Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

FELICIDADE REALISTA

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. NĂŁo Ă© tarefa das mais fĂĄceis. A princĂ­pio, bastaria ter saĂșde, dinheiro e amor, o que jĂĄ Ă© um pacote louvĂĄvel, mas nossos desejos sĂŁo ainda mais complexos.

NĂŁo basta que a gente esteja sem febre: queremos, alĂ©m de saĂșde, ser magĂ©rrimos, sarados, irresistĂ­veis. Dinheiro? NĂŁo basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olĂ­mpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... nĂŁo basta termos alguĂ©m com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso Ă© pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiĂșsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declaraçÔes e presentes inesperados, queremos jantar Ă  luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diĂĄrio, queremos ser felizes assim e nĂŁo de outro jeito.

É o que dĂĄ ver tanta televisĂŁo. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que sĂł podemos ser felizes formando um par, e nĂŁo como Ă­mpares? Ter um parceiro constante nĂŁo Ă© sinĂŽnimo de felicidade, a nĂŁo ser que seja a felicidade de estar correspondendo Ă s expectativas da sociedade, mas isso Ă© outro assunto. VocĂȘ pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com trĂȘs parceiros, feliz sem nenhum. NĂŁo existe amor minĂșsculo, principalmente quando se trata de amor-prĂłprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitå-lo, gastå-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista Ă© fazer o possĂ­vel e aceitar o improvĂĄvel. Fazer exercĂ­cios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relĂłgio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lĂĄ dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida nĂŁo Ă© um game onde sĂł quem testa seus limites Ă© que leva o prĂȘmio. NĂŁo sejamos vĂ­timas ingĂȘnuas desta tal competitividade. Se a meta estĂĄ alta demais, reduza-a. Se vocĂȘ nĂŁo estĂĄ de acordo com as regras, demita-se. Invente seu prĂłprio jogo.

Martha Medeiros
Montanha-Russa. Porto Alegre: L&PM Editores, 2003.

Nota: Apesar de muitas vezes atribuĂ­da, de forma errĂŽnea, a MĂĄrio Quintana, essa crĂŽnica Ă© da autoria de Martha Medeiros, tendo sido originalmente publicada no site Almas GĂȘmeas em 08/01/2001 e depois integrada no livro "Montanha-Russa".

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Deus nos concede, a cada dia, uma pĂĄgina de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta.

Vou me enganar mais uma vez, fingindo que te amo Ă s vezes, como se nĂŁo te amasse sempre.

Tati Bernardi

Nota: Trecho da crÎnica "Periférico".

Soneto 18

Se te comparo a um dia de verĂŁo
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chĂŁo
E o tempo do verĂŁo Ă© bem pequeno.

Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que Ă© belo declina num sĂł dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verĂŁo serĂĄ eterno,
E a beleza que tens nĂŁo perderĂĄs;
Nem chegarĂĄs da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerĂĄs.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farĂŁo viver.

Amar talvez seja isso...
Descobrir o que o outro fala mesmo quando ele nĂŁo diz.

Deus costuma usar a solidĂŁo
Para nos ensinar sobre a convivĂȘncia.
Às vezes, usa a raiva para que possamos
Compreender o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio, quando quer
nos mostrar a importĂąncia da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silĂȘncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço, para que possamos
Compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa a doença, quando quer
Nos mostrar a importĂąncia da saĂșde.
Deus costuma usar o fogo,
para nos ensinar a andar sobre a ĂĄgua.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
Compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer
Nos mostrar a importĂąncia da vida.

Paulo Coelho

Nota: Trecho adaptado do livro "Manual do Guerreiro da Luz".

O homem nĂŁo morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar.

Mark Twain

Nota: Adaptação de outro pensamento do autor, por vezes erroneamente atribuído a Charles Chaplin.

Costumamos dizer que amigos de verdade sĂŁo os que estĂŁo ao seu lado em momentos difĂ­ceis... Mas nĂŁo! Amigos verdadeiros sĂŁo os que suportam a tua felicidade! Porque em um momento difĂ­cil qualquer um se aproxima de vocĂȘ. Mas o seu inimigo jamais suportaria a sua felicidade!

JĂĄ nĂŁo se encantarĂŁo os meus olhos nos teus olhos,
jå não se adoçarå junto a ti a minha dor.

Mas para onde vĂĄ levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarĂĄs a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serĂĄs daquele que te ame,
daquele que corte na tua chĂĄcara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.

Pablo Neruda
Presente de um poeta

VocĂȘ foi a esperança nos meus dias de solidĂŁo, a angĂșstia dos meus instantes de dĂșvida, a certeza nos momentos de fĂ©.

Alguns vão te odiar, fingem que te amam agora. Então, pelas costas, eles tentam te eliminar. Mas quem Jah abençoa, ninguém amaldiçoa.

Bob Marley
Who The Cap Fit

FĂĄcil Ă© sair com vĂĄrias pessoas ao longo da vida. DifĂ­cil Ă© entender que pouquĂ­ssimas delas vĂŁo te aceitar como vocĂȘ Ă© e te fazer feliz por inteiro. DifĂ­cil Ă© ocupar o coração de alguĂ©m. Saber que se Ă© realmente amado.

Desconhecido

Nota: Trecho do poema "ReverĂȘncia ao destino".

Tenho fases, como a Lua; fases de ser sozinha, fases de ser sĂł sua.

CecĂ­lia Meireles

Nota: Adaptação de trechos de "Lua Adversa".

Eu nĂŁo preciso de vocĂȘ nem para andar e nem para ser feliz, mas como seria bom andar e ser feliz ao seu lado.

Tati Bernardi

Nota: Trecho da crĂŽnica "Eu sĂł queria um namorinho de portĂŁo"

Se eu pudesse deixar algum presente a vocĂȘ, deixaria aceso o sentimento de amar a vida dos seres humanos. A consciĂȘncia de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora. Lembraria os erros cometidos para que nĂŁo mais se repetissem. A capacidade de escolher novos rumos. Deixaria para vocĂȘ, se pudesse, o respeito aquilo que Ă© indispensĂĄvel. AlĂ©m do pĂŁo, o trabalho. AlĂ©m do trabalho, a ação. E, quando tudo mais faltasse, um segredo: o de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saĂ­da.

Aprende que com a mesma severidade com que julga, vocĂȘ serĂĄ em algum momento condenado. Aprende que o tempo nĂŁo Ă© algo que possa voltar para trĂĄs. E vocĂȘ aprende que realmente pode suportar... que realmente Ă© forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que nĂŁo se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que vocĂȘ tem valor diante da vida.

Veronica Shoffstall

Nota: Trecho adaptado e adulterado de poema de Veronica Shoffstall.

Amar Ă© ter um pĂĄssaro pousado no dedo.
Quem tem um pĂĄssaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar.

Amar Ă©...
sorrir por nada e ficar triste sem motivos
Ă© sentir-se sĂł no meio da multidĂŁo,
Ă© o ciĂșme sem sentido,
o desejo de um carinho;
é abraçar com certeza e beijar com vontade,
Ă© passear com a felicidade,
Ă© ser feliz de verdade!

NinguĂ©m Ă© perfeito atĂ© que vocĂȘ se apaixone por essa pessoa.

Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo nĂŁo pode durar. NĂŁo, ela nĂŁo estĂĄ se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se entĂŁo sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. EntĂŁo, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mĂŁo livre do homem, e ao prendĂȘ-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja.

Clarice Lispector
Onde estivestes de noite. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Nota: Trecho da crĂŽnica Vida ao natural.

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