Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e nĂŁo encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa sĂł rosa.
Presença
Ă preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frĂȘmito em teus cabelos...
Ă preciso que a tua ausĂȘncia trescale
sutilmente, no ar, trevo machucado,
folhas de alecrim desde hĂĄ muito guardadas
nĂŁo se sabe por quem nalgum mĂłvel antigo.
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
Ă preciso a saudade para eu te sentir
como sinto â em mim â a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges Ă©s tĂŁo outra e mĂșltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te!
"Eu te odeio", disse ela para um homem cujo crime Ășnico era o de nĂŁo amĂĄ-la. "Eu te odeio", disse muito apressada. Mas nĂŁo sabia sequer como se fazia. Como cavar na terra atĂ© encontrar a ĂĄgua negra, como abrir passagem na terra dura e chegar jamais a si mesma?
1 universo, 8 planetas, 204 paĂses, 809 ilhas, 7 mares, 7 bilhĂ”es de pessoas. E a Ășnica pessoa que eu sĂł preciso para ser feliz Ă© vocĂȘ!
Um homem só encontra a mulher ideal quando olhar no seu rosto e vir um anjo e, tendo-a nos braços, ter as tentaçÔes que só os demÎnios provocam.
Minha vida nĂŁo foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amar, nĂŁo digas, que morro
De surpresa... de encanto... de medo...
Minha vida nĂŁo foi um romance
Minha vida passou por passar
Se nĂŁo amas, nĂŁo finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.
Minha vida nĂŁo foi um romance...
Pobre vida... passou sem enredo...
GlĂłria a ti que me enches de vida
De surpresa, de encanto, de medo!
Minha vida nĂŁo foi um romance...
Ai de mim... JĂĄ se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso... de um gesto... um olhar...
Versos Ăntimos
VĂȘs! NinguĂ©m assistiu ao formidĂĄvel
Enterro de tua Ășltima quimera.
Somente a IngratidĂŁo â esta pantera â
Foi tua companheira inseparĂĄvel!
Acostuma-te Ă lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserĂĄvel,
Mora entre feras, sente inevitĂĄvel
Necessidade de também ser fera.
Toma um fĂłsforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mĂŁo que afaga Ă© a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mĂŁo vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Se vocĂȘ nĂŁo consegue lidar com os limites dos outros, Ă© porque vocĂȘ nĂŁo consegue lidar com os seus limites. A rejeição Ă© um processo de ver-se.
Toda vez que eu quero buscar no outro o que me falta, eu o torno um objeto. Eu posso até admirar no outro o que eu não tenho em mim, mas eu não tenho o direito de fazer do outro uma representação daquilo que me falta. Isso não é amor, isso é coisa de criança.
O anonimato é um perigo para nós. à sempre bom que estejamos com pessoas que saibam quem somos nós e que decisÔes nós tomamos na vida. à sempre bom estarmos em um lugar que nos proteja.
Amar alguĂ©m Ă© viver o exercĂcio constante, de nĂŁo querer fazer do outro o que a gente gostaria que ele fosse. A experiĂȘncia de amar e ser amado Ă© acima de tudo a experiĂȘncia do respeito.
Como estĂĄ a nossa capacidade de amar? Uma coisa Ă© amar por necessidade e outra Ă© amar por valor. Amar por necessidade Ă© querer sempre que o outro seja o que vocĂȘ quer. Amar por valor Ă© amar o outro como ele Ă©, quando ele nĂŁo tem mais nada a oferecer, quando ele Ă© um inĂștil e por isso vocĂȘ o ama tanto. Na hora em que forem embora as suas utilidades, vocĂȘ saberĂĄ o quanto Ă© amado!
Tudo vai ser perdido, sĂł espero que vocĂȘ nĂŁo se perca. Enquanto vocĂȘ nĂŁo se perder de si mesmo vocĂȘ serĂĄ amado, pois o que vocĂȘ Ă© significa muito mais do que vocĂȘ faz!
O convite da vida cristĂŁ Ă© esse: que vocĂȘ possa ser mais do que vocĂȘ faz!
Fåcil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
DifĂcil Ă© sentir a energia que Ă© transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Nota: Trecho do poema "ReverĂȘncia ao destino".
Uma das coisas mais belas da vida é olhar para o céu, contemplar uma estrela e imaginar que muito distante existe alguém olhando para o mesmo céu, contemplando a mesma estrela e murmurando baixinho: "Que Saudade".
QUADRILHA
JoĂŁo amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
JoĂŁo foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que nĂŁo tinha entrado na histĂłria.
