Inventário

Cerca de 39 frases e pensamentos: Inventário

A gratidão é uma dívida que os filhos nem sempre aceitam no inventário.

⁠Conheça seu cônjuge no divórcio, seus irmãos no inventário, seus filhos na velhice, seus amigos na dificuldade.

⁠Não há nada como a rejeição para levar você a fazer um inventário de si mesmo.

✨ Às vezes, tudo que precisamos é de uma frase certa, no momento certo.

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IX de OS DOENTES

O inventário do que eu já tinha sido
Espantava. Restavam só de Augusto
A forma de um mamífero vetusto
E a cerebralidade de um vencido!

O gênio procriador da espécie eterna
Que me fizera, em vez de hiena ou lagarta,
Uma sobrevivência de Sidarta,
Dentro da filogênese moderna;

E arrancara milhares de existências
Do ovário ignóbil de uma fauna imunda,
Ia arrastando agora a alma infecunda
Na mais triste de todas as falências.

No céu calamitoso de vingança
Desagregava, déspota e sem normas,
O adesionismo biôntico das formas
Multiplicadas pela lei da herança!

A ruína vinha horrenda e deletéria
Do subsolo infeliz, vinha de dentro
Da matéria em fusão que ainda há no centro,
Para alcançar depois a periféria!

Contra a Arte, oh! Morte, em vão teu ódio exerces!
Mas, a meu ver, os sáxeos prédios tortos
Tinham aspectos de edifícios mortos
Decompondo-se desde os alicerces!

A doença era geral, tudo a extenuar-se
Estava. O Espaço abstrato que não morre
Cansara... O ar que, em colônias fluidas, corre,
Parecia também desagregar-se!

Os pródromos de um tétano medonho
Repuxavam-me o rosto... Hirto de espanto,
Eu sentia nascer-me n’alma, entanto,
O começo magnífico de um sonho!

Entre as formas decrépitas do povo,
Já batiam por cima dos estragos
A sensação e os movimentos vagos
Da célula inicial de um Cosmos novo!

O letargo larvário da cidade
Crescia. Igual a um parto, numa furna,
Vinha da original treva noturna,
O vagido de uma outra Humanidade!

E eu, com os pés atolados no Nirvana,
Acompanhava, com um prazer secreto,
A gestação daquele grande feto,
Que vinha substituir a Espécie Humana!

O teatro é o inventário mais humano que existe e, por aí, a melhor ilustração do ausente.

Inventário do que sobra


A vida caminha como um corte lento,
não sangra de uma vez,
apenas pinga,
gota após gota,
sobre o chão rachado dos dias.


O céu, cansado,
arrasta nuvens como quem arrasta correntes,
e o vento já não sopra para refrescar,
mas para lembrar que tudo se move
inclusive nós,
mesmo quando fingimos ficar.


O amor é um hospedeiro ingrato:
entra sem pedir licença,
revirando móveis,
quebrando louças,
e parte deixando o eco das conversas
que nunca tivemos coragem de ter.


No fim,
o que sobra cabe numa mão fechada:
um punhado de lembranças,
dores de segunda mão
e a certeza amarga
de que nada do que tocamos
se mantém inteiro por muito tempo.

Família que alimenta o ódio por causa de herança é herdeira da morte, cujo inventário está nas mãos do diabo.

"O Inventário das Portas Mudas"


Sou um currículo escrito em tinta invisível,
lançado ao vento de uma cidade de ferro.
Minhas mãos, prontas para o ofício e o zelo,
hoje apenas seguram o vácuo de um desterro.
O calendário é um carrasco de folhas secas,
onde o "amanhã" se veste de "ontem" outra vez.
Bato em portais que não possuem ouvidos,
enquanto o estômago conta o que a sorte não fez.
A fé é uma vela esquecida na chuva,
noventa por cento de sombra e de pavio.
O espelho me olha com olhos de estranho:
um barco ancorado no leito de um rio vazio.
Não sou mais o nome, nem o sonho, nem o plano;
sou o cansaço que aprendeu a caminhar.
Uma jornada de passos que não saem do canto,
sob um céu que desaprendeu a me olhar.

"O INVENTÁRIO DA AREIA E DO VENTO..."


Ah! Alcancei a crista da onda, aquele ponto cego onde o oceano se torna abismo e as águas, memória; um ápice que não é o topo da montanha, mas o momento em que a descida se torna a única forma de abraçar a terra. Já tenho em mãos o inventário do mundo: o sangue ramificado em filhos, o suor cristalizado em ofícios e os pequenos templos de tijolo que chamo de lar, mas à mesa, o banquete é de silêncio e o tilintar do garfo no prato vazio ecoa uma fome de ser...


A água na geladeira, guardada em vidros gélidos, retém o gosto de todos os rios que não naveguei, sabores de partida, espera e esquecimento que se misturam aos meus pensamentos, cavalos selvagens chicoteados pelo cronômetro. Eles galopam para o ontem em busca de um rastro, caem mortos no solo estéril do agora e fixam o olhar vítreo num amanhã que nunca se deixa tocar, enquanto meu centro se desfaz como um catavento enferrujado tentando ler o sentido dos ventos em dispersão...


