novo capítulo, sua vida proporcionará.
Nele, o lado escuro será lapidado, tomado de luz e adoração. Pela primeira vez será adorado e valorizado como sempre sonhou, nunca mais o irão excluir, isolar e ignorar. E dessa forma, sua vida finalmente vingará aos que o deixaram para baixo, proporcionando felicidade ao lado de baixo, que agora é o brilhante lado de cima.
Quando viajamos em matas abertas de natureza simples, os sentidos mais profundos são os olhos, deixa a mente livre de pensamento, para contemplar o belo da criação, convictamente nos convidará a olhar as chaves mais secretas da mente e interioridade, e nós de mantra da liberdade sentiremos o calor de uma sensação nunca vivida, porque estávamos habituados a seguir o fluxo do barulho da sociedade que atemoriza o projeto da paz.
Pandemia dia 754:
Até aqui, desde 16/03/2020, já foram dois anos e seis dias com o corona vírus circulando mundo afora.
Continuamos mascados, mas estamos menos assustados, já que a vacinação, a máscara e o álcool em gel juntos reduziram as fatalidades e as contaminações estão baixando.
Sigo acreditando que este será o último ano!
Com muita Fé em Deus, confiança na ciência e apoiados por autoridades que barram e combatem o negacionismo, movimento que tenta ignorar (soando aliado) do vírus e gratidão a todos que se esforçaram para minimizar o sofrimento das pessoas na pandemia: profissionais de saúde, motoboys, setor de alimentação pronta, supermercado, farmácias.
Agradeço também aos nossos artistas que amenizaram a nossa tristeza com a sua arte.
A quarta repete a segunda, que foi igual ao último domingo, que será igual a semana toda.
Na quarentena todo dia a gente luta com essa rotina entre quatro paredes...
A Porta:
Acordei com mais uma notícia sobre amigos que se foram por infecção de corona vírus.
De forma literal, hoje, eu só queria ter acordado e conseguir abrir uma porta qualquer e encontrar do outro lado aquele velho mundo, com aquele "corre corre" gostoso, com o barulho da segunda-feira que sempre abafa o silêncio de domingo à noite, voltar a ter a expectativa da quinta-feira pra dizer: sextou!
Do outro lado da porta, não quero mais acordar na quinta ou na segunda e achar que estou no sábado.
Quero acordar e ao olhar pela janela, ouvir o som do carro do ovo ou da pamonha, e reclamar, quem sabe, ou sorrir, ou descer pra comprar, se tiver algum dinheiro "trocado"...
Eu quero sair de casa preocupado apenas por ter deixado o guarda-chuva ou não ter trocado o sapato apertado.
Quero que a notícia daquele amigo sumido tenha sido por uma viagem de última hora, sem avisar para não dar carona. O outro, que sumiu do boteco, por causa da namorada nova. E aquela amiga que está se recuperando, nada demais ou grave, foi a sua quinquagésima reparação de Botox.
Volta vida normal!
Volta e vem dar serviço ao "zigomático maior", aquele músculo que trabalha para o sorriso. Ele dorme... e vem dá sossego aos outros músculos que expressam a tristeza e a ruga.
Eu quero abrir uma porta que dê para a nossa correria, uma porta por onde todos possam passar e do outro lado, enfim, a gente volte a respirar e se abraçar, sem máscaras, sem vírus.
Do outro lado, pode deixar o metrô lotado, do mesmo jeito de antes.
O elevador pode continuar parando em quarenta andares, eu não vou reclamar. E não esqueça de manter os chatos quando eu acordar feliz, aqueles que não respondem bom dia no trabalho e na rua...
Dia 371: Quarentena por corona vírus.
