Instante
Luz
Em meio a um mundo corruptível,
Eis que surge uma luz,
Indefinível luz,
Que em um instante
Transforma tudo em luz,
Onde era escuro
Se viu luz,
Inexplicável luz,
E agora tão esperada luz,
-Pois anda tão escuro...
Luz!
Queria voltar ao primeiro instante de vida, quando mal a tinha, para tentar entender o que estava a ser,
Quando dei por mim estava rodeada por certezas e nenhuma resposta.
Não é o novo que me fascina, é o de sempre se renovando a todo instante e me surpreendendo o bastante pra não me distrair.
A saúde mental está relacionada com a alegria de viver.
Viva cada instante como se fosse único! Ser feliz é saudável!
PRA DEPOIS (soneto)
Vou chorar depois. Hoje estou disposto
Quero instante, sensação, seja qual for
Vou enxugar as lágrimas do meu rosto
Pois, não desejo um sentimento feridor
Já eu vou estar evidente sem desgosto
No versar próprio de convite ao amor
Na prosa ter felicidade. Quero o gosto
Sem pudor, amargor, somente primor
O tempo passa, a hora sai pela porta
A poética com agrado o que importa
Quero o essencial, e de nada perder
Afinal, o choro é pra ter a alma leve
E aos desencontros o meu até breve
Vou deixar o porvir e, hoje vou viver.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
19 julho 2025, 19’51” – Araguari, MG
O Peso do Instante
O que é o tempo, senão um espelho
Que nunca reflete o que somos agora?
Um fio invisível, sutura e conselho,
Que une o nunca ao que já foi embora.
Caminhamos sobre um chão de incerteza,
Embora firme como vento.
Somos fragmentos, poeira e beleza,
Ecoando o silêncio do pensamento.
Perguntas nascem antes da fala,
Respostas se perdem depois do porquê.
A vida não grita, apenas sussurra:
"Ser é o risco de não entender."
Nós pisamos em um abismo,
Com olhos famintos de eternidade
Pois mesmo o nada, quando olhado de frente,
É matéria crua da realidade.
A Máscara da Hipocrisia
Existem pessoas que vestem máscaras tão bem que, por um instante, quase convencem o mundo e até a si mesmas de que são aquilo que fingem ser. São os hipócritas e mentirosos, mestres da manipulação, que moldam suas palavras e atitudes conforme o que mais lhes convém. Vivem para o próprio benefício, sem remorso, sem verdade, sem lealdade.
Dizem o que agrada, prometem o que não cumprem, inventam versões distorcidas da realidade tudo para alcançar seus objetivos pessoais. Na frente, mostram sorrisos e afeto; por trás, calculam, traem e distorcem. A sinceridade é apenas um disfarce, e os valores que defendem em público raramente são os mesmos que praticam em silêncio.
A hipocrisia se revela quando pregam a honestidade, mas vivem de mentiras. Quando criticam os outros por atitudes que repetem sem culpa. Quando fazem-se de vítimas para esconder o papel de vilão. São especialistas em enganar, em manipular emoções, em usar os outros como degraus na própria escalada.
Mas, por mais que consigam enganar por um tempo, a verdade tem uma força silenciosa ela espera o momento certo para se revelar. E, quando isso acontece, a máscara cai, e tudo que restará será o vazio de quem construiu a própria imagem sobre falsidades.
CONFLUÊNCIA DOS INVISÍVEIS
Há um pacto selado no silêncio
entre o sopro breve do instante e a eternidade que espreita.
Nem sou caça, nem caçador do tempo,
apenas passo, como ele passa,
num compasso de olhos fechados.
Não corro.
Não me atraso.
Sou feito de agora.
E ele também.
Às vezes cruzo com a sombra dele
num reflexo na vidraça,
num fio branco que aparece,
num gesto que se repete sem que eu saiba por quê.
A vida?
É isso que pulsa sem forma
entre a dúvida e o desejo,
entre o que arde e o que abraça.
E a alma, essa caverna feita de ecos,
abriga lembranças, algumas minhas,
nem todas boas, mas todas minhas,
marcadas a fogo ou sussurradas na bruma.
Já a morte,
essa paz sem cor,
que recolhe tudo ao pó, de onde vim,
não me assusta mas comove.
É como ver um campo que nunca floresceu,
um nome que ninguém chamou com ternura,
ou como alguém que passou a vida inteira
escutando a música,
mas nunca se permitiu dançá-la.
Falta nela o riso que rompe o silêncio,
a febre dos que erram por amar demais,
a beleza do que foi quase.