Aos quarenta e oito invernos, o corpo reclama o aluguel do tempo e a força, antes uma lança de ferro, hoje é um fio de seda segurando o peso de uma existência que parece ter durado séculos. O álcool deixou de ser celebração para tornar-se um solvente, um mergulho em águas turvas para ignorar o naufrágio das células e os pequenos motins que minha própria biologia organiza contra mim...


Sinto a falta daquela euforia bruta dos finais de ciclo da juventude, da liberdade que cheirava a asfalto quente, antes que o acúmulo de dias se tornasse uma biblioteca de angústias. O livro da [minha] vida decidiu queimar suas próprias páginas; a história quer se abreviar, quer o ponto final antes que a tinta acabe, transformando-me em um ancião que assiste à própria biografia ser devorada pelas traças da finitude, enquanto o horizonte insiste em escrever capítulos sobre minha pele cansada...


Nesse processo de liquefação, aprendi a coreografia secreta do riso para mascarar o estrondo das quedas, descobrindo o luxo de chorar por dentro, uma chuva privada que irriga jardins que ninguém visita. Distanciei-me das âncoras que me prendiam a portos de gente falsa, buscando uma ecologia do ser onde o propósito é a presença da luz e o silêncio dos pensamentos que já pararam...


Não há mais o que explicar sobre a vista que embaça ao tentar ler o que está perto; talvez a alma tenha decidido focar apenas no que é infinito, desdenhando o que é ainda palpável. Sigo agora por este desfiladeiro onde a avalanche dos dias transforma o concreto em névoa e as lembranças em espectros sombrios e distantes, aceitando que tudo morra finalmente em mim, para que eu possa, despojado de tudo, renascer, quem sabe um dia, no vazio...


--- Risomar Sírley da Silva ---

O Inventário do Invisível


Talvez não tenhas me perdido num golpe,
num corte súbito de adaga ou de vontade.
Foi, antes, um desatar de nós mansos,
um esquecer-se de ser por pura distração da memória.
Não houve o estrondo da renúncia,
apenas o passo que, de tanto não voltar,
esqueceu o rastro do caminho.


Havia, outrora, um vulto, um breve estio,
um pólen de mim que pousava em teus dias;
uma cintilação de que eu, de algum modo,
atravessava o teu horizonte.
Hoje, o que resta é o vácuo, essa arquitetura muda.
E o silêncio não é ausência de som,
é o peso de um espaço que desistiu de ser preenchido.


Talvez não tenha faltado querer,
talvez tenha sobrado tempo, esse rio voraz
que carrega as margens que não são de pedra.
E eu, náufrago de um cais que nunca se firmou,
procuro o instante preciso da minha transparência:
quando foi que meus passos deixaram de ecoar no teu chão?
Ou terá sido minha alma, em seu delírio,
que desenhou cidades onde havia apenas deserto?

O Natal não é sobre luz ou esperança; é o inventário anual da falência moral. É o momento em que a sociedade confunde o vazio existencial com o vazio debaixo da árvore, tentando preencher com compras e excessos o buraco deixado por uma vida que, no fundo, não tem propósito algum além do consumo.

Viver não é o inventário das posses, mas o forjar incessante da própria existência, o acúmulo material é apenas a poeira cega que nos distrai da construção brutal e íntima do nosso templo interior.

Sou o inventário de versões minhas que não sobreviveram ao inverno, carrego os restos como quem guarda relíquias de um incêndio.

"As páginas que Isaque escreve hoje são o inventário da fortuna trilionária que ele já possui na alma."

No começo tudo é muito lindo, o fingimento deles ainda está perfeito, e o amor inventário das tolas, intocáveis. Mas ai então o tempo vai passando, e eles vão se cansando daquilo de ter que fingir todo dia uma coisa que não existe,elas vão percebendo e se tocado que na verdade,não tem amor, e se um dia existiu, não existe mais.Ai passam a se martirizarem por isso,sofrer mortalmente, só por que o garoto a enganou.É, ainda bem que eu já passei dessa fase, estou na fase em que o processo é inverso, eu finjo, eles acreditam, eu me canso, e eles sofrem.

Inserida por Jennyfferlaais

A viúva pobre pode não achar marido, assim como a herança que o pobre deixa não se faz inventario e não se briga pelas coisas que do mendigo deixa quando morre.

Inserida por eliasrocha

BREVIDADE

Guarda a ambição no inventário
que a caminhada é um piscar de olhos
qual íris na tempestade.

Inserida por mariomassari

Busque no inventário de ontem, a razão da tua tristeza de agora.

Inserida por JulioRamos

O que somos, senão o inventário e o protótipo de nós mesmos?

Inserida por flaviodaluz

No inventário por morte,somente os herdeiros são
perdedores.
Ganham o Estado e aqueles que fazem os herdeiros acreditarem neles.

Inserida por laplace.rodrigues