Um dia vocĂȘ aprende que as verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distĂąncias. E o que importa nĂŁo Ă© o que vocĂȘ tem na vida, mas quem tem na vida. Aprende que nĂŁo temos que mudar de amigos, se compreendermos que os amigos mudam.
Nota: Trecho adaptado do poema de Veronica Shoffstall.
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas nĂŁo penso nele
Porque pensar Ă© nĂŁo compreender...
O Mundo nĂŁo se fez para pensarmos nele
(Pensar Ă© estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu nĂŁo tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza nĂŁo Ă© porque saiba o que ela Ă©,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que Ă© amar...
Nota: Trecho de "O Guardador de Rebanhos", do livro "Poemas de Alberto Caeiro", de Fernando Pessoa (heterĂŽnimo Alberto Caeiro).
...MaisSeu coração disse pra sua cabeça, vå, e sua cabeça disse pra sua coragem, vou, e sua coragem respondeu, vou nada, mas sua boca não ouviu e beijou.
Tentei lhe dizer muitas coisas, mais acabei descobrindo que amar Ă© muito mais sentir do que dizer. E milhĂ”es de frases bonitas, jamais alcançariam o que eu sinto por vocĂȘ.
O jeito deles
O que Ă© que faz a gente se apaixonar por alguĂ©m? MistĂ©rio misterioso. NĂŁo Ă© sĂł porque ele Ă© esportista, nĂŁo Ă© sĂł porque ela Ă© linda, pois hĂĄ esportistas sem cĂ©rebro e lindas idem, e vocĂȘ, que tem um, nĂŁo vai querer saber de descerebrados. Mas tambĂ©m nĂŁo basta ser inteligente, por mais que a inteligĂȘncia esteja bem cotada no mercado. Tem que ser inteligente e... algo mais. O que Ă© este algo mais? MistĂ©rio decifrado: Ă© o jeito.
A gente se apaixona pelo jeito da pessoa. Não é porque ele cita CamÔes, não é porque ela tem olhos azuis: é o jeito dele de dizer versos em voz alta como se ele mesmo os tivesse escrito pra nós; é o jeito dela de piscar demorado seus lindos olhos azuis, como se estivesse em cùmera lenta.
O jeito de caminhar. O jeito de usar a camisa pra fora das calças. O jeito de passar a mão no cabelo. O jeito de suspirar no final das frases. O jeito de beijar. O jeito de sorrir. Vå tentar explicar isso.
Pelo meu primeiro namorado, me apaixonei porque ele tinha um jeito de estar nas festas parecendo que nĂŁo estava, era como se sĂł eu o estivesse enxergando. O segundo namorado me fisgou porque tinha um jeito de morder palitos de fĂłsforo que me deixava louca â ok, pode rir. Ele era um cara sofisticado, e por isso mesmo eu vibrava quando baixava nele um caminhoneiro. O terceiro namorado tinha um jeito de olhar que parecia que despia a gente: nĂŁo as roupas da gente, mas a alma da gente. Logo vi que eu jamais conseguiria esconder algum segredo dele, era como se ele me conhecesse antes mesmo de eu nascer. Por precaução, resolvi casar com o sujeito e mantĂȘ-lo por perto.
E teve aqueles que nĂŁo viraram namorados tambĂ©m por causa do jeito: do jeito vulgar de falar, do jeito de rir â sempre alto demais e por coisas totalmente sem graça â, do jeito rude de tratar os garçons, do jeito mauricinho de se vestir: nunca um desleixo, sempre engomado e perfumado, atĂ© na beira da praia. Nenhum defeito nisso. Pode atĂ© ser que eu tenha perdido os caras mais sensacionais do universo.
Mas o cara mais sensacional do universo e a mulher mais fantĂĄstica do planeta nunca irĂŁo conquistar vocĂȘ, a nĂŁo ser que tenham um jeito de ser que vocĂȘ nĂŁo consiga explicar. Porque esses jeitos que nos encantam nĂŁo se explicam mesmo.
Ă distĂąncia
HĂĄ quem por ti de longe vela,
Deseja te ver sempre brilhar,
Oferece-te carinho e zela
Por tua felicidade e bem-estar.
Alguém com palavras pincela
O quanto encanta o teu olhar,
CompÔe versificada aquarela,
Almeja admiração demonstrar.
Tanta dedicação assim revela
Ser pouco importante o lugar,
Se uma paixĂŁo existe e Ă© bela
Até a distùncia poderå superar.
Ă muito difĂcil fazer sua cabeça e
seu coração trabalharem juntos.
No meu caso, eles nĂŁo sĂŁo nem amigos.