Então eu respiro e nesse fôlego,
sinto:
sou vértice entre o que fui e o que vem,
sou tempo habitando a própria ausência,
sou instante que decidiu permanecer.
Para aqueles que amam a solidão, que cada instante consigo mesmo seja vivido como um tesouro raro — tão intenso, que, ao estarem em meio à multidão, sintam saudade do silêncio da própria alma.
E para aqueles que amam estar cercados de pessoas, que cada encontro seja celebrado com alegria tão plena, que, ao se verem sozinhos, sintam falta do calor das companhias.
Nós somos apenas um instante neste vasto Universo e na vasta multidão!
Como queres ser lembrado quando já não estiveres entre os vivos ou entre os teus hoje?
O amor de Deus transcende nossa capacidade de entender. A cada instante, ele nos envolve, restaurando nossa esperança, vez após vez. Infinito em bondade e graça, Ele nos abençoa a todo momento com Seu perdão e um amor que confere sentido genuíno à nossa existência passageira. Percebemos, então, que tudo o que temos é fruto de Seu amor, de Sua graça e de Sua bondade, uma dádiva de Sua misericórdia que nos abraça.
"Pare um instante o que está fazendo e pergunte a você mesmo: O que preciso melhorar para mudar minhas atitudes e meu relacionamento com as pessoas? Será que preciso dar mais que receber? Será que devo ter mais paciência com meu semelhante? Afinal, o que está faltando para que eu possa ser melhor? Há momentos em que precisamos tomar certas atitudes para crescermos como pessoas maduras capazes de enfrentar as dificuldades encontradas no caminho".
Existe apenas um instante na existência de um ser em que tudo é contínuo, estável e certo: a morte. Em todo o resto, há apenas a beleza de viver.
Minha Sapekinha
Em um instante, a vida se transforma,
Quando te vejo, meu coração se conforma.
Teus olhos são estrelas que brilham no céu,
Um universo inteiro dentro do teu véu.
Teus abraços são laços que me prendem forte,
Com você ao meu lado, não temo a sorte.
Cada risada tua é música para mim,
Um doce refrão que não tem fim.
Nosso amor é um rio que flui sem parar,
Nas margens da vida, juntos a sonhar.
Construindo castelos de sonhos e esperanças,
Dançando sob as luas em nossas andanças.
Por isso te amo com toda a força do ser,
E a cada dia quero mais te conhecer.
Nossa história é escrita com tinta de paixão,
Um poema eterno guardado no coração.
Mas qual futuro, uma vez que o seu caráter tênue em relação ao presente – o instante seguinte já vê pelo retrovisor os outros que lhe antecederam – soa como mais uma dessas ficções discursivas que nos ajudam em nossa obsessiva pretensão de ordenação daquilo que nos parece caótico e incontrolável?
“O amor morreu no instante em que passou a ser performance — substituído por likes, perdido entre telas e silenciado pela pressa.”
Somos o breve despertar da matéria para si mesma. Por um instante, átomos dispersos pelo cosmos se organizam, ganham forma e consciência, e ousam perguntar: 'o que sou?'. Mas não há um centro fixo, nem um propósito evidente — apenas o fluxo contínuo da existência, que se dobra sobre si em miríades de formas. A humanidade, nesse contexto, é uma metáfora do próprio universo: instável, transitória, mas plena de significado enquanto acontece. Existimos como quem sonha, e talvez a vida seja apenas o modo como o cosmos se contempla, silenciosamente, antes de adormecer novamente.
A existência é o silêncio que grita dentro do vazio, um instante onde o nada se torna possível e, por isso mesmo, impossível de ser esquecido. Não somos entidades separadas, mas pulsos dessa mesma vastidão tentando, em vão, agarrar o que nunca esteve à nossa mão: o sentido absoluto. Somos feitos do instante entre o ser e o não-ser, a tensão infinita que cria o movimento e o pensamento. Não há fora do existir, pois o existir é a fronteira que se estende e se recolhe, um horizonte que nunca alcançamos, mas que nos define. Viver é assumir a responsabilidade de ser a pergunta viva, um eterno questionar sem resposta, um testemunho daquilo que escapa à compreensão. O que chamamos ‘realidade’ é apenas o contorno provisório dessa busca, a sombra tênue de algo que é ao mesmo tempo todo e nada. Ser, então, é reconhecer que somos a ferida aberta do cosmos — e que nessa ferida pulsa a única certeza: a de que, no fundo, nada é certo, exceto a eternidade do mistério.
