Inesperado
I
Para quê tantos planos, se o inesperado nos aguarda como a última chama de um candeeiro que mal ilumina o próprio pavio? Traçamos rotas sobre mapas que se desmancham na chuva. Colecionamos certezas em gavetas que o acaso tranca com ferrugem. Vejo os rostos que partiram [não em procissão solene], mas evaporados no ar pesado das tardes. Eles não deixaram rastros, só um vácuo de gesto interrompido, um café pela metade sobre a mesa. O imprevisto, quando não chega como um ladrão ágil na janela da mocidade, instala-se paciente na poltrona da velhice, à espera do seu momento. É um hóspede que não traz bagagem, apenas um relógio de areia sem fundo. E nós, que julgávamos donos do terreno, descobrimos-nos frágeis como vidro sob pressão. A realidade não bate à porta; invade pelo telhado, quando já estamos dormindo. E o tempo, esse artesão silencioso, talha-nos com golpes cada vez mais fundos, até que a madeira revela suas rachaduras ocultas...
II
Para quê tantos diplomas, selos de um reino que desaba ao primeiro sopro do inverno? Corremos em círculos numa pista que não leva a lugar algum, apenas nos devolve ao ponto de partida, mais cansados. O sistema cobra em moeda invisível: noites em claro, olhos fixos em écrans frios, mãos que apertam outras mãos sem sentir a pele. No final, a conta vem em forma de silêncio. Um vazio que ecoa nos corredores da memória. Perguntamo-nos se valeu a pena o sacrifício do sol pela sombra, do riso pela cifra. Quiséramos ser imortais na alma [deixar uma marca que não se apaga na água], uma palavra que o vento não dispersa. Sonhamos com um fragmento que sobreviva, contador da nossa breve estadia. Mas a verdade é mais árida: seremos esquecidos, como bilhões antes de nós foram. Nomes apagados das lápides pela hera, vozes dissolvidas no ruído de fundo do mundo. Nem mesmo poeira seremos, pois a poeira ainda assenta nas coisas.
III
Sem identidade, viramos número nos arquivos empoeirados de alguma repartição [quisera celestial]. Sem leitor, nossas histórias são livros fechados em prateleiras abandonadas às traças. Sem memória, o que fomos deixa de existir até como fantasma [um fantasma ao menos assombra]. Sem alguém que lave nossos pés cansados, esses pés que tanto andaram de um lado para outro, atravessando lama e terra, em busca de um sentido que se esquivasse como o horizonte. Esses pés que pisaram flores e pedras, que sangraram em atalhos escusos, que dançaram em noites de alegria efêmera. Quem os guardará? Quem recordará o peso do corpo que carregaram, a direção que não encontraram? Somos peregrinos de uma fé que não nomeamos, em jornada para um templo em ruínas. E no fim, nem mesmo a água do esquecimento nos refrescará. Secaremos como rios intermitentes, nossa história sussurrada por ninguém, nosso amor reduzido a zero na equação do tempo...
IV
Mas talvez haja uma verdade mais dura e mais bela nisto tudo: a liberdade está precisamente no desapego do rastro, na renúncia à eternidade. Que importa não sermos lidos, se em vida fomos o verbo e não a nota de rodapé? Que importa o esquecimento, se amamos com a urgência de quem sabe o fogo se apaga? Os planos fracassados não eram inúteis; eram treinos para a entrega. Os diplomas não serviam ao sistema; eram armaduras que tivemos de desprender para sentir a chuva na pele. Os pés lavam-se a si mesmos no rio do caminho, e a água que levam é a única oferenda. Não ficaremos? Ficaremos no modo como uma pedra altera o curso do rio, mesmo que ninguém veja. Na maneira como uma palavra jogada ao acaso gerou um sorriso em um estranho. Somos o sopro que move um grão de areia no deserto imenso — ação mínima, mas real...
V
Então caminhemos. Sem a âncora pesada da imortalidade desejada. Com a leveza trágica de quem sabe que a chama se extinguirá. Que nossos passos, agora, não procurem sentido [que o criem no ato de pisar].
Que nossos rostos, antes de se desfazerem, reflitam o céu inteiro, ainda que por um instante. E quando o inesperado vier, seja na mocidade ou na velhice, que nos encontre de olhos abertos, contemplando o vazio não como um abismo, mas como o espaço onde, por fim, tudo é possível. Porque fomos. E esse ter sido, efêmero e sem testemunha, foi nosso ato mais radical de amor. Um eco sem paredes para repercutir, mas que existiu como vibração no ar. Um grão de poeira cósmica que, por um segundo, soube que brilhava.
--- Risomar Sírley da Silva ---
A força que tanto busco não está distante. Ela reside, humilde e poderosa, no inesperado e constante aconchego ao meu lado.
