Inteira
Um momento de dor pode permanecer eternamente lembrado por aquele que sofreu.
Não importa se passaram cinco anos, vinte anos ou uma vida inteira.
Para o inconsciente não existe tempo linear.
As pessoas passam a vida inteira brigando com o mundo para conquistar o que acreditam não possuir: ideias, pessoas e coisas. Descobri recentemente algo assustador: o verdadeiro motivo dessa guerra generalizada é, pasme, a vergonha de demonstrar amor e fragilidade. Elas dizem e acreditam que a vida será melhor brigando do que amando, sem perceber que é na vulnerabilidade e no amor que reside o verdadeiro poder e plenitude.
Tinha passado a vida inteira se colocado em primeiro lugar, preocupada só consigo mesma e com o que sabia que era verdade, porque aprendera havia muito tempo que não podia controlar ninguém além de si mesma. Não podia fazer com que os outros mudassem de ideia, não podia obrigar alguém a amá-la se a pessoa não tivesse interesse nenhum em fazer isso nem podia evitar que alguém a abandonasse se era isso que a pessoa queria fazer.
Não tenha medo de quebrar. Pare de se agarrar à feiura apenas para ficar inteira.
Não procure alguém que te complete, procure alguém que não te tire nenhum pedaço, que faça-te sentir inteira.
Não há alegria mais verdadeira e cálida neste mundo do que ver uma grande alma que se abre inteira para nós.
Senti a pele corroer por dentro
e em questões de minuto
O mar se agitava e de alguma maneira
fez descer a cachoeira.
E la se vinha ela; pesada, inteira, sozinha
Para me fazer companhia.
Poesia.
É suscetível ao erro quem acha que liderança é aprendida em um único dia ou pequena temporada, a mesma é internalizada pela vida inteira.
O poder das nossas escolhas
Autoria: Diane Leite
Fui criada com o entendimento de que cada pessoa tem direito ao livre-arbítrio. E tem. Mas a liberdade, quando não é acompanhada de consciência, vira apenas uma fuga disfarçada.
Alguns usam o livre-arbítrio para ferir. Outros, para se esconder. Muitos, simplesmente, por não saberem mais sentir.
O que descobri — e quero te lembrar — é que junto com o direito de escolher, vem o dever de se responsabilizar por cada escolha. Porque não vivemos sozinhos. Somos parte de um todo.
E o que você escolhe... reverbera.
Com o tempo, aprendi a não projetar nos outros a minha forma de amar. Eles são eles. Eu sou eu.
E eu sou amor.
Dou amor. E continuarei oferecendo aos que me tocam com verdade — mas sem mais me abandonar para ser aceita.
Onde não há ressonância, há vazio.
E onde há vazio, não é o seu lugar.
Seu lugar é dentro de si.
Inteiro. Serena. Fiel ao que sente. Feliz por quem você está se tornando.
Em vez de sofrer pelas decisões dos outros, volte-se para dentro. Pergunte-se:
Como posso me amar mais hoje?
As escolhas alheias — na família, na amizade, no amor — pertencem a eles. E você, em sua liberdade, pode escolher a si. Pode partir sem culpa. Pode permanecer sem se anular.
Pode ser luz. E ainda assim, colocar limites.
Amar não é ser refém.
Perdoar é libertar-se.
Se você é sempre quem doa e nunca é recebida, talvez tenha esquecido que é a autora da sua própria história. Que pode reescrever o roteiro.
Que pode se escolher.
E que merece reciprocidade.
Ame com coragem.
Dê com inteireza.
Mas nunca mendigue o que deveria fluir.
Neste instante, escrevo com meu filho ao lado. Olho para ele e penso:
que sorte a minha por saber amar — sem me perder de mim.
Porque amar é isso: permanecer inteira…
A Mulher Que Se Refaz Sozinha
por Diane Leite
Talvez a gente nunca saiba.
Porque pra saber, teria que sentar. Olhar no olho. Aguentar o espelho.
E nem todo mundo aguenta se ver refletido numa mulher inteira.
Numa mulher que sente, que fala, que explode e não se esconde.
Porque mulher inteira assusta.
Dá trabalho.
Desmonta os outros.
O que destrói uma mulher não é a dor.
É a repetição.
É a indiferença.
É a tentativa de calar quem nasceu pra dizer.
De diminuir quem nasceu pra expandir.
De conter uma alma que sempre foi grande demais pra caber no pouco que oferecem.
Mas o que mais assusta...
Não é ver uma mulher quebrada.
É ver ela voltando.
Mais forte. Mais lúcida. Mais dela.
Uma mulher que se refaz com os próprios cacos, sem pedir ajuda.
Sem plateia.
Só com coragem.
Uma das coisas mais fodas que eu fiz na vida foi me olhar.
Despedaçada.
Sozinha.
Com sangue na boca e lágrima no queixo.
E mesmo assim, não menti pra mim.
E sabe o que aconteceu?
Deu certo.
Porque eu me conheci.
E quem se conhece...
não se abandona nunca mais.