(Crimes e Pecados)
Dos ficantes aos namoridos
Se vocĂȘ Ă© deste sĂ©culo, jĂĄ sabe que hĂĄ duas tribos que definem o que Ă© um relacionamento moderno.
Uma Ă© a tribo dos ficantes. O ficante Ă© o cara que te namora por duas horas numa festa, se nĂŁo tiver se inscrito no campeonato âQuem pega mais numa Ășnica noiteâ, quando entĂŁo ele serĂĄ seu ficante por bem menos tempo â dois minutos â e irĂĄ Ă procura de outra para bater o prĂłprio recorde. Ă natural que garotos e garotas queiram conhecer pessoas, ter uma histĂłria, um romance, uma ficada, duas ficadas, trĂȘs ficadas, quatro ficadas... Esquece, nĂŁo acho natural coisa nenhuma. Considero um desperdĂcio de energia.
Pegar sete caras. Pegar nove âminaâ. A gente estĂĄ falando de quĂȘ, de catadores de lixo? Pegar, pega-se uma caneta, um tĂĄxi, uma gripe. NĂŁo pessoas. Pegue-e-leve, pegue-e-largue, pegueeuse, pegue-e-chute, pegue-e-conte-para-os-amigos.
Pegar, cĂĄ pra nĂłs, Ă© um verbo meio cafajeste. Em vez de pegar, poderĂamos adotar algum outro verbo menos frio. Porque, quando duas bocas se unem, nada Ă© assim tĂŁo frio, na maioria das vezes esse ânĂŁo estou nem aĂâ Ă© jogo de cena. VĂŁo todos para a balada fingindo que deixaram o coração em casa, mas deixaram nada. Deixaram a personalidade em casa, isso sim.
No entanto, quem pode contra o avanço (???) dos costumes e contra a vulgarização do vocabulĂĄrio? Falando nisso, a segunda tribo a que me referia Ă© a dos namoridos, a palavra mais medonha que jĂĄ inventaram. Trata-se de um homem hĂbrido, transgĂȘnico.
Em tese, ele vale mais do que um namorado e menos que um marido. Assim que a relação começa, juntam-se os trapos e parte-se para um casamento informal, sem papel passado, sem compromisso de estabilidade, sem planos de uma velhice compartilhada â namoridos nĂŁo foram escolhidos para serem parceiros de artrite, reumatismo e pressĂŁo alta, era sĂł o que faltava.
Pois entĂŁo. A ideia Ă© boa e prĂĄtica. SĂł que o Ăndice de prĂncipes e princesas virando sapo Ă© alta, nĂŁo se evita o tĂ©dio conjugal (comum a qualquer tipo de acasalamento sob o mesmo teto) e pula-se uma etapa quentĂssima, a melhor que hĂĄ.
Trata-se do namoro, alguns jå ouviram falar. à quando cada um mora na sua casa e tem rotinas distintas e poucos horårios para se encontrar, e esse pouco ganha a importùncia de uma celebração.
Namoro Ă© quando nĂŁo se tem certeza absoluta de nada, a cada dia um segredo Ă© revelado, brotam informaçÔes novas de onde menos se espera. De manhĂŁ, um silĂȘncio inquietante. Ă tarde, um mal-entendido. Ă noite, um torpedo reconciliador e uma declaração de amor.
Namoro Ă© teste, Ă© amostra, Ă© ensaio, e por isso a dedicação Ă© intensa, a sedução Ă© ininterrupta, os minutos sĂŁo contados, os meses sĂŁo comemorados, a vontade de surpreender nĂŁo cessa â e Ă© a Ășnica relação que dĂĄ o devido espaço para a saudade, que Ă© fermento e afrodisĂaco. Depois de passar os dias se vendo sĂł de vez em quando, viajar para um fim de semana juntos vira o cĂ©u na Terra: nunca uma sexta-feira nasce tĂŁo aguardada, nunca uma segunda-feira Ă© enfrentada com tanta leveza.
Namoro Ă© como o disco âSgt. Peppersâ, dos Beatles: parece antigo e, no entanto, nĂŁo hĂĄ nada mais novo e revolucionĂĄrio. O poeta Carlos Drummond de Andrade tambĂ©m Ă© de outro tempo e Ă© para sempre. Ă ele quem encerra esta crĂŽnica, dando-nos uma ordem para a vida: âCumpra sua obrigação de namorar, sob pena de viver apenas na aparĂȘncia. De ser o seu cadĂĄver itinerante".
A compaixĂŁo pelos animais estĂĄ intimamente ligada a bondade de carĂĄter, e quem Ă© cruel com os animais nĂŁo pode ser um bom homem.
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