Viver é aprender a ser espaço para o outro. Nem sempre conhecido, às vezes inesperado. O gesto de acolher é ponte que salva do isolamento. Há uma ética simples em abrir uma cadeira. E essa gentileza transforma os cômodos do mundo.
A vingança do inesperado
Para o que é falso: "é que nada é para sempre"
Quem dirá "o que foi forçado acontecer
Ser escolhido sem barganha"
"Sonhar?
Sonho!
Mas não abro mão do inesperado...
Expectativas?
Ainda as tenho, mas não me faço sua escrava!
- Aprendi o caminho do meio!"
Haredita Angel
04.09.21
Sobre o inesperado
Às vezes a gente só tem vontade de fugir de tudo. Correr pra um lugar distante onde ninguém possa nos ferir. Eu já me quebrei em tantos pedaços que nunca mais consegui juntá-los. Hoje em dia me pego gostando ainda menos de certos sentimentos. Sempre acabamos perdendo tudo mesmo. O passado de vez em quando retorna às nossas mentes pra nos lembrar que nem tudo é como a gente espera que seja. Existem momentos em que deixamos de sentir. Outras vezes tudo o que a gente queria era sentir algo, mesmo que aquele sentimento não existisse de verdade. Nunca sabemos realmente o que esperar de alguém, e isto não impede que esta pessoa transforme nossa vida de forma significante. Eu não sabia o que deveria esperar, mas continuava esperando. O amor é isto.
Das coisas boas da vida
O inesperado crepúsculo
Divertido e peralta
Aos olhos salta
Ao paladar diverte
E o lúdico de viver
Brincando, brindando
Voando e beijando
Que bom que acontece...
Almejando um carinho inesperado, eu estou. Um beijo na testa, quem sabe. À espera daquele abraço apertado para me aquecer. Alguém sorrindo pra mim, rindo, olhando firme nos meus olhos sem desviar. Mensagens imprevistas. Admirar sorrisos bobos, eu quero. Sentir prazer, emoção, qualquer sentimento louco. Ligações durante a madrugada, desejo. Cócegas quero sentir, mordidas também. Andar de mãos dadas. Dormir e acordar ao teu lado. Discutir os nomes dos nossos filhos. Sair logo cedo para prestigiar o nascer do Sol. Caminhar na praia e conversar até um começar a fazer o outro rir. Mas não quero isso de alguém qualquer, quero isso de você. Não pretendo dividi-lo. Compartilhar-te não é uma função que eu costumo praticar. Desejo-lhe com todas as forças. Quero brigas com o término de uns beijos demorados. Quero passar noites em claro conversando, amando-te, ou até mesmo te observando dormir. Almejo o teu carinho... Todo o teu amor.
Almejando um carinho inesperado, eu estou. Um beijo na testa, quem sabe. À espera daquele abraço apertado para me aquecer. Alguém sorrindo pra mim, rindo, olhando firme nos meus olhos sem desviar. Mensagens imprevistas. Admirar sorrisos bobos, eu quero. Sentir prazer, emoção, qualquer sentimento louco. Ligações durante a madrugada, desejo. Andar de mãos dadas. Dormir e acordar ao teu lado. Discutir os nomes dos nossos filhos. Sair logo cedo para prestigiar o nascer do Sol. Caminhar na praia e conversar até um começar a fazer o outro rir. Mas não quero isso de alguém qualquer, quero isso de você. Não pretendo dividi-lo. Compartilhar-te não é uma função que eu costumo praticar. Desejo-lhe com todas as forças. Quero brigas com o término de uns beijos demorados. Quero passar noites em claro conversando, amando-te, ou até mesmo te observando dormir. Todo o teu amor.
Amo o inesperado, aquele sentimento que nasce em um olhar, que marca com um sorriso e que apenas deixa acontecer, se entrega, foge das regras, e acontece nos dois corações simultaneamente no ali, no agora fazendo valer o viver o hoje em mergulhar na vida agora.
Quando menos esperamos o imprevisível nos surpreende, mostrando que o inesperado também pode vim a realidades e ser notado.
Comportamento!
Não espere o inesperado para mudanças acontecer,
comece agora,você vai ter consciência tranquila,
os dias serão mais valorizados,
você entenderá,porque ele passa tão rápido quando você quer que ele demore,
e porque ele demora,quando você quer que ele acelere,
Nunca ficamos satisfeitos,
temos comportamentos inesperados,
ficamos a mercê de pensamentos negativos,
que constrói: ódio,vingança,desesperos,dor
mas pra mudança acontecer,
comece em você,
tire de suas dúvidas,momento pra você cultivar a fé,
viva o hoje,que está recheado de acontecimentos,
mas pra cada um,
seus cuidados,
seus prazeres,
sua preocupação.
Muitas flores, acompanharão,
mas em meio aos espinhos,elas não tem dúvidas
de que seu brilho,sua beleza,
é a diferença acontecida!!!!!!
